REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume: 19.2 DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/1415-2762.20150027

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Pesquisa

Gerenciamento de recursos humanos em enfermagem: estudo da interface idade - absenteísmo

Management of human resources in nursing: study of the interface age - absenteeism

Ângela Silveira Gagliardo Calil1; Marli de Carvalho Jericó2; Márcia Galan Perroca2

1. Enfermeira. Mestre em Ciências da Saúde. Professora do Departamento de Enfermagem Especializada da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - FAMERP. São José do Rio Preto, SP - Brasil
2. Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta da FAMERP. São José do Rio Preto, SP - Brasil

Endereço para correspondência

Ângela Silveira Gagliardo Calil
E-mail: angela@famerp.br

Submetido em: 28/08/2014
Aprovado em: 01/06/2015

Resumo

Esta pesquisa retrospectiva teve por objetivo investigar a relação entre a variável idade e a ocorrência de ausências não previstas da equipe de enfermagem. Foi conduzida junto a 652 colaboradores lotados em oito unidades de internação de um hospital de ensino no interior do estado de São Paulo. Constituíram-se em fontes de informações as bases de dados do Departamento de Pessoal, Centro de Atendimento ao Trabalhador (CEAT) e Sistema de Gestão Hospitalar, referentes às ausências não previstas, e dados demográficos da equipe de enfermagem, assim como escalas mensais disponibilizadas pela gerência de enfermagem. As ausências predominantes constituíram-se em licenças médicas - 45,5 a 55,3% na faixa etária de 20-40 anos. Os atestados médicos representaram 28.961 (71,1%) dos 40.744 dias não trabalhados. Houve mais frequência de agravos do sistema osteomuscular em todas as faixas etárias - 12,6 a 38,9% e aparelho respiratório - 11,1% - 20-30 anos. Os transtornos mentais apresentaram mais duração média - 23 (187) e 7.354 dias perdidos (72,5%) - 31 a 50 anos. A idade não se constituiu em fator que influencia a ocorrência de ausências não previstas. O mapeamento do absenteísmo e suas causas permitem refletir sobre as condições laborais e a elaboração de políticas e estratégias de gestão de pessoas.

Palavras-chave: Recursos Humanos de Enfermagem; População em Idade de Trabalhar; Absenteísmo.

 

INTRODUÇÃO

O cuidar depende de pessoas e estas constituem o capital intelectual das organizações. Dessa forma, alterações no quantitativo de pessoal podem influenciar nos seus resultados.

O dimensionamento adequado do pessoal de enfermagem em instituições de saúde foi motivo de atenção da Resolução 293/041 do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Nesta, entre outros aspectos, recomenda-se o Índice de Segurança Técnico (IST) não inferior a 15% para cobertura de ausências e, também, o acréscimo de 10% sobre este índice na eventualidade de 60% ou mais dos membros da equipe apresentarem idade superior a 50 anos.

Contudo, não se encontraram na literatura achados que respaldassem essa recomendação ou sugerissem que profissionais de enfermagem com idade superior a 50 anos pudessem apresentar menos produtividade ou mesmo que se ausentassem mais do trabalho. Desta forma, este estudo teve como propósito responder às seguintes questões: a idade constitui-se em fator que influencia na ocorrência de ausências não previstas entre os membros da equipe? Colaboradores com idade acima de 50 anos ausentam-se com mais frequência e por mais tempo do trabalho?

Embora outros estudos abordem a questão do absenteísmo tendo a idade como um dos dados demográficos, esta pesquisa foi delineada de forma a estratificar a variável idade em faixas etárias relacionando-as a diversos aspectos das ausências (tipo, frequência, duração, licença médica e Classificação Internacional de Doenças - CID). Esta estratificação permite um olhar mais abrangente e aprofundado sobre a relação idade-ausências nos diversos grupos investigados.

