REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume Atual: 23:e-1174 DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/1415-2762.20190022

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Pesquisa

Violência em mulheres com diagnóstico de depressão

Violence in women with a diagnosis of depression

Maria Cristina Lins de Oliveira Frazão1; Cláudia Jeane Lopes Pimenta2; Raquel Janyne de Lima2; Stella Costa Valdevino2; Cleane Rosa Ribeiro da Silva2; Kátia Neyla de Freitas Macedo Costa2

1. Universidade Federal da Paraíba - UFPB, Centro de Ciências da Saúde. João Pessoa, PB - Brasil
2. UFPB, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. João Pessoa, PB - Brasil

Endereço para correspondência

Cleane Rosa Ribeiro da Silva
E-mail: cleane_rosas@hotmail.com

Submetido em: 06/04/2018
Aprovado em: 13/02/2019

Contribuições dos autores: Coleta de dados: Maria C. L. O. Frazão, Raquel J. Lima; Redação - Preparação do original: Maria C. L. O. Frazão, Cláudia J. L. Pimenta, Raquel J. Lima, Cleane R. R. Silva; Redação - revisão e edição: Cláudia J. L. Pimenta, Stella C. Valdevino, Cleane R. R. Silva, Kátia N. F. M. Costa

Fomento: Não houve financiamento.

Resumo

OBJETIVO: compreender a relação entre a depressão e o histórico de violência em mulheres.
MÉTODO: trata-se de estudo exploratório e descritivo, com abordagem qualitativa, realizado entre os meses de janeiro e abril de 2017, com mulheres que apresentavam diagnóstico de depressão, sendo acompanhadas em um Centro de Atenção Integral à Saúde na cidade de João Pessoa, Paraíba, Brasil. Os dados foram coletados por meio de entrevistas, utilizando um roteiro semiestruturado. As falas foram processadas pelo software IRaMuTeQ e analisadas por meio da técnica de análise de conteúdo, buscando-se identificar os temas de mais relevância para a problemática investigada.
RESULTADOS: entre as participantes, 29 tinham história de violência, sendo a maior parte das agressões praticada por parceiros íntimos. Observou-se que os termos mais citados pelas mulheres foram: não, medo, marido, sofrimento, bater, apanhar, violência e problema. Mediante as falas das mulheres, foi evidenciado que as agressões sofridas foram o principal motivo para o desenvolvimento da depressão.
CONCLUSÃO: observou-se a existência de uma marcante relação entre depressão e histórico de violência nas mulheres. Foi evidenciado que as entrevistadas sofreram agressões que perduraram desde a infância até a vida adulta, relacionando-se ao fenômeno da transgeracionalidade e afetando diretamente a sua saúde mental.

Palavras-chave: Violência contra a Mulher; Agressão; Depressão.

 

INTRODUÇÃO

A violência contra a mulher se apresenta como um fenômeno complexo e historicamente associado aos papéis desempenhados por homens e mulheres na sociedade,1 remetendo a práticas culturalmente estabelecidas, que promovem e perpetuam as desigualdades e relações de gênero construídas.2 Esse tipo de agressão não está limitado às pessoas com características socioeconômicas predefinidas, sendo um evento multifatorial e que representa um desafio para a saúde pública.3

Mesmo diante dessa realidade, percebe-se que ainda é pouca a visibilidade política e social relacionada à problemática,4 sobretudo no Brasil, que apenas nos últimos 10 anos instituiu a judicialização como medida para combater a violência contra a mulher, embora possua elevada taxa de homicídios.5,6

No Brasil, essa situação vem apresentando rápida ascensão, principalmente em relação ao número de óbitos. Entre os anos de 1980 e 2010 os coeficientes de mortalidade feminina aumentaram 111%, passando de 2,3/100.000 para 4,8/100.00.6 Em nível mundial, o país encontra-se na 5ª colocação em total de mortes de mulheres, perdendo apenas para El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia.7

