REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

Busca Avançada

Volume: 13.3

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Pesquisa

A atuação da equipe de enfermagem na vacina do idoso institucionalizado: o caso de um município da região do vale do aço

Performance of the nursing team in the vaccintion of institutionalized elderly patients: case report of a town in vale do aço

Natália Batista das NevesI; Helisamara Mota GuedesII; Simone de Pinho BarbosaIII; Virginia Teixeira Oliveira ArêdesIV

IEnfermeira. Bacharel em Enfermagem pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais
IIEnfermeira. Mestre pela Universidade Federal de Goiás. Docente do Curso de Graduação em Enfermagem pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais
IIIEnfermeira. Mestre em Saúde da Família. Docente do Curso de Graduação em Enfermagem e Pós-Graduação em Saúde da Família do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais
IVEnfermeira. Bacharel em Enfermagem pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais. Pós-graduanda em Enfermagem em Urgência e Emergência pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais e pelo Programa Saúde da Família pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Endereço para correspondência

Natália Batista das Neves
Rua Felipe Camarão, 188, Bairro Bom Retiro
Ipatinga, Minas Gerais, CEP 35160-224
Telefone: (31) 3823.1291
E-mail: natineves@gmail.com

Data de submissão: 7/03/2009
Data de aprovação: 23/11/2009

Resumo

A vacinação das pessoas idosas tem como meta diminuir os índices da morbimortalidade por doenças infecciosas, garantindo qualidade de vida, bem-estar e inclusão social. Dessa forma, pretendeu-se com este estudo identificar as vacinas oferecidas pelo Calendário Vacinal dos Idosos, a periodicidade para a avaliação dos cartões de vacinação e as vantagens e desvantagens da vacina para os idosos institucionalizados, de acordo com o ponto de vista desses profissionais. Definiu-se como metodologia a investigação qualitativa e exploratória, sendo realizadas entrevistas com 25 profissionais, sendo 8 enfermeiras e 17 auxiliares/técnicos de enfermagem. Da análise dos dados pôde-se observar que 7 (87,5%) dos enfermeiros estavam informados sobre a identificação das vacinas oferecidas pelo Calendário do Idoso e 8 (100%) responderam conforme o preconizado pelo Ministério da Saúde para periodicidade da avaliação do cartão e as vantagens dessa prática para esta população. Nas mesmas perguntas feitas aos auxiliares/técnicos, porém, 13 (76,5%) mencionaram apenas uma dessas vacinas, 11 (65%) estavam informados sobre a periodicidade do cartão vacinal e 15 (89%) relataram que somente havia vantagens nessa prática. Finalmente, quando interrogados sobre qual profissional deve ser designado para administrar as vacinas nas instituições de longa permanência, 7 (87,5%) dos enfermeiros e 10 (59%) dos auxiliares/técnicos entrevistados disseram que qualquer profissional da equipe de enfermagem está apto a realizar tal prática. Portanto, torna-se importante ressaltar a importância do trabalho do enfermeiro como coordenador/supervisor de uma Unidade de Saúde, atentando para a questão da educação continuada visando à atualização de sua equipe, para que, assim, possa contribuir para a melhoria da qualidade do serviço prestado a essa população.

Palavras-chave: Idoso; Vacinação; Assistência de Enfermagem; Educação Continuada

 

INTRODUÇÃO

O envelhecimento da população brasileira teve início na década de 1960 e foi uma resposta às mudanças em alguns indicadores de saúde, especialmente quando houve uma queda das taxas de fecundidade e mortalidade em algumas regiões mais desenvolvidas do Brasil. Desde então, passados 49 anos, a sociedade depara com as consequências desse declínio, observando-se a demanda por serviços médicos e sociais consideravelmente maiores, se comparada com a última década.1,2

