REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume Atual: 22:e-1098 DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/1415-2762.20180028

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Pesquisa

Ser mulher quilombola: revelando sentimentos e identidades

Being a quilombola woman: unveilling feelings and identities

Lisie Alende Prates1; Luiza Cremonese2; Laís Antunes Wilhelm3; Gabriela Oliveira2; Marcella Simões Timm4; Críslen Malavolta Castiglioni5; Lúcia Beatriz Ressel2

1. Universidade Federal de Santa Maria - UFSM, Programa Especial de Graduação de Formação de Professores para a Educação Profissional. Hospital Universitário de Santa Maria - HUSM, Centro Obstétrico. Santa Maria, RS - Brasil
2. UFSM, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. Santa Maria, RS - Brasil
3. Universidade de Cruz Alta - UNICRUZ, Curso de Graduação em Enfermagem. Cruz Alta, RS - Brasil
4. Universidade Federal de Pelotas - UFPEL, Hospital Escola - HE. Pelotas, RS - Brasil
5. Centro Universitário Franciscano, Residência em Enfermagem Obstétrica. Santa Maria, RS - Brasil

Endereço para correspondência

Lisie Alende Prates
E-mail: lisiealende@hotmail.com

Submetido em: 18/06/2017
Aprovado em: 02/04/2018

Resumo

OBJETIVO: desvelar os sentimentos que emergem, em um de mulheres, em relação à sua identidade quilombola.
MÉTODO: pesquisa de campo, descritiva, com abordagem qualitativa e vertente antropológica. Foi realizado com 13 mulheres de uma comunidade quilombola do interior do estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Os dados foram coletados por meio da técnica de grupo focal, em fevereiro de 2014. Utilizou-se a técnica de desenho para permitir a interação e a expressão dos sentimentos das participantes. Aplicou-se a análise de conteúdo temática da proposta operativa, sendo os dados interpretados à luz da antropologia interpretativa.
RESULTADOS: foram atribuídos os sentimentos de felicidade e orgulho à identidade quilombola. A vida no quilombo imprime às mulheres um sentimento de liberdade.
CONCLUSÃO: os sentimentos mesclam-se a sensações de angústia, insegurança e esperança, devido às condições adversas vivenciadas no local.

Palavras-chave: Saúde da Mulher; Grupo com Ancestrais do Continente Africano; Cultura.

 

INTRODUÇÃO

No Brasil, as mulheres negras sempre foram triplamente discriminadas pelo fato de serem mulheres, por serem negras e também devido à sua condição financeira. Esse grupo traz, em sua trajetória, marcas de uma construção social do que é ser mulher, como sendo alguém subordinado, associado ao mito da inferioridade de sua etnia, condições estas que se acentuam quando elas apresentam situação econômica vulnerável.1

Sob uma perspectiva cultural, o significado de ser mulher negra, ao longo dos anos, tem abarcado aspectos como a discriminação, o racismo e o sexismo.2 Portanto, as construções históricas, sociais e culturais em torno da mulher negra têm reproduzido, historicamente, preconceitos e estereótipos negativos.3

Essas construções são, habitualmente, internalizadas desde a infância, a partir da socialização primária,4 sendo capazes de interferir no desenvolvimento da identidade e na autoestima da mulher negra. Destaca-se que a identidade, nesse contexto, envolve um conceito que se produz em referência aos outros, aos critérios de aceitabilidade, de admissibilidade e também de credibilidade.2

Mais tarde, todos os estigmas e estereótipos, gradualmente introjetados no processo de socialização da mulher negra podem ser reforçados durante sua socialização secundária como mulher, em diversos contextos. Com isso, há a formação de um emaranhado de "nós", que poderão dificultar ou prejudicar o desenvolvimento e, consequentemente, a elaboração de sua identidade, podendo também influenciar a manifestação de inúmeros sentimentos de inferioridade. Vale ressaltar que sentimentos, neste estudo, envolvem as reações que o indivíduo manifesta e que podem ser agradáveis ou não, diante de determinada situação, evento ou frente à outra pessoa.5

Assim, considera-se que, a partir das interações e das representações pessoais e coletivas, interiorizadas na socialização primária e secundária abarcadas na cultura de cada grupo, a pessoa ocupa o seu espaço e se singulariza diante das outras. A cultura, nesse sentido, é entendida como um sistema de símbolos interpretáveis tecidos pelo homem, que direcionam o seu comportamento e atribuem significados à sua existência.6

