REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume Atual: 23:e-1207 DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/1415-2762.20190055

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Reflexão

Reflexões sobre o saber, saber-fazer e saber-estar na formação de enfermeiros

Reflections on knowledge, knowing-how and how to behave in nursing training

Maria Sinara Farias1; Larissa Ludmila Monteiro de Souza Brito2; Aliniana da Silva Santos2; Maria Vilaní Cavalcante Guedes2; Lúcia de Fátmia Da-Silva2; Edna Maria Camelo Chaves2

1. UECE, Programa de Pós-Graduação em Cuidados Clínicos em Enfermagem e Saúde. Bolsista CAPES. Fortaleza, CE - Brasil
2. Universidade Estadual do Ceará - UECE, Programa de Pós-Graduação em Cuidados Clínicos em Enfermagem e Saúde. Fortaleza, CE - Brasil

Endereço para correspondência

Maria Sinara Farias
E-mail: sinarafariasbc@gmail.com

Submetido em: 28/02/2018
Aprovado em: 06/07/2019

Contribuições dos autores: Redação - Preparação do Original: Maria S. Farias, Larissa L. M. S. Brito, Aliniana S. Santos; Redação - Revisão e Edição: Maria V. C. Guedes, Lúcia F. Silva, Edna M. C. Chaves.

Fomento: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES.

Resumo

Trata-se de estudo reflexivo que se propõe a discutir sobre o saber, saber-fazer e saber-estar na formação dos enfermeiros. Nesse sentido, ressalta-se que o saber para a formação dos enfermeiros corresponde ao conhecimento necessário para um bom desempenho profissional que, atrelado ao saber-fazer, que são as habilidades necessárias para o cuidar, reflete um profissional qualificado, o qual reconhece a competência de saber-estar na enfermagem. Assim, essa reflexão leva a melhor compreensão sobre a importância dos saberes para a formação de enfermeiros, uma vez que, atualmente, essa compreensão é negligenciada por algumas instituições formadoras.

Palavras-chave: Enfermagem; Conhecimentos, Atitudes e Prática em Saúde; Conhecimento; Aptidão; Atitude.

 

INTRODUÇÃO

A Enfermagem é uma profissão da área da saúde que, no decorrer de seu desenvolvimento, vem se organizando com aporte epistemológico para tornar-se ciência por meio da aquisição de conhecimentos e saberes próprios embasados por teorias. De uma maneira bastante peculiar e criativa, concebe o conhecimento de forma a englobar aspectos, tanto da ciência como da arte. O cuidado tem sido concebido como o saber e o fazer da Enfermagem, apresentando-se numa diversidade de significações. Nesse sentido, os saberes da Enfermagem caracterizam-se por incluir, de forma complementar, tanto aspectos analíticos quanto sintéticos, ou seja, a arte e a ciência.1

Diante disto, o saber em Enfermagem é adquirido primeiramente por meio de um pré-saber, resultado da cultura associada, que se compreende por estar em constante aprimoramento entre o saber e o fazer. Nestes, as técnicas executadas e os princípios científicos se inserem, sendo colocados em prática e perpetuados pela experiência profissional mediante a busca do conhecimento.2

O saber-fazer é a transmissão de um conhecimento já adquirido; é fazer algo que já se sabe, correspondendo a uma atitude de ser e estar advinda da moral, do conhecimento dos seus limites e da reflexão sobre o fazer em si.3

Atualmente, espera-se da Enfermagem uma busca pelo conhecimento inovador, dinâmico e que agregue mudanças, colocando o saber em constante transformação e reflexão, fazendo com que ele não esteja mais restrito à academia, mas sim fazer com que o conhecimento produzido chegue à realidade dos serviços de saúde.2 Nesse contexto, uma prática reflexiva promove, além dessa atualização dos conhecimentos, melhoria na qualidade do cuidado exercido, permitindo-se fazer melhores escolhas para a formação de profissionais mais críticos e envolvidos com o trabalho.4,5

Assim, destaca-se o papel do docente na formação de enfermeiros, pois eles podem influenciar e servir de modelos, motivando e auxiliando na tarefa de uma educação para a compreensão humana como uma garantia de solidariedade e de dignidade, incluindo o componente moral e o exercício da cidadania.1

Em consonância com o papel do docente na formação de enfermeiros, ressaltam-se os valores e missões das instituições formadoras, uma vez que devem incentivar e subsidiar um ensino qualificado e tendo como premissas a formação de enfermeiros reflexivos sobre sua prática de cuidados.

