REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume Atual: 23:e-1248 DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/1415-2762.20190096

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Pesquisa

Lutas simbólicas para implantação da primeira turma de enfermagem da universidade estadual do Piauí em Teresina - 2002 a 2012

Symbolic struggles to implement the first nursing class of universidade estadual do Piauí in Teresina - 2002 to 2012

Francisca Aline Amaral da Silva; Benevina Maria Vilar Teixeira Nunes

Universidade Federal do Piauí - UFP, Departamento de Enfermagem. Teresina, PI - Brasil

Endereço para correspondência

Francisca Aline Amaral da Silva
E-mail: falinesilva@yahoo.com.br

Submetido em: 11/09/2018
Aprovado em: 16/10/2019

Contribuições dos autores: Coleta de Dados: Francisca A. A. Silva; Conceitualização: Francisca A. A. Silva, Benevina M. V.T. Nunes; Investigação: Francisca A. A. Silva; Metodologia:Francisca A. A. Silva; Redação - Preparação do Original:Francisca A. A. Silva; Redação - Revisão e Edição:Benevina M. V.T. Nunes.

Fomento: Não houve financiamento.

Resumo

OBJETIVOS: descrever a criação do curso de Enfermagem no Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual do Piauí e analisar as lutas simbólicas de discentes e docentes para sua implantação.
MÉTODO: trata-se de pesquisa sócio-histórica, com base no pensamento de Pierre Bourdieu. A produção dos dados foi guiada pela história oral temática e ocorreu por meio de entrevistas com cinco participantes e análise documental.
RESULTADOS: tem-se que para a criação e implantação do curso de Enfermagem foram desenvolvidas lutas simbólicas de seus agentes sociais, porque inicialmente ocorreu resistência dos coordenadores e alunos anteriormente alocados nesse espaço.
CONCLUSÃO: as coordenadoras e discentes da Enfermagem buscaram alianças com instâncias superiores na hierarquia da instituição e conquistaram a inserção do curso de Enfermagem no Centro de Ciências da Saúde. Como resultado, obtiveram ganhos simbólicos e reconhecimento dos seus pares.

Palavras-chave: História da Enfermagem; Educação em Enfermagem; Enfermagem; Educação Superior; Bacharelado em Enfermagem.

 

INTRODUÇÃO

A Universidade Estadual do Piauí (UESPI) foi criada no ano de 1986, com sede em Teresina, capital do Piauí, e com campi nas cidades de Floriano, Parnaíba e Corrente. No início da década de 2000, passou por um processo de expansão e interiorização que favoreceu a formação superior em Enfermagem pelo estado do Piauí.1 Esse fato ocorreu em virtude das mudanças na política expansionista da educação superior, alicerçadas por ideias neoliberais que reduziam a intervenção do estado, e foram difundidas pelo governo brasileiro. Isso serviu de base para a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, em 1996, a qual teve influência direta no crescimento do número de cursos de graduação em Enfermagem no Brasil, na abertura destes em instituições de ensino do setor privado e, por conseguinte, discreto aumento nas universidades públicas.2

Em 1998 a UESPI passou a ofertar a graduação em Enfermagem nas cidades de Parnaíba e Floriano, no entanto, na capital Teresina o curso era ofertado pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), o que se manteve até o ano de 2001.3 Embora o processo de expansão da UESPI tenha ocorrido, o estado e a instituição não conseguiram suprir as demandas. No que se refere à graduação de Enfermagem, os resultados esperados não foram alcançados, pois a carência de estrutura física e de pessoal qualificado para desenvolver a graduação no interior do estado acarretou o fechamento de seis dos nove cursos de graduação em Enfermagem ofertados pela instituição no ano de 2004.3

Em consequência, os 161 alunos matriculados nesses campi foram transferidos para o Centro de Ciências da Saúde do campus Torquato Neto da UESPI, em Teresina, por meio da Resolução nº 014/04, de 5/3/2004, do Conselho Superior Universitário (CONSUN). Para alocar esses discentes, criou-se a Coordenação Local de Enfermagem no Centro de Ciências da Saúde (CCS), embora não existisse a graduação em Enfermagem.4

A Coordenação providenciou, na Reitoria, a contratação de professores com vínculo provisório, para desenvolver os períodos letivos que faltavam para a formação dos alunos, pois embora os professores locados nas cidades nos q uais os cursos foram fechados fossem transferidos para Teresina, o número de profissionais era insuficiente para atender às demandas do processo de formação. Ao chegar a época da formatura, fez-se necessário o reconhecimento do curso de Enfermagem, pela Resolução CEE/PI nº156/2007, para expedição dos diplomas e conseguinte oferta de vagas para Enfermagem no vestibular em 2007/2008.

