REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume: 13.3

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Editorial

Avaliando a qualidade de revistas científicas para a publicação de resultados de pesquisas e estudos

Maria Piedade Fernandes Ribeiro Leite

Bibliotecária Especialista em Biblioteconomia Médica pela BIREME/OPAS/OMS, em Administração de Bibliotecas pela UnB e Bibliotecas Universitárias pela PUC-MG. Editora Administrativa da Revista Médica de Minas Gerais

 

A comunicação dos resultados de estudos, pesquisas, experiências e casos é imprescindível para o desenvolvimento das ciências, para a evolução das instituições, dos pesquisadores e a validação do conhecimento acumulado.

Sabe-se que as revistas científicas constituem o principal canal formal de comunicação, de disseminação da ciência e de legitimação da autoria das descobertas científicas. Entretanto, na diversidade de publicações periódicas da nossa área de atuação, qual seria a mais adequada para publicar nosso artigo? Obviamente aquela de melhor qualidade e impacto.

A qualidade das revistas científicas não é facilmente mensurada, uma vez que elas são avaliadas para diferentes propósitos: indexação em bases de dados, financiamento de publicações, desenvolvimento de coleções, mensuração da produção cientifica, ou impacto do conteúdo científico podendo ser adotados critérios e métodos diversos que contemplam aspectos intrínsecos e extrínsecos da publicação, passando do conteúdo à forma de apresentação.

Dentre os critérios para avaliação da qualidade das revistas científicas destacam-se os indicadores intrínsecos ou de conteúdo e os extrínsecos ou formais.

O conteúdo científico da revista é o principal determinante da qualidade da revista, no qual são considerados: predomínio de publicação de resultados de pesquisas - artigos originais; artigos tematicamente relacionados com a missão da revista; com metodologia e estrutura redacionais adequadas; contribuições meritórias para o avanço do conhecimento, importância e originalidade para a área. Esses aspectos evidenciam a relevância da publicação.1 Outro indicador da qualidade do conteúdo é a revisão por pares, também chamada revisão paritária ou arbitragem (peer review, refereeing, em inglês). Consiste em submeter o trabalho científico ao escrutínio de um ou mais especialistas do mesmo escalão que o autor, que se mantêm anônimos ao autor. A adoção do processo de revisão por pares na seleção dos manuscritos é imprescindivel para garantia da qualidade e a credibilidade da revista científica. Aquelas publicações que não passam pela revisão paritária tendem a ser vistas com desconfiança pelos acadêmicos e profissionais de várias áreas.2,3 O processo de avaliação e aprovação dos trabalhos deve estar descrito nas normas da revista e orientações aos autores para a preparação dos manuscritos. O corpo editorial também é fator de qualidade nas avaliações de publicações pelas instituições indexadoras, pelas agências nacionais de ciência e tecnologia e pelos programas de auxílio a publicações científicas. Um Conselho Editorial constituído por pesquisadores de reconhecida atuação na área, respeitabilidade e reconhecimento por seus pares, provenientes de instituições com diversidade nacional e internacional, é requisito de qualidade para uma publicação. Pesquisadores renomados, com representatividade em sua área de atuação têm habilidade para avaliar e indicar pareceristas.1

Os indicadores de qualidade extrínsecos ou formais dizem respeito ao formato de apresentação da revista e estão basicamente relacionados à qualidade da produção editorial sendo: periodicidade e pontualidade: atendimento pontual da periodicidade estabelecida é uma prática que reflete a sustentação do fluxo constante dos artigos e demonstra a eficiência da gestão editorial. O atraso denota a incapacidade da gestão, falta de recursos para a publicação e/ou insuficiência de artigos para manter a periodicidade1; duração: o tempo de existência da revista sinaliza tradição e êxito desta, uma vez que títulos recentes têm maior tendência à descontinuidade. O índice de ";mortalidade infantil" das publicações periódicas é bastante significativo;1 a normalização e padronização se aplicam a: resumos, descritores, legenda bibliográfica, título abreviado, sumário, citações e referências bibliográficas, dentre outros. Uma vez estabelecidos e especificados, com clareza, nas instruções aos autores, devem ser cumpridos, garantindo a identidade e os padrões editoriais e bibliográficos. Na área da saúde, a maioria das publicações adota os ";Requisitos Uniformes para Originais submetidos a Periódicos Biomédicos", conhecido como Estilo de Vancouver, elaborado pelo Comitê Internacional de Editores de Revistas Médicas - ICMJE <http://www.icmje.org> e baseia-se, em grande parte, no padrão ANSI, adaptado pela U.S. National Library of Medicine (NLM), em Citing Medicine (The NLM Style Guide for Authors, Editors, and Publishers), disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/bookres.fcgi/citmed/frontpage.html>.