O absenteísmo constitui-se em problema preocupante para gestores devido ao seu impacto sobre o paciente, comprometendo sua segurança e qualidade da assistência.2,3 Para o trabalhador, desencadeia um efeito cascata, gerando sobrecarga4,5e insatisfação para com o trabalho e organização.6-7 Os custos gerados têm sido relatados como relevantes.8-9 Aparentemente, o aumento da carga de trabalho, em curto prazo, pode gerar mais produtividade. Contudo, com o passar do tempo, torna-se mais dispendiosa devido aos afastamentos por agravos à saúde.5

As ausências não previstas têm sido identificadas em alguns países como uma das principais questões que comprometem a força de trabalho da enfermagem. Sua importância é destacada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que investiga indicadores de absenteísmo entre esses profissionais.5-6 No Brasil, o programa "Compromisso com a Qualidade Hospitalar" (CQH)10 propõe indicadores, disponibilizando informações para nortear a gestão.

Concomitantemente à questão do ausentismo, assinala-se o envelhecimento da força de trabalho, gerando necessidade de reestruturação nas organizações para o ajustamento dos profissionais com idade mais elevada.11 Dados revelam aumento de 38,7% para 42% do número de postos ocupados por pessoas com mais de 40 anos entre 2004 e 2009.12 Segundo estimativas, a população brasileira em idade ativa, em 2040, será constituída por aproximadamente 57% de pessoas com mais de 45 anos.13

No que diz respeito aos trabalhadores de enfermagem, no Brasil eles se encontram entre 26 e 55 anos. Há mais concentração de enfermeiros (65,3%) e técnicos (71,6%) na idade entre 26 e 35 anos. Já para os auxiliares ocorre predomínio da idade entre 36 e 45 anos (56,9%). Os profissionais com idade acima de 55 anos totalizam 26,9%.14

Internacionalmente, investigação conduzida junto a 18.676 profissionais de enfermagem5 identificou contingente de 1.264 (34,7%) enfermeiros na faixa etária de 45 a 54 anos e 499 (13,7%) com idade acima de 55 anos. Assim, nesse contexto, este estudo teve por objetivo investigar a relação entre a variável idade e a ocorrência de ausências não previstas da equipe de enfermagem.

 

MÉTODO

Este estudo, de natureza descritivo-exploratória e retrospectiva (2007-2009), foi realizado em um hospital de ensino de capacidade extra, localizado no interior do estado de São Paulo. Os cenários selecionados foram oito unidades de internação, sendo quatro clínicas médico-cirúrgicas e quatro unidades especializadas (Unidade de Terapia Intensiva Adulto, Unidade Coronariana Adulto, Unidade Cardiológica Pediátrica e Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica), representando 652 profissionais de enfermagem.

A coleta de dados seguiu as seguintes etapas:

  • busca das informações: constituíram-se em fontes de informações as bases de dados do Departamento de Pessoal, Centro de Atendimento ao Trabalhador (CEAT) e Sistema de Gestão Hospitalar referentes às ausências não previstas e dados demográficos da equipe de enfermagem, assim como escalas mensais disponibilizadas pela gerência de enfermagem;
  • organização das informações em planilhas no programa microsoft excel;
  • classificação das ausências por tipos: 1. licenças médicas (até 15 dias, INSS, acidente de trabalho, gestante); 2. faltas (injustificadas e abonadas); 3. outras ausências: suspensão, gala (casamento), nojo (óbito). Foram consideradas faltas abonadas: declaração judicial, acompanhamento de filho menor, pai ou esposa ao médico, participação em treinamentos, eventos, eleições, vestibular e participação em aulas de cursos de pós-graduação latu e strictu sensu e doação de sangue. Os agravos à saúde foram categorizados segundo o CID-10.15
  • Foram solicitadas autorizações à diretoria da instituição, gerência de enfermagem e chefias das unidades de clínicas médico-cirúrgicas e especializadas de onde os dados foram extraídos. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa - parecer nº 095/2010.