Uma das características principais desse processo de envelhecimento foi que ele aconteceu sem que houvesse melhoria nas condições de vida em grande parte dessa população, o que demonstra a necessidade de intensificar as políticas públicas de saúde, tendo em vista que o envelhecimento é fenômeno social e necessita de tratamento diferencial.3,4 No senso de 2002, eram 15 milhões de idosos; já em 2008, esse número aumentou para, aproximadamente, 17 milhões no País; e, desses, 19 mil são residentes em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI),5 cuja finalidade é atender os idosos sem vínculo com a família ou sem condições de prover a própria subsistência, de modo a satisfazer suas necessidades de moradia, alimentação, saúde e convivência.6

Estudos sobre essa temática demonstram que os idosos transferidos para as ILPIs encaram esse processo como um grande desafio, pois deparam com a transformação no seu estilo de vida, com a perda da liberdade e aproximação da morte. Em conseqüência, pode-se observar um grande número de idosos com problemas emocionais, que influenciam no declínio da função do sistema imunológico, tornando-os mais vulneráveis a adquirir patologias e sofrer suas complicações.2,7,8

Como forma de diminuir os índices da morbimortalidade por doenças infecciosas, garantir qualidade de vida, bemestar e inclusão social, o Ministério da Saúde (MS) criou, em 1973, o Programa Nacional de Imunização (PNI), cujo objetivo é controlar ou erradicar doenças infectocontagiosas e imunopreviníveis. Em 1999, implantou o "Calendário de Vacinação do Idoso", direcionado inicialmente aos maiores de 65 anos, como uma das efetivações do governo brasileiro em consonância com a universalidade, a integralidade e a equidade, princípios fundamentais do Sistema Único de Saúde (SUS).9

O calendário de vacinação do idoso inclui as vacinas difteria e tétano (dT), febre amarela (FA), influenza e pneumocócica, que garantem imunidade contra difteria e tétano, febre amarela, gripe e pneumonia, respectivamente. As vacinas dT e FA devem ser administradas a cada dez anos por toda a vida. A dose contra pneumococos deve ser administrada como dose de reforço cinco anos após a dose inicial. Já a vacina contra influenza é administrada anualmente, durante a Campanha Nacional de Vacinação do Idoso (CNVI),10 época em que o MS estabelece que o cartão de vacinação do idoso seja atualizado.11 A cada ano as metas da CNVI são superadas. Tal êxito se deve ao empenho das equipes de enfermagem que, sob a supervisão de um enfermeiro, são responsáveis pelo planejamento, coordenação, execução e avaliação da campanha.12

Além do mais, essas equipes devem utilizar os conhecimentos adquiridos para entender o processo de envelhecimento e, assim, saber diferenciar as alterações do processo de envelhecimento fisiológico do patológico.13 Tais alterações podem ser reconhecidas por meio de consulta de enfermagem que, em consonância com a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE),14 deve ser realizada pelo enfermeiro, durante as visitas programadas às ILPIs, para que se possa obter o máximo de informações a respeito do idoso assistido, principalmente em relação ao cartão vacinal, pois, se este não estiver atualizado, o enfermeiro é responsável por intervir nessa questão, garantindo um plano de cuidado condizente com a atual situação do interno, para minimizar os riscos de limitações e incapacidade. Desse modo, a equipe de enfermagem pode verificar a evolução ou involução da saúde desse idoso, certificando-se se há necessidade de outras intervenções.

Pensando nisso, apresenta-se o seguinte questionamento: As equipes de enfermagem que atuam em Unidades Básicas de Saúde em um município do Vale do Aço têm acompanhado a situação vacinal dos idosos institucionalizados em suas áreas de abrangência?

Com este estudo pretendeu-se identificar as vacinas oferecidas pelo Calendário Vacinal dos Idosos, a periodicidade para a avaliação dos cartões de vacinação e as vantagens e desvantagens da vacina para os idosos institucionalizados, de acordo com o ponto de vista desses profissionais.

