REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume: 12.2

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Pesquisa

Representações de crianças de zona rural sobre a saúde e o pesquisador: a "grande saúde" e o "grande outro"

Ideas of children from the rural area on health and research: the "great health" and the "great other"

Maria Flávia Carvalho GazzinelliI; Tereza Cristina da SilvaII; Renato de Ávila RodriguesIII; Eduardo Gomes de AraújoIV; Jeffrey BethonyV; Dener Carlos dos ReisVI

IDoutora em Educação. Professora da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (EEUFMG). Minas Gerais, Brasil
IIPsicóloga. Enfermeira. Professora da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (EEUFMG). Minas Gerais, Brasil
IIIPsicólogo do Centro de Pesquisa René Rachou. Minas Gerais, Brasil
IVEnfermeiro. Aluno do Curso de Mestrado da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (EEUFMG). Minas Gerais, Brasil
VBiólogo. Pesquisador e Professor da Universidade George Washington. Washington, USA
VIDoutor em Ciência e Enfermagem. Professor adjunto da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (EEUFMG). Minas Gerais, Brasil

Endereço para correspondência

Data de submissão: 10/3/2008
Data de aprovação: 9/9/2008

Resumo

Neste estudo, a proposta foi levantar as representações sociais sobre saúde de crianças residentes em área endêmica em ancilostomíase, zona rural, onde é desenvolvida uma pesquisa experimental, buscando compreender como elas constroem no seu imaginário o trabalho dos pesquisadores. Emergiu dos discursos das crianças a representação da saúde como algo transcendental e do cientista como alguém virtuoso, cujo traço característico consiste em fazer o bem às pessoas, oferecendo-lhes saúde. Pode-se designar essa saúde ideal como "grande saúde", assim chamada por ser trazida pelo Outro, o cientista grandioso, poderoso, totalizador. Sobressai neste trabalho a pertinência da utilização de técnicas e métodos diversos para a identificação das representações sociais de crianças de zona rural que permitem colocar em evidência o universo semântico do objeto estudado, assim como sua dimensão imagética, de forma mais rápida e dinâmica que instrumentos mais convencionais.

Palavras-chave: Ancilostomíase, Pesquisa em Enfermagem, Pesquisadores, Sujeitos da Pesquisa, Criança, Saúde Rural, Saúde Escolar

 

INTRODUÇÃO

Neste artigo, faz-se uma reflexão sobre questões éticas ligadas a pesquisas com populações vulneráveis, nas quais o êxito no alcance dos resultados depende das relações que se tecem entre comunidade e pesquisadores. Demonstra-se que ouvir os próprios sujeitos participantes da pesquisa, o que pensam e sentem é um importante parâmetro para tomada de decisões por parte dos pesquisadores.

Propôs-se levantar as representações sociais sobre saúde de crianças de 6 a 12 anos residentes em uma área endêmica situada em zona rural, onde é desenvolvida uma pesquisa experimental, bem como compreender como elas constroem no seu imaginário o trabalho dos pesquisadores. Pretendeu-se, também, oferecer um quadro conceitual útil para explorar as relações entre pesquisadores e populações, possibilitando maior comprometimento ético entre eles.

Um dos referenciais teórico-metodológicos utilizado foi o da Teoria das Representações Sociais, segundo a qual há entre os sujeitos tipos de conhecimento organizados coletivamente que permitem a comunicação e a associação entre eles, incidindo sobre suas condutas e práticas. Por representações sociais entende-se um conjunto de opiniões, atitudes, crenças e informações referentes a um objeto, uma situação ou uma prática social, construída e compartilhada socialmente com vista a dar respostas às questões cotidianas.1,2,3

Outro referencial teórico utilizado foi o da Psicanálise que, por sua vez, consiste em uma matriz de investigação do psiquismo humano tendo como objeto de estudo o inconsciente, ou seja, a instância psíquica, base subjacente às formas de agir e pensar, que não se encontra no registro da consciência.

No início do trabalho de investigação, pesquisadores e técnicos do laboratório eram "estranhos" ao olhar dos moradores da localidade. Ao gerar expectativas e sentimentos compartilhados pela população local, tais pessoas passam a constituir importante objeto de representação social.

 

METODOLOGIA

O lugar e os sujeitos da pesquisa

O cenário da pesquisa foi uma área endêmica para ancilostomídeos, Americaninhas, distrito de Novo Oriente de Minas, vale do Mucuri, nordeste do Estado de Minas Gerais, Brasil. Trata-se de uma localidade onde vem sendo desenvolvida pesquisa para a compreensão da dinâmica de infecção e reinfecção por helmintos para posterior teste de vacinas. A seleção da comunidade foi baseada na prevalência (acima de 70%) para infecção por helmintos.