A implantação desse bacharelado em Enfermagem também ocorreu sem estruturação de espaço físico, contratação de professores e materiais didáticos. Por essa razão, discentes e professores de Enfermagem travaram lutas simbólicas para assegurar sua implantação no CCS e, consequentemente, manter a posição desses atores nesse campo social.

O estudo justifica-se pela intenção de gerar documentos históricos para compreensão das forças político-sociais que, certamente, interferiram na implantação do curso de graduação em Enfermagem no Centro de Ciências da Saúde da UESPI, como também servirá como base para reflexões nos cursos de graduação, programas de pós-graduação, assim como gerar registros para a história da Enfermagem no contexto piauiense e brasileiro. Tem relevância por servir de fonte para futuros estudos, tanto nos espaços da Enfermagem como no campo da saúde.

Assim, o objeto deste estudo foram as lutas simbólicas para implantação do curso de Enfermagem no CCS da UESPI. O recorte temporal do estudo iniciou-se em 2002, ano de início da oferta dos cursos de Enfermagem, e encerrou-se em 2012, com a diplomação da primeira turma.

A questão que norteou o estudo foi: quais as lutas desenvolvidas por coordenadores, docentes e alunos para implantação do curso de Enfermagem no Centro de Ciências da Saúde?

Para responder à questão, foram formulados os objetivos: descrever as estratégias empreendidas pelos agentes sociais para formação dos alunos oriundos dos cursos de Enfermagem criados no interior do estado; e analisar as lutas simbólicas de discentes e docentes para implantação desse curso de Enfermagem no Centro de Ciências da Saúde.

 

MÉTODO

Trata-se de narrativa sócio-histórica que valoriza o aspecto global do processo histórico, apresenta um fazer interdisciplinar e investiga as relações entre o passado e o presente com ênfase no social e no cotidiano.5

O local de realização do estudo foi o Centro de Ciências da Saúde do campus Poeta Torquato Neto, da Universidade Estadual do Piauí, situada em Teresina, criado em 1998, com a denominação de Faculdade de Ciências Médicas, que oferece os cursos de Medicina, Psicologia, Fisioterapia e Enfermagem nos períodos diurno e noturno.

Os participantes do estudo foram: o diretor do CCS, duas coordenadoras do curso de Enfermagem e dois discentes representantes de turma. Os colaboradores do estudo foram designados pela sua posição no ambiente da instituição, seguido de número indo-arábico em ordem crescente.

A produção de dados se deu por meio de entrevistas, que se balizaram pelo referencial da história oral temática6 e ocorreu de outubro de 2017 a março de 2018. A duração média das entrevistas foi de 30 minutos, sendo realizada em local e horário adequados ao participante, com utilização de roteiro semiestruturado. A entrevista seguiu as etapas de pré-entrevista, entrevista, transcrição, textualização, transcriação e validação.6

Foram utilizados documentos referentes ao reconhecimento do curso de Enfermagem, atas de reuniões de Colegiado de Centro, leis e portarias do governo do estado do Piauí que tratam sobre a UESPI, ofícios, memorandos e resoluções do Conselho Universitário da Instituição, permitindo, assim, a triangulação de fontes, o que proporciona estudo mais abrangente da realidade social.7

Os dados foram analisados após a etapa de validação das entrevistas, seguida da leitura completa destas, quando se fez a separação de trechos do documento escrito por similaridade de conteúdo e a organização dos documentos por pertinência temática e cronológica. A análise e discussão dos resultados foram embasadas no pensamento de Pierre Bourdieu.8,9

Este estudo obedeceu às normas da Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, sendo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa CEP/UFPI, conforme Parecer de nº 2.139.940.