 

METODOLOGIA

Esta pesquisa constituiu-se em um estudo exploratório com abordagem qualitativa, realizado em um município da região do Vale do Aço em Minas Gerais, com as equipes de enfermagem de três Unidades de Saúde, sendo duas do Programa Saúde da Família (PSF) e a terceira uma Unidade Básica de Saúde. A escolha dos estabelecimentos deveu-se ao fato de na área de abrangência dessas unidades estarem situadas as ILPs desse município.

O universo da amostra foi composto por 34 profissionais de enfermagem alocados nas Unidades de Saúde selecionadas. A amostra do estudo foi composta por 25 profissionais, pois 9 não se propuseram a participar, alegando indisponibilidade adequada de tempo e discordância em participar da pesquisa.

Após o aceite e a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, foi aplicado um questionário estruturado com base nos objetivos da pesquisa, no qual foram abordados quatro questões relacionadas à periodicidade de avaliação dos cartões de vacina dos idosos, as vacinas que são oferecidas pela UBS para os idosos institucionalizados, o profissional designado para administrar as vacinas nas ILPIs e, por último, as vantagens e desvantagens da vacinação nos idosos institucionalizados.

Para garantir o sigilo e anonimato dos participantes, seus nomes foram substituídos pela letra "E" de entrevistados, enumeradas com algarismo arábico, de acordo com a ordem de aplicação das entrevistas, e divididos em dois grupos, intitulados A e B, que se referem às classes profissionais enfermeiros e técnicos, auxiliares de enfermagem, respectivamente.

As informações foram comparadas com estudos a respeito dessa temática e esboçadas em forma de tabelas. Optou-se pela análise temática,15 que é uma técnica de análise de conteúdo que focaliza os significados das comunicações. Com base nesses significados, foram atribuídas inferências ou deduções lógicas.

Esta pesquisa recebeu parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (UNILESTE-MG), sob o Protocolo nº 03.11.07, e da Coordenação de Projetos de Ensino, Pesquisa e Extensão na Área da Saúde da Secretaria Municipal do município pesquisado. Assim, após a aquiescência da instância cabível, iniciaram-se os trabalhos em loco, que se deram nos meses de setembro e outubro de 2007. Este estudo foi realizado em sintonia com a Resolução nº 196/96, do Conselho Nacional de Saúde, que regulamenta a pesquisa envolvendo seres humanos, resguardando, portanto, a responsabilidade ética do pesquisador.16

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Após a compilação das respostas, foi possível analisá-las e compará-las com a literatura estudada. Esse momento foi importante para verificar a coerência entre algumas respostas e possíveis peculiaridades.

No que tange ao perfil da amostra, constitui-se por 8 enfermeiros (grupo A) e 17 auxiliares e/ou técnicos de enfermagem (grupo B), predominantemente do sexo feminino, 23 (92%) reproduzindo uma característica peculiar na enfermagem, como uma profissão exercida quase que exclusivamente por mulheres, e 2 (8%) do sexo masculino. A faixa etária prevalente no grupo A foi entre 20 e 30 anos e com tempo de trabalho na UBS de aproximadamente quatro anos. Já no grupo B, a faixa etária ficou entre 30 e 39 anos, com a mesma estimativa de tempo de trabalho na UBS do grupo A.

Desde os primórdios, o cuidar em enfermagem era visto como um trabalho feminino e as próprias faculdades de enfermagem da época, por muito tempo, foram responsáveis pela seleção de acadêmicas, prioritariamente do sexo feminino.17