Continuamente, a cultura pode e tende a modificar-se a partir das interações simbólicas estabelecidas entre os indivíduos e destes com o seu contexto.6 Por conseguinte, a vivência dentro de um grupo pode influenciar a forma como o indivíduo se percebe e percebe seus semelhantes, bem como os sentimentos que derivam dessas percepções. Ademais, considera-se que essas construções podem acarretar a manifestação de sentimentos, os quais também podem influenciar as atitudes, comportamentos, significados e práticas adotadas por essas mulheres nos mais diversos eventos vivenciados, especialmente aqueles que envolvem o processo de saúde-doença, social e culturalmente modelado por esses aspectos.

Nesse sentido, justifica-se a importância da compreensão e interpretação acerca das experiências de vida desses sujeitos, a partir de uma perspectiva cultural, a fim de compreender como foi construída a sua identidade como mulheres quilombolas e os sentimentos que se desvelam a partir desse âmbito. Além disso, o conhecimento dos sentimentos acerca de si auxilia na visibilidade dos comportamentos de uma comunidade, podendo levar o pesquisador ao cerne daquilo que ele espera ou pretende interpretar.6

Diante do exposto, apresentam-se, neste trabalho, os resultados provenientes de uma dissertação de mestrado,7 os quais se direcionaram para a seguinte questão de pesquisa: "quais são os sentimentos que emergem, em um grupo de mulheres, em relação à sua identidade quilombola?". Essa questão foi estabelecida a partir do objetivo, que foi desvelar os sentimentos que emergem, em um grupo de mulheres, em relação à sua identidade quilombola.

 

MÉTODO

Para atender ao objetivo proposto, este estudo norteou-se metodologicamente como uma pesquisa de campo, descritiva, com abordagem qualitativa8 e vertente antropológica.8 Participaram da pesquisa 13 mulheres quilombolas na faixa etária entre os 14 e 56 anos de idade. Foram incluídas somente as que residiam na comunidade e com idade mínima de 12 anos.

Dessa forma, buscou-se abranger mulheres que estivessem vivenciando períodos de vida entre a adolescência e a velhice. Considera-se que, ao abarcar esses períodos, a pesquisa permitiu o aprofundamento, a abrangência e a diversidade no processo de compressão dos símbolos e significados que permeiam a vida dessas participantes.

Nesse sentido, as mulheres possuíam características homogêneas por pertencerem a um mesmo grupo e opiniões divergentes por se encontrarem em fases distintas de vida, enriquecendo, assim, o processo de produção dos dados. Ao longo dos encontros, verificou-se que essa conformação no grupo possibilitou atingir os resultados esperados, permitindo a revelação de emoções, percepções, singularidades e algumas semelhanças acerca dos significados ligados ao ser mulher quilombola.

O grupo focal (GF) foi eleito como técnica principal para produção dos dados, pois oportuniza, por meio da aproximação, interação e debate, um ambiente de trocas, no qual são desveladas singularidades e uma multiplicidade de processos emocionais presentes em determinado contexto cultural.9 Foram desenvolvidas três sessões de GF em ambiente aberto, ao ar livre, na própria comunidade, em fevereiro de 2014, cada uma com duração de aproximadamente uma hora.

Cada encontro foi planejado a partir de uma temática específica e, para incitar o debate em torno desta, foram propostas algumas dinâmicas conforme descrito a seguir. Em relação às temáticas, no primeiro encontro foram debatidas questões vinculadas aos cuidados à saúde da mulher. No segundo, foram discutidos os sentimentos que emergem, entre as participantes, em relação à identidade quilombola. E no terceiro encontro, tratou-se acerca das percepções das participantes sobre o cuidado à saúde da mulher, em diferentes contextos.

No segundo encontro do GF, para promover o debate, utilizou-se, inicialmente, a técnica do desenho, que consistiu em uma representação, solicitada às participantes, acerca de como se sentiam como mulheres quilombolas que viviam em uma comunidade. A escolha por esta técnica baseou-se em estudo10 que afirma que o desenho permite uma representação gráfica das percepções e sentimentos, bem como a compreensão e a interpretação de valores grupais e culturais. Logo, por meio da técnica de desenho, propôs-se que as mulheres manifestassem os sentimentos em relação a si e à sua identidade quilombola.

