REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume: 9.3

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Relato de experiência

Festa da escrita: a diversidade inovando a prática pedagógica na enfermagem

Writing party: diversity innovating teaching practice in nursing

Elisabeta Albertina NietscheI; Vânia Marli Schubert BackesII

IEnfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria - UFSM-RS
IIEnfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC-SC

Endereço para correspondência

Rua dos Andradas, 1633/303
CEP: 97.010-033 - Santa Maria - RS
E. mail: nietsche@terra.com.br

Recebido em 01/10/2004
Aprovado em 01/12/2004

Resumo

Este trabalho apresenta o desafio dos acadêmicos do sétimo semestre do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria-RS de despertar e estimular nos educandos a produção de textos, devido à construção do projeto de Estágio Pré-Profissional. Cada acadêmico elaborou cinco textos, os quais foram socializados em sala de aula, discutidos e analisados e apresentados numa Mostra Literária e Artística da Festa da Escrita. Os resultados demonstraram que os acadêmicos estavam buscando resgatar o sentido de que escrever é um ato de amor, de liberdade, de alegria, de sensibilidade e que deverá auxiliar na produção científica de Enfermagem.

Palavras-chave: Educação em Enfermagem, Educação Superior, Redação, Ensino

 

INTRODUÇÃO

Este relato apresenta o desafio compartilhado pelas acadêmicas e acadêmicos do sétimo semestre do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria-UFSM-RS desenvolvido na disciplina de Estágio Supervisionado I. Ao trabalharmos nesta disciplina, nos preocupamos em despertar e estimular o acadêmico para a criação e produção de textos NARRATIVOS, DESCRITIVOS E DISSERTATIVOS, em face da necessidade de o acadêmico escrever e desenvolver o Projeto de Estágio Pré-Profissional no semestre seguinte enfrentando as dificuldades inerentes a esse processo.

Este desafio da Festa da Escrita, portanto, foi de todos, educandos e educadores, na tentativa de mostrar caminhos, desvendar preconceitos de que "escrever é difícil", "sou incapaz", "não sei escrever", buscando resgatar o sentido de que escrever é um ato de amor, de liberdade, de solidão, de compaixão, de alegria, de paz, de sensibilidade, de emoção e de socialização.

Nesse sentido, todo o trabalho que está expresso neste texto, é resultante de uma caminhada de reflexões e de um processo de tentativas. Tudo valeu, principalmente, a importância do processo: o escrever e o riscar, o escrever e o mudar, o escrever e o tentar, o escrever e o arriscar, tornar o branco impuro, mas sem doer.(1) Portanto a nossa proposta, foi de que os educandos escrevessem uma redação criadora e que conciliassem prazer e a escrita.

Não obstante, este trabalho desenvolvido na prática educativa da Enfermagem insere-se no espaço de interdisciplinaridade, pois ela é o princípio da máxima exploração das potencialidades de cada ciência, da compreensão dos seus limites, mas, acima de tudo, é o princípio da diversidade e da criatividade.(2)

Portanto, julgamos este processo como uma alternativa inovadora na prática educativa de enfermagem, possibilitando maior qualidade profissional, haja vista as dimensões políticas e culturais inerentes ao processo de comunicação.

 

CONTANDO O PROCESSO DA "FESTA DA ESCRITA"

Após algumas discussões e consulta em material bibliográfico especializado, nos aventuramos na organização da Oficina "Festa da Escrita". Nosso ponto de partida foi uma sensibilização enfatizando a volta da alegria (por que não infantil?) no ato de escrever. Consideramos que escrever e brincar não podem continuar divorciados pela norma social cercada de regras limitadoras, mas devem se tornar aventuras mágicas, críticas e criativas. Propomos, então, uma "viagem no papel". Em cima da mesa uma folha de papel em branco e uma caneta. Solicitamos aos acadêmicos que antes de tomar a caneta entre os dedos, a observassem. Olhando sua forma, seu "jeito", percebendo que ela é uma companheira, uma extensão de seus dedos, de sua mente. O papel e a caneta, agora são companheiros. Assim... pegando a caneta e cuidando para não a machucar ? pois, agora ela faz parte de cada um.