Nessa perspectiva, no decorrer da disciplina Tópicos de Filosofia da Ciência de Enfermagem e Saúde do Programa de Pós-Graduação Cuidados Clínicos em Enfermagem e Saúde, ao ser discutida a importância dos saberes da nfermagem na prática clínica do cuidado, foi despertada a necessidade de refletir sobre essa temática. O interesse era a busca por formação de enfermeiros capazes de garantir cuidado integral e de qualidade. Assim, o presente estudo tem como objetivo refletir sobre o saber, saber-fazer e saber-estar na formação dos enfermeiros.

O saber em enfermagem: conhecimentos necessários para saber cuidar

O saber é denominado como conjunto de elementos formados de maneira regular por uma prática discursiva e indispensável à constituição de uma ciência. Trata-se de um espaço em que o sujeito pode tomar posição para falar dos objetos de que se ocupa em seu discurso e, ainda, um campo de coordenação e de subordinação dos enunciados em que os conceitos aparecem, se definem, se aplicam e se transformam. Por fim, um saber se define por possibilidades de utilização e de apropriação oferecidas pelo discurso. Assim, há saberes que são independentes das ciências, mas não há saber sem uma prática discursiva definida, e toda prática discursiva pode definir-se pelo saber que ela forma.6

A produção e a utilização de saberes são práticas inerentes à realização de atividades, promovendo autonomia na tomada de decisões, bem como permitindo conhecer o que fazer, como e por que é necessária a realização de determinadas práticas, contribuindo significativamente para o desenvolvimento de ciências. Na Enfermagem, como em qualquer ciência, o saber é motivo de contínuas reflexões, tendo em vista sua relevância na prática do cuidado, pois para cuidar é necessário possuir domínio de conhecimentos teóricos a fim de torná-lo seguro e alcançar os objetivos propostos.

No que concerne à Enfermagem, há a distinção de três tipos de conhecimento: o intuitivo, que pode ser compreendido como a concepção de uma imagem direta e instantânea do objeto do conhecimento, sem precisar de provas para saber o que se conhece; o saber técnico, que é identificado pela execução de procedimentos técnicos, mas que exige dos profissionais de Enfermagem o desenvolvimento de habilidades psicomotoras específicas, as quais, por sua vez, implicam o respeito e a observação de princípios científicos; e o saber teórico, que culmina com o surgimento das teorias de Enfermagem com o enfoque na construção de uma estrutura de saberes que caracterize a Enfermagem como ciência.2

A ciência de Enfermagem está embasada em ampla estrutura teórica, de forma a direcionar as ações dos enfermeiros, sendo o saber teórico indispensável, pois as teorias de Enfermagem representam a consolidação da ciência e arte da Enfermagem.

Compreende-se que os três tipos de conhecimentos citados contribuíram para o desenvolvimento da Enfermagem como ciência, os quais possibilitam aperfeiçoamento dos cuidados realizados e colaboram para a atuação dos enfermeiros docentes, que são responsáveis pela formação dos futuros profissionais, visando facilitar um processo de ensino-aprendizagem baseado na importância de uma prática reflexiva.

Salienta-se que o saber em Enfermagem aplicado com a utilização das teorias no processo de Enfermagem proporciona um fundamento racional para a tomada de decisões, julgamentos, relações interpessoais e ações, reverberando um cuidado seguro, qualificado e humanizado.

Ressalta-se que o processo de evolução do saber em Enfermagem permitiu a identificação da diversidade de atribuições e competências do enfermeiro, sendo um saber que valoriza experiências e acontecimentos que contribuem no processo de construção do conhecimento, sendo necessário à realização do trabalho de Enfermagem e a conduz a desempenhar seu principal papel, o cuidar.2

Assim, percebe-se que, a cada dia, é exigido mais conhecimento dos profissionais, pois estes precisam estar qualificados para cuidar e fazer diferença no serviço.

A Enfermagem é, pois, um corpo de saberes cuja natureza merece nossa atenção, sendo necessário que os enfermeiros-docentes possuam a capacidade do saber-fazer e ao mesmo tempo proporcione aos acadêmicos a percepção dos saberes necessários para o saber ser enfermeiro.2 Dessa forma, saber ser enfermeiro durante todo o processo de ensino-aprendizagem dos docentes em Enfermagem colabora para a aquisição do conhecimento intuitivo, técnico e teórico, enfatizando a posição política e social que o enfermeiro deve adotar em suas práticas.