Os sujeitos participantes desta pesquisa são crianças escolares, na faixa etária entre 6 e 12 anos, de ambos os sexos, residentes na região de Americaninhas-MG. O número de participantes em cada instrumento de coleta de dados não foi o mesmo, dadas suas especificidades (tempo e grau de dificuldade na aplicação da técnica, espaço físico necessário, tipo de raciocino exigido - verbal e não verbal e procedimento de análise). Desse modo, na história-desenho participaram 165 sujeitos; na performance e na criação de história participaram 98 sujeitos.

Coleta de dados: ato de buscar representações sociais com base em várias técnicas

A coleta de dados foi realizada após a aprovação do projeto de pesquisa pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFMG e após o aceite de participação no estudo dos sujeitos e seus responsáveis por meio de assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, segundo Resolução nº 196/96.

Várias estratégias lúdicas e poéticas foram utilizadas para estimular as crianças de Americaninhas a pensar sobre a sua experiência com os pesquisadores: "história-desenho", performance e criação de história.

 

DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

Técnica da história-desenho...

Como a questão da saúde e da doença possui grande valor metafórico, a primeira técnica utilizada para identificar as representações das crianças foi a "história-desenho". Com base em uma história inspirada no conto japonês Tsunami, solicitou-se às crianças que, reunidas em grupos, relacionassem, utilizando desenhos e frases, os fatos nela seqüenciados, o processo saúde e doença e a experiência com os pesquisadores.

Essa técnica parte do princípio de que a criança reproduz no desenho não só o que se vê do objeto, mas a imagem que ela vê do objeto. Assim, a criança desenha de acordo com o seu modelo interno: a imagem que sabe do objeto que vê.5

O conto Tsunami narra sobre um bondoso homem chamado Nomura, que vivia no alto de uma colina, da qual se podia ver a aldeia de Otake, próxima ao mar. Certo dia, Nomura se encontrava com seu neto Tara, celebrando como os aldeões sua farta colheita de arroz, porém, ao observar o oceano, percebeu que o mar havia retrocedido, e Nomura sabia o que isso significava.

Imediatamente, ordenou ao neto que pegasse a tocha, que mantinha sempre acesa no templo. Ao pegar a tocha da mão do garoto, Nomura correu para os rolos de arroz, incendiando-os. Ordenou ao neto que tocasse o sino do templo e, em instantes, todos os aldeões subiram a colina com o objetivo de salvar a colheita de arroz de Nomura. Naquele momento, quando ouviram os estrondos das gigantes ondas que invadiam a aldeia, perceberam que o bondoso Nomura havia queimado sua valiosa colheita para salvar a vida de todos ali.

Este conto, com base nas oposições entre morte e vida, perda e ganho, início e fim, extinção e renascimento, permite que se pense no projeto de pesquisa como algo que, ao mesmo tempo em que traz desconforto e incômodo para as pessoas, pelas repetidas solicitações de exames e visitas domiciliares, lhes acena com alguns benefícios. Assim, o mote para os pequenos moradores de Americaninhas pensar o projeto de pesquisa foram, respectivamente, o tsuname que, desavisadamente, traz o anúncio de morte para a aldeia, e o fogo que, de maneira contrária, apresenta a possibilidade de salvação e preservação da vida. A aldeia é, portanto, analogamente, o contexto para se pensar o lugarejo de Americaninhas.

As crianças fizeram desenhos, elaboraram frases e indicaram como, na percepção subjetiva delas, tal história se relaciona com a saúde, com a doença e com os pesquisadores. O desenho, portanto, ilustra a história; a partir deles as crianças escrevem frases retratando o que pensam sobre os pesquisadores, o projeto e sua relação com a saúde e doença naquele lugar.

De maneira geral, as frases das crianças em muito se assemelham, como se pode observar a seguir:

[...] estou sentindo muito bem, porque eles vieram tratar e cuidar da saúde de todos de Americaninhas.

[...] eu acho muito bom e legal, porque eles não fazem nada de ruim, eles fazem coisas boas, eles trazem saúde [...].

[...] estou sentindo bem porque eles estão tratando de nós muito bem, da nossa saúde e eu gosto muito deles [...].

A saúde aqui aparece como virtude e os pesquisadores, como criaturas boas, providas de uma bondade intrínseca. Afirmar a saúde como virtude significa compreendê-la como algo que pode ser catalizado, destinado ou dirigido a outrem, tal como a bondade, cujos efeitos incidem sobre aquele que a recebe. Além disso, significa identificá-la com um estado de saúde que jamais se pode obter por conta própria, conforme afirma uma criança: [com eles aqui] as pessoas não vão passar mal. Assim, o que é possível ver dos pequenos textos das crianças é como elas atribuem qualidades especiais aos pesquisadores - dotados de boas intenções, dispostos a ajudar, cuidar e tratar da saúde da população carente, doente, "cheia de vermes".