Assim, este artigo apresenta os resultados obtidos no GF, os quais foram produzidos por meio da técnica de desenho, adiante da seguinte pergunta norteadora: "como você se sente mulher quilombola vivendo nessa comunidade?". Após a realização da técnica, as participantes apresentaram seus desenhos e expressaram, por meio de demonstrações verbais ou não verbais, seus sentimentos como mulheres quilombolas. Para registro dos dados foram utilizados, além de gravadores digitais, diários de campo.

Os dados produzidos no estudo foram analisados por meio da análise de conteúdo temática,8 a qual pressupõe dois momentos operacionais, cujo primeiro é denominado de fase exploratória e envolveu a exploração do material da pesquisa, com o intuito de compreender o perfil das mulheres quilombolas. No segundo momento, nomeado de fase interpretativa, desenvolveu-se a interpretação dos sentimentos e identidades expressas nas falas das participantes. Essa interpretação ancorou-se na antropologia interpretativa.6 Essa etapa foi dividida na ordenação dos dados, que consistiu na transcrição, releitura e organização das falas; e na classificação dos dados, que abrangeu a leitura horizontal e exaustiva do material produzido; a leitura transversal; a análise final; e o relatório final, que culminou no presente artigo.

Para identificar as participantes, utilizou-se o sistema alfanumérico na sequência, por meio da letra "Q" (de quilombola), seguida de um número, ou seja, Q1, Q2, Q3, e assim sucessivamente. Além do anonimato das participantes, foram respeitados os demais aspectos éticos a que se refere a Resolução 466/2012, do Conselho Nacional de Saúde do Brasil. Em dezembro de 2013, o estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob o número do processo 25345113.7.0000.5346.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No contexto cultural das mulheres quilombolas, desvelam-se inúmeros sentimentos que perpassam as suas trajetórias de vida e que foram internalizados nos seus processos de socialização primária e secundária. Mediante a análise dos desenhos produzidos, sob a ótica cultural, verificou-se que as participantes expressaram sentimentos de felicidade, liberdade e orgulho, mesclados com as sensações de angústia, insegurança e esperança. Considera-se que o conhecimento sobre esses sentimentos é fundamental, pois eles podem trazer implicações para a vida dessas mulheres, determinando suas condutas, comportamentos e, até mesmo, os significados sobre aspectos como o cuidado à saúde e, consequentemente, suas práticas de cuidado.

O sentimento de felicidade emanou de várias respostas, visto que as mulheres relataram que se sentiam felizes por sua identidade quilombola ou por viverem na comunidade, como confirmam as falas.

Eu gosto muito da comunidade quilombola, porque eu nasci e me criei aqui. Eu sou muito feliz aqui (Q1).

Me sinto feliz. Agradeço a Deus por a gente estar aqui. Aqui é bom (Q2).

Eu sou feliz aqui nos quilombos. Agradeço a Deus por morar aqui, com minha família (Q3).

Sou feliz sendo uma mulher quilombola. Muito feliz (Q5).

As Figuras 1, 2 e 3 também ilustram as falas das participantes e demonstram, além das atividades cotidianas dessas mulheres, o sentimento de felicidade por ser quilombola e viver no quilombo.

 


Figura 1 - Desenho de Q1. Rio Grande do Sul, Brasil.

 

 


Figura 2 - Desenho de Q2. Rio Grande do Sul, Brasil.

 

 


Figura 3 - Desenho de Q6. Rio Grande do Sul, Brasil.

 

As falas demonstram que "ser quilombola" e viver nesse espaço possui um significado positivo, relacionado ao ambiente e à domesticidade que ele permite viver. Nessa mesma perspectiva, em seu estudo, autor11 também identificou algumas representações positivas acerca da identidade quilombola e da vida na comunidade entre as mulheres e homens quilombolas entrevistados.

O mesmo autor ainda destacou que os participantes de seu estudo consideravam a comunidade como um lugar maravilhoso e tranquilo, onde conviviam com seus familiares e no qual a união manifestava-se em todas as relações interpessoais. Essas características foram observadas nas falas das mulheres quilombolas do presente estudo.

Agradeço a Deus por a gente estar aqui. Aqui é bom (Q6).

Eu gosto da comunidade, porque aqui todo mundo é parente (Q7).

Aqui a gente não se sente isolada, porque a gente tem uns aos outros, a gente está bem pertinho sempre um do outro (Q8).

