REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume: 11.1

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Pesquisa

Ensino de enfermagem gerontológica na graduação das instituições públicas do estado de Minas Gerais

Teaching of gerontology nursing at undergraduate course level at the Minas Gerais province public institutions

Gabriela Ribeiro de OliveiraI; Darlene M. dos Santos TavaresII; Liciane Langona MontanholiIII; Ana Lúcia de Assis SimõesIV

IEnfermeira do Programa Saúde da Família da Secretaria Municipal de Patos de Minas
IIEnfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta do Departamento em Enfermagem em Educação e Saúde Comunitária do Centro de Graduação em Enfermagem (CGE) da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). E-mail: darlenetavares@netsite.com.br
IIIEnfermeira do Hospital Guilherme Álvaro de Santos
IVEnfermeira. Doutora em Enfermagem. Coordenadora do Centro de Graduação em Enfermagem. Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem na Assistência Hospitalar do CGE da UFTM

Endereço para correspondência

Av. Afrânio de Azevedo, 2063, Bairro Olinda
Uberaba-M.G. - CEP 38 055-470

Recebido em: 18/07/2006
Aprovado em: 12/03/2007

Resumo

Neste estudo, descreve-se a visão dos docentes de Enfermagem de seis instituições públicas do Estado de Minas Gerais quanto aos conceitos de idoso e gerontologia, carga horária e conteúdo de gerontologia, bem como participação em pesquisa e extensão. Responderam ao questionário dez (76,8%) docentes. A análise dos dados foi baseada em Bardin.14 A maioria dos docentes pertence ao sexo feminino (80%), 70% são mestres e 20% são doutores. A carga horária variou. Foram ministrados os seguintes conteúdos: Assistência de Enfermagem Gerontológica, Fundamentos da Atenção Gerontológica e Aspectos Legais. Os docentes realizam pesquisas (30%) e extensão (40%). Os conceitos de idoso e gerontologia têm aderência ao conceito atual.

Palavras-chave: Educação em Enfermagem, Recursos Humanos em Enfermagem, Idoso, Enfermagem Geriátrica, Envelhecimento

 

INTRODUÇÃO

O número de idosos está crescendo gradativamente nos últimos anos, acompanhando o aumento da expectativa de vida ao nascer. Nessa perspectiva, deverá representar a grande demanda atendida nos serviços de saúde.1

A velhice é uma etapa da vida em que ocorrem modificações de ordem biopsicossocial que afetam a interação do idoso com o meio, em decorrência da alta idade cronológica.2

Os idosos são pessoas que adquiriram muita experiência no decurso da vida e continuam contribuindo com a sociedade, enfrentando com êxito os problemas acarretados pelo desenvolvimento social, econômico e tecnológico.3

No contato com idosos, verifica-se que os principais problemas vivenciados por eles se relacionam à qualidade de vida e aos vínculos afetivos desenvolvidos. Para os idosos, a qualidade de vida se estrutura nas dimensões da saúde física, independência física e autonomia nos âmbitos psicológico, econômico e social.4

Dessa forma, é preciso reconhecer e compreender as dificuldades do idoso do ponto de vista psicossocial e do ponto de vista biológico, sendo que, nessa etapa da vida, há uma redução de energia vital e o progresso de enfraquecimento das funções, sejam elas de origem natural ou patológica.5

De acordo com pesquisas americanas, existem agravos que ameaçam tanto a vida do idoso quanto a qualidade dela. Destaca-se a incapacidade relatada por, aproximadamente, 40% dos idosos com 65 anos de idade ou mais, tendo na doença crônica a sua principal causa. A cardiopatia, o câncer e o acidente vascular cerebral contribuem com mais de 75% dos óbitos entre idosos. A queda constitui a principal causa de trauma, relacionada às alterações visuais, considerando como conseqüências normais e patológicas do processo de envelhecimento.3 Nesse contexto, é premente a formação de profissionais qualificados para o cuidado específico de que essa etapa da vida necessita.

