REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume: 13.2

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Editorial

A extensão universitária e sua interface com a pesquisa

Paula Cambraia de Mendonça ViannaI; Ângela Imaculada Loureiro de Freitas DalbenII

IPró-Reitora Adjunta de Extensão/UFMG
IIPró-Reitora de Extensão/UFMG

 

Ao sermos convidadas para escrever este Editorial, sentimo-nos extremamente gratificadas em trazer para à discussão um tema que tem sobressaído nas discussões e no fazer acadêmico.

Durante muito tempo, convivemos com a ideia de extensão como oposição à pesquisa. Alguns colegas da academia insistiam que as ações de extensão não produziam conhecimento ou que não se voltavam para a investigação de contextos, situações, fatos ou objetos passíveis de apreensão científica.

Hoje, deparamos com um novo cenário em que a concepção de pesquisa científica vai além da produção e sistematização do conhecimento. Ela busca, sobremaneira, criar novas formas de intervenção na realidade com finalidades de produzir, ao mesmo tempo, conhecimento e mudança e possibilitar o diálogo entre o conhecimento acadêmico sistematizado e o conhecimento de senso comum.

A extensão universitária, situada em múltiplos espaços, inaugura uma parceria importante com os processos de produção do conhecimento, extrapolando os laboratórios e gabinetes das universidades. O conhecimento produzido pela universidade circula, interage com a sociedade e se integra num novo processo de produção que envolve novos conhecimentos, novas possibilidades, porque é chamado a reconhecer novas linguagens, novas éticas.

Ao nos referirmos às ações de extensão no interior das universidades, falamos de um trabalho de formação universitária em que os estudantes envolvidos com temáticas diversas têm a oportunidade de estabelecer vínculos estreitos com a realidade, com as demandas e movimentos sociais, com as necessidades de produção de conhecimento para a conquista de uma vida qualificada no planeta. Nesse sentido, a Extensão Universitária é assumida como um princípio fundamental da formação diferenciada de um estudante universitário.

Tomada como processo essencialmente educativo, a Extensão Universitária alcança não somente ações tidas como especificamente educacionais, como se constitui como um princípio educativo diante das demais áreas de sua atuação, a dizer, saúde, meio ambiente, tecnologia, direitos humanos, trabalho, comunicação e cultura, favorecendo a criação de propostas interdisciplinares propícias à experimentação metodológica e fontes de identificação de problemas emergentes para estudo e pesquisa. Faz-se, nesse processo, o princípio fundamental da atividade universitária, que é a indissociabilidade da extensão com o ensino e a produção do conhecimento acadêmico. Em processos de "mão dupla", como se costuma dizer no interior da comunidade universitária, a sociedade se beneficia não apenas das possibilidades de acesso aos saberes sistematizados de cunho científico, como também se envolve em processos metodológicos de apropriação e produção de saberes, gestando formas, também autônomas, em processos próprios de produção de saberes culturais.

A extensão, como educação, constitui ação social transformadora, já que se materializa em atos que não se esgotam em si mesmos, mas projetam-se na direção da transformação social. Ela implica produção de um conhecimento capaz de gerar essas transformações, caracterizando-se, portanto, como educação em processo. São atos que expressam preocupações, necessidades ou vontades individuais e coletivas, voltados para o estado atual da população ou de parte dela. De forma transformadora, representam, portanto, uma das expressões da função social da universidade, que é produzir conhecimentos com relevância social, capazes de induzir transformações de impacto, consideradas necessárias pelos segmentos sociais envolvidos.

Finalizando, podemos afirmar que a extensão universitária constitui o fazer acadêmico mais sensível aos problemas sociais e à interlocução dos diferentes atores da sociedade numa reflexão crítica, configurando uma prática em que a cultura científica e a cultura humanística se interligam e se comunicam com o conhecimento erudito, popular e a tradição. Predominantemente qualitativa, a abordagem metodológica extensionista constrói uma nova epistemologia de investigação científica. A sua disposição para o diálogo entre os saberes e para o exercício da cidadania identifica o seu potencial como o lugar por excelência de oxigenação acadêmica da instituição universitária.

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