REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume: 13.3

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Revisão Teórica

Humanização e cuidado em saúde infantil: uma revisão sistemática da literatura

Humanization and child healthcare: a systematic literature review

Noriza VeigaI; Juliana Coelho PinaII; Débora Falleiros de MelloIII; Marta Angélica Iossi SilvaIV

IEnfermeira. Coordenadora da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Sena Madureira-AC
IIEnfermeira. Mestre em Saúde Pública. Especialista em Laboratório do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil de Saúde Pública da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo
IIIEnfermeira. Professora titular do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil de Saúde Pública da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo
IVEnfermeira. Professora doutora do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil de Saúde Pública da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo

Endereço para correspondência

Juliana Coelho Pina
Av Bandeirantes, 3900, Monte Alegre
CEP: 14040-902 - Ribeirão Preto-SP
E-mail: jcoelho@eerp.usp.br

Data de submissão: 25/5/2009
Data de aprovação: 18/11/2009

Resumo

A proposta de humanização da atenção à saúde configura-se como uma das estratégias para responder efetivamente às complexas necessidades de saúde de indivíduos e populações. Na atenção à saúde da criança, é enfatizado um cuidado integral e multiprofissional que possibilite a compreensão das necessidades e direitos da criança como indivíduo. Neste estudo identificou-se e analisou-se o conhecimento produzido sobre a temática humanização da atenção à saúde infantil por meio da revisão sistemática da literatura. A revisão estruturou-se mediante o seguinte percurso: formulação da questão norteadora e objetivo da revisão, busca nas bases de dados, estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão dos trabalhos por meio da leitura dos resumos, busca dos textos na íntegra, definição dos dados a serem coletados das produções selecionadas, extração dos dados, análise, apresentação e discussão dos resultados. Os dados extraídos das produções selecionadas são apresentados, configurando uma análise descritiva por categorização. Os resultados referem-se à humanização da assistência infantil na atenção básica, na saúde materno-infantil e no contexto hospitalar. Foram ressaltados aspectos como: participação da família, cuidado desenvolvimental, adequação do ambiente de internação, incorporação do lúdico, humanização da assistência perinatal e cuidado integral. Considera-se que os aspectos identificados contribuem para as reflexões na área da atenção à saúde da criança, uma vez que apontam aspectos das políticas e práticas de humanização com potencial de subsidiar a integralidade do cuidado.

Palavras-chave: Atenção à Saúde; Humanização da Assistência; Cuidado da Criança

 

INTRODUÇÃO

Atualmente, as práticas de saúde estão passando por uma importante crise em sua história. Em contraste com um expressivo desenvolvimento científico e tecnológico, elas vêm tendo sérias limitações para responder efetivamente às complexas necessidades de saúde de indivíduos e populações.1 As propostas de humanização da atenção à saúde, integralidade do cuidado à saúde, promoção à saúde, vigilância à saúde, assim como os princípios de qualidade, equidade, autonomia e direitos dos usuários, têm se configurado em estratégias para enfrentar criativamente a crise e construir alternativas para a organização das práticas de atenção à saúde, particularmente no Brasil.1,2

Na atenção à saúde da criança, o eixo norteador tem sido o acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento infantil, com ênfase em um cuidado integral e multiprofissional que possibilite a compreensão das necessidades e direitos da criança como indivíduo. Ressalte-se a responsabilidade dos profissionais de saúde em disponibilizar uma assistência à saúde qualificada e humanizada em todos os níveis de atenção.3

Embora haja iniciativas no sentido da integralidade, as práticas de cuidado, em todos os níveis de atenção à saúde da criança, ainda estão distantes das diretrizes preconizadas pelo Ministério da Saúde (MS), que englobam, além da redução da mortalidade infantil, o compromisso mútuo entre instituições governamentais e sociedade pela qualidade de vida da criança.3