A inclusão do processo de envelhecimento como curso de vida e, em todos os seus aspectos, nos currículos de graduação é uma prioridade.6

Na Segunda Assembléia Mundial sobre o Envelhecimento, reforçou-se que o ensino de Geriatria e de Gerontologia está mais presente nos cursos de extensão universitária e de pós-graduação lato sensu e stricto sensu do que na formação convencional.7

A Política Nacional do Idoso dispõe sobre a necessidade de incluir a Gerontologia e a Geriatria como disciplinas curriculares nos cursos superiores.8

Para isso, é necessária a interdisciplinaridade, que se caracteriza pela “incorporação dos resultados de múltiplas especialidades, formando cada um os seus esquemas conceituais de análise, instrumentos e técnicas metodológicas de assistência, logo, de pesquisa, com uma interação profícua em relação ao idoso”.9

Dentre as disciplinas que estão ligadas à Gerontologia, destaca-se a Enfermagem Gerontológica, uma área praticamente nova no ensino de graduação, embora desde 1966 tenha sido declarada uma especialidade pela American Nurses Association.10

O ensino em gerontologia favorece uma assistência de enfermagem especializada e sistematizada. A avaliação multidimensional do idoso estabelece maior segurança no desenvolvimento do trabalho do enfermeiro, direcionando-o para o cuidado específico da Enfermagem Gerontológica.11

A Gerontologia e a Enfermagem favorecem a solução dos problemas relacionados às dificuldades sociais, psicológicas, físicas e psíquicas enfrentadas pelos idosos.12

Vários aspectos devem ser abordados na formação do enfermeiro, com vista à atenção integral ao idoso, dos quais se destacam: educação em saúde, adequação e formação de recursos humanos e materiais e planejamento de assistência, norteados pela manutenção da autonomia e independência, assim como pelas ações promocionais de saúde e preventivos. 9,13

Atualmente, no Brasil ainda são escassos, nos cursos de Graduação em Enfermagem, docentes especialistas em gerontologia. A maioria dos docentes que ministram tal conteúdo busca embasamento teórico por meio de suas experiências com idosos ou ainda de conhecimentos obtidos por meio do auto-estudo.10

A inserção de conteúdos gerontogeriátricos nos currículos de graduação em Enfermagem possibilitará ao futuro profissional, integrante da equipe de saúde, atuar de forma a atender às especificidades desse grupo populacional.10

Portanto, a inserção da disciplina/conteúdo de Enfermagem Gerontológica nos cursos de Graduação em Enfermagem contribuirá para a adequação do perfil profissional do enfermeiro às necessidades de saúde no Brasil, visto que o país é considerado, atualmente, um país envelhecido e os idosos constituem grande demanda dos serviços de saúde.

 

OBJETIVOS

Identificar a carga horária e o conteúdo de Enfermagem Gerontológica nos currículos dos cursos de Graduação em Enfermagem das instituições públicas do Estado de Minas Gerais (IPEMGs), bem como a formação do docente que ministra a disciplina/conteúdo.

Descrever a participação de docentes, das IPEMGs, que ministram o conteúdo de Enfermagem Gerontológica, em atividades de pesquisa e extensão na área de gerontologia.

Identificar o conceito de idoso e de gerontologia, na visão dos docentes que ministram o conteúdo de Enfermagem Gerontológica, das IPEMGs.

Descrever a contribuição do estudo sobre idoso/envelhecimento para a Enfermagem na perspectiva dos docentes das IPEMGs.

 

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo descritivo-exploratório, realizado com o intuito de apreender o ensino de Enfermagem Gerontológica nos cursos de Graduação do Estado de Minas Gerais.

A amostra populacional foi obtida entre docentes dos cursos de Graduação em Enfermagem das IPEMGs, a saber: Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG - Passos), Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Escola de Farmácia e Odontologia de Alfenas (EFOA) e Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). O docente da FAFEID justificou a não-participação no estudo pelo fato de ter perdido a data estipulada para o retorno do questionário. O docente da UNIMONTES referiu ter retornado os questionários respondidos, mas é possível que tenha ocorrido extravio da correspondência. Todos os docentes que ministram disciplina/conteúdo de Enfermagem Gerontológica e que aceitaram participar de pesquisa foram incluídos.

