REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume Atual: 22:e-1093 DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/1415-2762.20180023

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Pesquisa

Análise das dissertações e teses do programa de pós-graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Paraíba

Analysis of the dissertations and theses of the Graduate Nursing Program of Universidade Federal da Paraíba

Cláudia Jeane Lopes Pimenta; Wiliana Aparecida Alves de Brito Fernandes; Renata Maia de Medeiros Falcão; Sthephanie de Abreu Freitas; Jacira dos Santos Oliveira; Kátia Neyla de Freitas Macedo Costa

Universidade Federal da Paraíba-UFPB, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. João Pessoa, Paraíba - Brasil

Endereço para correspondência

Cláudia Jeane Lopes Pimenta
E-mail: claudinhajeane8@hotmail.com

Submetido em: 28/10/2017
Aprovado em: 28/03/2018

Resumo

OBJETIVO: analisar a tendência temática e metodológica das dissertações e teses do programa de pós-graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Paraíba.
MÉTODO: estudo descritivo e documental, mediante a análise das teses e dissertações defendidas entre 2008 e 2016.
RESULTADOS: foram defendidas 162 dissertações e 26 teses, havendo maior prevalência de estudos descritivos, com abordagem qualitativa, na linha de pesquisa de Políticas e Práticas em Saúde e Enfermagem e na área temática de Enfermagem em Saúde do Adulto e Idoso, tendo o hospital como cenário mais frequente. A técnica de entrevista semiestruturada foi a mais utilizada, com análise dos dados por meio de softwares de análise estatística. Evidenciou-se que a teoria das necessidades humanas básicas foi a mais utilizada.
CONCLUSÃO: verificou-se maior aprofundamento científico da ciência da Enfermagem, com a consolidação de novas linhas de pesquisa e, assim, novas perspectivas e saberes são construídos e difundidos na comunidade científica.

Palavras-chave: Enfermagem; Pesquisa em Enfermagem; Características dos Estudos; Educação em Enfermagem; Educação de Pós-Graduação em Enfermagem.

 

INTRODUÇÃO

O processo de globalização é um fenômeno mundial que visa aproximar e interligar pessoas em todo o mundo, por meio da disseminação da informação e da comunicação.1 O avanço tecnológico e científico de diversas áreas emerge a partir da necessidade de socialização de informações e saberes em tempo real. No campo de domínio da Enfermagem, tal desenvolvimento acompanhou a tendência mundial à inovação dos sistemas de comunicação e novas tecnologias, considerando o aprimoramento das ações de saúde e o desenvolvimento do conhecimento científico da profissão.2

Nesse sentido, a pós-graduação stricto sensu tem papel fundamental no desenvolvimento da ciência da Enfermagem, considerando que os cursos de Mestrado e Doutorado desenvolvidos pelos programas de pós-graduação têm objetivos que convergem para uma formação mais ampla e profunda, o que possibilita a produção de recursos humanos qualificados, consolidando o saber científico para o agir na prática profissional.3

No Brasil, a pós-graduação stricto sensu foi instituída pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional em 1961, sendo aprovada pelo Conselho Federal de Educação apenas no ano de 1965.4 A pós-graduação em Enfermagem foi implantada em 1972, com a criação do primeiro curso de Mestrado da Escola de Enfermagem Anna Nery. Posteriormente, em 1982, teve início o primeiro Doutoramento em Enfermagem na Universidade de São Paulo, o qual se destacou por ter sido o primeiro curso de Doutorado da América Latina.5

Cumpre assinalar que a criação dos cursos de pós-graduação nacionais favoreceu a evolução científica e promoveu o desenvolvimento da ciência da Enfermagem e a construção do habitus científico da Enfermagem brasileira. Não obstante, é impreterível que os professores egressos dos cursos de pós-graduação, nível Mestrado e Doutorado, atuem na graduação, qualificando o ensino superior.3 A ampliação dos programas de pós-graduação em Enfermagem, em nível nacional, ocorreu de forma gradativa, de modo que em 2014 existiam 34 programas de pós-graduação nível Doutorado.5