Tendo em vista o embasamento documental desta pesquisa, apresenta-se como limitação do estudo a dificuldade no que se refere ao acesso à documentação por parte da coordenação e da própria instituição. Isso porque, mesmo com a aquiescência do Reitor, não foi possível localizar memorandos, processos e ofícios encaminhados pela coordenação do curso de Enfermagem durante o período do estudo, no entanto, não houve perdas amostrais.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Estratégias empreendidas para formação dos alunos oriundos dos cursos de Enfermagem do interior do estado

A expansão da UESPI foi embasada pela baixa oferta de cursos superiores por universidades públicas na territorialidade do estado do Piauí e, também, por motivações político-partidárias entre representantes, caracterizados como aqueles que tinham "algum peso político, dentro da correlação de forças dos acordos políticos e que poderiam garantir determinado retorno àqueles que estavam no poder municipal"10:8. Esses acordos políticos resultaram em convênios entre a UESPI e o poder municipal que favoreceram a "multiplicação de campi, cursos e modalidades de ensino registrados na UESPI"11:7 de forma desordenada.

Também a política de atenção básica, com ênfase na Estratégia Saúde da Família, propiciou mercado de trabalho para os enfermeiros e favoreceu a oferta de cursos, com recursos financeiros advindos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (FUNDEF). Esses recursos viabilizaram a continuidade desses convênios1, mas não foram suficientes para sua manutenção.

Nesse sentido, no ano de 2002 foram ofertadas vagas para formação em Enfermagem em nove municípios piauienses, por meio de convênios firmados entre representantes do poder político (Secretários de Saúde Estadual e Municipais) e a universidade, embora sem as devidas condições necessárias para o funcionamento de um curso superior. O grupo hegemônico formado por prefeitos e aliados políticos encontrava-se mobilizado para manter os campi funcionantes e conservar o ganho político associado a eles, pois os que detêm o poder utilizam-no para "imporem seus interesses de mandatários como sendo os interesses de seus mandantes"8.

O início das aulas nesses municípios, no ano de 2002, revelou a inviabilidade da continuação dos cursos de Enfermagem, por carência de estrutura física, material e de pessoal. Assim, a expansão ocorrida na UESPI aconteceu de forma precipitada e, por essa razão, a necessidade de se pensar em novas estratégias para promover uma educação de qualidade.1

Para dar prosseguimento à formação dos alunos, o Conselho Universitário da instituição, por meio da Resolução 014/2004, aprovou a transferência imediata desses alunos para campi já estruturados. Assim, os matriculados nos municípios de Bom Jesus e Corrente foram remanejados para o campus Dra. Josefina Demes, na cidade de Floriano; os matriculados em Piracuruca, para o campus Prof. Alexandre Alves de Oliveira, em Parnaíba; e para o Centro de Ciências da Saúde, em Teresina, os matriculados nas cidades de Campo Maior, Barras e Água Branca. Com completude do processo dessas transferências, extinguiram-se os cursos de graduação em Enfermagem nas cidades de Água Branca, Barras, Campo Maior, Piracuruca, Bom Jesus e Corrente.3

O campus Poeta Torquato Neto, em Teresina, contava com o Centro de Ciências da Saúde desde o ano de 1998 e ofertava as graduações em Medicina, Fisioterapia e Psicologia, com estrutura básica para atendê-los. E não tinha infraestrutura para receber os alunos de Enfermagem provenientes dos cursos extintos, embora a Resolução do CONSUN tenha autorizado essa transferência.12

Em resposta a essas questões, alunos, professores e coordenadores empreenderam lutas na universidade para resolver o novo problema apresentado. Como resultado das negociações, a universidade estabeleceu convênio, com duração de um ano (de março a dezembro de 2004), com o Centro Estadual de Educação Profissional em Saúde (PREMEN-SUL). E este disponibilizou três salas e uma secretaria para que se iniciassem as aulas, pois os acadêmicos estavam em períodos diferentes, variando entre turmas de 3º e 6º períodos.13

Inicialmente, eles se encontravam satisfeitos por serem transferidos para Teresina, mas logo demonstraraminsatisfação pelas condições que a universidade ofereceu[...] e foram à luta, vestiram-se de preto, botaram nariz de palhaço e fizeram manifestações em frente à Reitoria. Com essa mobilização surgiu o projeto da construção de novas salas (Coordenadora 2).