Os dados foram coletados mediante instrumento semi-estruturado, que contém questões dissertativas e objetivas, previamente testado em estudo piloto para as devidas adequações. As questões objetivas referiam-se às variáveis demográficas (sexo, idade e formação profissional), além da identificação institucional, do nome da disciplina/conteúdo sobre o idoso com a respectiva carga horária. Já as questões dissertativas foram norteadas pelas perguntas: Qual o seu conceito de idoso? O que você entende por gerontologia? Cite o conteúdo abordado na disciplina/conteúdo sobre envelhecimento. Qual a contribuição do estudo sobre idosos/envelhecimento para a enfermagem? Desenvolve trabalho de pesquisa e/ou extensão relacionada à gerontologia? Se sim, descreva sua experiência. Juntamente com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, o instrumento de coleta dos dados foi enviado, pelo correio, às oito escolas de graduação em Enfermagem do Estado de Minas Gerais citadas acima. Foram realizados contatos telefônicos com os responsáveis pela coleta de dados no local, visando eximir dúvidas e garantir a confiabilidade dos dados.

As questões dissertativas foram submetidas a análise temática, segundo pressupostos de Bardin, constituída por três fases.14 A pré-análise, na qual foram realizadas a organização e a sistematização do material foi feita mediante o levantamento de todos os questionários, passando-se, em seguida, a uma leitura exaustiva deles. Na exploração do material, foram feitos recortes das informações, que expressavam algum significado, referente às variáveis do estudo, constituindo-se as unidades de registro, que foram agrupadas de acordo com a semelhança temática e, posteriormente, codificadas, categorizadas e quantificadas. E finalmente o tratamento dos resultados, em que as categorias temáticas emergiram dos dados brutos transformados em resultados significativos.

As questões objetivas foram analisadas por meio da distribuição de freqüência simples.

Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFTM em 6/8/2004, Protocolo n° 488.

 

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Características da população estudada

Participaram do estudo dez (76,8%) docentes, dos quais 80% eram do sexo feminino. Isso reforça que a distinção de gêneros presente na enfermagem desde os tempos remotos, em que o cuidado era designado às mulheres, encontra-se presente até os dias atuais.15

Verificou-se que 80% dos docentes estavam na faixa etária entre 35 e 50 anos e 20% de entre 24 e 35 anos. Quanto à qualificação profissional, 70% possuíam mestrado, 20% doutorado e 10% não informaram.

Ensino de Enfermagem Gerontológica nas instituições públicas do Estado de Minas Gerais

Carga horária - A distribuição da carga horária entre as IPEMGs variou. Verificou-se que a UFU e a UEMG possuem disciplina específica sobre o idoso, com carga horária de 90 horas e 84 horas, respectivamente. Na UFMG (210 horas) e na UFTM (105 horas), os conteúdos são trabalhados na disciplina de Saúde do Adulto e do Idoso. Destaca-se que a UFMG não especificou a carga horária de conteúdo sobre o idoso e na UFTM este corresponde a 48 horas. Na EFOA, o conteúdo é discutido na disciplina de Saúde do Adulto, que possui carga horária total de 120 horas, não especificando o referente ao idoso. Na UFJF o conteúdo também é trabalhado na disciplina Saúde do Adulto (300 horas), sendo que o conteúdo de Gerontologia corresponde a, aproximadamente, 30 horas. A não-uniformidade entre as cargas horárias adotadas pelas instituições de ensino era esperada, visto que, com a flexibilidade curricular, não há determinação de carga horária por conteúdo. Resultados semelhantes foram encontrados em estudo realizado com as escolas de Enfermagem do Brasil, que apresentam heterogeneidade quanto à oferta da carga horária para o referido conteúdo.10

Conteúdo ministrado - Os conteúdos foram agrupados em três grandes áreas, de acordo com suas similaridades: Assistência de Enfermagem Gerontológica, Fundamentos à Atenção Gerontológica e Aspectos Legais.

A Assistência de Enfermagem Gerontológica abarca o cuidado com doença de Parkinson; doença de Alzheimer; demência; depressão; delírio; acidente vascular cerebral; doenças osteoarticulares, pneumonias; alterações do sistema geniturinário; câncer de próstata, infecções e incontinência fecal; programas de Saúde Pública (hanseníase, tuberculose, diabetes melitus e hipertensão arterial); assistência de enfermagem ao paciente que procura o serviço ambulatorial e hospitalar; promoção e proteção da saúde e prevenção de doenças; sistematização da assistência de enfermagem mediante a realização do processo de enfermagem; promoção de atividades que buscam a socialização do idoso; reabilitação e inserção do portador de deficiências na comunidade.