No papel em branco, pedimos que escrevessem, desenhassem, pintassem ou rabiscassem. Valia qualquer coisa, o que não podia era deixar o papel branco puro. Incentivamos os acadêmicos para "desabotoar a alma" e "tirar a poeira dos poros", não deixando que a auto-censura os dominasse. Eram livres para criar, recriar, copiar, "pintar e bordar"... Para nosso entusiasmo, a turma aceitou o desafio surpreendendo a todos nós, pois a satisfação inicial foi, então, muito boa.

Avançamos, em seguida, na instrumentalização participativa compreendendo a diferença entre texto literário e texto técnico, exercitando essas modalidades de textos em forma narrativa, descritiva e dissertativa.

Depois da instrumentalização teórico-individual, do balizamento dos conteúdos de forma coletiva e com exercícios práticos, os acadêmicos foram convidados a produzir um texto narrativo, um descritivo, elegendo a temática que mais lhes tocasse, enfim, que fosse do seu agrado.

Desde o início, tínhamos em mente que nosso ponto de chegada incluiria uma Mostra para a socialização e valorização dos textos literários produzidos; no entanto, a idéia de compartilharmos para "além" da sala de aula tornou-se um instigante "ingrediente" e é com todo o prazer e co-responsabilidade que abrimos literalmente nossa alma deixando transparecer a mais pura emoção, matéria-prima da escrita e geradora de idéias.

Que este relato possa inspirar e estimular na produção e criação de seus textos, de suas obras, animando a vida do nosso cotidiano pessoal e profissional. Cabe destacar que os textos produzidos e que aqui serão apresentados possui o consentimento dos seus autores para publicação.

 

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES FUNDAMENTAIS SOBRE A ESTRUTURA DE TEXTOS NARRATIVO, DESCRITIVO E DISSERTATIVO

Uma das dificuldades que observamos em nossa experiência profissional como docentes diz respeito à resistência ao processo de escrita. Diante desse contexto nos empenhamos em possibilitar aos nossos acadêmicos uma vivência em que pudessem se exercitar expressando na linguagem escrita suas idéias e emoções de uma forma prazerosa. Buscamos incentivar a autoconfiança e a capacidade criadora inerente ao ser humano.

Inicialmente, nos dedicamos ao resgate da espontaneidade infantil "latente" que muitas vezes encontra-se esquecida ou não estimulada provocando o sofrimento do ato de escrever. Este processo de escrita é imprescindível aos profissionais para uma efetiva comunicação escrita de divulgação de sua produção de conhecimento. Observamos que na formação profissional esta questão não é, na maioria das vezes, abordada e enfatizada devidamente, pois, se assim fosse, contribuiria com a elaboração de textos próprios e com a divulgação de conhecimentos e experiências técnico-científicas, artísticas, entre outras, na enfermagem.

Nesta perspectiva, nos esforçamos em promover a "Festa da Escrita", valorizando a sensibilidade, a criatividade e o potencial evidenciados na qualidade dos textos produzidos pelos acadêmicos.

Paralelamente a este processo foi desenvolvida uma teorização das diferentes composições estruturais de texto narrativo, dissertativo e descritivo enfatizando também o texto literário e o técnico-científico.

Foi realizada, portanto uma "Mostra Literária e Artística da Festa da Escrita" de alguns textos produzidos pelos acadêmicos acompanhados de uma fundamentação teórica. Cabe ressaltar que cada educando escreveu cinco textos diferentes e que, ora, escolhemos alguns para ilustrar este relato.

 

TEXTO TÉCNICO/CIENTÍFICO E LITERÁRIO

Gostaríamos de aqui registrar a caracterização e a diferenciação entre um texto técnico/científico e um texto literário. É oportuno adiantar que tanto os textos técnicos e científicos como os literários podem apresentar-se - dependendo de fatores como objetivos, temas, entre outros - sob forma de dissertação, de descrição e de narração ou ainda estas várias modalidades associadas entre si. (3)

O texto científico será sempre técnico. O texto literário não será técnico; entretanto, num conto ou romance, poderá haver algumas passagens com texto técnico para atribuir verossimilhança à obra.

