REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume: 10.3

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Pesquisa

Habilidades afetivas na formação do profissional de enfermagem

Affective skills in nursing education

Patrícia Sarsur Nasser Santiago1; Daclé Vilma Carvalho2

1Enfermeira. Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professora Assistente I da Escola de Enfermagem da PUC - Minas Gerais
2Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora Adjunto da Escola de Enfermagem - UFMG

Endereço para correspondência

Av. Prof. Alfredo Balena,190, Santa Efigênia
CEP: 30130-100. Belo Horizonte - MG
Tel. (31) 32489855
E-mail: dacle@ufmg.br

Recebido em 09/04/2006
Aprovado em 12/08/2006

Resumo

Trata-se de uma revisão de literatura sobre habilidades afetivas. São descritos os conceitos, classificação e sistema de testagem segundo a abordagem de Benjamim Bloom e colaboradores. Destaca-se a importância da aplicação dessas habilidades tanto para o ensino como para prática de enfermagem.

Palavras-chave: Enfermagem, Educação em Enfermagem, Educação em Saúde, Aptidão, Prática Profissional

 

INTRODUÇÃO

A educação profissional se vê desafiada a corresponder às exigências do mundo do trabalho em relação a um perfil profissional que consolida cada vez mais as habilidades pessoais. O aspecto comportamental é de fundamental importância no exercício de uma profissão e em qualquer atividade que esse profissional venha realizar.

Entendemos que as habilidades necessárias para a realização de qualquer atividade profissional, e em especial na área de saúde, não se limitam ao domínio do conhecimento (habilidades cognitivas), ou de uma excelente habilidade motora (psicomotora), mas também a habilidade afetiva, visto que as atitudes, valores e sentimentos são de fundamental importância para atuação em qualquer área.

Considerando as peculiaridades da área da saúde, destaca-se a importância das habilidades afetivas na formação dos profissionais de enfermagem, visto que, são estes profissionais que atuam de uma forma mais direta e contínua ao lado do paciente e familiar.

Os componentes cognitivos, psicomotores e afetivos permeiam as atividades dos profissionais de enfermagem desde as tarefas mais simples até as mais complexas. Porém para que esses domínios sejam atingidos é necessário que em sua formação esses profissionais vivenciem experiências que os possibilitem desenvolver essas habilidades.

Portanto, a educação em enfermagem não deve perder de vista a formação global do educando; o processo ensino-aprendizagem deve desenvolver as habilidades cognitivas, psicomotoras e afetivas, visando o desenvolvimento das potencialidades do aluno.(1)

A educação do século XXI está atrelada ao desenvolvimento da capacidade intelectual dos estudantes e a princípios éticos, de compreensão e de solidariedade humana. A educação visa prepará-los para lidar com mudanças e diversidades tecnológicas, econômicas e culturais, equipando-os com qualidades como iniciativa, atitude e adaptabilidade.(2)

Em nossa experiência como docente em um curso de graduação em enfermagem, temos verificado que a formação dos profissionais de enfermagem e das demais áreas da saúde, influenciada pelo paradigma cartesiano (modelo cartesiano - Diz-se da maneira de considerar um fenômeno ou um conceito isolando-se da totalidade em que apareceu), ainda está voltada para o conhecimento técnico científico. Pouca ou nenhuma ênfase tem sido dada ao desenvolvimento das habilidades afetivas tão necessárias para uma assistência humanizada, amplamente discutida nos dias atuais.

Diante da escassez de literatura especifica e do nosso interesse pelo tema nos propomos a elaborar este texto com objetivo de esclarecer alguns aspectos conceituais e taxionômicos das habilidades afetivas visando subsidiar a reflexão de docentes de enfermagem sobre tais habilidades. Para desenvolvermos esse trabalho optamos pela abordagem proposta por Bloom et al.(3) por julgá-la apropriada ao ensino da enfermagem.