A disciplina Fundamentos à Atenção Gerontológica inclui os conteúdos de epidemiologia do envelhecimento; idoso no contexto da sociedade brasileira; conceitos básicos sobre geriatria e gerontologia, teorias do envelhecimento e fisiologia do envelhecimento.

Já a disciplina Aspectos Legais aborda o Estatuto do Idoso e a Política Nacional do Idoso.

Observou-se que os docentes das IPEMGs abordam conteúdos que abrangem a atenção integral ao idoso, como podem ser verificados nos Fundamentos à Atenção Gerontológica, nos direitos dos idosos, expresso em seu estatuto, bem como a Assistência de Enfermagem em várias áreas de atuação. Em estudo realizado com as escolas de Enfermagem do Brasil, verificou-se que 87,73% delas abordam o conteúdo de enfermagem gerontologia, mas de maneira diversificada.10

Participação em atividades de extensão e pesquisa - Verificou-se que 40% dos docentes participavam de atividades de extensão, envolvendo o cuidado domiciliar e institucional do idoso, campanhas de vacinação e controle de diabetes e hipertensão arterial.

Quanto à participação em pesquisa, 30% dos docentes mencionaram estar envolvidos em projetos, seja no desenvolvimento de trabalhos de conclusão de curso, iniciação científica, mestrado e doutorado. A produção científica em geriatria e gerontologia é mais expressiva na década de 1990, coincidindo com o aumento substancial na área de recursos humanos (19,7%).16

Destaca-se que 30% dos docentes referiram não participar de atividade de pesquisa e extensão.

Por ser uma área de atuação recente, no Brasil, sabe-se que não há ainda um grande envolvimento de profissionais na realização de pesquisas e atividades de extensão universitária direcionadas a essa clientela. É mister o desenvolvimento de pesquisas nessa área, com vista a buscar estratégias para o atendimento às demandas específicas dessa faixa etária da população. Ademais, devem ser implementadas intervenções adequadas, pois o idoso não pode ser considerado um “velho adulto”, mas, sim, deve ser inserido em um grupo populacional que necessita de conhecimentos específicos a respeito do processo de envelhecimento.10

Após a análise temática dos dados, emergiram as categorias e suas respectivas subcategorias, apresentadas no QUADRO 1, a seguir:

 

A categoria Conceito de Idoso, representando 50% das unidades de registro, expressa as frases e parágrafos que definem o idoso nas diversas dimensões. Emergiram duas subcategorias, apresentadas a seguir:

Representando 58,4% das unidades de registro, agruparam-se na subcategoria Biológica/Social/Econômico/Psicológico/Funcional/Intelectual as frases e parágrafos que definiam o idoso em várias dimensões, demonstradas abaixo:

Alterações físicas e sociais que podem ocorrer de forma diferenciada entre as pessoas...

Conceituado nas diferentes dimensões: biológicas... social... psicológico... funcional...

É amplo, levando em conta nível econômico, entre outros fatores...

Não produz mais, ou seja, não faz parte da faixa economicamente ativa.

Apresenta alterações psicológicas.

Indivíduo, que detém conhecimento e experiência de vida.

É amplo, levando em conta seu ambiente, cultura...

O idoso, além da classificação cronológica, pode também ser definido de acordo com suas condições físicas, funcionais, mentais e de saúde, ou seja, podem ser observadas diferentes idades biológicas em indivíduos com a mesma idade cronológica.17

O idoso requer abordagens específicas advindas de conhecimentos profundos dos efeitos biopsicossociais e culturais do envelhecimento sobre os seres humanos, favorecendo, assim, uma abordagem integral dele.10

Esse conceito pode ser abordado em várias dimensões, sendo que, biologicamente, o envelhecimento é um processo contínuo durante a vida; intelectualmente, é quando o idoso começa a ter lapsos de memória, dificuldade de aprendizado, falhas de atenção; economicamente, quando deixa de ser economicamente ativo; funcionalmente, quando começa a depender de outros para o cumprimento de suas atividades habituais; socialmente, vai depender do quadro social em que estiver inserido.18

A subcategoria Cronológica reuniu 41,6% das unidades de registro que conceituam o idoso baseando-se na idade, o que pode ser visualizado a seguir:

Pessoa que possui mais de 60 anos de idade.