O seguimento da saúde infantil é um processo amplo e complexo, que implica medidas promocionais, preventivas, terapêuticas e de interação com a criança, a família, os serviços de saúde e outros setores sociais.4 Nesse processo, emergem para o cuidado à criança e família aspectos que perpassam as dimensões epistemológicas, filosóficas e práticas dos conceitos assistência à saúde e cuidado.1

Para ampliar as discussões sobre essas temáticas, é relevante, dentre outros aspectos, a revisão da literatura, com vista a contribuir para as reflexões na área da atenção à saúde da criança. Nste estudo, portanto, identifica-se e analisa-se o conhecimento científico produzido sobre cuidado e humanização em saúde infantil e materno-infantil, caracterizando como os estudos estão dirigidos para a atenção à saúde da criança, com base em uma revisão sistemática da literatura.

 

PERCURSO METODOLÓGICO

Considerando o crescente movimento da prática baseada em evidências (PBE), que preconiza o uso criterioso e consciencioso de informações derivadas de teorias e pesquisas para planejar o cuidado prestado a indivíduos e grupos,5 este estudo desenvolveu-se com base em uma revisão sistemática da literatura, composta pelas seguintes etapas: formulação da questão norteadora e objetivo da revisão; busca nas bases de dados digitais; estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão das produções mediante a leitura dos resumos; busca dos textos na íntegra; definição dos dados a serem coletados das publicações selecionadas; extração dos dados; e análise, discussão e apresentação dos resultados. Para o levantamento bibliográfico, foram usadas as palavras-chave "humanização", "cuidado e saúde da criança", extraídas das bases de dados MEDLINE, LILACS e CINAHL.

A questão norteadora adotada para esse estudo é: Qual é o conhecimento científico produzido sobre a humanização do cuidado à saúde infantil?

As produções incluídas nesta revisão sistemática obedeceram aos seguintes critérios de inclusão: resumo disponível nas bases de dados acima descritas; idioma de publicação - português, inglês ou espanhol; período de publicação compreendido entre 1996 e 2005 e temática sobre humanização e cuidado em saúde infantil. Com base na leitura dos resumos, foram selecionados os trabalhos que atendiam aos critérios de inclusão e procedida a localização dos textos na íntegra, adquiridos na Biblioteca Central do Campus de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e em outras bibliotecas nacionais, por meio do Sistema de Comutação Bibliográfica.

Foram incluídas publicações com todos os tipos de delineamentos e evidências científicas, dada a característica de nossa questão norteadora, que não se relaciona à eficácia de uma intervenção (a qual, necessariamente, nos remeteria a estudos experimentais com níveis de evidência forte), mas, sim, à abrangência do conhecimento produzido sobre determinada temática.5

A coleta dos dados foi realizada por dois pesquisadores e confrontadas posteriormente. Após a leitura dos textos na íntegra, os dados foram extraídos dos estudos e sintetizados na forma de um quadro contendo: título, autores, objetivo, metodologia, resultados, discussão e conclusões, com a finalidade de proporcionar uma análise comparativa. Os resultados da revisão estão apresentados de forma descritiva, com a categorização dos grupos temáticos, com vista à utilização desses achados na humanização do cuidado prestado às crianças e à família delas.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Nesta revisão sistemática, foram analisadas 25 referências, sendo 20 artigos de periódicos, 2 teses e 3 dissertações. A síntese dos estudos analisados é apresentada na forma de um quadro comparativo (QUADRO 1).

Na seleção dos estudos, houve predomínio de trabalhos brasileiros, os quais atenderam plenamente aos critérios de inclusão, sugerindo que o estudo dessa temática é atual e relevante e o interesse nessa vertente pode estar relacionado às atuais diretrizes da política nacional de humanização da atenção à saúde.

Quanto aos tipos de métodos dos estudos avaliados, evidenciou-se: uma pesquisa experimental, uma pesquisa quase-experimental, quinze pesquisas não experimentais, duas revisões de literatura, seis ensaios e um relato de caso. Na análise dos dados, emergiram as temáticas: a humanização e a atenção básica à saúde da criança, a humanização e a saúde materno-infantil e a humanização à saúde da criança no contexto hospitalar.