 

HABILIDADES AFETIVAS

Aspectos conceituais

As habilidades afetivas enfatizam uma variedade de sentimentos, uma emoção ou um grau de aceitação ou rejeição. O domínio afetivo varia desde a atenção simples a fenômenos selecionados, até qualidades de caráter e de consciência complexas, mas internamente consistentes.(3)

As habilidades afetivas podem ser compreendidas tendo por base um continuum, que se desenvolve a partir de um nível no qual o indivíduo torna-se cônscio de um fenômeno, sendo capaz de percebê-lo e prestar atenção. O indivíduo passa então a responder ao fenômeno com um interesse positivo, acompanhado por um sentimento de satisfação, prazer ou contentamento. Desta forma não só percebe e responde a um determinado fenômeno, mas também adquire uma crença e um valor sobre o mesmo. Neste momento ele age porque se sente comprometido com o valor que inspira o comportamento. Na maioria das situações da vida, diversos valores entram em conflito ou em cooperação. Assim os indivíduos devem criar normas internas para manejar os conflitos que se apresentam entre os valores. Finalmente uma vez que já se tem o valor organizado, integrado com uma filosofia de vida, o comportamento torna-se consistente, coerente e afetivamente maduro.(3, 4)

Aspectos taxionômicos e testes de habilidades afetivas

Uma taxionomia é uma série de classificações, que são ordenadas e dispostas com base em um princípio único ou com base em um conjunto consistente de princípios. Uma de suas importâncias está em proporcionar um sistema conveniente para a descrição e ordenação de itens de teste, técnicas de exame e instrumentos de avaliação.(3)

A taxionomia das habilidades afetivas descrita por Bloom et al.(3) é composta por cinco estágios ordenados denominados categorias, que são subdivididas em níveis ou subcategorias assim distribuídos

 

 

CATEGORIA 1 - ACOLHIMENTO

Na categoria Acolhimento, a pessoa deve estar sensibilizada pela existência de certos fenômenos e estímulos; isto é, deve estar disposta a acolhê-los ou prestar atenção a eles. Apresenta três níveis para indicar diferentes formas de atentar ao fenômeno: percepção, disposição para receber e atenção controlada ou seletiva.

Na percepção, primeiro nível do acolhimento, o comportamento essencial a ser medido é se o indivíduo está consciente de alguma coisa, pessoa, fenômeno, acontecimento ou estado de coisas. Estar consciente de algo ou de alguém é certamente conhecê-lo, mesmo se o conhecimento está no nível mais superficial. Por isso se diz que a noção de percepção leva consigo um forte componente cognitivo.

É importante observar que uma extensão de percepção pode ocorrer ao longo de um "continuum", desde a percepção muito genuína ou muito grosseira, até a percepção altamente refinada e detalhada.

O nível seguinte disposição para receber espera-se que ao ser dado ao indivíduo a oportunidade de prestar atenção em um determinado fenômeno ele não procurará evitá-lo. Na melhor das hipóteses, estará disposto a dar-se conta do fenômeno e dedicar-lhe a sua atenção.

Ao testar a disposição para receber, pressupõe-se que a percepção do estímulo já tenha sido atingida. Agora a tarefa de mensuração do comportamento neste nível é determinar se a pessoa rejeita ou não o estímulo.

Em atenção controlada ou seletiva, nível mais elevado do acolhimento, o estímulo é mais claramente percebido e a pessoa está mais consciente sobre o mesmo. Assim, o estímulo preferido é selecionado e lhe é dada atenção, mesmo que outros estímulos concorrentes estejam presentes. Quando for solicitada a classificar uma variedade de atividades a pessoa apontará o de sua preferência, demonstrando ter uma maior quantidade de atenção ao estímulo.

 

CATEGORIA 2 - RESPOSTA

Na categoria resposta a pessoa ultrapassa a mera atenção ao estímulo. Em um primeiro estádio, num processo de "aprender fazendo", o indivíduo está se comprometendo, em alguma medida, com o fenômeno envolvido. Esta categoria apresenta também três níveis, para ilustrar o "continuum" de resposta, à medida, que o indivíduo se torna mais comprometido com a prática: aquiescência na resposta, disposição para responder e satisfação na resposta.

Aquiescência na resposta é o primeiro nível de resposta ativa, depois que a pessoa dá a sua atenção a um estímulo. Neste nível a pessoa dá a resposta, mas não aceitou completamente a necessidade de assim fazê-lo. Portanto se não existir pressões para a conformidade com o padrão ou norma social a pessoa pode escolher, satisfatoriamente, uma resposta alternativa.

Para testar este comportamento a questão básica é: O indivíduo está verdadeiramente respondendo? A fim de descobrir se a resposta é voluntária ou dada essencialmente por instância de outra pessoa, podem ser colhidos dados pertinentes, solicitando ao indivíduo para expor a razão, para a sua resposta.