Sendo assim, o cuidado requer conhecimentos na perspectiva de que saber cuidar implica sentimentos éticos do ser humano para com o meio onde se está inserido, tendo em vista que não se vive numa sesta biológica com a natureza. Pelo contrário, ele interage com ela, fazendo isso por meio do trabalho, sendo de forma desafiadora, trabalho com cuidado.7 Afinal, saber em Enfermagem será valorizado quando os próprios profissionais perceberem que necessitam do saber para desenvolverem sua prática e, consequentemente, sua aplicação reverbera a arte do fazer.

Saber-fazer: habilidades para o cuidar em enfermagem

O saber-fazer é intrínseco das profissões por meio do conhecimento como solução para as demandas emitidas pela sociedade. Sabe-se que, para fazer algo, é necessário ir atrás do conhecimento para executá-lo. Saber-fazer é propagar o que foi aprendido por meio da vivência social.3

Para a realização de qualquer atividade, é necessário um saber prévio, quer seja intuitivo, técnico ou teórico. Assim, ao fazer alguma atividade utilizando um conhecimento prévio, este pode ser transformado ou mesmo originar algo novo. Nesse sentido, para a aquisição de habilidades o conhecimento é necessário, pois ele será o responsável pelas consequências vindas de tal atitude.

Para a Enfermagem, o saber-fazer corresponde à necessidade de o profissional possuir habilidades e conhecimentos próprios para exercer o cuidado e o cuidar com eficiência, que constituem instrumentos básicos. No saber-fazer permeia, ainda, o cuidado humanizado, quando o profissional se sensibiliza ao cuidar, considerando o ser humano na sua dimensão biopsicossocial, tornando o cuidado mais eficiente.8

Assim, o cuidar exige habilidades que, por sua vez, necessitam de conhecimento para ser eficaz. O saber-fazer da Enfermagem a caracteriza como profissão, tendo como objeto o cuidado. E para o profissional de Enfermagem saber-fazer o cuidado, é necessário aprendizado promovido durante sua formação, aproximando sempre a teoria da prática (saber como fazer) ou fazer consubstanciado pelo saber.

Essa relação entre teoria e prática na formação do enfermeiro é entendida como eixo articulador da produção do conhecimento, indo além do engessamento das disciplinas curriculares. A prática é, em princípio, o que nutre a teoria, levando-a a criar e a recriar. A teoria explica, amplia e entende sua prática. A formação do profissional deve preocupar-se com essa relação como um projeto de formação cuja tarefa cabe à Universidade e aos docentes cumprirem. A teoria, como elemento de reflexão da prática e esta como interrogadora da teoria, faz parte de toda experiência bem-sucedida de formação profissional.9

Refletir a prática do cuidado significa pensar sobre o que se faz enquanto se está fazendo, pois o profissional que adota a prática de refletir suas ações torna-se um apreendente de sua própria performance.4

O fazer é ensinado e apreendido, o que leva à necessidade de, ainda na formação do enfermeiro, facilitar esse processo a fim de torná-lo capacitado ao saber-fazer de sua função.

Destaca-se ainda o saber-fazer para a internacionalização da Enfermagem que propicia um fluxo profícuo entre os países, de saberes e fazeres, que favorece o compartilhamento de ideias e práticas, de modo a ampliar os horizontes da Enfermagem. Desse modo, funciona como um sistema aberto, mais capaz de responder às demandas internas e externas da profissão.10 Possibilita, ainda, a valorização social e profissional da Enfermagem como ciência e com um fazer próprio.

Atitudes para saber-estar na enfermagem

Saber-estar é necessário para o saber e para a reflexão sobre o fazer. Quem sabe está no que é seu; conhece seus limites, reconhece que o possível nem sempre é necessário. Põe e impõe limites, reflete sobre normas, examina seus princípios.3 Ela busca demonstrar a realidade de ser em uma profissão. Apresenta as atitudes que são necessárias para a realização das habilidades referentes ao conhecimento.

A competência saber-estar na Enfermagem começa a se desenvolver quando o profissional percebe que o outro é provido de crenças, identidade, opinião e que o outro pode ensiná-lo, valorizando assim o aspecto cultural. Para seu desenvolvimento, é preciso ter consciência da fragilidade humana e, ainda, a necessidade de o profissional se tornar ser humano, palpável e flexível, atuando a partir de um cuidado holístico e individualizado, considerando a complexidade do ser humano envolvido por subjetividades que devem ser consideradas pelo enfermeiro ao ofertar o cuidado ao outro.8

Evidencia-se, então, que o saber-estar deve ser intrínseco ao enfermeiro. São as atitudes necessárias para ser um bom profissional, com destaque para o que significa sua profissão e como é realizado o cuidado.