A humanização e a atenção básica à saúde da criança

Na atenção básica à saúde da criança, as questões da humanização aparecem ligadas aos temas: acolhimento, cuidado integral e integralidade da assistência.

Preocupado com as altas taxas de mortalidade infantil na década de 1980, o Ministério da Saúde criou, em 1984, o Programa de Atenção Integral à Saúde da Criança (PAISC), com ênfase em cinco ações básicas: imunização, incentivo ao aleitamento materno e orientações para o desmame, acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, assistência e controle das doenças diarreicas e assistência e controle das infecções respiratórias agudas.12;26

Em 1996, os cinco programas do PAISC culminaram na criação da estratégia Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI), unindo as ações de saúde da criança, por entendê-la como um ser integral. Essa estratégia visa integrar as atividades de promoção, prevenção, classificação de risco e tratamento das doenças mais prevalentes na infância e tem como objetivos: redução da mortalidade de crianças menores de 5 anos de idade; diminuição da incidência e/ou gravidade dos casos de doenças infecciosas e dos distúrbios nutricionais que acometem as crianças; garantia de adequada qualidade da atenção à saúde dos menores de 5 anos, tanto nos serviços de saúde como nos domicílios e na comunidade; e o fortalecimento da promoção à saúde e de ações preventivas na infância.6 É preconizado que esta estratégia seja realizada em parceria com o Programa de Saúde da Família (PSF), com o apoio dos Estados e Municípios.30

A avaliação das práticas e conhecimentos de profissionais da atenção primária à saúde sobre vigilância do desenvolvimento infantil também é destacada, enfocando que distúrbios como atraso de linguagem, dificuldade de aprendizagem, hiperatividade e transtornos emocionais não são identificados antes dos 3 ou 4 anos de idade, a despeito da importância da intervenção precoce.14 Para tal, é papel do profissional que atua na atenção primária fazer a vigilância do desenvolvimento de todas as crianças, identificar aquelas com necessidades especiais e encaminhá-las oportunamente para tratamento.14

Diante do exposto, as propostas de humanização da atenção básica à saúde da criança, até esse ponto identificadas, são significativas, uma vez que preconizam a melhoria da assistência prestada, por meio de uma abordagem integral do crescimento, desenvolvimento, imunização, nutrição infantil e das doenças prevalentes na infância. No entanto, para que ocorra o efetivo processo de humanização, deve haver maior valorização da dimensão humana e subjetiva presente no ato do cuidado, especialmente pelo aprimoramento das relações profissional-cliente e profissional-profissional. Nesse sentido, um aprofundamento das habilidades comunicativas pode contribuir para o estabelecimento de uma relação de cuidado entre profissionais e clientes.

A estratégia AIDPI possui um protocolo específico para o aconselhamento da mãe ou acompanhante. No entanto, esse protocolo parece não dar conta dos aspectos relacionais envolvidos, sendo que a questão do aconselhamento/capacitação da mãe é apontada como uma das principais deficiências da estratégia no México, conforme um dos estudos analisados.29

Em outro estudo incluído nesta revisão10 são discutidos os saberes de famílias e equipe, que embasam as práticas de cuidado a crianças inseridas na estratégia AIDPI, no Peru. Aponta a dimensão histórico-social na qual emerge o cuidado à criança pela família e a dimensão técnico-profissional que orienta o cuidado à criança pela equipe de saúde. Propõe a articulação desses saberes e práticas de profissionais e famílias no espaço da educação dialógica.

Entendemos, portanto, que, para caminhar no sentido da humanização, faz-se necessário ir além das ações protocoladas de orientação aos pais da criança, deixar emergir a escuta e o diálogo e transformar o espaço formal da assistência em um encontro terapêutico efetivo, rumo à humanização do cuidado.