    Para tratamento estatístico das ausências acima de um ano dos colaboradores, considerou-se 2007 como o ano de saída para evitar duplicação dos achados. Foram computadas as ausências dos colaboradores com início ou término no período de investigação. Nas situações em que foi documentado mais de um CID para a mesma ausência, optou-se pela primeira.

    Os programas Rx64 versão 2.13.0 e o The R Foundation for Statistical Computing 2011 foram utilizados para tratamento estatístico. Os resultados encontram-se apresentados como frequência absoluta e relativa, mediana e para medida de variabilidade - amplitude interquartílica (AIQ).

     

    RESULTADOS

    Observou-se que dos 652 colaboradores investigados, 560 (85,9%) apresentaram algum tipo de ausência no período de 2007 a 2009. Foram identificadas 4.217 ausências, correspondendo a 40.744 dias não trabalhados. As licenças médicas (49,1 a 55,5%) e as faltas (26,9 a 30,4%) constituíram-se nas ausências mais frequentes.

    Considerando-se a duração, as licenças-gestantes apresentaram Md 134 (17,7) - variação 20-134 dias, seguidas pelas licenças INSS com mediana variando de 61 (52,5) a 77,5(244,3) - variação 16 a 1.095 dias. Nos anos investigados, foram observados 23.163 (56,8%) dias não trabalhados referentes a licenças INSS e 7.022 (17,2%) dias de licenças médicas.

    Foram encontrados 23 (4,1%) trabalhadores acima de 50 anos. A Tabela 2 mostra maior frequência de ausências nos colaboradores nas faixas etárias de 20 a 30 anos - 1.677 e de 31 a 40 anos - 1.666 representando 79,3% do total das ausências. As licenças médicas (variação 45,5 a 55,3%) na faixa etária de 20 a 40 anos e as faltas injustificadas e abonadas (variação 25,6 a 34,1%) na faixa de 31 a 40 anos foram as ausências de mais ocorrência nas diversas faixas etárias.

     

     

     

     

    Do total de 40.744 dias não trabalhados devido aos diversos tipos de ausências, 21.467(52,7%) ocorreram em 2007; 9.857(24,2%) em 2008 e 9.420 (23,1%) em 2009. A faixa etária de 31 a 40 anos evidenciou 14.645 (36,0%) dias perdidos. A licença pelo INSS representou 16.281 (39,9%) dias de ausências, sendo 8.753 dias relacionados à faixa etária de 41 a 50 anos e 7.528 dias na faixa etária de 31 a 40 anos.

    Dos 560 colaboradores de enfermagem que se ausentaram, 506 (90%) apresentaram atestados médicos, totalizando 2.367 ocorrências e 28.961 dias não trabalhados. Encontrou-se mais frequência de agravos à saúde relacionados ao sistema osteomuscular 381 (16,1%) e aparelho respiratório 235 (9,9%). Os transtornos mentais e comportamentais - md 23 (187), gravidez, parto e puerpério - 16 (41) e as neoplasias 15 (41,7) foram os eventos de maior duração média. Verificaram-se, ainda, 10.149 (35%) dias perdidos devido aos transtornos mentais, 6.843 (23,6%) por agravos do sistema osteomuscular e 2.003 (6,9%) por doenças infectoparasitárias. Ressalta-se a alta frequência de exames clínicos e laboratoriais, com 272 (11,5%) e 492 dias perdidos.

    Quando se observa a ocorrência de licenças médicas por faixa etária (Tabela 5), é possível perceber que os colaboradores com idade entre 31 e 40 anos apresentaram maior frequência de licenças médicas (n= 914) e de mais duração (9.816 dias), enquanto que aqueles com idade entre 51 e 60 anos apresentaram menor frequência (n= 108) e duração (3.410 dias). Os agravos que mais geraram afastamentos por atestados foram transtornos mentais e comportamentais - 4.438 (45,3%) dias, 41-50 anos; doenças do sistema osteomuscular - 2.855 (29,1%), 41-50 anos e doenças infecciosas e parasitárias 1.369 (23,1%) - 20-30 anos.