Sobressai, em todos os comentários, a representação da relação entre pesquisador e sujeito da pesquisa como uma relação de dependência que remete à noção de que há uma submissão ao poder do primeiro, o que se conjuga e se explica pela certeza da própria impotência. Estudos mostram que, historicamente, as ações de saúde foram fortemente marcadas pelo assistencialismo e pela hierarquia entre profissionais de saúde e usuários, aqui reproduzidas em uma imagem paternalista do cientista diante das questões da comunidade.6,7

Em meio a todas as considerações feitas pelas crianças, emergem também os anseios da população infantil marcados por um caráter primariamente assistencial. A afirmação do tipo eles vão trazer água tratada, vão calçar as ruas, construir esgoto, limpar a cidade e os córregos, construir quadras e todas essas coisas é ilustrativa e recorrente, obedecendo a um padrão.

Assim, dependentes dessas pessoas de fora, as crianças expressam suas expectativas voltadas para a melhoria da qualidade de vida no lugar. Há que se indagar, contudo, se essas demandas são, de fato, expressões dos anseios e desejos das crianças na faixa etária de 6 a 12 anos, ou, ao invés disso, são, tão-somente, fruto do ideal de corresponder às expectativas daqueles importantes e novos habitantes do lugar. A nosso ver, não parece ser a precariedade dos serviços básicos na cidade uma fonte de insatisfação própria do universo de experiências e centro de interesses de crianças na referida faixa etária. Entretanto outros estudos também identificaram esse vínculo entre saúde e ambiente. Há o predomínio da imagem de um lugar ideal (o lugar do desejo), possível unicamente pela ação do Outro, nesse caso, os pesquisadores, que são representados em duplo papel: cuidar do corpo e do ambiente.8,9

Pode-se compreender esse desejo de corresponder a uma suposta expectativa alheia, com base na teorização de Freud e Lacan. Esses teóricos, ao construírem modelos que definem a constituição do [eu],1 apontam a importância que o desejo de alguém que é idealizado assume para o sujeito, principalmente quando se trata de uma criança. Esse alguém idealizado ganha a denominação de Outro.

Esse ser ideal surge da identificação com o semelhante, o Outro, na maioria das vezes, a mãe. Nesse sentido, pode-se dizer que há uma alienação ao Outro e ao seu desejo, ou a essa imagem de perfeição e completude que, nesse momento, a criança acredita ser e, posteriormente, busca resgatar, na ilusão de se oferecer perfeito e, por isso, merecedor do desejo do Outro. Lacan apontará, posteriormente: o que para sempre se deseja é o desejo do desejo do Outro. Assim se instala uma dialética que irá marcar o [eu] em situações sociais diversas.10

É exatamente esse mecanismo arcaico e universal que insere o sujeito na cultura, mas também que o marca indelevelmente, fazendo com que, diante de figuras que ocupam novamente o lugar de ideal, o sujeito tenda a repetir seu modelo de enlaçamento estabelecido desde a infância, o que parece acontecer com as crianças estudadas. Nesse caso, a criança, ao cumprir seu desejo e se manter nesse lugar de ser desejado, encontra uma possibilidade de ser ideal, processo que pode ser observado no desenho abaixo (FIG.1), um dos muitos exemplos no qual a figura do pesquisador ganha centralidade e destaque na produção artística das crianças de Americaninhas.

 

 

Técnica da criação de performances...

Por meio das performances ou imitações lúdicas que retratam as experiências sociais cotidianas vivenciadas pelos pesquisadores ou pessoal do projeto/saúde e moradores da cidade, foram identificadas as representações das crianças sobre os pesquisadores.

O episódio criado por um grupo de escolares versa sobre momentos interativos entre o pessoal da saúde e um determinado pai de família:

Quando o pessoal do laboratório chegou, os sete filhos do casal, que estavam tomando sopa, saíram correndo.

PESSOAL 'DA SAÚDE': Nós viemos trazer coisas boas para vocês.

PAI: Vocês vieram trazer dinheiro ou comida?

PESSOAL 'DA SAÚDE': Não, viemos cuidar da saúde de vocês.

PAI: Como? Dá saúde?

PESSOAL 'DA SAÚDE': Isso mesmo. Gostaríamos de fazer algumas perguntas para vocês e depois colher fezes e sangue...

PAI: Sangue é para alimentar vampiro. (Olhando rapidamente para a bolsa do agente, para verificar se o mesmo não trazia realmente comida.)

PESSOAL 'DA SAÚDE': Gostaríamos de fazer algumas perguntas para vocês. Sobre a vida de vocês. Como vivem: Quantos são os filhos? (Depois das perguntas respondidas, o agente pediu ao senhor que assinasse o formulário.)