A violência gera repercussões significativas na vida e na saúde da mulher, tais como lesões e traumas físicos, gravidez indesejada, infecções sexualmente transmissíveis, dores crônicas, além de danos psicológicos, sexuais e patrimoniais.1,8 Entre esses problemas, merece destaque o comprometimento da saúde mental, sobretudo frequentes quadros depressivos.9

Uma mulher que sofre agressão está vulnerável a desenvolver depressão, sendo esta desencadeada por diversas situações, a exemplo de privação de liberdade, diminuição da autoestima e isolamento social.10 Esse contexto provoca alto custo econômico e social para a vida dessas pessoas e para o desenvolvimento saudável de um país, gerando gastos elevados ao Estado para reduzir os índices de criminalidade e otimizar as políticas públicas de saúde.9

Assim, o objetivo desta pesquisa foi compreender a relação entre a depressão e o histórico de violência em mulheres.

 

MÉTODO

Trata-se de estudo exploratório e descritivo, com abordagem qualitativa, realizado em um Centro de Atenção Integral à Saúde (CAIS) na cidade de João Pessoa, Paraíba, Brasil, entre os meses de janeiro e abril de 2017. Compondo a rede de atenção especializada, os CAIS visam atender aos principais problemas e agravos de saúde da população em nível ambulatorial, funcionando de maneira integrada à atenção básica, uma vez que o acesso da população à atenção especializada ocorre por meio de encaminhamentos realizados pelas unidades de saúde da família do município.11 Esse serviço realiza, em média, 50 atendimentos psicológicos mensais a mulheres, tendo a depressão como a principal causa para a procura e acompanhamento.

Para a seleção das participantes foi realizada rigorosa leitura das fichas de atendimento psicológico, buscando identificar as pacientes que apresentassem o diagnóstico de depressão, totalizando 32 mulheres. Foram definidos como critérios de inclusão: pessoas do sexo feminino, com idade igual ou superior a 18 anos e que apresentassem depressão. Foram excluídas do estudo as mulheres que possuíssem algum transtorno mental ou comportamental associado à depressão. Entre as pacientes selecionadas, duas se recusaram a participar do estudo, resultando na seleção de 30 mulheres.

A coleta de dados ocorreu mediante entrevista com roteiro semiestruturado, contendo perguntas referentes aos dados sociodemográficos e questões para identificação de violência, o qual foi construído a partir de buscas na literatura visando à compreensão das facetas que envolvem o tema da violência contra a mulher. As entrevistas foram realizadas nos horários de agendamento das consultas, conforme a rotina do serviço, tendo duração média de 10 a 15 minutos.

As falas foram transcritas na íntegra, sendo processadas por meio do software Interface de R pour les Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires (IRaMuTeQ), um programa gratuito de livre demanda, firmado com bases no software R., que foi desenvolvido em 2009, por Pierre Ratinaud.12 O conteúdo das falas foi analisado utilizando a técnica de análise de conteúdo, buscando-se identificar os temas de maior relevância para a problemática investigada.13

Esta pesquisa respeitou todos os aspectos éticos e legais que envolvem estudos com seres humanos preconizados pela Resolução nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob parecer nº 1.854.121. Para manter o anonimato, as falas foram identificadas no texto com a letra M, seguida do número ordinal correspondente à ordem da entrevista (M1, M2... M30). Todos os participantes foram esclarecidos sobre a pesquisa e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

 

RESULTADOS

Participaram deste estudo 30 mulheres com diagnóstico de depressão, que tinham idade entre 28 e 45 anos. A maioria era casada ou vivia em união estável e possuía ensino médio completo. Entre as participantes, 29 relataram história de violência, sendo a maior parte das agressões praticadas por parceiros íntimos.

O conjunto das falas das mulheres foi esquematizado por meio da nuvem de palavras, expondo os vocábulos com mais frequência de evocação (Figura 1). Além disso, o conteúdo das falas foi dividido em duas categorias: histórico de violência e a relação entre a depressão e o histórico de violência, e suas respectivas subcategorias.