Nesse alinhar de percepções, autores12 pontuam que a cultura quilombola compreendida como uma esfera social possibilita que os sujeitos sintam-se pertencentes a um contexto histórico-cultural particular e possam expressar seus valores, costumes, princípios e cuidados, podendo vincular-se simbólica e afetivamente. Logo, os sentidos e significados atribuídos à comunidade e aos laços estabelecidos entre os moradores traduziram-se, para as mulheres, em sensações de alegria e de pertencimento a um grupo.

Pondera-se que o sentimento de pertencer a essa comunidade se mostra positivo na história e no dia a dia dessas mulheres, fazendo com que elas se sintam compreendidas, acolhidas, amparadas e também cuidadas pelos demais indivíduos que residem no local. Na perspectiva do cuidado à saúde, pesquisas13 revelam que a manifestação e a existência desse tipo de sensação são importantes, pois demonstram que elas podem encontrar nesse cenário, entre outros tipos de suporte social, os cuidados necessários para sua sobrevivência.

Vale destacar que, por suporte social, entende-se qualquer processo no qual as relações que se estabelecem entre os indivíduos são capazes de promover saúde e bem-estar nas dimensões social, psicológica e comportamental. Por meio dessas interações, os indivíduos conseguem enfrentar os desafios e as adversidades que se apresentam em suas trajetórias de vida.13

Ainda, o "ser mulher quilombola", para as participantes, também foi associado ao sentimento de orgulho. As mulheres têm consciência do que é pertencer a esse grupo, a importância e a simbologia que essa identidade carrega histórica e culturalmente.

Gosto de ser dos quilombolas (Q3).

Eu me sinto orgulhosa de ser dos quilombolas (Q6).

Foi possível perceber que a identidade quilombola possui um significado especial na trajetória de vida dessas mulheres, e isso se justifica pelo fato de que o quilombo simboliza a luta, a resistência e a liberdade conquistada pelos antepassados.11 O termo "quilombo" pode ser entendido como uma das formas encontradas pelos escravos para resistir à escravidão e à opressão, representando, atualmente, a luta pela desigualdade racial, preconceito, discriminação12 e posse de terras.

O significado que o quilombo assume, para essas mulheres, está arraigado em concepções, ideias, atitudes, julgamentos e crenças que foram transmitidos historicamente no local. Estes são expressos como elementos simbólicos, por meio dos quais essas mulheres perpetuam e desenvolvem os seus conhecimentos, atitudes, práticas de cuidado e atividades diárias.6

Outros estudos11,14,15 também identificaram o sentimento de orgulho entre quilombolas. Em um desses estudos,11 semelhante ao achado na presente pesquisa, os participantes demonstravam-se orgulhosos por sua etnia e pelo lugar onde moravam. Especialmente, para algumas mulheres, o orgulho desvela-se a partir da consciência de que nasceram em um quilombo e, portanto, não são apenas mulheres, são quilombolas e pertencem a um grupo caracterizado e reconhecido socioculturalmente.16

Em relação à comunidade, destaca-se que as participantes do presente estudo ainda referiram o orgulho pelo reconhecimento do local, visto que sabiam que outras localidades ainda não possuíam titulação e, portanto, não eram reconhecidas como comunidades quilombolas. Logo, o reconhecimento e a titulação geraram satisfação entre as participantes.

Nós fomos reconhecidos também, porque tem muitas localidades quilombolas que não são. Eu acho que aqui, para nós, é um orgulho. Eu me sinto orgulhosa (Q9).

O reconhecimento e a certificação como comunidade remanescente quilombola têm sido fundamentais para esses cenários, pois embora nos aspectos físicos e materiais não acarretem grandes alterações, a titulação propicia a reconstrução da identidade negra e redesperta o orgulho acerca do contexto histórico dos antepassados, gerando, assim, um novo olhar dessas comunidades sobre si mesmas. A certificação também permite que as comunidades possam se beneficiar de políticas setoriais paralelas de ação afirmativa e demais ações de saúde direcionadas para esse grupo.17

Além da felicidade e do orgulho, o sentimento de liberdade também foi relacionado à vida no quilombo. As mulheres exaltaram as diferenças entre a vida na zona urbana e rural, destacando a possibilidade de sentirem-se "livres", não terem medo de viver situações de risco ou perigo e garantirem melhor desenvolvimento da infância para os filhos.