Após o término do convênio com o PREMEN-SUL, foi firmado outro, desta vez com a Universidade Federal do Piauí, que disponibilizou três salas nas dependências do Hospital Universitário para UESPI, que perdurou o suficiente para o término das disciplinas básicas, que ocorreu no ano de 2006, conforme depoimento:

Eu conhecia o diretor do Hospital Universitário, então fui conversar com ele antes de levar proposta para a universidade. Ele me atendeu, me mostrou o hospital e disse que cedeu três salas [...] funcionamos por quatro períodos. Enquanto isso, fomos aprimorando a probabilidade da inclusão dos alunos à FACIME (Coordenadora 1).

O problema do espaço físico continuou até a finalização do processo de formação e, ainda, durante os estágios, alguns professores, ao necessitarem de espaço para ministrar aulas, negociavam com as coordenações do CCS, pois ao transferir os alunos de Enfermagem para Teresina, a Reitoria deixou a cargo da direção do CCS a distribuição de salas de aula. Essa utilização não era documentada e a Enfermagem não constava no quadro de distribuição de salas do Centro. Apenas durante o período de elaboração e desenvolvimento do trabalho de conclusão de curso (TCC) a coordenação de Enfermagem conseguiu, com a direção do Centro, oficializar a liberação de uma sala de aula no turno da noite.

A conclusão do processo de formação dos alunos favoreceu o reconhecimento do curso de graduação em Enfermagem da UESPI, em Teresina, no ano de 2007, por meio da Resolução do Conselho Estadual de Educação (CEE/PI) nº 156/0712. No entanto, a oferta de vagas, no processo vestibular do ano de 2008, ocorreu após várias discussões durante as reuniões do Conselho do Centro de Ciências da Saúde.

Em ata da reunião realizada no dia 12 de junho de 2007, em que participaram como conselheiros o diretor da faculdade, coordenadores dos cursos, representantes dos docentes e dos discentes da instituição, foi registrada a primeira discussão sobre a oferta de vagas para Enfermagem. A princípio, os conselheiros manifestaram-se contra, mas aprovaram o pleito com a condição de que a universidade promovesse reforma do prédio ou construção de novas salas nesse local14, como relembrou a coordenadora local do curso. 1

Antes mesmo da efetiva autorização pela Reitoria do vestibular para Teresina, surgiram dificuldades [...] ocorreram discussões com a direção da faculdade, para que o vestibular contemplasse vagas para a Enfermagem, mas, para isso, era necessário ter estrutura física [...]. Posso afirmar que a ideia não teve o apoio da direção nem dos outros professores nem dos discentes dos outros cursos (Coordenadora 2).

A construção histórica do curso de Enfermagem da UESPI, em Teresina, foi permeada de conflitos em relação às expectativas dos discentes quanto à formação superior e à realidade por eles vivenciada, o que provocou mudança no habitus desses discentes ao mudarem seu posicionamento e mobilizarem-se em prol de sua formação.

Essa postura do grupo contra-hegemônico formado por discentes e coordenadores do curso de Enfermagem levou à constituição do "campo de poder", cujas "relações de forças" foram estabelecidas no campo "entre as posições sociais que garantem aos seus ocupantes um quantum suficiente de força social - ou capital social - de modo a que estes tenham a possibilidade de entrar nas lutas pelo monopólio do poder"8:29.

Dessa forma, o grupo hegemônico no Centro de Ciências da Saúde era representado pelo Conselho de Centro, composto pelo diretor, coordenadores dos cursos de Psicologia, Medicina, Fisioterapia e seus representantes discentes, em que as decisões eram deliberadas. Nesse Conselho, para que as proposições das coordenadoras do curso de Enfermagem fossem aprovadas, era necessário o empreendimento de lutas para assegurar a posição deste no campo. Essas lutas propriamente simbólicas servem de sustentáculo para imposição da definição de mundo social, mas conforme os interesses dos dominantes.8 Essa é a razão da postura de negação apresentada pelos membros do Conselho do Centro frente à proposta da coordenadora, o que justifica a postura dominante e a manutenção de seus interesses dentro do campo.

A reação negativa dos coordenadores foi a mesma dos discentes dos cursos já existentes no CCS, que se posicionaram contra a abertura de vagas para Enfermagem, como se pronunciou a coordenadora geral do curso de Enfermagem.

Percebia-se a rejeição por parte dos alunos. Era uma situação constrangedora, pois a agressividade destes para a coordenação de Enfermagem era perceptível. Nos corredores, ouviam-se informações pejorativas em relação ao curso (Coordenadora 1).