Podemos considerar, também, como indicadores da qualidade da publicação o trabalho editorial: a distribuição e o acompanhamento do fluxo de avaliações pelos peers reviews, a revisão de estilo, de linguagem científica, o uso correto das normas pelos autores, a qualidade das traduções, das ilustrações e da impressão; a adoção do projeto gráfico, o papel, a impressão, a distribuição, fatores que, descumpridos, afetam a qualidade da publicação; a difusão: a eficiência na distribuição e a divulgação da publicação aumentam a sua visibilidade pela comunidade científica e amplia o público leitor e o público potencial. Esse fator pode ser mensurado pelo número de bibliotecas que possuem a coleção completa da revista e por meio da sua disponibilização na Internet; a indexação que é o processo pelo qual é descrito o conteúdo de um documento mediante ";descritores" por meio de sua leitura técnica e análise. Os ";descritores" são termos que identificam assuntos em um vocabulário controlado ou estruturado que expressam conceitos de uma ou várias áreas do conhecimento. A indexação em maior número possível de bases de dados nacionais ou internacionais contribui para o aumento da visibilidade, acessibilidade e disseminação. O fato de uma revista ser selecionada para indexação em determinada base de dados pode ser parâmetro de qualidade, uma vez que atende ao escopo de requisitos daquela base. Cada base de dados divulga publicamente seus critérios e procedimentos de seleção de títulos, sendo os critérios mais comuns: conteúdo científico, revisão por pares e a normalização. As principais bases de dados da área da saúde são: BIOSIS, CINAHAL, EMBASE, LILACS, MEDLINE, PSYcINFO, PUBMED, SCIELO, SCOPUS, WEB OF SCIENCE/ISI(citation indexes).1-5

Para uma revista, a indexação num desses órgãos significa reconhecimento de mérito, aval à qualidade de seus artigos e, consequentemente, para seus autores, que normalmente estão submetidos a processos de mensuração de desempenhos de atividades tanto acadêmicos como de serviços.

Consideram-se, também, na avaliação da qualidade das publicações, os seguintes aspectos: endogenia, o fator de impacto e a classificação no Sistema Qualis-Capes. Segundo Gonçalves et al.6, ";espera-se que uma publicação de qualidade receba e publique contribuições de diferentes origens, evitando a concentração de autores da própria instituição publicadora, da mesma região, ou mesmo dos membros do corpo editorial."

O fator de impacto das publicações na comunidade científica é denominado como análise de citações, ou estudo de citações, e tem se difundido mundialmente no âmbito das agências de fomento de pesquisa.7-9 O fator de impacto é um número indicativo da frequência com que um artigo em dado periódico foi citado em determinado intervalo de tempo, sendo um indicativo da densidade da publicação. É calculado dividindo-se o número de vezes em que os artigos de uma revista são citados em determinado ano, em revistas indexadas pelo número de trabalhos publicados pela revista nos dois anos anteriores.7-9

O Sistema Qualis-Capes é um componente do sistema de avaliação dos programas de pós-graduação pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), que avalia os veículos de divulgação da produção científica gerada nos programas avaliados.10

Na área da Enfermagem, os critérios QUALIS 2007-200913 para classificação dos periódicos foram:

"Classificação A-1: periódicos da área de Enfermagem indexados na base SCOPUS/SJR com índice H > 15 ou na base ISI/JCR com índice de impacto J > 0.8 e os periódicos pertencentes às demais áreas indexados na base ISI/JCR, com índice de impacto JCR com j >2.4.

Classificação A-2: periódicos da área de Enfermagem indexados na base SCOPUS/SJR com índice H entre 3 e 14, ou na base ISI/JCR, com índice de impacto j entre 0.3 e 0.7 e aqueles pertencentes às demais áreas com H > 18 ou j entre 0.6 e 2.3.

Classificação B-1: periódicos área de Enfermagem indexados na base SCOPUS/SJR com índice H até 2, ou na base ISI/JCR, com índice de impacto j até 0.2 e outros pertencentes às demais áreas com H até 9 ou j até 0.5 ou, ainda, indexados no CUIDEN com índice RIC >0.6.

Classificação B-2: periódicos indexados na base Medline ou SciELO ou CINAHL ou CUIDEN com índice RIC entre 0.2 e 0.5.

Classificação B-3: periódicos indexados na base LILACS ou CUIDEN com índice RIC até 0.2.

Classificação B-4: periódicos indexados na base BDENF ou Portal de revistas da BVS-Enfermagem ou Sport Discus ou Latindex.

Classificação B-5: periódicos indexados em uma das bases Embase, Eric, Psycinfo, Cuidatge, Cab Health, Cabstracts, Physical Education Index, Periódica, Open Journal Systems. Scientific Cambridge Abstracts, ou em algum outro indexador, ou, ainda, pertencente a associações científicas reconhecidas pela comunidade acadêmica da área.