No próximo nível, Disposição para responder implica a capacidade de atividade voluntária. Portanto não é uma resposta à sugestões de fora, é uma resposta voluntária, de escolha. A pessoa está suficientemente compromissada para exibir o comportamento, não por um temor de punição, mas "por si mesma", ou voluntariamente.

Quando o sentimento que acompanha a disposição para responder é de satisfação, prazer / gozo, indica que o indivíduo atingiu o nível mais elevado da categoria resposta que é Satisfação na resposta.

A tarefa de testagem essencial neste nível é determinar se um sentimento de satisfação ou de reação emocional positiva acompanha o comportamento. Novamente, o examinador deve-se prevenir para não forçar o indivíduo a responder numa direção socialmente aprovada.

 

CATEGORIA 3 - VALORIZAÇÃO

A terceira categoria descrita é a valorização. O termo valorização deve ser entendido em seu sentido usual: que uma coisa, um fenômeno ou comportamento tem valor. É em parte um resultado da própria valorização ou avaliação do indivíduo, mas muito mais produto social, que foi vagarosamente internalizado ou aceito e veio a ser usado pela pessoa, como seu próprio critério de valor.

O comportamento categorizado é suficientemente consistente, estável e assume as características de uma crença ou de uma atitude. Assim, o indivíduo manifesta seu comportamento com consistência suficiente, em situações apropriadas, que vem a ser percebido como adotando um valor.

Um elemento importante de comportamento neste nível é que o indivíduo é motivado não pelo desejo de se submeter ou obedecer, mas pelo cometimento ao valor que guia o comportamento.

Cada nível de valorização representa um estádio de internalização:

aceitação de um valor, preferência por um valor e cometimento.

Aceitação de um valor refere-se à atribuição de valor que um indivíduo demonstra por um fenômeno, estímulo ou objeto. O termo "crença" descreve muito bem o que pode ser considerado como o tipo dominante deste comportamento.

Crença que é definida, por Bloom et al.(3), como a aceitação emocional de uma proposição ou doutrina, a respeito da qual a pessoa implicitamente considera fundamento adequado. As crenças têm graus variáveis de certeza. No nível mais baixo de valorização, que é aceitação de um valor, a crença ainda não está firmemente estabelecida, existe a possibilidade de a pessoa reavaliar a sua posição.

Ao testar esse nível, deve-se buscar aqueles comportamentos que podem ser tomados como evidência de que o indivíduo procura ou quer um objeto, fenômeno ou estímulo, porque ele tem um valor considerado importante.

No nível preferência por um valor, o comportamento expressa não apenas a aceitação de um valor, mas o indivíduo está suficientemente compromissado com o valor, para buscá-lo, procurá-lo, querê-lo, está disposto a ser identificado com o mesmo, trata-se de um nível intermediário de envolvimento entre a aceitação de um valor e um completo cometimento a ele. O investimento de tempo de energia do indivíduo no objeto ou fenômeno, é maior neste nível do que no precedente, mas menor do que no nível cometimento.

Desse modo, no cometimento as idéias de "convicção" e de "certeza sem sombra de dúvida" ajudam a entender mais o nível do comportamento pretendido. Em alguns casos, isto pode atingir a fé, no sentido de ser uma firme aceitação emocional de uma crença, sobre bases admitidamente não racionais.

A pessoa que manifesta comportamento neste nível é claramente percebida como tendo incorporado o valor em sua vida. Com isso, age para favorecer a coisa valorizada de alguma maneira, para estender a possibilidade de desenvolvê-la, de aprofundar o seu envolvimento com ela e com as coisas que a representam. Existe uma motivação para colocar em prática o comportamento.

Para testar o cometimento deve-se levar em conta se a valorização de um objeto ou fenômeno persiste através de um período de tempo. Cometimento nunca é entusiasmo ou paixão, momentânea ou ocasional, que está presente aqui hoje e se vai amanhã para ser substituída por outra paixão temporária. Ao testar o cometimento, o examinador deve reunir dados sobre: há quanto tempo o valor tem sido mantido e qual a probabilidade de que continue a ser mantido. A manutenção de um valor através de um extenso período de tempo não é em si evidência suficiente de cometimento. Deve haver também um considerável investimento de energia no objeto ou fenômeno que é valorizado.