Após a derrota no Colegiado de Centro, as coordenadoras empreenderam outra estratégia de luta na Reitoria, que se comprometeu a disponibilizar recursos para a execução de um projeto de construção de nove salas para o curso de

Enfermagem no Centro. Essa mobilização resultou na formação de alianças entre a coordenação do curso de Enfermagem e a reitora, resultando no ganho de capital simbólico das coordenadoras que fortaleceu sua posição nesse espaço social.

Assim, o capital simbólico adquirido pelas coordenadoras refletiu-se na própria aceitação e reconhecimento do curso de Enfermagem dentro do Centro de Ciências da Saúde. O volume de capital possuído por cada agente determinará a estrutura do campo, com isso, quanto maior o volume de capital acumulado por este, maior será a força sobre o campo.15

Lutas para consolidação da primeira turma de enfermagem

A implantação e desenvolvimento do curso de Enfermagem do CCS-UESPI, em Teresina, foi marcado por lutas simbólicas de seus atores sociais para adequação da estrutura física, materiais didático-pedagógicos, acervo bibliográfico para novos discentes da instituição. Para solucionar o conjunto dessas questões, houve negociação, o que motivou a mobilização das forças hegemônicas (coordenadores dos cursos existentes no CCS, diretor do centro) e contra-hegemônicas (coordenadores de Enfermagem) para manterem-se no campo.

Logo após a aprovação de vagas para a graduação em Enfermagem, pelo CONSUN em 2008, verificou-se a mudança na direção do Centro e, consequentemente, no Conselho de Centro, que demonstrou novo posicionamento em relação à aceitação do curso, como demonstra o depoimento do diretor.

Até 2007 houve momento de discussão sobre ter ou não ter o curso de Enfermagem. Até esse momento era permitido às pessoas serem a favor ou contra, porque era um momento de discussão, mas em 2008 o curso de Enfermagem já estava aqui, já havia sido realizado um vestibular e já tinha uma turma. Então, os coordenadores deixaram de lado essa discussão acerca de ter ou não o curso e passou a assumir uma postura de que: aqueles que foram contra e foram vencidos, agora iriam se unir e dar, cada um, sua contribuição para viabilizar esse momento (Diretor).

A mudança de postura por parte da direção e demais membros do Conselho foi percebida após a necessidade de receber e alocar a primeira turma. A promessa por parte da Reitoria da construção de um espaço para o curso de Enfermagem não aconteceu de imediato, sendo essas salas entregues ao curso no ano de 2010, com necessidade de ajustes em relação à rede elétrica.

As aulas começaram em agosto de 2008 e, naquele momento, não havia definição de como acomodar os alunos no espaço do CCS, como se observou no depoimento:

A estrutura física era precária, com tudo antigo e improvisado. Por exemplo, arrumavam um espaço, colocavam cadeiras, um quadro antiquíssimo e era a nossa sala de aula [...] essa alocação de improviso. O espaço da Enfermagem na FACIME foi criado nesses ajustes (Discente 2).

A oferta de disciplinas ocorreu sem que fossem previstos recursos humanos e materiais específicos, pois se entendia que, como as disciplinas do ciclo básico já estavam estruturadas e eram comuns aos demais cursos do Centro, não existiria obstáculo. Todavia, os laboratórios existentes não comportavam os alunos nem possuíam insumos para o atendimento das disciplinas básicas.

Embora a direção se posicionasse a favor da implantação do curso de Enfermagem, essa postura não era compartilhada por todos os docentes, o que levou a coordenação a buscar o diálogo com esses professores para redistribuição dos horários entre os cursos que ofertavam essas matérias. Em alguns momentos, fez-se necessária a intervenção da Reitoria para intermediar esse diálogo, como relembra a Coordenadora 2, ao constatar que "os laboratórios de Histologia e Farmacologia eram pequenos para atender à demanda e ainda dividi-los com a Enfermagem. [...] A Reitoria interviu nessa questão".

Registra-se que qualquer ordem somente é efetivamente executada se aquele que a profere tem autoridade sobre a quem é destinada.16

Quando foi iniciar o curso, a reitora chamou os coordenadores dos cursos que funcionavam na FACIME e o diretor do Centro e disse: "Essa é a estrutura que a UESPI tem. A estrutura da FACIME também vai ser para o curso de Enfermagem". [...] com isso, começamos a falar sobre ensalamento (Coordenadora 1).