O texto científico aborda temas referentes às ciências, fazendo uso de suas terminologias, objetivando comprovar verdades científicas, e o texto literário até poderá abordar tema científico para provar verdade literária.

O texto técnico/científico objetiva transmitir mensagem racional, comprovada cientificamente ou passível de comprovação e exige percepção intelectual lógica do leitor. O texto literário ao contrário busca uma percepção sensorial, transmitindo ao leitor emoções e está impregnado de subjetividade.

Nos texto técnico/científico como nas obras didáticas, nas correspondências oficiais, teses, relatórios, o autor emprega a palavra como simples instrumento de idéias com valor denotativo. Em relação ao texto literário como romances, contos, novelas, poemas, crônicas, entre outros, o autor faz das palavras instrumentos para a criação sensível e emotiva, com sentido simbólico, isto é, conotativo.

No texto técnico/científico o autor emprega a linguagem técnica ou científica em que há total respeito às regras gramaticais, uma linguagem simples, direta e objetiva; enquanto nos textos literários podem aparecer vários tipos da língua falada, há muitas vezes o desrespeito a regras gramaticais, a linguagem é simbólica, expressiva e recria a realidade.

Portanto, cada acadêmico, após a teorização, escolheu uma temática comum para construir seu texto técnico/científico e literário. Veja, a seguir, a forma como uma acadêmica trabalhou com o tema "Xilocaína".

 

EXEMPLO DE TEXTO TÉCNICO/CIENTÍFICO

XILOCAÍNA GELÉIA ( USO TÓPICO)
Orilete Aparecida Raminelli

Apresenta-se em forma básica, a qual é insolúvel em água, sendo usada para a preparação de cremes. No uso tópico atua como anestésico local. Quando usada via oral, apresenta baixa biodisponibilidade.

Sofre eliminação pré-sistêmica no fígado, é bi-destilada, seus metabólicos são eliminados pela urina e apenas dez por cento (10%) são inalterados.

Quando usada na aplicação tópica, geralmente se faz na concentração de dois por cento (2%).

 

EXEMPLO DE TEXTO LITERÁRIO

O DESTINO DA XILOCAÍNA
Orilete Aparecida Raminelli

Refugiada em uma gaveta, lá estava ela - a Xilocaína geléia - encoberta por outros tubos. Ainda jovem, mas com marcas evidentes - depressões profundas ao longo do corpo. Marcas essas que a deprimem, que a fazem refugirar-se temendo seus agressores.

No auge de uma reflexão sobre a vida êfemera que lhe fora destinada, o inesperado. Por uma fenda surge um raio luminoso e, em seguida, aproxima-se dela uma mão fria e áspera que a segura com firmeza retirando-a de seu refúgio. Logo após, já é posta sobre uma mesa. Em meio aos ruídos e sons estridentes lhe chega aos ouvidos o temido destino para o qual foi concebida. Através de uma voz rouca e fria, ouve dizer que uma sonda será introduzida no nariz de um paciente. Angustiada retrai-se sobre a mesa. Em seguida, uma mão a toca, apertando-a. A dor é intensa e ela passa a sentir náuseas, ejetando parte de seu conteúdo gástrico. Não sendo suficiente o conteúdo que eliminou, novamente sofre uma agressão, com mais força, a ponto de sentir-se "romper por dentro" eliminando grande parte de seu "conteúdo corpóreo" juntamente com a secreção gástrica.

Fatigada, com frio, trêmula, sudorética, sem forças, tenta recuperar-se, pois ela sabe que com um intuito maior, "doou" parte de sua vitalidade para alguém alimentar-se e, restabelecer a saúde até então comprometida.

Ansiosa em voltar ao seu esconderijo, tenta respirar fundo, apesar da dor...

Em seguida outra voz chega aos seus ouvidos ordenando que o restante do seu "conteúdo" seja usado, para a mesma pessoa, só que agora para a passagem de uma sonda vesical, eliminando, dessa forma, os líquidos excedentes - excreta.