 


Figura 1 - Nuvem de palavras – História de violência em mulheres com diagnóstico de depressão. João Pessoa, Brasil, 2017.

 

Mediante a análise da Figura 1, observa-se que os termos mais citados pelas mulheres foram: não, medo, marido, sofrimento, bater, apanhar, violência e problema. Esses vocábulos se incorporam às várias falas das entrevistadas ao discorrer sobre os questionamentos para identificação de violência sofrida.

A palavra não, que mostra alta frequência de repetição, denota a negatividade existente na vida dessas pessoas, que referem a perda do interesse por atividades anteriormente prazerosas, a ausência de sentido para a sua vida ou mesmo a esperança de acabar com o sofrimento diário, sendo este um dos motivos para não denunciarem as agressões. Além disso, também são impedidas de estabelecer vínculos externos ao casamento, de exercer uma atividade laboral, de estudar e de realizar atividades de lazer, o que, associado à falta de suporte familiar adequado, resulta em isolamento social e diminuição na autoestima e no autocuidado.

Histórico de violência no contexto de vida de mulheres com depressão

Ao investigar o histórico de violência, as entrevistadas revelaram as frequentes violências que suas mães sofreram, as quais variavam entre agressões físicas e psicológicas, com tentativas de homicídio. Conforme expresso nas falas, as mulheres assistiam às agressões e compartilhavam do sofrimento vivenciado pela mãe:

Minha mãe era muito espancada pelo meu pai, eu via tudo, entrava no meio pedindo não brigarem, mas não podia fazer nada [...] (M1).

Meus pais brigavam muito, eu assistia todas as brigas deles [...] (M2).

Na nossa frente ele não batia, mas a gente escutava à noite eles brigando. Eu lembro de uma cena em que meu pai queria matar minha mãe com uma faca [...] (M14).

Algumas mulheres referiram ter sido vítimas de violência durante a infância, sendo os familiares próximos como pai, mãe e tios os agressores mais frequentes. Os relatos apresentam a violência física como o principal tipo de agressão sofrida, também existindo episódios de violência psicológica e sexual e de abandono:

Fui maltratada pelo meu pai, quando ele bebia, eu tinha que me esconder por trás da casa e esperar ele dormir para poder entrar, porque se ele me visse, ele me batia, queria me matar [...] (M1).

Quando eu era criança meu tio colocava filme pornô para eu assistir, começava a me tocar, minha tia achava isso engraçado [...] (M6).

Minha história de vida é triste, nasci com um problema, minha mãe me rejeitou e meu pai tentou me matar [...] (M25).

Muitas mulheres relataram ter sofrido violência pelo parceiro íntimo durante vários anos, em que os episódios geraram consequências que interferem significativamente no seu cotidiano e em sua saúde, segundo apresentado nas falas a seguir:

Meu ex-marido costumava dizer que eu nunca ia conseguir fazer nada, que eu não era capaz. Eu não tirei habilitação, nunca dirigi por conta dele, ele proibia, porque dizia que eu não tinha capacidade, que eu era burra para tal coisa. Eu fui muito machucada, violência física nunca aconteceu, mas a agressividade dele, a ignorância, era muito pior (M5).

Fui maltratada durante 10 anos, meu marido me ameaçava, me batia, me empurrava, me chutava, uma vez quebrou o meu braço. Ainda tenho a sequela por causa disso, eu não consigo secar uma toalha ou esfregar uma roupa que sinto dor no meu punho (M8).

A relação entre a depressão, a violência e as consequências das agressões sofridas

Mediante a análise das falas, foram identificados trechos em que as mulheres citam a violência sofrida, sobretudo por parceiros íntimos, como a principal causadora da depressão:

Ele me batia com meu filho no braço, fui ficando doente, comecei a entrar em depressão, não queria comer, nem tomar banho [...]. Se meu esposo não tivesse me maltratado, eu não era depressiva, porque quando eu casei, eu era uma pessoa bem feliz, eu trabalhava, era alegre, gostava de passear e hoje tudo acabou [...] (M2).