Um aspecto importante é que, embora a evolução dos programas de pós-graduação seja uma realidade nacional, sua distribuição não ocorre de forma igualitária entre as regiões do país, visto que a região Sudeste possuía, até 2014, cerca de 50% de todos os programas, enquanto a região Nordeste apresentava apenas 21,9% do total nacional.5 Todavia, mesmo imperando desigualdades no desenvolvimento dos programas nacionais de pós-graduação, cumpre destacar que, no tocante à produção científica, o Brasil ascendeu de 17° em 2005 para o 6º lugar em 2012, no ranking da base Scopus/SCImago, o que conota a evolução científica da Enfermagem brasileira.6

Na Paraíba, a pós-graduação em Enfermagem iniciou-se com a criação do curso de Mestrado Acadêmico em Enfermagem da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), contudo, suas atividades tiveram início apenas em 1979. Posteriormente, no ano de 2011 foi criado o curso de Doutorado Acadêmico. Nos dias atuais, o programa de pós-graduação em Enfermagem (PPGENF) oferece os cursos na área de concentração “Cuidado em Enfermagem e Saúde”7, sendo avaliados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) com nota 4.6

O referido programa tem por finalidade desenvolver o raciocínio crítico a partir da formação consubstanciada de cientistas, especialmente na região Nordeste, com o intuito de inserir representação científica no contexto nacional e internacional, com base em pesquisas na área de Enfermagem e da Saúde, com vistas à produção de saberes que proporcionem a melhoria da qualidade de vida dos indivíduos e a diminuição das desigualdades sociais.7

Ante o exposto, observou-se a inexistência de estudos que abordem a produção científica de programas de pós-graduação em Enfermagem no contexto local e regional. Nesse sentido, justificou-se a realização do presente estudo, uma vez que os achados evidenciados servirão de subsídio para a reflexão crítica sobre a produção científica das pesquisas dos programas de pós-graduação stricto sensu nacionais, sobretudo, no tocante ao cenário local e regional. Desse modo, o presente estudo teve por objetivo analisar a tendência temática e metodológica das dissertações e teses do programa de pós-graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Paraíba.

 

MÉTODO

Trata-se de estudo descritivo e documental, mediante a análise das dissertações e teses defendidas no programa de pós-graduação em Enfermagem da UFPB. Embora as atividades do referido programa tenham iniciado no ano de 1979, apenas as dissertações defendidas a partir do ano de 2008 começaram a ser disponibilizadas para acesso no Sistema de Publicação Eletrônica de Teses e Dissertações (TEDE),8 enquanto as teses foram disponibilizadas a partir do ano de 2014, haja vista que o Doutorado Acadêmico foi criado somente em 2011.

Foram incluídas no estudo todas as dissertações e teses que estivessem disponíveis para acesso no TEDE, compreendendo o período entre janeiro de 2008 e dezembro de 2016, totalizando 188 arquivos. A coleta de dados ocorreu no período entre janeiro e fevereiro de 2017, sendo realizada a leitura completa de cada manuscrito e aplicado um roteiro estruturado contendo as seguintes variáveis para o estudo: ano de defesa, abordagem metodológica, linha de pesquisa, área temática de investigação, cenário do estudo, tipo de estudo, técnica de coleta e análise dos dados e embasamento teórico ou metodológico utilizado. Os dados foram organizados em uma planilha construída no Programa Microsoft Excel 2016 e analisados por meio de estatística descritiva.

Esta pesquisa não foi submetida ao Comitê de Ética, em virtude do acervo da Universidade Federal da Paraíba ser de domínio público. Todavia, foram atendidos todos os preceitos relacionados à legislação sobre os direitos autorais, conforme estabelecido pela Lei nº 9.610/1998, em que os titulares dos direitos de autor das dissertações e teses autorizam a UFPB a disponibilizar gratuitamente, sem ressarcimento dos direitos autorais, o trabalho em meio eletrônico na Rede Mundial de Computadores, a fim de proporcionar a divulgação da produção científica gerada pela Universidade.

 

RESULTADOS

Observou-se que no período entre 2008 e 2016 foram defendidas 162 dissertações e 26 teses. A maioria dos discentes do PPGENF/UFPB é graduada em Enfermagem (n=149), entre os quais 17 possuem uma segunda graduação. Também existem profissionais com outras formações, como Fisioterapia, Medicina, Ciências Biológicas, Psicologia e Nutrição. Conforme apresentado na Tabela 1, a maior parte dos estudos se concentrou na abordagem metodológica qualitativa (46,3%), na linha de pesquisa de Políticas e Práticas em Saúde e Enfermagem (40,4%) e na área temática de Enfermagem em Saúde do Adulto e Idoso (26,1%).