PAI: Não sei assinar não. (Fala o pai olhando a folha de papel)

PESSOAL 'DA SAÚDE': O senhor poderia colocar o dedo aqui (mostrando o carimbo) e marcar no lugar da assinatura. Depois voltaremos para colher o sangue e as fezes.

PAI: O que vocês vão trazer para nos? Meus filhos não vão colher, não; eles são bicho-do-mato. (Os meninos correm quando vêem o pessoal do laboratório.)

No procedimento dessas experiências, registram-se algumas evidências que remetem a um possível autoconceito negativo, por parte das crianças, que se apresentam, na voz do pai, como "bicho-do-mato. Nos episódios construídos, elas se percebem e aos seus pais ocupando um lugar de desqualificação ante a possibilidade de conhecer ou compreender algo, ou seja, ocupando o lugar do não saber que, em última instância, reflete o lugar social de onde falam e observam. A ignorância total da situação por parte dos moradores do lugar é apresentada de maneira eloqüente nos episódios.

Chama atenção aqui a tenacidade com que as crianças moradoras de Americaninhas se aferram aos lugares marcados pelo não-saber. Em contraposição, há aqueles que formalmente detêm o saber - o médico, o enfermeiro, o psicólogo, o cientista, o pesquisador, o professor -, ocupando, portanto, o lugar do saber. Nesse sentido, observamos que no pensamento das crianças processa-se um tipo de julgamento no qual o habitante do espaço rural e o estrangeiro do espaço urbano passam a ser julgados um à luz do outro. Nesse aspecto, estudos apontam que as ações educativas em saúde, historicamente, colocam a população socioeconomicamente desfavorecida no lugar do não-saber, reafirmando as representações narradas nas histórias das crianças de Americaninha.11,12

Pode-se perceber ainda, nessa história, que os pesquisadores ou "pessoal do projeto", conforme alguns designam, representam o saber que remete ao poder, mas, também, aparecem associados à imagem do vampiro - vampiro esse tomado pela hematofagia -, e contra isso é preciso proteger-se ou ser protegido pelo pai. Há que se lembrar que o vampiro aqui representado acena com a possibilidade de dar algo em troca. Algo que não é exatamente aquilo que as crianças e seu pai entendem como bom, a saber, dinheiro ou comida, mas que também tem um valor.

Decorre daí uma questão: se o pesquisador é alguém a quem se deve atender as expectativas, como ele aqui é representado por uma imagem daquele que quer "sugar o sangue"?

Retomando as idéias de Lacan,10 temos que a constituição do [eu] se dá com base na imagem do Outro. Esse acontecimento, também observado e comprovado por estudos etológicos, denominou-se "Estádio do Espelho". De forma concisa e clara, Eco13 assim apresenta o Estádio do Espelho de Lacan:

Entre os seis e os oito meses, a criança se defronta com a própria imagem refletida no espelho. Numa primeira fase confunde a imagem com a realidade, numa segunda fase percebe tratar-se de uma imagem, numa terceira compreende que a imagem refletida é a sua.

Mais que uma brincadeira infantil ou mesmo uma descoberta infantil,2 o Estádio do Espelho marca o momento no qual o [eu] se constitui pelo Outro, se aliena a seu desejo e se antecipa em perceber esse Outro como semelhante. Paradoxalmente, esse momento, que é lúdico e prazeroso, contém em si algo de insuportável, uma vez que o sujeito não suporta essa relação dual, na qual não há oportunidade de se constituir na sua singularidade.

Isso transposto para a situação das crianças de Americaninhas pode ajudar a compreender essa imagem negativa (do vampiro) que surge em meio a tamanha idealização dos pesquisadores. O olhar do Outro, intenso e constante, cheio de desejos e expectativas - de que as crianças aprendam e transformem suas vivências -, é, ao mesmo tempo, desejado e temido. Pode-se, assim, pensar a imagem do vampiro que quer, como todo vampiro, o sangue, mas que aparece amenizada por propor benefícios em troca. Talvez essa ambigüidade possa ser entendida com base nessa questão tratada aqui pela teoria lacaniana.14

Importante destacar que a grande indagação dos pequenos moradores de Americaninhas ligada à incerteza sobre o que precisamente será feito com o sangue coletado aparece com freqüência. Ao lado dela, aparece também o temor diante do procedimento de coleta de sangue, que para as crianças da localidade provoca dor. Da mesma forma, estudo realizado com o objetivo de investigar a percepção das crianças relacionada à realização de exames constatou que, apesar de colaborarem, elas relatam medo da dor física, de serem machucadas e do desconhecido. Identifica-se, então, a importância de explicar à criança os procedimentos e os exames que serão, de fato, realizados pelo pesquisador.15

Técnica de criação de histórias com base em personagens...