Quando interrogados sobre a periodicidade para avaliação do cartão vacinal dos idosos, todos os entrevistados do grupo A responderam anualmente, durante a CNVI, nas consultas realizadas na UBS ou nas visitas domiciliares. A mesma resposta pôde ser verificada no grupo B, em 11 (65%) dos entrevistados, porém, após a análise das respostas, observou-se que tais profissionais explanaram insegurança ao discorrer sobre essa informação, demonstrando pouco argumento sobre o conteúdo abordado. Seis (35%) dos entrevistados do grupo B optaram por "Não souberam responder". A vacina influenza deve ser oferecida aos idosos anualmente durante a CNVI, e deve-se atualizar o cartão de vacina, administrando, conforme a necessidade, as vacinas de FA, dT e a antipneumococo.18 Alguns resultados encontrados são apresentados a seguir, confirmando as informações descritas:

Grupo A:

Diária com demanda espontânea e anual na campanha de vacinação. (E3)

Geralmente, avaliamos a caderneta vacinal do idoso anualmente, durante a campanha de vacinação contra gripe. Neste momento, aproveitamos para atualizar o mesmo. (E6)

Anual durante a Campanha de Vacinação do Idoso e nas visitas domiciliares. (E8)

Grupo B:

Quem sabe mais é a menina da sala de vacina. Mas deve ser de ano em ano. (E3)

Constantemente, principalmente quando há campanha, pois é validada a atualização de todos os cartões. (E1)

Pela busca ativa pelo ACS. (E12)

Não sei responder por estar sempre na sala da puericultura. Aqui na Unidade não há rotatividade entre a equipe de enfermagem nos setores, o que dificulta lhe passar essas informações. (E17)

Pode-se observar que os resultados obtidos no grupo B ilustraram a importância de conscientizar os enfermeiros, como coordenadores/supervisores de uma equipe, sobre a relevância da educação continuada para sua equipe como forma de melhoria no desempenho do serviço prestado apoiando o alcance de metas e na busca pela qualidade de vida dos idosos, em especial os institucionalizados. A supervisão do enfermeiro nas atividades em nível técnico deve ser realizada periodicamente, garantindo qualidade no serviço prestado, sem intercorrências, principalmente, no que se refere à imunização. Mais do que isso, a realização dessas práticas garante uma equipe capacitada para poder substituir os profissionais da sala de vacinação para o caso de férias, licença médica, dispensa ou transferência, a fim de evitar a paralisação das atividades.

Releve-se, ainda, de acordo com a Resolução nº 311/2007, do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN),19 seção IV, art. 69, que é o enfermeiro responsável por "estimular, promover e criar condições para o aperfeiçoamento técnico, científico e cultural dos profissionais de Enfermagem sob sua orientação e supervisão".

Dessa forma, o trabalho em saúde pública requer que o enfermeiro, prioritariamente, reconheça as limitações contidas nos serviços dos seus profissionais e, assim, possa planejar, programar e gerenciar ações voltadas para a melhoria desses serviços, proporcionando aperfeiçoamento técnico-científico que vise à promoção da saúde coletiva para atingir metas e objetivos condizentes com a realidade da população adscrita. Consequentemente, o enfermeiro é o responsável direto e indireto pelas ações referidas à equipe e funcionamento da USB, no que se refere às ações burocráticas, gerenciais e, principalmente, cuidativas.

Consoante ao que é proposto pelo PNI, o município é responsável pela distribuição dos imunobiológicos para as Unidades de Saúde, e estas devem atender a toda demanda populacional adscrita por aquela Unidade e verificar se a estratégia utilizada para vacinar essa população-alvo tem alcançado resultados positivos para o município.20 Ao solicitar aos participantes que marcassem as vacinas oferecidas pela UBS para os idosos institucionalizados, no grupo A, apenas três (37,5%) dos participantes responderam exatamente conforme o preconizado pelo MS.