 

 

O cenário mais utilizado nos estudos foi o hospital (27,1%), destacando-se o Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW/UFPB) e a Estratégia Saúde da Família (25,5%). Quanto ao tipo de estudo, houve maior frequência de pesquisas descritivas (35,1%) e exploratórias (31,9%), como exposto na Tabela 2.

 

 

De acordo com a Tabela 3, as técnicas para coleta de dados mais empregadas foram a entrevista semiestruturada (34,0%) e o questionário estruturado (29,8%). Em relação à análise dos dados, observou-se maior prevalência da utilização de softwares de análise estatística (33,0%) e dos preceitos estabelecidos por uma teoria (24,5%).

 

 

Entre as teses e dissertações analisadas, 46 utilizaram teorias para proporcionar embasamento teórico ou metodológico aos estudos, sendo mais frequente a teoria das necessidades humanas básicas de Wanda Aguiar Horta (37,0%), e a teoria das representações sociais de Moscovici (32,6%), conforme apresentado na Tabela 4.

 

 

DISCUSSÃO

Foi possível verificar maior prevalência no número de dissertações em relação às teses acadêmicas. Pode-se afirmar que essa diferença está relacionada à criação do PPGENF/UFPB, visto que o nível de Mestrado foi instituído por meio da Resolução nº. 204/77 do Conselho Universitário da UFPB, iniciando suas atividades em 1979. Apenas em 2011 foi aprovado um novo regulamento, com a Resolução nº 26/2011 autorizando a criação do curso de Doutorado. Além disso, a relação entre dissertações e teses é diretamente proporcional ao número de cursos de Mestrado e Doutorado em Enfermagem, ofertados no Brasil, com predominância de cursos de Mestrado, acadêmicos ou profissionais (72 cursos) sobre os cursos de Doutorado (37 cursos).9

A abordagem metodológica qualitativa foi a utilizada (46,3%), o que corrobora a tendência nacional e internacional à produção do conhecimento em enfermagem. Estudo realizado na Universidade Católica Portuguesa e do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade do Porto identificou maior frequência de abordagem qualitativa nas dissertações (58,6%) e teses (46,3%) defendidas.10 Houve aumento relevante das pesquisas qualitativas no campo das ciências da saúde nas últimas quatro décadas, excedendo seu campo original nas Ciências Sociais. Tal fato pode ser verificado nas bases eletrônicas de literatura científica, sobretudo na produção brasileira, norte-americana, canadense e de alguns países europeus.11

Na saúde, a Enfermagem foi pioneira na realização de estudos qualitativos, tornando-se, ao longo dos anos, importante referência nacional em diversas áreas. As dissertações e teses são desenvolvidas com grande influência de natureza fenomenológica, etnográfica, entre outras, o que possibilita compreender o ser humano em sua complexidade e profundidade, bem como no processo assistencial em saúde, o que favorece o desenvolvimento de estudos com abordagem qualitativa. 11

As linhas de pesquisa ofertadas pelo programa encontram-se inseridas na área de concentração Cuidado em Enfermagem e Saúde e, entre elas, sobressaiu-se nos estudos analisados a linha Políticas e Práticas em Saúde e Enfermagem (40,4%). Em consonância, pesquisa realizada no programa de pós-graduação em Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro ressalta percentual de 36,2% da linha Saberes, Políticas e Práticas em Saúde.12

Esses achados encontram-se em conformidade com a Agenda Nacional de Prioridades de Pesquisa em Saúde, instituída pelo Ministério da Saúde no ano de 2008, havendo, assim, grande mudança nas prioridades de estudos em Enfermagem, visando à identificação de novos aspectos inerentes aos grandes problemas enfrentados no cenário atual da saúde brasileira, tendo o cuidado de enfermagem como categoria teórica de subsídio.13

O estabelecimento de áreas ou campos de pesquisa como prioritários na Enfermagem remete para a necessidade de ajustes nos estudos, pretendendo-se buscar o que é essencial, como profissão, disciplina e ciência. Proporciona-se, assim, visibilidade ao saber próprio que vem sendo constituído e aperfeiçoado ao longo dos anos, como o cuidado, os sujeitos que são os alvos desse cuidado, as competências profissionais e os problemas de saúde que afetam não apenas a Enfermagem, mas toda a saúde brasileira.13