Na terceira estratégia, já aplicada por outros pesquisadores em outros contextos,16 as crianças foram convidadas a construir uma história em que tivesse, obrigatoriamente, três personagens - uma criança de 8 anos, um cientista e um ser indefinido, classificado de um "não-sei-o-quê" -, os quais, em um certo momento, enfrentariam um problema a ser solucionado em conjunto. Os personagens escolhidos, cada qual com seu propósito, aproximam a criança da história, permitem analisar o papel dos pesquisadores e sua equipe e dão asas à imaginação por meio do ser imaginário.

As histórias das crianças variaram desde as que depositavam no pesquisador ou cientista o poder de intervenção no sentido da mudança de um estado especifico de coisas, passando por aquelas nas quais o enfrentamento do problema comum a todos exigia o investimento dos pesquisadores, sem prescindir, contudo, do movimento próprio dos moradores do lugar, até chegar nas histórias em cujos enredos, os problemas somente eram resolvidos se contassem com o trabalho colaborativo entre todos, moradores, pesquisadores e outros atores sociais do lugar.

Foco no pesquisador ou cientista

Na história apresentada a seguir, os problemas são resolvidos, sobretudo, pelos pesquisadores/cientistas. Importante destacar que tal produção sintetiza, ou seja, ilustra a forte tendência observada entre os sujeitos da pesquisa de conferir ao pesquisador a qualidade ou "quase dom" para fazer o bem. Entre as representações das crianças da cidade, por conseguinte, prevalece este particular modo de produção de subjetividade:

A falta de água

Era uma vez uma mãe e filhinho de 8 anos de idade. Ele e sua mãe sofriam muito porque todos os dias eles tinham de andar muito para chegar num lago onde eles apanhavam água para sua sobrevivência. Num dia, chegou um cientista na cidade e foi visitá-los, o cientista se emocionou e falou pra si mesmo: 'Eu vou ajudá-los'. O cientista elaborou uma bomba de água à luz solar e fez uma surpresa para ele e sua mãe. [...] No final, o cientista acabou se apaixonando pela mãe do garotinho e eles ficaram muito felizes, principalmente o garotinho, que nunca teve um pai e, sem dúvida, teve o cientista como seu pai verdadeiro.

Emerge a força do cientista para auxiliar as pessoas na luta pela sobrevivência. Nesse caso, inclusive, o cientista aparece com poderes para melhorar as condições relacionadas à existência subjetiva do autor da referida história, na qual o cientista aparece assumindo o papel do pai dele. Assim, evidencia-se que a representação do cientista demonstrada por essa criança ancora-se no desejo de se sentir amada.

Igualmente, o enredo descrito a seguir, que mostra como algumas crianças de Americaninhas concebem a relação entre o cientista - o mais novo visitante do lugar - e os seus velhos habitantes:

Era uma vez uma menina pobre que estava parada e outra que estava vindo que era uma pessoa que ajudava os povos (pesquisadores) que precisavam de ajuda. Só que até um dia essa menina pobre foi adotada por ela e elas foram muito felizes.

Nas duas criações, o pesquisador/cientista afirma-se como um personagem imbuído da mais fraterna intenção diante da dura realidade infantil na localidade de Americaninhas. Observa-se nos dois relatos das histórias uma carência afetiva nas crianças, provavelmente causada pela ausência de figuras parentais. A necessidade de ajuda está expressa na fala da criança.

Na narrativa que se segue, possivelmente, a criança projeta sua história pessoal ou a de alguém do lugar que conhece. Nela também emerge um tema com significância notável de conotação afetiva, expressa por meio do seguinte pensamento:

Era uma vez um menino [...] ele tinha um pai que não conhecia, aí apareceu um homem do laboratório e reconheceu [...] o homem perguntou qual é o seu nome [...] você está doente [...] eu também quero te ajudar [...] ele recuperou e eles ficaram felizes.

Essa história diz de um menino que não conhecia seu pai, até que um homem o reconheceu como seu próprio filho; esse homem seria supostamente o pesquisador.

O desenho e a história dispostos em seguida (FIG. 2) inserem-se nessa perspectiva psicoafetiva:

 

 

Era uma vez um menino doente; ele não andava. Um dia, quando ele estava na cama, vieram os pesquisadores e, aí, eles levaram o doente. O menino chamava Júnior [...]; ele tem 8 anos. As pessoas do laboratório e o pesquisador cuidam muito bem do menino, o menino estava andando e o menino ficou muito feliz. Fim.