Dessa forma, a oferta das disciplinas, segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais, baseava-se nos eixos: das Ciências Biológicas e da Saúde; e das Ciências Humanas e Sociais. Para atender a esses eixos, não havia disponibilidade de professores com expertise nessas áreas, o que acarretou a alocação de professores enfermeiros para suprir essa carência.

A carência de professores no básico fez com que vários alunos desistissem do curso [...]. Em Bioestatística, que colocaram um enfermeiro para dar aula, gerou um conflito, não que ele não dominasse o assunto, [...] a área de concentração dele não era aquela, pois quando posteriormente ele ministrou as disciplinas para as quais tinha sido aprovado, na qual tinha real domínio, a visão destes mudou. Enfim, a briga por professor foi tão forte quanto por espaço físico (Discente 1).

Ao iniciar o período profissionalizante, no ano de 2010, o quadro de professores já estava estruturado, pois contava com profissionais especialistas em áreas próprias da Enfermagem. A inexistência de laboratório para desenvolvimento de práticas específicas de Enfermagem tornou-se outro problema que as coordenadoras buscaram resolver:

Quando a primeira turma começou, começamos a fazer a solicitação de laboratório [...] pedimos tudo o que precisava no laboratório. Solicitamos uma sala e trouxemos do PREMEN uma pia de inox grande [...] solicitamos bonecos e outros materiais para os alunos fazerem as práticas. Conseguimos dois bonecos, mas como não tínhamos uma sala para o laboratório para guardarmos, eles foram lá para a Anatomia. Com isso, a universidade começou a pedir um desses bonecos para o campus de Floriano e o outro ficou aqui e a própria Medicina ficou com ele. Então, desde 2009/2010, lutamos por esse laboratório (Coordenadora 1).

A necessidade de um laboratório para práticas específicas torna-se primordial no processo ensino-aprendizagem, pois, ao realizar simulações em laboratórios, os alunos adquirem aprendizado associado ao aumento da autoconfiança e de habilidades técnicas, o que favorece a passagem do campo teórico para o prático.17

Em outra perspectiva, o acervo bibliográfico disponível para os discentes de Enfermagem na biblioteca setorial do CCS era insuficiente e inadequado, fato identificado pelos avaliadores do Conselho Estadual de Educação ao apresentarem o relatório de avaliação da instituição no momento do reconhecimento do curso. O problema não foi resolvido de imediato e novamente as coordenadoras solicitaram apoio à Reitoria, que viabilizou a compra, por meio de processo licitatório, de livros para o curso.

A biblioteca universitária desempenha papel fundamental no processo de formação, por constituir-se em suporte ao ensino e à pesquisa, de modo que é preciso adequação da estrutura física e de seu acervo às diretrizes preconizadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), uma vez que a avaliação da biblioteca influencia diretamente a avaliação da instituição e do curso no seu processo de credenciamento ou reconhecimento.18

Como prosseguimento das ações educacionais para a primeira turma, fez-se necessária a construção do trabalho de conclusão de curso (TCC) nos últimos períodos, o que provocou descontentamento dos alunos, por não conhecerem a sua obrigatoriedade, conforme o Plano Pedagógico do Curso (PPC). Por essa razão foi um período conturbado, devido à inexperiência em pesquisa por parte do grupo que compunha o curso de Enfermagem. Embora o PPC vigente do curso de Enfermagem tenha sido elaborado em 2002, os alunos não o conheciam.

A Coordenadora 2 descreve esse momento como marcante, pois, embora alunos e coordenação buscassem estratégias para o adequado funcionamento do curso, "alguns alunos entraram na justiça, por se acharem no direito de não fazer o trabalho de conclusão de curso e tivemos que ir a uma audiência e mostrar o Plano Pedagógico do Curso que descrevia a obrigatoriedade do TCC".