Na cidade não tem a liberdade que tem aqui. Acho que uma das vantagens da gente morar para fora é essa. Tu ter a tua liberdade, até na tua casa. Tu não pode abrir uma porta, porque daqui a pouquinho pode passar um ladrão e aqui não. Aqui tu tem liberdade com os teus vizinhos. Claro que tem gente que fala assim: "- eu fico isolada". Mas aqui a gente não se sente isolada (Q8).

Morei anos aqui fora, tive que ir para uma cidade, onde tive que criar meu pequeno. Ele tinha um ano e pouco, num inferno. A criança sem ter uma pecinha só para andar e para brincar. Ele foi para lá, se transformou, ficou agressivo e bravo. Porque ele não era livre. Graças a Deus que depois que a gente veio para cá, ele mudou. Ele é uma criança calma (Q3).

A partir dessas ponderações, percebe-se que a vida na comunidade gera, nessas mulheres, sensações de segurança e confiança que outros lugares não proporcionariam. Nota-se que crescer e viver em outro ambiente que não seja a comunidade traz implicações negativas e que, portanto, não é algo que elas desejam para si ou para os filhos.

Ademais, a situação vivenciada pelo filho da participante pode ser vista sob a perspectiva cultural do estresse.18 Dessa forma, a mudança no ambiente refletiu no comportamento da criança, pois esta identificou a situação como um fator de estresse. Em uma visão antropológica,18 a resposta ao fator estressor pode ser em nível moderado, denominada de “eustresse" ou, no nível mais elevado, "distresse". As participantes demonstraram acreditar que a resposta se deu de forma abrupta e elevada, já que gerou considerável transformação no comportamento. A antropologia explica que o distresse, dependendo do significado que o indivíduo dá à sua experiência estressante, pode provocar-lhe mudanças patológicas.

De maneira geral, foi possível constatar que os sentimentos positivos em relação à identidade e à vida na comunidade predominaram sobre os negativos. Entretanto, uma das participantes revelou alguns aspectos negativos em relação à vida no local. Embora tenha se declarado feliz e orgulhosa de sua identidade, afirmou que a localização da comunidade acarretava diversas dificuldades, entre as quais predominava o difícil acesso aos serviços de saúde e educação, assim como a falta de oportunidades de emprego.

Não é que eu não goste daqui, eu gosto da comunidade. Porque aqui todo mundo é parente, mas não é questão de tu não gostar do local. É simplesmente por questão de emprego mesmo. Aqui tem a padaria e coisa e tal. Mas eu, para mim, eu quero mais. Eu quero ter uma fonte de renda que eu não precise depender dos meus pais (Q7).

Abstrai-se que a queixa não é direcionada para a comunidade quilombola, mas para a distância desta de um centro urbano que permita acessar mais recursos para sua independência. Nesse contexto, desvela-se a sensação de falta de mais oportunidades e a consciência da necessidade de busca por independência financeira. Essas sensações associaram-se à ausência de perspectivas para o futuro, à inexistência de capacitações/ cursos de aperfeiçoamento voltados para a população quilombola, à dificuldade de acesso aos serviços de saúde, entre outras. Dessa forma, uma das mulheres manifestou como as jovens sentiam-se frente a essas problemáticas:

Eu acho que eu entendo ela por um lado, porque ela trabalha bem aqui, mas ela não tem o sonho de dizer assim: "-Daqui um ano, eu vou montar a minha casa, vou sair da casa dos meus pais e vou me sustentar com o meu trabalho na padaria". Ela não vai poder fazer isso (Q8).

Diante disso, a solução encontrada pela maioria dos jovens quilombolas é abandonar a comunidade em busca de melhores oportunidades na zona urbana.

O que precisa é uma oportunidade para o jovem não voltar para a cidade. Se tivesse como um jovem trabalhar aqui. Não tivesse que ir embora. Muitos jovens a gente tá perdendo daqui, porque tão indo para lá [cidade] e a comunidade vai terminando. Se tivesse emprego, com certeza, o pessoal viria da cidade para cá (Q5).

Observa-se a insegurança da participante em relação à falta de oportunidades para os mais jovens, que, por não disporem de outras possibilidades de continuidade em seus estudos ou aperfeiçoamento profissional, precisam se retirar do ambiente no qual cresceram. Com isso, detecta-se o sentimento de insegurança quanto ao futuro, no qual ela teme que a comunidade possa desestruturar-se e findar.