Sem dúvida, a representação do pesquisador que as crianças demonstram ter é de um indivíduo que, além da bondade, tem o poder da cura como algo que lhe é intrínseco. Entretanto, estudo de Castelfranchi relatado por Barata16 mostrou que crianças que possuem acesso aos meios midiáticos, diferentemente das crianças de Americaninhas, atribuíram ao cientista aspectos físicos da "ciência do real" como um homem branco, com jaleco que analisa aquilo que é bom ou ruim.

Ação compartilhada entre pesquisadores e moradoras da localidade

Fugindo de maneira sutil desta maneira de ver o cientista, há o texto e a figuração que se enquadram em categoria na qual o problema pode ser completamente resolvido pelo cientista, tendo, portanto, como mediador um pequeno morador da comunidade, que, nesse enredo, representa o papel de protagonista. Assim, o desenho e a história que vêm a seguir (FIG. 3) ilustram um tipo de pensamento que, embora reincidente entre as crianças, não é o mais freqüente.

 

 

Era uma vez uma cidade onde todas as pessoas estavam doentes. Várias pessoas tentaram ajudar, mas não conseguiram.

Um dia foi um menino contaminado pra escola, mas também tinha um menino de 8 anos; ele não era contaminado. O menino de 8 anos perguntou ao menino contaminado: 'Você sente algo ruim'?

Ele respondeu: 'Sim, eu sinto vários problemas, mas ninguém pode me ajudar'.

E o outro disse: 'Eu posso porque eu tenho um pai e ele é cientista'.

Então, no outro dia, o menino contaminado disse: 'Você vai me ajudar mesmo? É claro que sim. O meu pai já vem aí, ele vai te observar e levar você para o hospital'. Quando de repente o pai do de 8 anos chegou e levou ele para o hospital.

Os médicos examinaram o menino e passaram alguns remédios.

E esse menino ficou feliz para sempre.

A capacidade mágica de restituir saúde e felicidade aos frágeis habitantes do lugar merece destaque nesta e em outras histórias confeccionadas por algumas crianças. Está nas mãos do pesquisador ou do cientista o poder de controle sobre a saúde dos moradores da cidade.

Em um estudo feito sobre o significado que as crianças entre 7 e 12 anos atribuem à saúde e à doença, Moreira e Dupas18 encontraram que a saúde é também entendida como felicidade e como algo que lhes proporciona liberdade. Nesse sentido, para as crianças em Americaninhas, o pesquisador é capaz de lhes devolver a saúde e, portanto, de lhes trazer a felicidade.

Assim, tendo o poder de controle sobre a vida dos moradores, pode-se pensar o lugar ocupado pelo pesquisador como o lugar do Outro, o outro suposto saber sobre o qual Lacan teorizou. Esse Outro que encontra lugar na vida do sujeito no momento crucial da constituição do [eu]. É preciso retomar a teorização de Lacan sobre o Grande Outro para melhor compreender esse lugar conferido à figura do pesquisador.

A relação da criança com o mundo assenta-se na relação da criança com a mãe ou com a figura humana que faz a função materna. É nesse momento de uma relação dual, de completude entre mãe e criança, que a mãe, exercendo uma função de decodificadora das mensagens da criança, assume o chamado lugar de Outro.

Diante dessa relação dual, torna-se necessária uma intervenção. O pai, mediado e reconhecido pela mãe como representante da lei (normas sociais), irá interditar tal relação de submissão da criança, exercendo assim a função paterna, o que será denominado por Lacan de "O nome do pai ou a metáfora paterna".

A criança irá, assim, identificar-se com o pai, mais precisamente com aquilo que o pai representa e, dessa forma, poderá constituir-se como sujeito. Embora tudo o que foi descrito até aqui seja, por assim dizer, etapas de um processo de constituição do [eu], elas não são estanques e definitivamente superadas. O sujeito tem nessas relações primeiras os modelos de seus futuros enlaçamentos e recorre incessantemente a eles. Tal teorização foi colocada por Freud, que a denominou de transferência,17 fenômeno que ocorre na relação com o analista, mas que, sabemos, pode estender-se a qualquer figura que seja colocada numa condição idealizada, tal como se vê aqui em relação ao pesquisador.

Na visão dessas crianças, o pesquisador, aquele que detém o poder, o saber sobre o que ninguém mais sabe, que retira a criança de sua condição de orfandade, que cura, é o responsável pela felicidade. É ele quem decodifica para as crianças aquilo que é bom para elas, pois somente ele o sabe. Bastante influenciados pelas histórias infantis com sua promessa de felicidade eterna, mas que se consegue de forma simples, essas crianças preenchem suas lacunas sobre "o que esses pesquisadores vieram fazer aqui' e sobre as questões encetadas pelas dificuldades impostas por um cotidiano árduo e de privações, com imagens míticas de seres completos, sem falhas, poderosos, absolutos, tais como o pai imaginário, tal como o Outro.