Inconformada, já imaginava o seu corpo todo estraçalhado, com o líquido corpóreo todo extraído. Sem esperança, proclama: É o fim!

Um tempo se passa e nada de ser tocada. Então ela passa a lembrar-se dos companheiros de "esconderijo" e o que lhe diziam, ao serem jogados seus corpos no lixo. Não seria o fim, necessariamente, pois poderiam voltar a ser matéria-prima para que outros tubos fossem elaborados, e depois de vários processos poderiam voltar à mesma, ou talvez, melhor forma física e abrigando outros produtos, quem sabe outras xilocaínas.

 

TEXTO NARRATIVO

A narração é a modalidade de redação na qual contamos um ou mais fatos que ocorreram em determinado tempo e lugar, envolvendo personagens. A técnicada narração envolve os tipos de narrador, os elementos que compõem uma narrativa, as tipologias de narração, a estrutura básica que a mesma deve apresentar e caracteriza-se também pelo tipo de discurso.(4)

Os tipos de narrador são dois modos: a) Primeira Pessoa: narrador-personagem, que participa da ação, ou seja ele inclui-se na narrativa. b)Terceira Pessoa: narrador-observador. Não participa da ação e não se inclui na narrativa.

Os elementos que compõem um texto narrativo são: fato (o que è narrado); tempo (quando o fato ocorre); lugar (onde o fato se dá); personagens (quem participa do que ocorre ou quem o observa); causa (motivo que determinou ou determina a ocorrência) - conflito; modo (como se dá o fato) e conseqüências.

Os tipos de narração: Objetiva - informa os fatos sem se deixar envolver emocionalmente. Apresenta um cunho impessoal e direto. Subjetiva em que: os fatos são apresentados levando-se em conta as emoções, os sentimentos envolvidos na história. É de cunho pessoal e indireto.

A estrutura de um esquema básico de narração3-4 pode ser constituída da seguinte forma:

Título

Primeiro Parágrafo: Introdução - explicita qual fato será narrado e determina o tempo e o lugar.

Segundo Parágrafo: Desenvolvimento - causa do fato e apresentação das personagens.

Terceiro Parágrafo: Desenvolvimento - modo como tudo aconteceu detalhadamente.

Quarto Parágrafo: Conclusão - conseqüências do fato.

Os tipos de discurso: indireto: verbos no pretérito imperfeito do indicativo (ficava, havia) e ausência de pontuação característica; Direto: verbos no presente do indicativo (fica, há) e pontuação característica (travessão, dois pontos).

 

EXEMPLOS DE TEXTO NARRATIVO

O PEQUENO INCIDENTE
Sandra Gregório

O pequeno incidente ocorreu em uma tarde de verão em pleno centro de Porto Alegre, na rua da Praia, com uma amiga minha.

A tarde estava ensolarada, bonita e todos passeavam curtindo o ótimo dia para fazer compras e olhar as vitrines, inclusive nós duas. De repente começou a chover, era uma chuva forte que pegou todos de surpresa. Era uma correria, pois, todos queriam proteger-se: alguns corriam para baixo das marquises; outros entravam nas lojas para escapar da chuva. Minha amiga, que estava com vários pacotes, também resolveu correr para se proteger, mas se deu mal. Ao tentar passar por uma escada ela resvalou no chão molhado e "espatifou-se" na calçada, caindo sentada e descendo o restante dos degraus por etapas, como se fosse uma "bola". Eu que vinha logo atrás só vi os pacotes voando e um par de pernas para cima. Corri para ajudá-la mas não consegui devido à distância. Quando cheguei, ela não sabia se chorava ou se ria, estava envergonhada e a expressão de sua face era de dor. Perguntei se estava bem ao que ela respondeu que tudo lhe doía, que parecia que alguém tinha passado por cima dela.

Após um certo tempo resolveu levantar-se para ir embora, mas foi com muita dificuldade, pois tinha se machucado um pouco. Juntamos os pacotes que estavam espalhados na calçada e saímos caminhando lentamente na direção do estacionamento. Depois de um longo tempo conseguimos chegar ao carro onde começamos a rir pelo incidente que acabávamos de vivenciar e concluímos que a pressa muitas vezes atrapalha, tornando tudo mais dolorido.