Ao refletir sobre as áreas temáticas, observa-se que Enfermagem na Saúde do Adulto e Idoso (26,1%) e Enfermagem em Saúde Coletiva (20,2%) mostraram mais representatividade. Estudo semelhante, realizado no curso de Mestrado em Enfermagem do programa de pós-graduação da Universidade Federal do Paraná/Brasil, constatou enfoque maior na produção de trabalhos nessas duas áreas.14

Acredita-se que o interesse em estudar os aspectos relacionados à saúde do adulto e idoso é resultante do aumento da expectativa de vida e da necessidade de mais cuidados a esses indivíduos, sobretudo em decorrência do elevado número de doenças crônicas não transmissíveis, as quais são mais prevalentes nessas faixas etárias,15 necessitando de pesquisas que produzam novos conhecimentos para atender às particularidades desse grupo.

Quanto à área da saúde coletiva, supõe-se que a evidência desse resultado esteja relacionada à expansão das estratégias do Sistema Único de Saúde no país, ressaltando-se a Estratégia de Saúde da Família (ESF), que se tornou um importante campo de inserção profissional dos enfermeiros, tornando-se atrativo às pesquisas. Isso comprova o fato de a ESF (25,5%) ser um dos cenários mais utilizados para a realização de pesquisas no PPGENF.

O hospital (27,1%) foi o local de estudo mais utilizado, divergindo de pesquisa realizada com dissertações e teses dos programas de pós-graduação de Enfermagem brasileiros.16 O HULW/UFPB é um cenário bastante explorado pelos alunos do programa, tanto pela facilidade de acesso, quanto pela riqueza de informações que se tornam subsídios para os estudos. É uma importante fonte para a geração de novos conhecimentos, envolvendo a investigação de temas e conteúdos específicos relacionados a epidemiologia, diagnóstico e tratamento de doenças.

Os hospitais universitários federais têm o objetivo de promover o ensino, a pesquisa e a extensão, mediante a assistência à saúde da população, sendo instituições cuja gestão é subordinada à Universidade Federal a que corresponde, ao Ministério da Educação e Cultura, em virtude de sua dimensão de ensino, e ao Ministério da Saúde, por ser vinculado ao sistema de saúde pública.17 Apresentam extrema relevância para o sistema de saúde, em virtude do desenvolvimento de algumas atividades fundamentais, como a formação de novos profissionais, criação e utilização de novos conhecimentos e produtos, e a prestação de ampla gama de serviços de atenção à população,18,19 tornando-se muitas vezes referência para as cidades circunvizinhas e estados próximos.

No que concerne ao tipo de estudo, as pesquisas descritivas (35,1%) e exploratórias (31,9%) foram mais presentes, corroborando os achados de outras pesquisas.5,20 Os estudos descritivos evidenciam as particularidades, as características e os perfis de pessoas, grupos, comunidades, objetos, processos ou determinados fenômenos que o pesquisador queira submeter a uma análise, sendo úteis para exibir com precisão os mais variados ângulos ou dimensões que envolvem um fenômeno, evento, comunidade, contexto ou situação.21

Em relação aos estudos exploratórios, estes apresentam como objetivo a análise minuciosa de um tema, fenômeno ou problema de pesquisa ainda pouco estudado, servindo como fonte para familiarização do pesquisador para obtenção de informações, sendo muito utilizado na pesquisa.21 Nos estudos investigados, observou-se a frequente utilização da combinação de estudos exploratórios e descritivos, visando à obtenção de uma visão ampliada acerca da complexidade que envolvia os temas abordados, haja vista que apenas o emprego de um dos tipos de estudo não contemplaria os objetivos propostos para a pesquisa.

As entrevistas semiestruturadas (34,0%) foram a técnica de coleta de dados mais aplicada, sendo baseadas em um roteiro de assuntos ou perguntas previamente elaborados, mas permitindo ao pesquisador realizar novos questionamentos para obter mais informações ou aprofundar a discussão sobre os temas desejados. Mediante a utilização dessa técnica, o ritmo e a estrutura da entrevista são compartilhados, sendo a interpretação do significado atribuído às falas envolta por inúmeras facetas relacionadas ao indivíduo e ao contexto social no qual este se encontra inserido.21 Ressalta-se que, por meio das entrevistas, o pesquisador tem acesso às realidades sociais, a partir de uma conversa destinada a construir informações sobre um objeto de estudo e, com isso, obtém reflexões do sujeito sobre a realidade que vivencia.22