Uma vez que a pessoa internaliza sucessivamente valores, há situações em que mais de um valor é relevante. Desta maneira, surge a necessidade de organizar os valores em um sistema, determinar as inter-relações entre eles e estabelecer os valores dominantes e universais. Tal sistema é construído gradualmente, estando sujeito à mudança, à medida que novos valores são incorporados.

 

CATEGORIA 4 - ORGANIZAÇÃO

A categoria organização apresenta dois níveis denominados, conceitualização de um valor e organização de um sistema de valores.

Na conceitualização de um valor o indivíduo poderá verificar como um valor se enlaça nos que ele já possui. A construção de um conceito requer tanto o processo de abstração, como o de generalização. O processo de abstração isola as propriedades, que são as características do conceito particular envolvido e a generalização reconhece a aplicação do conceito a um conjunto de dados mais amplos do que aquele do qual originalmente foi derivada. Desta maneira o conceito representa conhecimento que não é percebido diretamente, através dos sentidos, mas antes, resulta da manipulação das impressões sensoriais, numa forma abstrata. Por isso diz-se que o processo de conceitualização é em grande parte cognitivo, envolvendo abstração e generalização.

O programa de testagem desse nível procura evidenciar que habilidades cognitivas mais elevadas foram realmente postas em ação. Basicamente existem três tipos principais de evidências que se procura neste nível: evidência de que a pessoa desenvolveu julgamentos avaliativos com referência ao objeto que valoriza, evidência de pensamento abstrato ou simbólico a respeito do objeto valorizado, evidência de generalização acerca de um conjunto ou classe de valores, do qual o objeto valorizado é membro. Tal evidência surge quando o indivíduo está muito envolvido com o objeto e agora o considera num sentido mais profundo.

No nível organização de um sistema de valores, a pessoa deve apresentar simultaneamente, um complexo de valores possivelmente distintos e os coloca numa relação ordenada entre si. De forma ideal, a relação ordenada será aquela que é harmoniosa e internamente consistente. Em muitos casos, a organização de valores pode resultar em sua síntese num valor novo ou num complexo de valores de uma ordem superior.

A testagem de um sistema de valores envolve, essencialmente, a identificação das partes componentes do sistema de valores do indivíduo (isto é, os valores, crenças e sentimentos que ele "absorveu" em seu sistema de valores) e a identificação do padrão de valores no sistema. Este padrão indica a inter-relação entre os valores da pessoa e aqueles que são dominantes ou centrais na sua vida, e os que ocupam uma posição mais periférica no seu sistema.

 

CATEGORIA 5- CARACTERIZAÇÃO

Na caracterização por um valor ou complexo de valores, o nível de internalização mostra-nos que os valores já têm um lugar na hierarquia de valores do indivíduo. Esses valores estão organizados em algum tipo de sistema internamente consistente, a ponto de controlarem o comportamento do mesmo. Assim, o indivíduo age consistentemente, de acordo com os valores que internalizou neste nível, sendo descrito em termos de suas características singulares de personalidade e sua filosofia de vida ou seu modo de ver o mundo - os princípios e ideais, o credo pessoal, que proporcionam uma integração e uma consistência para os vários aspectos de sua vida. A categoria caracterização por um valor ou complexo de valores apresenta dois níveis, direção generalizada e caracterização.

A direção generalizada é o que dá uma consistência interna ao sistema de atitudes de valores, em qualquer momento específico. Às vezes é expressa como uma tendência determinante, uma orientação em relação a fenômenos, ou uma predisposição para agir de uma certa maneira. É uma orientação básica que capacita o indivíduo a reduzir e ordenar o mundo complexo à sua volta e agir consistente e eficientemente no mesmo.

Para testar a direção generalizada deve-se colher dados a respeito das orientações básicas ou dos pontos de vista do indivíduo. Estas são atitudes deliberadas que o caracterizam e lhe dão uma consistência comportamental tais como: a abordagem objetiva dos problemas, o planejamento sistemático, o exame de dados antes de decidir, a consideração das conseqüências de seus atos antes de agir, a confiança em sua capacidade para resolver um problema, dentre outros.