Nesse aspecto, vale ressaltar que a exigência do TCC na UESPI está embasada no princípio de que as universidades, em seu tripé de atuação (ensino-pesquisa-extensão), devem estimular o contato com a pesquisa nos primeiros semestres do curso e, por conseguinte, favorecer ao alunado essa vivência e amadurecimento profissional precoce.19

Mesmo não obtendo resposta favorável à sua demanda, a postura desses discentes em discordar da obrigatoriedade do TCC e recorrerem à justiça para que sua opinião fosse validada demonstra uma mudança do habitus, que foi construído por meio de um "duplo processo de interiorização da exterioridade e exteriorização da interioridade" em decorrência das adversidades que esses alunos enfrentaram durante sua graduação.20

Esses discentes com espírito de luta buscavam a coordenação para resolução dos problemas sentidos e por vezes a comunicação entre eles e coordenadores era exaltada. Mas as alianças entre docentes e discentes dessa primeira turma foram fortalecidas para o enfrentamento das dificuldades, como também para manutenção dos interesses da Enfermagem. Essa aliança era necessária para que os agentes sociais da Enfermagem permanecessem em luta, pois "nas ações ou reações dos agentes que, a menos que se excluam do jogo e caiam no nada, não tem outra escolha a não ser lutar para manterem ou melhorarem a sua posição no campo"8:85.

A comunicação entre o alunado e a direção do Centro acontecia de forma discreta, sendo que, por respeitarem a hierarquia organizacional, os problemas eram direcionados primeiro para a coordenação do curso. Com a participação ativa do CA de Enfermagem e nas reuniões de Conselho de Centro, foram ampliando seus espaços na FACIME, como relembra o diretor: "a participação do aluno na FACIME é muito forte! Não só da Enfermagem, mas de todos os cursos! Eles participam e dão ideias e sugestões".

Vale destacar, ainda no processo de implantação do curso de Enfermagem, a relação entre os alunos de Enfermagem com os que já conviviam no CCS, que aconteceu de forma afável. Após o período de lutas simbólicas por espaço físico, em 2004 os alunos membros dos Centros Acadêmicos (CA) existentes propuseram aos recém-chegados alunos de Enfermagem (no ano de 2009) que participassem de mobilizações. Isso culminou com a participação maciça dos alunos de Enfermagem no movimento SOS UESPI (mobilização de docentes e discentes da UESPI, no ano de 2010, em prol de condições de trabalho e ensino). Essa aproximação entre diferentes grupos que estão envolvidos em uma luta simbólica para manutenção da hegemonia faz parte dos conflitos e das estratégias de ajustes diários na busca da legitimação da posição dominante no campo8. Em meio a esses obstáculos, eles começaram a traçar estratégias para conseguirem as condições necessárias para o aprendizado.

Os alunos do CA de Medicina se esforçaram para nos receber para evitar conflitos porque eles brigavam muito com os discentes que vieram do interior. Partiram do princípio de que a instituição é nossa e não vai adiantar inimizade entre os cursos, então começaram a nos inserir nos conflitos da FACIME, do campus em prol de algo conjunto [...] nos unimos ao CA de Medicina para solicitar mais material, Datashow e até funcionários! (Discente 1).

Dessa forma, a convivência entre os alunos do CCS durante o movimento SOS UESPI possibilitou a organização política dos alunos de Enfermagem e a criação do Centro Acadêmico, que recebeu o nome de Irmã Abrahilde Alvarenga, personagem de referência em educação de Enfermagem. Apesar de perceberem os ganhos advindos da organização discente na forma de um Centro Acadêmico, os alunos da primeira turma, diante de seu pequeno número em comparação ao corpo discente do Centro, não acreditavam no real valor de se mobilizarem.

O CA surgiu após muita insistência e persistência da coordenadora local e ele só existe hoje porque ela mostrou que era importante e que era uma forma de os alunos de Enfermagem também lutarem para conseguir o que precisavam [...] e com apenas uma única turma, montamos o CA, mas ele só foi se estruturar quando a segunda turma chegou, pois esses tinham um senso crítico mais amadurecido e já sabiam a importância de um CA e foram à luta (Discente 1).

Esse processo de criação do centro acadêmico proporcionou o reconhecimento dos alunos de Enfermagem no grupo discente da instituição, com ganho de capital social que é o "conjunto de recursos atuais ou potenciais que estão ligados à posse de uma rede durável de relações mais ou menos institucionalizadas de interconhecimento e de inter-reconhecimento"975.

As lutas conjuntas de coordenadores, discentes de Enfermagem e direção do CCS, com o apoio da Reitoria, favoreceram a implantação do curso de bacharelado em Enfermagem da UESPI em Teresina, como também o seu reconhecimento pela sociedade piauiense, com desempenho comparado a renomadas instituições de ensino superior do país, obtendo nota 5 no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) 2016.21

Na época da formatura, eu disse ao grupo que estava orgulhosa da nossa turma porque tivemos que enfrentar muita coisa, muitos obstáculos. Muitas coisas inexplicáveis, como dificuldade de material, professor, estrutura, falta de livros. Aconteceu tudo isso e a gente não usou isso como obstáculo e os alunos que estavam ali se formando aprenderam, se superaram, amadureceram. E são profissionais de respeito (Discente 1).