Todo sofrimento e humilhação do meu ex-marido me fez adoecer, tudo que eu vestia ele dizia que era feio, fiquei depressiva, ele continuou me dando desprezo, me humilhando [...] (M24).

Eu fiquei depressiva por causa das agressões que sofri, ele me prendia muito, comecei a me sentir sufocada [...] (M6).

Entre as consequências resultantes da violência sofrida e dos episódios depressivos, as participantes referiram a perda do emprego, a falta de ânimo para realizar as atividades, o isolamento social, o desenvolvimento de problemas físicos e psíquicos, além da ausência de expectativas com o futuro:

Eu perdi meu emprego, estava sendo muito espancada pelo meu marido, meu corpo doía, não tinha mais coragem de trabalhar [...] (M2).

Não tenho ânimo de fazer nada, a minha vontade é me isolar, não querer ver ninguém, chorar o dia todo. É um desespero, minha vida acabou, não sou mais aquela mulher, eu me acabei [...] (M4).

Eu fazia contabilidade, prestava serviços a várias empresas [...] Dá um desgosto, hoje tenho esquecimento, esqueço os dias da semana, fico triste. Ele me destruiu, destruiu meus sonhos, eu queria estudar, me formar, ter um lar [...] (M26).

Quanto à procura pelos serviços de saúde em decorrência das agressões, as entrevistadas citaram que não denunciavam a violência sofrida, apresentando uma versão diferente para o acontecimento. Em outros casos, não procuravam o serviço de saúde, preferindo realizar o tratamento na própria residência, conforme apresentado nas falas a seguir:

Não vou ao hospital, minha mãe traz remédio em casa [...] (M1).

Me levaram no hospital, toda arrebentada, não falei que tinha sido agredida, falei que foi uma queda [...] (M7).

Quando procurei socorro no hospital, minha patroa me mandou dizer que me machuquei, para que eu não denunciasse [...] (M30).

 

DISCUSSÃO

A partir da análise das falas, percebe-se a existência de um histórico de violência que se inicia na infância, testemunhando as brigas e agressões constantes entre os pais, das quais acabam também sendo vítimas, e perpetua-se durante a fase adulta, sofrendo violência pelo parceiro íntimo.

As agressões sofridas geralmente estão relacionadas a atos de punição e disciplina e apresentam forte relação com o caráter de gênero, entendida como uma relação de poder e dominação dos homens, com consequente submissão das mulheres.8 Em decorrência disso, a violência pode perdurar desde a infância até a vida adulta, perpassando cada geração e influenciando os cenários intrafamiliares que ainda irão se formar.14

Estudo que analisou os dados de 24 capitais brasileiras e do Distrito Federal sobre os atendimentos de urgência às vítimas identificou que durante a infância e adolescência a mãe se caracteriza como a principal agressora; durante a fase adulta, as agressões ocorrem pelo parceiro íntimo; e na velhice, os filhos propagam a violência sofrida durante a infância.15 Dados semelhantes foram identificados em pesquisa na Nigéria,16 na qual se observou que crianças que crescem em ambiente familiar violento têm mais chance de se tornarem homens agressores de mulheres.