 

 

Observa-se, ainda, que três (37,5%) dos entrevistados desse grupo informaram que a vacina antipneumococo é oferecida exclusivamente para acamados e em quantidade insuficiente para o serviço. Dados de Ministério da Saúde indicam que a vacina antipneumocócica é recomendada aos idosos institucionalizados e não vacinados, que devem receber uma dose da vacina e outra após cinco anos da primeira, caso a indicação persista.21

Grande parte dos componentes do grupo A estava atualizada na questão das vacinas que compõem o Calendário Vacinal do Idoso, uma vez que a supervisão em relação à imunização é uma das principais atividades realizadas pelo enfermeiro de saúde pública. A obtenção dos dados sobre o alcance ou não das metas propostas pelo município possibilitará ao profissional enfermeiro conhecer as reais condições dos serviços prestados, que poderão ser confirmadas pelo índice de internações hospitalares ou mortalidade entre os idosos. Por isso é de extrema importância que os enfermeiros conheçam a realidade do funcionamento de sua unidade de trabalho, principalmente as atividades realizadas na sala de vacina, pois por meio dessa análise será possível a detecção dos problemas existentes para, assim, adotarem medidas a fim de eliminar possíveis intercorrências que possam prejudicar a qualidade dos serviços realizados e a cobertura vacinal.

Já no grupo B, apenas 1 (5,9%) participante respondeu examente o que preconizado pelo MS sobre as vacinas que devem ser oferecida aos idosos, 2 (11,8%) não responderam, 1 (5,9%) respondeu apenas uma das vacinas que são preconizadas e a maioria, 13 (76,5%), deixou de mencionar uma das vacinas que são oferecidas para o calendário do idoso. Demais dados estão demonstrados na TAB. 2.

 

 

Pode-se observar, na TAB. 2, que os profissionais responderam outras vacinas que não fazem parte do Calendário Vacinal do Idoso, como hepatite B e meningite, no entanto essas podem ser administradas de acordo com a indicação. Além disso, não foi mencionada a vacina contra FA. Assim, contrastando com o grupo A, estes, como coordenadores, devem buscar estratégias, como a realização da educação continuada, objetivando homogeneizar o conhecimento da equipe assistencial e, assim, garantir efetiva imunização da população idosa e qualidade no serviço prestado.

Questionados sobre qual o profissional da equipe de enfermagem estava designado para administrar as vacinas nas ILPs, tanto no grupo A quanto no grupo B, o resultado foi quase unânime, com 7 (87,5%) e 10 (59%), respectivamente, dos entrevistados respondendo que todos da equipe possuíam competência para realizar tal atividade. Esses dados podem ser confirmados na TAB. 3. A enfermagem, atuando em equipes, se fundamenta no cuidado ao ser humano, individualmente, na família ou na comunidade, desenvolvendo atividades de promoção, prevenção de doenças, recuperação e reabilitação da saúde, seguindo, assim, os princípios da integralidade, universalidade e equidade.22

A equipe de enfermagem de uma UBS deve ser proativa e conhecer a realidade da população pela qual é responsável, buscando identificar os problemas de saúde, elaborar planos para a resolução de problemas encontrados e executar as atividades planejadas de acordo com a atribuição de cada um dos profissionais, objetivando solucionar problemas de saúde de atenção básica. Mais que isso, qualquer profissional da equipe de enfermagem envolvida na imunização, designado ou não para administrá-la, deve ter como base um conhecimento rico e atualizado, conscientizando-se sempre para a prestação de um atendimento humanizado, esclarecendo dúvidas, orientando sobre os efeitos colaterais e vantagens da vacinação, para garantir a participação do idoso nas campanhas no intuito de alcançar ou ultrapassar as metas programadas. Sete (41,1%) entrevistados do grupo B acham que apenas os auxiliares/técnicos podem realizar essa atividade.

Indagados sobre quais as vantagens e desvantagens da vacinação para os idosos institucionalizados, todos (100%) os participantes do grupo A e 15 (89%) do grupo B relataram que havia vantagens; 2 (11%) do grupo B não responderam. A população geriátrica, em especial aquela internada em serviços de longa permanência, por viverem em grupo, necessitam da utilização dos recursos da imunização para a aplicação de medidas preventivas e que promovam a saúde. Isso porque esse grupo apresenta como consequência do processo de envelhecimento várias alterações fisiológicas, dentre elas no sistema imunitário, que os deixa suscetíveis e vulneráveis a infecções, aumentando os índices de hospitalizações.