São pessoas que têm a idade cronológica igual ou maior que 65 anos.

Nos países desenvolvidos, é considerado idoso sujeitos na faixa etária entre 65 anos e mais; nos países em desenvolvimento, onde a expectativa de vida é menor, adota-se 60 anos e mais como a idade de transição das pessoas para o segmento idoso da população.19

A classificação cronológica, apesar de ser a mais usada em pesquisas epidemiológicas, é de difícil definição, pois, dependendo do desenvolvimento socioeconômico de cada sociedade, seus membros apresentarão os sinais característicos do envelhecimento, com suas limitações e perdas de adaptabilidade, em diferentes idades cronológicas. Dessa forma, são utilizadas outras dimensões para a definição do idoso, como as apresentadas na subcategoria anterior.18

A categoria Conceito de Gerontologia, representada por 27% das unidades de registro, reuniu as falas que consideram gerontologia ciência na qual está inserida a especialidade da enfermagem na atenção ao idoso. É constituída por duas subcategorias: Ciência e Campo da Enfermagem.

Na subcategoria denominada Ciência, representada por 84,6% das unidades de registro, estão agrupadas frases e parágrafos dos docentes que expressam a gerontologia como ciência que estuda o processo de envelhecimento humano, em especial a senescência, com atuação multidicilplinar, como se pode verificar:

É a ciência que estuda o processo do envelhecimento.

Estuda o envelhecimento saudável, denominada senescência.

Todas as profissões da área da saúde ou não, como no caso da arquitetura e urbanismo.

Estuda as necessidades do idoso, sendo multidisciplinar...

Por meio dessa definição é possível conhecer as características próprias dessa população e, também, nos colocarmos como sujeitos e agentes de saúde responsáveis por novas experiências a ser vivenciadas e por novos conceitos a ser formados a respeito do envelhecimento.9

O estudo desse conceito possibilita a aplicação teórica na prática, ou seja, a utilização do conhecimento no planejamento da Assistência de Enfermagem e na reorganização dos serviços que atendem à promoção da saúde do idoso.

A subcategoria Campo da Enfermagem, com 15,4% da freqüência de aparecimento, reuniu as unidades de registro que compreendem a gerontologia como um campo de atuação da enfermagem, que tem a finalidade de prestar assistência qualificada ao idoso, como expresso nas falas a seguir:

É o campo da enfermagem que se especializa na assistência ao idoso.

Utilizando o processo de enfermagem-avaliação, diagnóstico, planejamento, implementação e avaliação.

A assistência é centralizada na promoção, manutenção e restauração a saúde e da independência.

A gerontologia é definida como a “área de conhecimento científico voltado para o estudo do envelhecimento em sua perspectiva mais ampla, em que são levados em conta os aspectos clínicos, biológicos, condições psicológicas, sociais, econômicas e históricas”.19

Deve-se levar em consideração que a gerontologia abrange outras áreas (psicologia, sociologia, dentre outras). Essa interação contribui para somar esforços para a atenção ao idoso e o desenvolvimento de pesquisas, favorecendo reflexões entre os profissionais.

A interdisciplinaridade é um instrumento condutor para a gerontologia em busca de mudanças que venham somar conhecimentos e redundar em esforços no processo de desenvolvimento da área da saúde em relação ao idoso e às diversas disciplinas que contemplam uma atuação relevante, os quais, sem dúvida, permitem avanços para a enfermagem.9

A categoria Contribuição do Estudo da Gerontologia, representada por 23% da freqüência de aparecimento, reuniu as unidades de registro que relatam a contribuição para a prática docente e para a atenção à saúde do idoso. É composta por duas subcategorias: Docência e Atenção à Saúde.