Em relação às agressões por parceiro íntimo, muitas mulheres referiram episódios frequentes, que perduraram durante longos períodos e que provocaram inúmeras sequelas, influenciando negativamente na sua saúde e no desempenho de atividades cotidianas. A vulnerabilidade das mulheres diante da violência praticada por seus cônjuges pode ser potencializada em decorrência de fatores como considerável diferença de idade entre o casal, situação conjugal não formalizada, convivência em um ambiente com precárias condições sociais, ingestão de bebidas alcoólicas ou o uso de drogas e entorpecentes pelo parceiro, entre outros.7

Diante do contexto, quase todas as entrevistadas ressaltaram que o desenvolvimento da depressão era resultado das agressões das quais foram vítimas. Pesquisa realizada com mulheres adultas com história de violência doméstica e tentativa de suicídio no município de Salvador (BA) evidenciou que as participantes relacionaram o adoecimento psíquico às agressões cometidas pelo companheiro.17

Existe elevado percentual de problemas mentais em mulheres que sofreram violência, os quais interferem diretamente na qualidade de vida das vítimas e de suas famílias, podendo resultar em situações de morbidade e perdas potenciais quanto aos aspectos pessoais, sociais, afetivos e econômicos.9,18

A violência e a depressão geraram graves consequências na vida das participantes, destacando-se o abandono da atividade laboral, a falta de ânimo para realizar as atividades, o isolamento social, o desenvolvimento ou agravo de problemas de saúde e a ausência de expectativas com o futuro.

É bastante comum que mulheres violentadas utilizem abusivamente medicamentos e alimentem pensamentos suicidas, depressão, insônia, pesadelos, ansiedade e dificuldade para tomar decisões.9 Muitas vezes, essa situação é responsável pelo comprometimento da produtividade, gerando altos índices de absenteísmo laboral, que resultam na perda do emprego.18

O abuso emocional pode ser tão danoso quanto o abuso físico. Essa violência enfraquece o papel da mulher no lar, produz diversos efeitos na saúde dos filhos e pode repercutir no aumento da violência social.15 Em muitos casos, a selvageria que envolve os atos de violência contra a mulher exige o atendimento em serviços de saúde, geralmente em hospitais de urgência e emergência. Contudo, percebeu-se, pelos relatos, que algumas entrevistadas preferem não buscar assistência médica, enquanto outras, quando a procuram, descrevem uma versão diferente para justificar as lesões.

Essa problemática ainda se caracteriza como algo invisível à sociedade, pois a procura pelos serviços de saúde por parte das vítimas geralmente ocorre por meio de queixas vagas, sendo explicada como resultado de acidentes domésticos causados por descuido.19 Nesse sentido, os profissionais de saúde devem apresentar habilidades para reconhecer os sinais de violência em mulheres que procuram ou são encaminhadas aos serviços de saúde, mesmo nos casos em que não existam sequelas físicas que denunciam as agressões.20

Ressalta-se também a falta de apoio à mulher, tanto por parte dos familiares e amigos, quanto pelos profissionais que prestam assistência nos serviços especializados no acolhimento de pessoas nessa situação.1,19 Estudo realizado com mulheres que denunciaram violência em delegacia especializada identificou a falta de apoio, a revitimização e a atitude preconceituosa por parte dos policiais que atendiam as vítimas.21

É necessário que a investigação e o aconselhamento sobre violência se torne rotina durante as consultas de Ginecologia e Obstetrícia em todos os níveis de atenção à saúde e que os profissionais do serviço estejam capacitados para o atendimento adequado às vítimas, detectando os primeiros sinais de violência.1

 

CONCLUSÃO

O presente estudo identificou a existência de marcante relação entre a depressão e histórico de violência nas mulheres investigadas. Observou-se que as entrevistas sofreram agressões que perduraram desde a infância até a vida adulta, relacionando-se ao fenômeno da transgeracionalidade e afetando diretamente a saúde mental.

O estudo alerta para a realidade silenciosa das agressões presentes no âmbito familiar e a importância crescente de orientação sobre os direitos e deveres nas relações entre gênero, a qual deve ser iniciada ainda durante a infância. Frente às evidências encontradas, ressalta-se a relevância de se investigar e discutir a problemática da violência contra mulher, sendo necessário o desenvolvimento de outros estudos que contemplem as demais etapas da vida, como a infância, a adolescência, a fase adulta e a velhice.

 

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