A caracterização é o ponto culminante do processo de internalização, pois diz respeito à visão que a pessoa tem do universo, a sua filosofia de vida. Os valores e sentimentos específicos, ligados previamente a objetos particulares, agora se tornaram um fenômeno geral, tal como caráter e moralidade. Por exemplo, o compromisso com problemas sociais é transformado num código de comportamento que representa princípios orientadores centrais na conduta da vida do indivíduo. Em todas as suas relações com outras pessoas, ele é caracterizado por bondade, respeito e humildade. Uma consistência no comportamento é claramente discernível, em todos os papéis sociais que lhe é requerido assumir e entre o domínio público e privado de sua vida. Neste caso, a filosofia de vida da pessoa caracteriza e se difunde em todo o seu comportamento.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As profundas mudanças pelas quais o mundo vem passando têm produzido transformações em vários setores da vida humana e principalmente no trabalho.

O novo perfil profissional tem contemplado não apenas a capacidade intelectual e destreza técnica para realizar o trabalho, mas tem privilegiado as qualidades pessoais do trabalhador tais como iniciativa, liderança, capacidade de comunicar-se adequadamente, autonomia, e capacidade para resolver problemas, dentre outras. Além disso, um das características pessoais mais enfatizadas no mundo do trabalho atualmente é que o trabalhador tenha flexibilidade e adaptabilidade para atuar adequadamente mesmo que em situações adversas.

A característica do trabalho da enfermagem exige que os profissionais desenvolvam habilidades que os capacite a atuar de forma efetiva. Portanto não basta ter habilidades cognitivas e psicomotoras, mas também habilidades afetivas que contribuirão para alcançar a flexibilidade e adaptabilidade tão necessária nos dias atuais.

Para se alcançar esse novo perfil profissional exigido pelo mercado de trabalho teremos que repensar o processo educacional. O objetivo maior da educação, com especial enfoque para a enfermagem, deve ser o desenvolvimento global, holístico do ser humano, enquanto pessoa que possui habilidades cognitivas, psicomotoras e afetivas.

Nessa perspectiva a proposta curricular e mais especificamente, os objetivos educacionais, devem estar direcionados para o desenvolvimento conjunto e integrado da pessoa como um todo. Portanto devem contemplar as habilidades de raciocínio para a resolução de problemas e também dar relevância ao desenvolvimento de valores, formação de atitudes e interesses.

Entendemos que não deve existir uma disciplina que ensine valores e atitudes, mas que os professores decidam integrar em seus planos de aula, aspectos éticos e morais relacionados àquele conteúdo que está sendo ministrado.

Convém lembrar que a formação de valores na escola não deve ser entendida como um processo de socialização onde se padroniza comportamentos. Antes a formação de valores é um processo de internalização, "onde o indivíduo passa a adotar como suas as idéias, práticas, padrões ou valores de outras pessoas ou sociedade".(3)

Também é importante destacar que a formação de valores não deve se basear na moralidade do grupo de professores. A formação de valores humanos a qual nos referimos devem estar em sintonia com o projeto político pedagógico das escolas de enfermagem, que por sua vez, seguem as diretrizes nacionais para graduação em enfermagem instituída pelo Ministério da Educação (MEC).

Por fim, acreditamos firmemente que, a educação integral na enfermagem tem um papel fundamental na formação dos profissionais não só para melhorar a qualificação profissional garantindo a empregabilidade, mas também como forma de contribuir para a formação de cidadãos críticos, reflexivos e autônomos que se comprometam com a ética e tenham consciência de sua responsabilidade social.

 

REFERÊNCIAS

1. Silva TV. Formação do enfermeiro a nível de graduação: percepção do educando sobre a implicação dos programas educacionais [dissertação]. Rio de Janeiro: Escola de Enfermagem Ana Néri da Universidade Federal do Rio de Janeiro; 1986.

2. Silva EL, Cunha MV. A formação profissional no século XXI: desafios e dilemas. Ci Inf 2002 set./dez.;31(3}:77-82.

3. Bloom BS, Krathwohl DR, Masia BB. Taxionomia de objetivos educacionais: domínio afetivo. Porto Alegre: Globo; 1973. 204p.

4. Bordenave JD, Pereira AM. Estratégias de ensino-aprendizagem. 7ª ed. Petrópolis: Vozes; 1985. 312p.

5. Rokeach M. Crenças, atitudes e valores. Rio de Janeiro: Interciência; 1981.

6. Pelosi MS. Objetivos educacionais: uma técnica de avaliação. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos; 1979.

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