Classificação C: periódicos com ISSN e sem fonte bibliográfica de referência (bases ou listas de indexação). Periódico impróprio."13

Esses critérios estão em constante revisão e podem ser alterados em conformidade com as deliberações dos coordenadores de áreas. O sistema não intenciona definir a qualidade de periódicos de forma absoluta.

A busca da qualidade nas publicações periódicas científicas é tarefa diária dos editores científicos, uma vez que esta é alcançada em etapas, atingindo patamares.

Tornar-se um veículo indexado em bases de dados nacionais e internacionais, com alto índice de citação, de visibilidade, de acessibilidade, classificada como "QUALIS A" no Sistema Qualis, é objetivo das revistas nacionais.

Atingir esses patamares de qualidade, porém, perpassa por todos os atores envolvidos no processo, desde o autor, o editor, o revisor, o diagramador, o distribuidor, pois todas as etapas são passíveis de mensuração e constituem indicativos de qualidade.

E quando se fala em qualidade de publicações periódicas não se pode deixar de mencionar a Associação Brasileira de Editores Científicos (ABEC), à qual todas as publicações deveriam se filiar, dada sua importância e seu empenho no desenvolvimento e melhoria das publicações nacionais.

 

REFERÊNCIAS

1. Ferreira SMSP, Targino MG, organizadoras. Preparação de revista científicas: teoria e prática. São Paulo: Reichamann & Autores Editores; 2005.

2. Leite MPFR. A importância da indexação para a difusão do conhecimento comunicado nas revistas técnico-científicas [Editorial]. REME RevMin Enferm. 2006; 10(1): 3, jan/mar. 2006.

3. Wikipédia. Revisão por pares. [Citado em 2008 out 26]. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Revis%C3%A3o_por_pares.

4. Barbalho CRS. Periódico científico: parâmetros para avaliação de qualidade. In: Ferreira SMSP, Targino MG, organizadoras. Preparação de revista científicas: teoria e prática. São Paulo: Reichamann & Autores Editores; 2005. p.123-58.

5. Ferreira SMSP. Critérios de qualidade para as revistas científicas em comunicação. In: Ferreira SMSP, Targino MG, organizadoras. Preparação de revista científicas: teoria e prática. São Paulo: Reichamann & Autores Editores; 2005. p. 269-93.

6. Gonçalves A, Ramos LMSVC, Castro RCF. Revistas científicas: características, funções e critérios de qualidade. In: Aguiar Población D, Witter GP, Silva JFM. Comunicação & produção científica: contexto, indicadores e avaliação. São Paulo: Angellara; 2006. p.165-86.

7. Coura JR, Willcox LCB. Impact factor, scientific production and quality of Brazilian medical journals. Mem. Inst. Oswaldo Cruz [online]. 2003, vol. 98, no. 32008-10-17], pp. 293-298. [Citado em 10 out. 2008]. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0074-02762003000300001&lng=&nrm=iso.doi:10.1590/S0074-02762003000300001.

8. Coura JR, Willcox LCB. Impact factor, scientific production and quality of Brazilian medical journals. Mem. Inst. Oswaldo Cruz [online]. 2003, vol. 98, no. 32008-10-17], pp. 293-298. [Citado em 10 out. 2008]. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0074-02762003000300001&lng=&nrm=iso.doi:10.1590/S0074-02762003000300001.

9. Strehl L. O fator de impacto do ISI e a avaliação da produção científica: aspectos conceituais e metodológicos. Ci Inf. 2005 jan./abr.; 34(1). 4[Citado em 20 out 2008]. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-19652005000100003&script=sci_arttext

10. Brasil. Ministério da Educação. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Qualis de periódicos científicos, ciências sociais aplicadas Comunicação e ciência da informação: 2001/2002. Brasília, 2003. [Citado em 15 out. 2008]. Disponível em: http://qualis.capes.gov.br/. A

11. Brasil. Ministério da Educação. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior-CAPES. Classificação de periódicos, anais, revistas e jornais. [Citado em 2008 out 20]. Disponível em: http://qualis.capes.gov.br/webqualis/Index.faces.

12. Brasil. Ministério da Educação. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior-CAPES. Reestruturação do Qualis. [Citado em 2009 nov. 30]. Disponível em: http://www.capes.gov.br/images/stories/download/avaliacao/Restruturacao_Qualis.pdf.

13. Erdmann AL, Marziale MHP, Pedreira MLG, Lana FCFF, Pagliuca MLF, Padilha MI et al. A avaliação de periódicos científicos qualis e a produção brasileira de artigos da área de enfermagem. Rev Latino-Am Enferm. 2009 June 17(3): 403-9. [Citado em 2009 Nov. 03]. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692009000300019&lng=em.doi:10.1590/S0104-11692009000300019.

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