Na literatura, é possível identificar outros autores19 que também identificaram os mesmos achados. Os jovens preocupavam-se com o futuro, pois apresentavam poucas oportunidades de emprego e de profissionalização dentro da comunidade. Para modificar essa situação, eles também se afastaram do quilombo. Portanto, a dificuldade de encontrar uma atividade que promova a geração de renda também é encontrada em outros quilombos.19

Podia ter mais emprego para os jovens, que não têm oportunidade aqui para isso (Q3).

Terminam o estudo aqui e têm que ir embora, e a mãe já tem que ir junto (Q10).

A participante Q10 destaca a fragmentação da família como uma problemática gerada a partir da saída do jovem para a área urbana. Como são jovens, as mães sentem a necessidade de acompanhar as filhas em busca de trabalho ou continuidade nos estudos. Os homens continuam trabalhando na comunidade, as mulheres deslocam-se para a cidade e a estrutura familiar precisa ser reorganizada. As tarefas que anteriormente eram desempenhadas pela mulher nesse período precisam ser assumidas por outra pessoa.

As mulheres que não optam por essa alternativa passam a depender dos pais ou do companheiro e não têm expectativas positivas quanto ao futuro. Com isso, acredita-se que a falta de perspectivas em relação ao amanhã repercute diretamente em suas vidas, alterando seus sonhos, desejos, atitudes, concepções e significados. Sua perspectiva de futuro em relação à comunidade, à identidade e ao próprio processo saúde-doença, também é influenciada pelas escolhas, além das percepções sobre as necessidades ou não de cuidar de si e dos demais, pois nesse contexto podem emergir sensações de desânimo, baixa autoestima e autodepreciação.

Apreende-se, também, que a falta de um vínculo empregatício é algo que causa sensação de insegurança quanto ao futuro, especialmente entre as jovens e suas mães. Embora exista o desejo de buscar oportunidades na cidade, elas enfrentam dificuldades quando abandonam a comunidade.

Não é aquela vontade: "- vou para a cidade". Chega lá, tu não arruma emprego (Q8).

Se tu não tiver uma oportunidade de emprego, tu nunca vai conseguir. No teu currículo, a primeira coisa que eles pedem é experiência. Como é que vai ter experiência, se não tem uma oportunidade? Não adianta ter curso e não ter experiência. Faz o curso só para dizer que tem diploma (Q9).

Ao mesmo tempo, na fala a seguir, é possível verificar que as mulheres que conseguiram uma atividade laboral são valorizadas e vistas com orgulho pelas demais. Nessa direção, autoras demonstraram, em seu estudo,20 que a atividade laboral formal gera nas mulheres as sensações de empoderamento, valorização de sua força de trabalho e igualdade de gênero, fazendo com que elas assumam a direção de suas próprias vidas em busca daquilo que almejam. Considera-se que, nessa mesma perspectiva, os quilombolas também valorizam a atividade laboral remunerada e formal.

Nota-se também que algumas participantes ainda enfrentam um contexto cultural que determina as atividades que devem ser desenvolvidas por homens e por mulheres. Essas atividades apresentam-se como valores que não envolvem preferências subjetivas, mas condições de vida que são impostas e que se encontram implícitas no contexto cultural.6 Contudo, foi possível verificar a condição de rompimento da submissão feminina por meio do trabalho, conforme evidencia a fala a seguir.

A gente sente é orgulho delas estarem representando, porque tem muitos maridos machistas, que mulher não vai trabalhar, mulher tem que ficar em casa. Elas estão mostrando que não é isso. Não é a lida deles de trator, de lavoura, de campo, mas é um serviço igual, competente igual a eles têm. Elas estão mostrando que qualquer mulher pode. Eu sinto orgulho de ver elas trabalharem, porque tem muitos homens que não permitem isso por achar que o trabalho da gente não vale alguma coisa (Q8).

No que se refere ao cotidiano de vida dessas mulheres, verificou-se uma realidade bem semelhante àquela encontrada no estudo,21 na qual a maioria dos companheiros também trabalha no meio rural, enquanto suas cônjuges permanecem diariamente no domicílio, desenvolvendo as atividades domésticas, o cuidado aos filhos e o cultivo de hortas. A diferença entre os dois cenários parece ser que o cenário das participantes foi construído a partir da falta de oportunidades de emprego e não devido a uma demarcação de papéis imposta pelos homens.

Além da falta de uma atividade empregatícia e de perspectivas em relação a esta, as mulheres também destacaram os problemas vivenciados em relação ao acesso aos serviços de saúde, os quais implicam diretamente outros aspectos de suas vidas e nos sentimentos vividos.