Com 91% das unidades de registro, a subcategoria Atenção à Saúde compôs as frases e parágrafos que denotam que o estudo de gerontologia contribui para a atenção à saúde do idoso, especificando a promoção da saúde e prevenção de doença, assim como melhor preparo dos profissionais que assistem esta população, exemplificada a seguir:

Preparar a equipe de enfermagem para assistir esta clientela, atendendo às suas necessidades.

O estudo do envelhecimento é de suma importância na formação do enfermeiro para que o mesmo se encontre preparado para desenvolver ações que permitam a prevenção dos agravos de saúde e a promoção da saúde da população idosa.

Conhecer o processo de envelhecimento para se buscar uma assistência humanizada, de qualidade e voltada de fato para as reais necessidades dos idosos.

A contribuição do estudo da gerontologia em relação à Atenção à Saúde do Idoso possibilitará conhecer as principais necessidades e especificidades dessa população, bem como planejar intervenções para a melhoria da assistência, visando, assim, à prevenção de doenças e promoção da saúde, proporcionando, por meio desses conhecimentos, a formação de profissionais especializados para assistirem essa clientela, que corresponde a grande demanda da população atual.

Representando menor percentual, a subcategoria Docência (9%) reuniu as unidades de registro que expressam a contribuição para a atividade docente do estudo da gerontologia, visualizada abaixo:

Melhor instrumentalização para a prática docente.

Construir conhecimento a respeito da abordagem desta clientela visando à melhoria da qualidade da atenção ao idoso.

Em razão da grande demanda dessa clientela nos serviços de saúde, os docentes estão começando a se sensibilizar para a necessidade de uma disciplina específica do idoso, visando formar profissionais capacitados para atender às necessidades desta população.10

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesta pesquisa, constatou-se que as seis IPEMGs que colaboraram com o estudo abordaram em seus currículos conteúdos relacionados à Enfermagem Gerontológica, porém de modo heterogêneo não somente quanto à forma de inserção, mas também em relação à carga horária e aos temas abordados. Tal fato, sem dúvida, gera a colocação no mercado de profissionais com diferentes habilitações para assistir os idosos.

Outras pesquisas devem ser realizadas com vista a identificar os critérios envolvidos na escolha da carga horária e nos conteúdos ministrados.

Observou-se que a maioria dos docentes (60%) possui mestrado, isto é um ponto positivo para a enfermagem, pois vem mostrar a preocupação das instituições em contratar profissionais qualificados que estimulem seus aprendizes a desenvolver uma consciência crítica, questionadora e preparada para realizar uma assistência com qualidade.

Dentre os docentes que participaram deste estudo, 40% referiram desenvolver atividades de extensão universitária voltadas para o idoso e 30% afirmaram estar envolvidos em pesquisas sobre essa temática. É oportuno reforçar que o desenvolvimento de atividades de pesquisa e de extensão deve ser estimulado nos espaços institucionais, pois produzem conhecimento pautado na realidade do país, favorecendo a formação do enfermeiro adequado às demandas sociais.

Os conceitos de idoso e de gerontologia expressos pelo docente estão de acordo com os atualmente disponíveis na literatura. Infere-se que esses profissionais estão buscando se aprofundar na temática, com condições de formar enfermeiros capazes de atender às peculiaridades dessa etapa do ciclo vital.

A contribuição do estudo da gerontologia para a enfermagem está relacionada, principalmente, à atenção ao idoso. Os docentes, ao adquirirem esses conhecimentos, serão capazes de formar profissionais aptos a desenvolver medidas de promoção da saúde e prevenção de doenças, bem como melhor prepará-los para assistirem essa clientela. Os conteúdos oferecidos nas disciplinas de Enfermagem Gerontologia, nos currículos dos cursos de Graduação das IPEMGs, favorecem a compreensão do processo de envelhecimento e suas peculiaridades, fornecendo também subsídios para a assistência de enfermagem.

Por meio deste estudo, pôde-se perceber que os cursos de Graduação em Enfermagem das IPEMGs estão adequando seus currículos, no que se refere à temática estudada, à realidade vivenciada pela população do país, que vem se tornando cada vez mais velha. Denota-se, também, a preocupação em formar profissionais cada vez mais qualificados nessa área, para que possam suprir as necessidades dessa clientela.

 

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