Quanto à análise dos dados, identificou-se que houve maior prevalência da utilização de softwares de análise estatística (33,0%), os quais estão sendo cada vez mais empregados para a resolutividade de diversas aplicações em diferentes áreas de conhecimento. Os softwares disponíveis são utilizados tanto no meio acadêmico, como nas indústrias, bancos, repartições públicas, entre outros setores.23

Ainda em relação à análise, evidenciou-se a utilização de teorias como forma de aporte teórico e como meio de interpretação dos resultados obtidos, fundamentando-se nos seus preceitos estabelecidos. As teorias serviram de base para atender às diferentes finalidades, entre elas avaliar a aplicabilidade da teoria para a prática, o ensino e a administração em Enfermagem. Sua utilização deve validar ou refutar as propostas, o que pode ser feito, progressivamente, com cada um de seus componentes.23

Evidenciou-se mais aplicabilidade da teoria das necessidades humanas básicas de Wanda Aguiar Horta (37,0%) e da teoria das representações sociais de Moscovici (32,6%). A primeira é uma teoria de enfermagem e emprega aspectos como filosofia, proposições, conceitos, definições e princípios, fundamentando cientificamente a prática. Os conceitos são abstratos e gerais; as proposições derivam dos conceitos e expressam uma verdade fundamental a seguir; os princípios são enunciados, admitidos provisoriamente como inquestionáveis, mas que se prestam ao teste, à experimentação.24

A teoria das representações sociais é caracterizada por um conjunto de explicações que se originam das comunicações interindividuais da vida cotidiana. Também proporcionam métodos de trabalhos e de pesquisas que podem ser aplicados em diversas áreas de conhecimento científico, permitindo trabalhar a historicidade do espaço, suas formas e seus conteúdos e classificar, recortar, compreender a descontextualização dos discursos e ideologias.25

A utilização de teorias na pesquisa em Enfermagem reflete a busca da autonomia para o desenvolvimento do cuidado embasado nos princípios teóricos, filosóficos, práticos e científicos da profissão, visando à consolidação da Enfermagem, na área da saúde, como profissão, ciência e arte.

 

CONCLUSÃO

A Enfermagem tem vislumbrado significativo desenvolvimento de sua ciência, seus saberes e de inovação das tecnologias para o cuidado, sobretudo nos últimos anos. Depreende-se que esse desenvolvimento científico está atrelado, principalmente, ao crescimento e à evolução dos programas de pós-graduação stricto sensu, considerando que os cursos de Mestrado e Doutorado visam promover melhorias nos cuidados de saúde, a partir da qualificação e das reflexões acerca da essência do cuidado em Enfermagem e da sua importância para o campo da saúde.

Os achados do estudo evidenciam que houve ampliação do PPGENF/UFPB, repercutindo em aumento da disponibilidade dos cursos de pós-graduação na Paraíba. Além disso, verifica-se maior aprofundamento científico da ciência da Enfermagem, com a consolidação de novas linhas de pesquisa e, assim, a construção de novas perspectivas e saberes, sendo difundidos na comunidade científica nacional e internacional.

Foi identificada maior predominância de estudos qualitativos, possivelmente, pela Enfermagem ter sido a pioneira em pesquisas da área da saúde com esse tipo de abordagem. Houve prevalência de estudos relacionados à saúde do adulto e idoso, o que poderia estar relacionado ao fenômeno da transição demográfica e epidemiológica identificado no país, o que impulsionou maior número de investigações que abordassem aspectos relacionados à temática.

Observa-se também que os estudos desenvolvidos pelos estudantes de pós-graduação utilizam teorias para fundamentar os cuidados, sobretudo teorias de Enfermagem, o que proporciona mais desenvolvimento para a Enfermagem como disciplina, ciência e profissão, além de enaltecer a sua importância para a área da saúde.

O estudo teve como limitação a não localização da totalidade de dissertações produzidas pelo programa, haja vista que apenas os manuscritos defendidos a partir do ano de 2008 estão disponibilizados no acervo da Universidade, contudo, a ausência desses documentos não invalida os resultados apresentados. Assim, é oportuno ratificar a relevância do PPGENF/UFPB para a produção de recursos humanos altamente qualificados e reflexivos, os quais contribuem de maneira significativa para o desenvolvimento científico da Enfermagem.

 

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