Eu acho que se tivesse um bom emprego e a questão da saúde, a gente estaria com tudo (Q5).

Quando vir o médico para gente, a gente vai ficar mais feliz (Q6).

As dificuldades de acesso aos serviços de saúde e aos próprios profissionais de saúde, assim como a falta de perspectivas em relação à possibilidade de ocupação laboral, geram sensação de angústia. Contudo, essas sensações mesclam-se ao sentimento de esperança diante da expectativa de que o acesso aos serviços de saúde possa ser resolvido com a presença de um profissional de saúde na comunidade. Observa-se que essa possibilidade se mostra como um aspecto que gera felicidade na vida dessas mulheres.

Nesse ínterim, visualiza-se que a dificuldade de acesso aos serviços de saúde também é vivenciada por outras comunidades quilombolas.19 De maneira geral, infere-se que a população negra ainda apresenta situação de desigualdade no que concerne ao acesso à saúde e, apesar das dificuldades citadas, foi possível constatar, entre algumas participantes, o sentimento de esperança movido pela fé em um amanhã que possa ser melhor. Nessa direção, a fé emerge como um sistema cultural de símbolos,6 que motiva substancialmente essas mulheres em uma direção e as auxilia a ajustar suas ações, permitindo que tenham ânimo, persistência, coragem e perseverança para enfrentar um amanhã desconhecido.

A gente tem algumas dificuldades e está crendo que vai melhorar (Q1).

A gente tendo saúde e confiança em Deus. Se Deus quiser, eu espero que um dia todos aqui [...] Tudo vai melhorar para nós todos, se Deus quiser. Eu tenho certeza disso (Q5).

Só Deus mesmo para resolver o problema da gente (Q6).

Porque a gente vai conseguindo as coisas aqui aos pouquinhos. Antes não tinha o ensino médio, agora já tem [...]. A gente quer emprego, tomara Deus que tenha.

Se Deus quiser vai ter. Isso aí é uma coisa que a gente precisa, a gente não quer sair daqui (Q8).

Eu sou feliz aqui. Esperando pelo emprego e Deus vai me dar. Para mim, para minha filha, para todos que precisam. A gente confiando em Deus, Deus vai nos dar. Porque tudo que a gente tem pedido aqui, a gente tem conseguido. Mais hoje, mais amanhã, a gente tem conseguido (Q10).

Nesse sentido, apesar das adversidades enfrentadas no presente, as mulheres ainda acreditam que, no futuro, suas condições de vida podem melhorar e procuram despertar essa esperança nos jovens. Essas crenças advêm da inspiração divina, a qual lhes dá suporte para viverem, suportarem as dificuldades impostas e acreditarem que algo melhor está por vir. Logo, de acordo com a antropologia interpretativa,6 pode-se considerar que essa perspectiva religiosa, que gera a confiança de um futuro melhor, envolve uma forma particular de olhar a vida, construir o mundo e estabelecer motivações nessas mulheres para continuarem vivendo e lutando por melhores condições de vida.

Essa dimensão religiosa refletida nas falas das participantes demonstra os significados que elas atribuem à fé e a Deus, sendo a fé algo que as motiva e Deus Alguém ou Alguma Divindade a Quem elas confiam suas vidas. Diante desse âmbito cultural, verifica-se que a perplexidade e o desconhecido, imbricados no futuro, impulsionam para a crença em Deus, o Qual passa a assumir a simbologia de uma condição sobrenatural que as ampara e vai ajudar a melhorar suas vidas.6

Além disso, considera-se que a sensação de pertencimento a um grupo produz, nessas mulheres, significados positivos e reduz o estresse que elas possam apresentar diante da certeza do amanhã. Dessa forma, os valores culturais do grupo podem proteger os membros contra esse tipo de estresse, fortalecendo a união e o apoio.18 Essa noção de pertencimento implica dizer que elas formaram laços de reconhecimento mútuo e que, nesse contexto cultural, existem princípios, valores e visão de mundo semelhantes.

As jovens também vislumbram a possibilidade, por exemplo, de desenvolver atividades acadêmico-profissionais que, posteriormente, poderão trazer benefícios à comunidade.

Por isso que eu te falei, eu quero fazer Medicina Veterinária, porque eu quero trabalhar aqui e quero ajudar a comunidade (Q9).