     

     

     

     

     

     

    DISCUSSÃO

    Os achados demonstram que 85,9% dos colaboradores apresentaram algum tipo de ausência não prevista (absenteísmo), corroborando outros estudos realizados em hospitais universitários - 87%15 e 92,9%.16 Em 1999, encontrou-se na mesma instituição da presente pesquisa percentual de absenteísmo de 47,6%,17 contudo, a investigação atual envolveu maior número de colaboradores (N=652) do que a anterior (N=333).

    Apurou-se redução das ausências de 2008 para 2009 de 7,6%, possivelmente devido à avaliação pelo Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) dos colaboradores com atestados médicos acima de três dias a partir de 2008.

    Foram evidenciadas 4.217 ausências não previstas (1.405/ano), totalizando 40.744 dias não trabalhados (13.581/ano). Obtiveram-se 2,5 ausências/colaborador/ano, correspondendo a 24,2 dias não trabalhados. Anualmente, isso significa perda de cerca de um mês de trabalho por colaborador, comprometendo, assim, a segurança e a qualidade da assistência ao paciente, produtividade, gerando sobrecarga para a equipe de enfermagem e aumento de custos para a instituição. Outros achados na literatura revelam perda de 1.491 dias/ano15 e 10.452 dias no período de seis meses.2 Considerando todos os tipos de ausências, os colaboradores de 31 a 40 anos foram os que apresentaram o maior número de dias não trabalhados no período de três anos (14.645).

    As licenças médicas - 52,9% - e as faltas - 28,8% constituíram-se nos tipos de ausências mais frequentes, respondendo, conjuntamente, por 81,7%. Pesquisas em hospitais universitários informam percentuais de licenças de 62,2%18, 72,6%15 e 80,3%2; e de faltas de 24,5%15 e 33,6%.18

    Chama a atenção o fato de que, entre os colaboradores, 506 (90%) apresentaram algum tipo de atestado médico, gerando 2.367 ocorrências e totalizando 28.961 dias não trabalhados; ou seja, 1,6 ocorrência/colaborador/ano e 19 dias não trabalhados/colaborador/ano. Pesquisa canadense encontrou média de absenteísmo por agravos à saúde de 1,7 semana (12,9 dias) para enfermeiros e 2,4 semanas (16,8 dias) para auxiliares de enfermagem.4

    Os atestados médicos representaram 56,1% das ausências não previstas (789 ausências/ano), valor inferior aos encontrados em hospitais públicos - 82%.8 Destaca-se a significativa perda de dias trabalhados pela faixa etária de 31 a 50 anos -19.620 (67,7%). E para os colaboradores com idade entre 51 e 60 anos, a perda foi de 3.410 (11,8%) dias.

    Ainda, analisando as ausências por faixa etária, encontrou-se maior frequência de eventos na idade de 20 a 40 anos (79,2%). Outros estudos têm, também, ressaltado predomínio de afastamentos na mesma faixa etária variando de 51,9%19, 52,1%18 a 78,3%17 No entanto, considerando-se a duração das ausências, houve maior número de dias não trabalhados - 14.645 (35,9%) na faixa etária de 31-40 anos.

    Diante dos resultados encontrados, foi possível evidenciar que a idade não se constitui em fator que influencia ausências não previstas entre os membros da equipe de enfermagem. Estudo canadense4 não obteve relação significativa entre idade e absenteísmo por doença.

    Os colaboradores com idade entre 20 e 40 anos apresentaram maior número de ausências com menos duração e maior número de dias não trabalhados. Já os colaboradores acima de 50 anos exibiram menor número de eventos, com mais duração e menor número de dias perdidos. Esses achados não sustentam, no momento, que os colaboradores com idade acima de 50 anos são os que se ausentam com mais frequência ao trabalho. É importante destacar, porém, o reduzido número de trabalhadores acima de 50 anos (n=23, 4,1%) encontrado neste estudo. Dessa forma, recomenda-se a realização de investigações em outros cenários assistenciais e futuros para se avaliar as repercussões nas mudanças demográficas da população sobre os serviços de saúde no Brasil.