Assim, a utilização das vacinas do Calendário do Idoso é uma forma de assistência a essa população, com o intuito de diminuir os índices de internação hospitalar e morbimortalidade, objetivando a longevidade e a melhoria da qualidade de vida.23,24 Alguns resultados encontrados são apresentados a seguir, confirmando as informações descritas acima sobre as vantagens da vacinação:

Grupo A:

Proteção contra doenças imunopreviníveis e complicações. (E1)

Só vantagem, como proteção, pois a grande maioria é acamada e por ficarem muito juntos podem disseminar vírus e bactérias. (E7)

Inúmeras vantagens, como a diminuição da hospitalização, morbidade e mortalidade, diminuição de custos em saúde. (E8)

Grupo B:

Promoção de saúde; os idosos vacinados, geralmente, apresentam reincidência menor de gripe, pneumonia. (E7)

Prioriza a saúde gerando qualidade de vida. (E8)

Promoção da saúde do idoso, melhor qualidade de vida, menos custos com medicação e internação. (E11)

Como aumentou a expectativa de vida da população idosa, as vacinas são vantajosas para garantir qualidade de vida, principalmente para os idosos institucionalizados. (E17)

Vacinar é uma medida bastante eficaz de prevenção e controle contra diversas doenças infectocontagiosas e a diminuição dos índices de morbimortalidade. Dessa forma, a vacinação, além de ser um método barato de controle para evitar a propagação dessas doenças, é de extrema importância para o avanço da saúde pública. Os idosos, em peculiar os institucionalizados, são altamente beneficiados, uma vez que as vacinas fornecem elevada proteção contra possíveis complicações patológicas.

Outras vantagens atribuídas à vacinação nesses idosos incluem melhoria na qualidade de vida, redução de gastos com medicamentos, redução de internações e óbitos. Ressalte-se, ainda, que antes da vacinação o profissional encarregado para administrá-la deve discorrer de forma clara e objetiva sobre a eficácia da vacina, as características da doença a ser prevenida, as possíveis reações adversas e como agir ou a quem recorrer caso isso aconteça.

 

CONCLUSÃO

Mediante os dados obtidos, o estudo alcançou os objetivos propostos, além de reforçar que os problemas surgidos do processo de envelhecimento - por exemplo, a incapacidade funcional - devem se tornar uma questão primordial em saúde pública, visto que essa já é uma realidade existente em nosso país. A enfermagem, como colaboradora das práticas de saúde de indivíduos e coletividades, possui como suas ações primárias a prevenção de doenças, a promoção e a proteção da saúde, daí a necessidade de atuar de forma crescente, especialmente por meio da imunoprevenção, visando minimizar os riscos de incapacidade e buscando melhorias na qualidade de vida desse grupo específico.

Ressalte-se, diante dos dados obtidos, a importância de os enfermeiros estarem revisando seus conhecimentos e se atualizando periodicamente sobre os conceitos que envolvem a imunização, para que possam repassar tais informações aos demais membros atuantes nas equipes de enfermagem das UBS, na busca pela melhoria na qualidade do serviço prestado.

A técnica do processo de educação continuada deve ser aproveitada para abordar outras temáticas que envolvem a vacinação, visando, principalmente, à conscientização dos profissionais enfermeiros. É preciso abordar temas referentes à supervisão da vacinação, acompanhamento adequado das coberturas vacinais, a busca ativa dos faltosos e a adoção concreta de estratégias com discussão de toda equipe envolvida.

Destaque-se que a educação continuada deve ser realizada permanentemente, adotando como solução a rotatividade entre os membros da equipe para que todos estejam inseridos nas atividades da sala de vacinação, proporcionando atualização sobre essas questões.

 

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