O reconhecimento do curso de graduação em Enfermagem no campo cientifico do CCS, com a nota 5 no ENADE, no ano de 2016, promoveu aos agentes envolvidos o acúmulo de capital social e, agregado a isso, provocou nos professores e alunos o sentimento de pertença ao espaço social da Universidade Estadual do Piauí. Esse capital simbólico favoreceu a formação e ampliação de uma rede de relacionamentos passíveis de associação entre eles. O depoimento do diretor remete ao ganho de capital social pelos discentes e coordenadores no ambiente do CCS, pois:

A Enfermagem conseguiu o seu espaço dentro da FACIME, sem prejudicar a qualidade dos outros cursos. Coloco, neste sentido, porque, às vezes, pode-se pensar que a Enfermagem veio e, por conseguinte, prejudicou a estrutura dos outros cursos, mas não foi isso que a história mostrou! (Diretor).

Embora o curso de Enfermagem tenha iniciado suas atividades em circunstâncias desfavoráveis, essas foram as condições possíveis naquele momento histórico. A despeito dos desafios e das lutas, a história do curso de Enfermagem em Teresina mescla-se com a história sociopolítica do estado e esse resgate representa parte importante das lutas da Enfermagem no Piauí.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As lutas simbólicas para a criação do curso de Enfermagem ocorreram inicialmente entre grupos políticos dominantes no estado do Piauí que interviram na universidade por interesses eleitoreiros e financeiros e abriram graduação de Enfermagem em várias cidades de forma desordenada e sem as condições correspondentes.

Essa desordem gerou indignação por parte dos alunos, que não vislumbravam uma formação de qualidade, e dos coordenadores, porque não sabiam inicialmente como resolver o problema. Esses atores sociais acionaram várias estratégias, o que resultou na transferência desses alunos para campi da UESPI com mais estrutura. Ocorreram novos conflitos com a direção do Centro de Ciências da Saúde e com os professores e alunos, que não aceitavam receber o grupo de alunos de Enfermagem.

Dessa forma, à medida que a Enfermagem decidia permanecer no CCS, por meio de intervenções da Reitoria, ampliavam-se seu espaço no interior do campo e as disputas e conflitos entre esses agentes, que delinearam o jogo de forças no campo educacional da UESPI e o encerramento do ciclo expansionista dos cursos de Enfermagem, como também a implantação do primeiro curso de Enfermagem na UESPI em Teresina. Isso representou um ganho simbólico para as forças contra-hegemônicas, no caso alunos, coordenadores e professores de Enfermagem, que aumentaram as posições de poder e prestígio no interior desse campo específico.

Aos poucos, a Enfermagem foi assumindo a sua identidade na estrutura administrativa do Centro de Ciências da Saúde, ao ter suas demandas discutidas em paridade às de outros cursos. O processo de formação da primeira turma de Teresina proporcionou a elaboração de estratégias comuns por parte de alunos e coordenadoras, para garantir seu direito à formação de qualidade. O empenho de alunos e professores de Enfermagem teve seu reconhecimento simbólico no campo do CCS ao receberem nota 5 no ENADE.

Embora as lutas para a implantação do curso de graduação em Enfermagem tenham terminado, os discentes e docentes da Enfermagem continuam ativos na busca de melhores condições para o processo de formação.

Assim, os fragmentos dessa história não se separam da história em geral da Enfermagem brasileira, como também dos aspectos mais amplos da sociedade. Apesar das dificuldades, o curso de Enfermagem representa um marco importante da Enfermagem piauiense e brasileira.

 

REFERÊNCIAS

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20. Bourdieu P. Sociologia. São Paulo: Ática; 1983.

21. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Relatório de desempenho de curso: Enfermagem 2016. Brasília: INEP; 2017[citado em 2018 jun. 10]. Disponível em: http://portal.inep.gov.br/web/guest/conceito-enade

 

1 O Centro de Ciências da Saúde (CCS) até o ano de 2008 recebia o nome de Faculdade de Ciências Médicas (FACIME).

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