Percebe-se, na fala da participante, que sua escolha em relação à carreira profissional está muito mais ligada a um espírito de confraternidade e de poder contribuir com o contexto em que nasceu e cresceu do que a um desejo pessoal. Ela se sente pertencente a um grupo e preocupa-se com o bem-estar deste, identificando, assim, a necessidade de auxiliá-lo a partir de sua escolha profissional.

É possível visualizar o quilombo como um meio cultural6,22 no qual estão refletidos símbolos, significados, concepções, padrões, práticas e características que foram expressos e transmitidos entre gerações e que permitem que os indivíduos possam conformar, ordenar e direcionar suas vidas, bem como possam dar valor à sua existência. Portanto, reconhece-se, por meio dos sentimentos expressos por essas mulheres, sua inserção social como quilombolas e, ao mesmo tempo, as aflições que demandam da falta de oportunidade que o local e o acesso distante de um centro urbano trazem ao grupo. Tais sentimentos expressados por elas resultam do meio cultural em que elas foram socializadas e vivem, e é a partir desse meio que elas se comunicam, perpetuam-se e desenvolvem seus conhecimentos e atividades em relação à vida e ao cuidado de si. Por isso, a relevância de conhecer esse aspecto junto a esse grupo específico.

 

CONCLUSÃO

Constatou-se que a identidade quilombola desvela-se entre as mulheres deste estudo como algo especial, que gera sentimentos positivos, entre eles, a felicidade e o orgulho por pertencerem a esse grupo e viverem em uma comunidade quilombola. Além disso, viver nesse local imprime às mulheres um sentimento de liberdade, pelo fato de poderem conduzir suas vidas e de seus familiares de forma tranquila, sem se preocuparem com situações de perigos ou de risco encontradas em outros locais.

Considera-se que os sentimentos manifestados pelas participantes sofrem influência de fatores sociais e culturais, os quais foram construídos historicamente no local. Dessa forma, em alguns momentos, pode-se verificar que as mulheres mais velhas buscam transmitir às jovens os mesmos sentimentos positivos em relação à identidade e à comunidade quilombola, transmitidos simbolicamente a elas, no passado.

Acredita-se que esses sentimentos positivos possam repercutir de forma significativa no cuidado à saúde dessas mulheres, estimulando-as a desenvolver práticas de cuidado de si, pois, assim, continuarão trabalhando, estudando e lutando por melhores condições de vida. Ao mesmo tempo, a sensação de pertencimento ao grupo incita-as a cuidar dos demais membros da comunidade, fazendo-as propagar práticas de cuidado, além de laços de solidariedade, confiança e zelo.

Em contraponto, as condições adversas de vida manifestadas pelas mulheres também têm sido capazes de gerar sensações negativas como angústia e insegurança. Entretanto, percebe-se que é a partir dessas condições e dos sentimentos que elas lhes causam que as mulheres condicionam a forma de ver a vida, cuidar de si e dos outros e enfrentar as adversidades. Diante disso, a fé se sobressai como estratégia para auxiliar as mulheres a superarem os obstáculos encontrados e apresenta-se como algo que as motiva em direção a um futuro que acreditam que será melhor.

Com esses resultados encontrados neste estudo, salienta-se como elemento positivo a técnica escolhida para produzir os dados, pois favoreceu a interação e a expressão das mulheres quilombolas por meio de discussão grupal, auxiliando-as em seus depoimentos e permitindo a compreensão dos significados de seus sentimentos, comportamentos e vivências. Nesse sentido, ressalta-se que o entendimento de determinado grupo ou fenômeno exige do pesquisador o esforço de olhar sobre o ombro do indivíduo, buscando ver e compreender o que ele sente, como pensa e no que acredita.

Por outro lado, destaca-se que não foram encontrados estudos que abordam especificamente os sentimentos de mulheres quilombolas em relação à sua identidade, sendo este um elemento limitador. Contudo, este estudo não se propôs a esgotar a temática, uma vez que investigações, sob a perspectiva cultural, não têm a pretensão de descobrir todos os significados implicados em um contexto, mas sim explanar conjeturas na tentativa de compreender a construção de significados e subjetividades. Assim, enfatiza-se a necessidade de novos e diferentes olhares sobre a temática em pauta. Com isso, espera-se que os dados produzidos possam contribuir para a reflexão da sociedade, como também na elaboração de estratégias que produzam transformações na vida desses indivíduos.

 

REFERÊNCIAS

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