    Os agravos que mais geraram dias não trabalhados foram transtornos mentais e comportamentais, isto é, 4.438 (45,3%) dias e doenças do sistema osteomuscular, 2.855 (29,1%) na faixa de 41-50 anos; doenças infecciosas e parasitárias, 1.369 (23,1%) dias de 20-30 anos. A alta ocorrência de afastamentos por doenças do sistema osteomuscular e transtornos mentais tem sido referida em outras investigações. Encontrou-se predomínio de transtornos mentais na faixa de 50 a 59 anos20 e de agravos do sistema osteomuscular em colaboradores entre 40 e 49 anos.16

    A equipe de enfermagem tem sido exposta a elevada ocorrência de lesões osteomusculares que se desencadeiam vagarosamente, levando a incapacidades funcionais e provocando absenteísmos e afastamentos temporários e permanentes.21 Alguns autores alertam para a importância da postura corporal e uso de instrumentos e equipamentos ergonômicos no desempenho das atividades laborais como forma de minimizar esse tipo de agravo.20

    Afastamentos motivados por transtornos mentais e comportamentais encontrados neste estudo são preocupantes. Houve aumento de afastamentos à medida que o colaborador envelhece. Considerando-se os dias não trabalhados, registrou-se aumento de 56,9% da faixa etária de 20-30 anos para a de 31-40 anos; e de 34,3% em 31-40 anos para a de 41-50 anos. Detectou-se redução na faixa etária de 51-60 anos, talvez devido ao menor número de colaboradores atuantes. A depressão foi identificada como determinante de absenteísmo para profissionais de enfermagem.4

    O Ministério da Saúde, por intermédio da Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil,22 estima que 30% dos trabalhadores apresentem transtornos mentais menores e de 5-10% transtornos mentais graves, constituindo-se na segunda causa de aposentadoria por invalidez. Dessa forma, destaca-se a importância de se gerenciar os fatores estressores do ambiente de trabalho, entre eles a dificuldade nas relações interpessoais, problemas emocionais e diminuição da motivação.

    Os achados deste estudo representam a realidade de cerca de 80% dos colaboradores lotados em unidades de internação destinadas ao atendimento de usuários do Sistema Único de Saúde de uma instituição de ensino e podem diferir de outros hospitais. Também, o absenteísmo é tratado de diversas maneiras em cada realidade, o que dificulta a comparação com outros estudos.

    Contudo, por ter investigado com mais profundidade, a relação fator idade do trabalhador/absenteísmo instrumentaliza a gestão de pessoal de enfermagem no tocante às intervenções em diversos níveis. Entre elas, destacam-se: formulação de políticas de gestão de pessoas voltadas para a necessidade do idoso (nível estratégico); investimento em design ergonômico e equipamentos no ambiente de trabalho e integração do colaborador nas ações de melhoria (nível tático); e adoção de práticas voltadas para a promoção da saúde e do bem-estar dos colaboradores (nível operacional).

     

    CONCLUSÃO

    O absenteísmo representa, ainda, um desafio a ser vencido, uma vez que os trabalhadores de enfermagem estão submetidos a uma variedade de riscos inerentes ao seu processo de trabalho, com probabilidade de ocorrência de agravos. Diante dos resultados encontrados, foi possível inferir que a idade não se constitui em fator que influencia ausências não previstas entre os membros da equipe e também que colaboradores acima de 50 anos não se ausentam com mais frequência ao trabalho.

    Diante do envelhecimento da força de trabalho, torna-se de fundamental a compreensão das relações entre a variável idade e as ausências e, igualmente, do seu impacto sobre a prática profissional, a fim de se elaborarem políticas e estratégias de gestão de pessoas compatíveis com a realidade atual.

     

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