A humanização e a saúde materno-infantil

Após uma queda inicial na mortalidade infantil, na década de 1980, ao ser implantado o PAISC, percebe-se que o indicador de mortalidade infantil passa a ter uma redução mais lenta a partir de 1990, o que sugere a insuficiência das ações desse programa. Desse modo, redirecionaram-se os esforços do Ministério da Saúde para o atendimento humanizado da gestante, desde o pré-natal até o nascimento, e os cuidados com o recém-nascido e a puérpera.12

Essas ações foram expandidas e atualmente não se restringem ao âmbito de hospitais e maternidades, mas perpassam todos os níveis de atenção à saúde e buscam, além de reduzir as taxas de mortalidade infantil, proteger o processo de apego. Nesse sentido, a realização de grupos de gestantes durante o pré-natal, o incentivo ao contato pele a pele precoce no nascimento, o alojamento conjunto e o apoio ao início e manutenção do aleitamento materno após a alta apresentam-se como estratégias protetoras ao estabelecimento do apego mãe-filho.13

Além da promoção de vínculos entre bebês e família, a humanização do pré-natal, do parto e do nascimento implica o respeito aos direitos do cliente e engloba o direito à informação, à presença de acompanhante e à maior autonomia no trabalho de parto e parto, que também pressupõe a desmedicalização desse processo e resulta, principalmente, na redução de cesarianas. Contudo, um aspecto tido como central na questão da humanização é o relacional, que pressupõe um acolhimento dialógico e empático, com diminuição da assimetria na relação profissional/cliente. Para viabilizar esse processo, é primordial capacitar e sensibilizar os profissionais de saúde e a população, para que ocorra a transição da cultura de assistência para a decisão compartilhada.9,20

Nesse contexto, considera-se a necessidade de uma efetiva integração dos diversos níveis de atenção à saúde, em uma perspectiva de continuidade do cuidado, que possibilite a vinculação dos usuários às equipes de saúde e sua efetiva participação nas decisões terapêuticas.

A humanização à saúde da criança no contexto hospitalar

Dentre os trabalhos, há destaque para as unidades de terapia intensiva (UTIs), neonatal ou pediátrica, para o cuidado aos recém-nascidos e bebês. Referem-se ao ambiente, tipos de cuidados, procedimentos, estímulos e inserção da família.

No contexto dessas UTIs, deparamos com situações em que o vínculo com a família é um desafio: bebê e família apresentam necessidades de serem atendidos pela equipe de assistência à saúde,7,18 que, por sua vez, necessita de capacitação e suporte emocional adequado para que a humanização se faça presente.28

Nas propostas humanizadoras, uma das mais destacadas consiste na aproximação da família,8 com inclusão dos pais/responsáveis nos cuidados prestados aos bebês durante a hospitalização e abordagem sobre a importância do estabelecimento precoce do vínculo mãe-bebê.18

Outra proposta é o cuidado desenvolvimental, ou seja, uma forma de cuidado que considera as necessidades desenvolvimentais das crianças, satisfazendo as necessidades fisiológicas, fornecendo suporte ao desenvolvimento infantil. O cuidado também deve estar centrado na família, visando à promoção da saúde e à emancipação dos sujeitos.7 Nesse aspecto, a equipe de saúde deve preocupar-se com o acolhimento da família e incentivar a permanência dos pais nas unidades de internação e o contato direto com o bebê, sempre que possível; a participação dos pais nos cuidados ao recém-nascido; a sucção não nutritiva; o aleitamento materno, ainda que ocorra ordenha manual e posterior oferecimento do leite em copinhos ou colherinhas ao recém-nascido que não possui o reflexo de sucção;18,23 e a prática do método Mãe Canguru (uma estratégia de baixo custo e alta resolutividade).13

Diante dessas considerações, o estabelecimento de vínculo entre família e cuidador em saúde mostra-se de extrema importância para que os pais/responsáveis possam esclarecer seus medos e dúvidas e, dessa forma, construir juntos um atendimento humanizado efetivo ao recém-nascido hospitalizado.18 No entanto, os profissionais muitas vezes não se sentem preparados para dividir os mesmos espaços com os familiares das crianças internadas,22,21 o que dificulta o estabelecimento desse vínculo tão necessário à humanização da assistência.

