REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

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Enfermagem UFMG

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Volume: 11.4

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Editorial

A prevenção das doenças cardiovasculares começa na infância: papel estratégico do enfermeiro

Jorge Gustavo Velásquez Meléndez

 

A carga global de doenças cardiovasculares (DCV) tanto nas sociedades desenvolvidas como nas emergentes constitui na atualidade um fenômeno crescente, ao extremo de ser considerada uma epidemia mundial. Em nível individual se expressa inicialmente como deterioro metabólico, condição consensualmente denominada Síndrome Metabólica, o curso clínico é prolongado e pode iniciar-se com tolerância diminuída à glicose até complicações decorrentes da instalação do diabetes tipo II. Abundante evidência sugere que suas principais causas estejam relacionadas ao aumento de peso, dietas altamente calóricas, sedentarismo e predisposição genética. Um aspecto importante a ser considerado é a forte relação entre essa síndrome com alterações metabólicas e eventos cardiovasculares, conhecido como risco "cardiometabólico". Sua crescente prevalência no mundo moderno enfatiza a importância do seu diagnóstico, de sua prevenção e de seu tratamento.

Guias consensuais produzidas pela organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que pacientes com diabetes tipo II apresentam de duas a cinco vezes o risco de apresentarem doenças cardiovasculares e 75% deles essencialmente morrem por algum evento cardiovascular. Estudos mostraram que 20% dos pacientes com atrasos de quatro a sete anos no diagnóstico desenvolveram manifestações neurológicas e microvasculares.

O reconhecimento das condições clínicas iniciais pode levar a sucesso na prevenção do desenvolvimento dos distúrbios metabólicos e, com isso, eventos cardiovasculares. Isto inclui mudanças de estilo de vida, atividade física periódica e dietas saudáveis para tratar a obesidade e prevenir a diabetes.

Entretanto, evidências científicas acumuladas ao longo de várias décadas indicam que a ateroesclerose, uma das principais manifestações das DCVs, é um processo que se inicia na infância e que seu curso pode ser alterado por fatores genéticos, de risco modificáveis e ambientais. Com isso não é difícil intuir que a prevenção deve começar desde a infância e aqui o importante papel da prática de enfermagem na abordagem e implementação de estratégias em individuos e grupos de alto risco para a prevenção de doenças cardiovasculares. Esse tipo de abordagem já faz parte do atendimento da forca de trabalho e know how dos enfermeiros.

Existem numerosas oportunidades de implementação de medidas preventivas das doenças cardiovasculares dos enfermeiros na sua prática clínica e de saúde pública. Recentemente, um pronunciamento da Sociedade Americana do Coração o Council on Cardiovascular Nursing, entre outras, diz respeito aos princípios básicos preventivos de DCVs devem ser abordados nas escolas, em crianças e adolescentes, na comunidade e na prestação básica de serviços de saúde. A promoção da saúde cardiovascular deve ser feita com abordagem de uma equipe interdisciplinar baseada em evidencias científicas consolidadas nas últimas três décadas e que os enfermeiros continuarão com seu papel central e essencial no desenho e na implementação de estratégias eficazes na prevenção de DCVs. Esse modelo de atendimento requer prática avançada da enfermagem com conhecimentos especializados e habilidades para o trabalho em grupo e coordenação nos serviços com profissionais de outras áreas da saúde.

 

Jorge Gustavo Velásquez Meléndez
Editor Associado da Revista Mineira de Enfermagem

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