Foco na ação dos moradores

A história a seguir ilustra o pensamento de que os problemas só podem ser resolvidos se todos trabalharem juntos: pesquisador/cientista e pessoas que compartilham o mesmo problema. Embora tal idéia tenha valor próprio e responda de maneira interessante à provocação feita pelos pesquisadores, não há dúvida de que ela foi a menos freqüente entre as crianças de Americaninhas. Assim, os desenhos e textos produzidos por algumas crianças inferem novas representações sobre maneiras de resolver problemas do ambiente onde vivem e o lugar do cientista nesse contexto. Segue um exemplo (FIG. 4):

 

 

Era uma vez um menino de 8 anos [...]; ele vinha da escola e estava observando um pouco o rio que passava por sua cidade [...]. Ele observou micróbios, lixo, animais mortos e fedidos, produtos tóxicos, etc. [...]. Ele falou com um pesquisador e sua professora, eles três falaram com as pessoas da rua para preservar o rio, colocaram uma placa; falou com o prefeito e pediu ajuda a ele. Eles fizeram uma limpeza no rio, e agora o rio ficou limpo graças ao menino, à professora, a todos e ao pesquisador.

A idéia de participação cidadã está implícita na história. A noção de que cabe a cada um a responsabilidade pelo enfrentamento de um problema ambiental faz parte do modelo de pensamento do autor dessa história. Percy-Smith,18 em um estudo sobre experiência e compreensão da saúde por crianças e adolescentes na Inglaterra, observou que eles tendem a refletir a saúde com base na realidade social e ambiental imediata deles, e, associadas ao conceito de saúde as idéias de cooperação, solidariedade e participação comunitária - resultado condizente com a idéia presente na história acima, na qual saúde deixa de ser uma responsabilidade do pesquisador para ganhar a abrangência necessária.

O que se vê é um esmaecimento da figura do pesquisador. Pode-se pensar que, numa perspectiva mais elaborada, a figura totalizadora do pesquisador desaparece, cedendo lugar à idéia de um enlaçamento social de iguais, no qual todos são responsáveis pelo bem-estar coletivo. Trata-se, possivelmente, de certa introjeção dessa figura ideal, uma vez que cada um detém um pouco do poder em si mesmo, mas a ilusão de completude e plenitude de felicidade cede lugar à incômoda presença da realidade, na qual nem todos desejam o bem comum, ou mesmo na idéia de que a união de alguns pode resultar em benefício para a comunidade.19.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES

Por meio de varias estratégias, foi possível aproximar-se da representação que as crianças pesquisadas têm sobre saúde e compreender a configuração que a representação sobre o pesquisador vem assumindo no imaginário infantil. Qualquer estratégia, tradicionalmente, possui limitações para captar aspectos espontâneos do comportamento dos sujeitos, uma vez que não revela a complexidade das dimensões subjetivas e a representação das crianças. Em razão disso, foram selecionadas as estratégias história-desenho, performance e criação de história. Por meio delas, aparece a idéia da saúde como objeto que permite a expressão e o exercício da virtude, da bondade e do poder e a noção do pesquisador como um ser dotado de potência e atributos especiais, cujo traço moral característico consiste em fazer o bem às pessoas, oferecendo-lhes saúde.

O que emerge de todos os discursos, por conseguinte, é a representação da saúde como algo transcendental, que está fora do alcance de cada um, independentemente. A essa construção teórica que expressa uma vontade e um ideal, podemos designar "grande saúde". Não fazemos, aqui, alusão à "grande saúde" cunhada por Espinoza, situada no plano da intensidade vivida como variação continua das potências, do apetite, do desejo, tampouco da "grande saúde" pensada por Nietzsche, como expressão do eterno retorno e da vontade do poder que vem afirmar a vida e simultaneamente a dor e a morte.

Para esclarecer bem tal conceito, podemos lembrar que a grande saúde afirmada nos discursos das crianças refere-se a algo que é grande demais para ser vivido, experimentado e dirigido por cada um deles, sendo fácil observarmos o lugar preponderante que é dado ao que só se torna possível ou viável com a presença do outro. Como conseqüência dessa propriedade essencial, a saúde para os sujeitos pesquisados não se objetiva, reifica, transforma em coisa ou objeto, inserindo-se em um campo que é superior ao do sujeito. Tal designação refere-se, portanto, a tudo o que ultrapassa os limites da experiência de cada um e eleva-se acima dos acontecimentos de saúde que tem lugar em determinada comunidade. Examinada no seu cerne, a "grande saúde" está muito distante da idéia de saúde como aquilo que nos faz viver por meio das doenças experimentadas.