Ressalte-se, ainda, os cuidados com o ambiente das UTIs, como a redução de ruídos e luz intensa e contínua, bem como o protocolo de manipulação mínima, medidas que auxiliam na manutenção do sistema de autorregulação dos bebês ao reduzir o estresse e respeitar as necessidades fisiológicas como sono e vigília.18

Os estudos que tratam das unidades de internação pediátrica18,28,15,24,25,11,19 também abordam a necessidade de permanência dos pais e a inserção deles nos cuidados à criança não apenas de forma instrumental, mas como um meio de promover o vínculo e o apego. Desse modo, faz-se também da família um cliente em pediatria, especialmente em situações de cuidados paliativos.

Os trabalhos ainda refletem o cuidado com a decoração como forma de humanizar o cenário da assistência, ao tornar o ambiente menos agressivo e estressante aos olhos das crianças.17 Destaque-se, também, a importância da inserção de atividades lúdicas recreativas e educacionais, a instalação de solários e playgrounds e o uso do brinquedo terapêutico.15 Nesse sentido, a leitura mediada por voluntários do projeto Biblioteca Viva em Hospitais para pacientes infantis e seus acompanhantes pode ter impacto positivo como estratégia de humanização.16 Há necessidade de conscientizar toda a equipe multiprofissional quanto à importância do brincar, com o objetivo de se ter um ambiente saudável para o desenvolvimento da criança durante a hospitalização.27

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Responder às complexas necessidades de saúde de indivíduos e populações é um desafio importante para o setor de saúde e demais setores sociais. Os temas humanização e cuidado em saúde vêm sendo abordados na literatura como construtos teóricos e práticos que embasam estratégias e propostas para enfrentar a reorganização das práticas de saúde.

Neste estudo, realizado de forma sistemática, conforme preconizado pela Prática Baseada em Evidências, buscou-se fundamentar as reflexões da atenção à saúde da criança por meio da análise de estudos com diferentes métodos e níveis de evidência científica, como resultados de pesquisas, relatos de casos, revisões de literatura e ensaios.

Os resultados apontam questões importantes como: a inserção da família nos cuidados; o estabelecimento de um relacionamento terapêutico; o cuidado integral na perspectiva da vigilância do crescimento e desenvolvimento, imunização, nutrição adequada, proteção do processo de apego mãe-filho-família e atenção às doenças prevalentes na infância; a adequação do ambiente de internação; a incorporação do lúdico no cuidado; a humanização da assistência perinatal; e a integração entre os níveis de atenção em saúde materno-infantil.

Nesse sentido, tais questões fornecem não somente aspectos teóricos, mas também aspectos práticos que devem trabalhados com as equipes que apresentam potencial de interferência na prática da enfermagem em saúde da criança. Dentre eles, destaque-se a temática familiar, que permeou os achados desta revisão. A implicação prática direta extraída dessa temática é a necessidade de trabalhar com as equipes a importância não apenas da presença da família, mas, principalmente, do cuidado voltado para a família, com vista à emancipação dela no cuidado de seus membros, principalmente das crianças. É importante, nesse contexto, a compreensão de que a família não precisa apenas ser ensinada a cuidar das crianças, mas também deve ser ouvida e compreendida em seus valores e saberes que orientam a forma de cuidar.

Considera-se, portanto, que resultados do estudo contribuem para as reflexões na área da atenção à saúde da criança, uma vez que apontam elementos das políticas e práticas de humanização com potencial de subsidiar os serviços de saúde materno-infantil em uma perspectiva integradora. Em especial, indicam que a humanização e o cuidado em saúde envolvem otimizar e enriquecer as interações entre os sujeitos e buscar uma indissociabilidade das ações curativas, preventivas e promocionais da saúde.

 

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