Diante disso, as Diretrizes Curriculares do Curso de Graduação em Enfermagem especificam como atitudes específicas do ser enfermeiro: identificar as necessidades individuais e coletivas de saúde da população, seus condicionantes e determinantes; gerenciar o processo de trabalho em Enfermagem com princípios de ética e de bioética, com resolutividade tanto em nível individual como coletivo em todos os âmbitos de atuação profissional e reconhecer o papel social do enfermeiro para atuar em atividades de política e planejamento em saúde, entre outras.9

Nesse sentido, são atitudes as quais o enfermeiro precisa desenvolver para ser um profissional qualificado, com cuidado holístico e humano, enfatizando que, além de ser intrínseco ao enfermeiro, são atitudes que devem ser destacadas e ensinadas durante a formação acadêmica, como destacado nas Diretrizes Curriculares do Curso de Graduação em Enfermagem.

De acordo com pesquisa realizada em Belo Horizonte-MG sobre as representações sociais de discentes de graduação em Enfermagem acerca do "ser enfermeiro", observa-se que, para o conjunto dos sujeitos deste estudo, o significado de ser enfermeiro está relacionado a elementos que traduzem valores afetivos e atitudinais, como também a representações que remetem à integralidade da assistência prestada, identificados pelas palavras cuidar e responsabilidade.10

Isso posto, saber-estar na Enfermagem é saber ser enfermeiro, encarando as limitações e dificuldades, mas sempre cuidando do outro, valorizando suas particularidades e respeitando seus valores.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Essas reflexões remetem à compreensão de que o conhecimento na formação de enfermeiros é o que o torna um profissional qualificado para o cuidado pautado no saber, saber-ser e saber-estar. O cuidado exige conhecimento intuitivo, técnico e teórico que, colocado em prática, proporciona a aquisição de habilidades necessárias para o cuidar.

O saber na Enfermagem é próprio da profissão e a diferencia das demais. Aliado ao seu fazer, torna-a com identidade e habilidades específicas. Nesse sentido, o saber-estar na Enfermagem demonstra a capacidade do profissional em ser um enfermeiro a partir da valorização do ser cuidado em todos os aspectos que envolvem a complexidade humana. Assim, o enfermeiro deve ter as competências, habilidades e atitudes exigidas pela profissão.

Destaca-se a importância desses saberes serem adquiridos na formação acadêmica e no processo de educação permanente, salientando o papel do docente para despertar nos formandos a necessidade de uma prática reflexiva em que, ao promover cuidado, este se respalde por conhecimentos embasados por teorias de Enfermagem que validem o cuidado, a fim de proporcionar segurança aos pacientes.

 

REFERÊNCIAS

1. Waldow VR, Fensterseifer M. Saberes da enfermagem: a solidariedade como uma categoria essencial do cuidado. Esc Anna Nery Rev Enferm. 2011[citado em 2019 fev. 12];15:629-32. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414-81452011000300027&script=sci_abstract&tlng=pt

2. Viana VMF. Um estudo do saber em Enfermagem [dissertação]. Goiânia: Pontifícia Universidade Católica de Goiás; 2005.

3. Stepke FL, Drumond JGF. Fundamentos de uma antropologia bioética: o apropriado, o bom e o justo. São Paulo: Loyola; 2007.

4. Waldow VR. Momento de cuidar: momento de reflexão na ação. Rev Bras Enferm. 2009[citado em 2019 jan. 18];62(1):140-5. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0034-71672009000100022

5. Brito AMR, Brito MJM, Gazzinelli MFC, Montenegro LC. Representações sociais de discentes de graduação em enfermagem sobre "ser enfermeiro". Rev Bras Enferm. 2011[citado em 2019 jan. 18];64(3):527-35. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0034-71672011000300017

6. Foucault M. A arqueologia do saber. 7ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária; 2008.

7. Boff L. Saber cuidar: ética do humano compaixão pela terra. Petrópolis: Vozes; 1999.

8. Sá AC. O paradigma do cuidado no âmbito da saúde. In: Transferetti JA, Zacharias R. Ser e cuidar: da ética do cuidado ao cuidado da ética. São Paulo: Centro Universitário São Camilo; 2010. p.171-88.

9. Ministério da Educação (BR). Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução CNE/CES nº 3 de 7 de novembro de 2001: Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem. Brasília (DF): MEC; 2001. [citado em 2017 jun. 09]. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CES03.pdf

10. Barros ALB, Matheus MCC, Gutièrres MGR. Internacionalização do saber- fazer da Enfermagem. Acta Paul Enferm. 2008[citado em 2017 dez. 28];28(1):1-2. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-21002008000100001&script=sci_arttext&tlng=pt

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