É, assim, possível pensar que a grande saúde assim o é (grande) por ser trazida pelo Outro, grandioso, totalizador, poderoso e, de acordo com as crianças, não marcado pelas limitações humanas cotidianas. Imputar ao cientista ou a qualquer "autoridade" detentora de um saber exclusivo uma identidade virtual, ou seja, não real, é um processo pelo qual passam as crianças, de forma geral, no percurso delas rumo à constituição como sujeitos. Trata-se, portanto, de um mecanismo universal. Destinar uma atenção especial a esse processo como se ele fosse privilégio das crianças de Americaninhas não seria apropriado se não reconhecêssemos a importância de que ele se reveste na vida dessas crianças, sabidamente "despossuídas" de afeto, atenção, saberes, bens materiais e culturais.

Assim, se, realmente, o pesquisador ocupa esse lugar no imaginário infantil, pode-se pensar que seja fundamental que ele, antes de mais nada, reconheça esse seu lugar. Como alguém tão poderoso, a quem se deseja tanto agradar como garantia de um amor desmedido, cabe-lhe, inicialmente, suportar esse lugar idealizado e acolher as demandas desses sujeitos, escutando-os apenas. Posteriormente, esse pesquisador pode e deve reinvestir a comunidade em seu poder, mediante o estabelecimento de um vínculo social marcado pela autonomia e pela constatação de que não há esse ser para além das normas sociais. O pesquisador, assim como todos os demais, são seres limitados em si mesmos. Somente assim se poderá permitir que se abra a dimensão do desejo singular, mola mestra para o fazer cotidiano e, talvez assim, introduzir na vida dessas crianças condições para possíveis elaborações sobre si mesmas, sobre suas capacidades e da coletividade.

Uma vez cumpridas essas ações e para interpretar as falas dos sujeitos da pesquisa, importante pensar que outras coisas além das representações sociais contribuem para a definição das práticas dos sujeitos. É preciso pensar o que entra na rede de representações sociais e se impõe como o mais importante objeto social. Julga-se que o cientista ou pesquisador em muito colabora para a afirmação e a reprodução da representação que as crianças de Americaninhas têm do seu trabalho no lugar onde vivem. É preciso que ele reconheça isso e busque dispositivos concretos para reverter tal quadro.

Emerge, neste trabalho, a pertinência da utilização de técnicas e métodos criativos para a identificação das representações sociais de crianças de zona rural. Outras técnicas podem ser utilizadas, até mesmo para o público adulto, como evocação livre para a coleta de dados que considera as propriedades qualitativas e quantitativas no levantamento dos possíveis elementos centrais e periféricos de uma representação social.2 Como se percebe, há um grande campo para a utilização da teoria das representações sociais na identificação das representações da população sobre aspectos do processo saúde-doença, bem como na avaliação da relação da população com pesquisadores e profissionais que atuam em zona rural.

 

REFERÊNCIAS

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4. Sá CP. A construção do objeto de pesquisa em representações sociais. Rio de Janeiro: EdUERJ; 1998.

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6. Gastaldo D. É a educação em saúde "saudável"? Repensando a educação em saúde através do conceito de bio poder. Educ Realidade. 1997;22(1):147-169p.

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8. Lacan J. O estádio do espelho como formador da função do eu. In: Lacan J. Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar; 1998. p. 96-103.

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10. Gazzinelli MF, Gazzinelli A, Santos RV, Gonçalves LAO. A interdição da doença: uma construção cultural da esquistossomose em área endêmica, Minas Gerais, Brasil. Cad. Saúde Pública. 2002 nov/dec;18(6):1629-38.  

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13. Eco U. Sobre os espelhos e outros ensaios. Rio de Janeiro, Brasil: Nova Fronteira; 1989.

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16. Barata G. Crianças refletem o imaginário social. Cienc Cult. 2004 apr/jun;56(2):18-9.

17. Freud S. A dinâmica da transferência. In: Freud S. O caso Schereber, artigos sobre técnica e outros trabalhos. Rio de Janeiro: Imago; 1969. p. 129-43. Edição Standard Brasileira das Obras completas de Sigmund Freud, 12.

18. Percy-Smith. You think you know? You have no idea: youth participation in health policy delelopment. Health Educ Res. 2007;22(6):879-94.

19. Freud S. Totem e tabu. In: Freud S. Totem e tabu e outros trabalhos. Rio de Janeiro: Imago; 1974. p.17-197. Edição Standard Brasileira das Obras completas de Sigmund Freud, 13.

 

 

1 Para Lacan (1966 [1998c]), o [eu] significa o termo em francês je, forma que surge da ilusão sobre aquilo que o sujeito acredita que ele é, e, posteriormente, torna-se o que Lacan denominará "sujeito do inconsciente".
2 Ressalte-se, aqui, que não há necessidade da presença do objeto (espelho), bastando apenas a imagem de um Outro para que a criança vivencie esses momentos.

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