CAMINHADA CONTRA O FUMO
Liliane Tschiedel

Na véspera do dia mundial de combate ao tabagismo, dia 28 de agosto, profissionais da saúde, membros de entidades beneficentes e comunidade em geral de Santa Maria, com apoio do corpo de bombeiros, realizaram pelas principais ruas da cidade uma caminhada contra o fumo.

Para reafirmar que vale a pena viver sem fumo, as pessoas caminharam mais de três quilômetros. Partiram da Praça Saldanha Marinho em direção à rua do Acampamento, seguindo pela rua Pinheiro Machado, avenida Presidente Vargas, Visconde de Pelotas e finalmente, rua Niderauer.

Esta foi a décima edição da caminhada que mobilizou cerca de dez mil pessoas. O tema escolhido para a campanha deste ano foi "Esporte sem cigarro é mais radical". E para tal, utilizaram-se de faixas, cartazes, camisetas, músicas, panfletos, entre outros, havendo momentos de silêncio, parada, e também exercícios físicos orientados, com o intuito de divulgar os males provocados pelo tabaco, bem como, promover a atividade física.

Nesse movimento de combate ao tabagismo ficou explícito que o inimigo a ser vencido não é o fumante, mas sim o cigarro, que provoca danos significativos à saúde e que caminhar é um exercício saudável e benéfico para todos.

 

TEXTO DESCRITIVO

A descrição é considerada o retrato que fazemos, por meio de palavras, de um ser (homem, animal irracional, objeto, cena, paisagem, processo... reproduzindo-o pela adequada representação de sua forma. É a modalidade de redação na qual são apontadas as características e/ou elementos constitutivos, singularizantes do SER-REFERENTE (pessoas, animais, plantas, objetos, ambientes, paisagens, processos...) captados pelo emissor através dos sentidos e veiculados através do código oral e escrito, objetivando fazer o receptor saber "o que é". o ser-referente, "como é" e "como está", num certo momento estático do tempo.(3)

A forma de descrição podem ser literárias que é criativa, subjetiva, despertando emoções para o leitor, e técnica, que não é criativa, é objetiva.

A descrição pode ser de:

PESSOAS - características físicas (altura, peso, cor da pele, idade, voz, vestimenta, entre outras);

- aparência externa; - características psicológicas (personalidade, caráter, preferências, postura, inclinações, objetivos, temperamento, etc. ). Estas características estão associadas ao comportamento da pessoa.

OBJETOS : podendo ser de uma única parte ou de várias partes.

AMBIENTES que seriam aquelas descrições relacionadas a locais fechados.

PAISAGENS considerados as descrições realizadas dos locais a céu aberto.

Existem alguns pré-requisitos básicos(4) para a elaboração de DESCRIÇÃO e que são:

a) domínio da estrutura da língua e da técnica da descrição
b) capacidade de quem descreve
c) capacidade de observar

Objetivo e ponto de vista:

a) ordem de enumeração das características
b) tipos de descrição: objetiva-técnica e subjetiva-literária

Linguagem e estilo

a) uso de vocabulário expressivo
b) uso de adjetivo
c) emprego de enunciados nominais e verbais, ressaltando aspectos estáticos e dinâmicos

Variedades de Descrição: de objeto, de animal, de pessoa/personagem, de processo, de aparelhos/máquinas, paisagem, ambiente de cena.

A estrutura de texto descritivo(3-4) geralmente apresenta:

Primeiro Parágrafo: Introdução: visão global do objeto de que se realiza a descrição, normalmente por uma generalização;

Segundo e Terceiro Parágrafos: Desenvolvimento: exploração da generalização pela particularização;

Quarto Parágrafo: Conclusão (nem sempre obrigatória) aparece normalmente quando há inversão da idéia tópica: particularização-generalização.

O plano da descrição deve considerar também os seguintes aspectos:

a) observação e análise geral do objeto;
b) definição do Objetivo e do ponto de vista;
c) seleção dos aspectos que mais individualizam o ser;
d) classificação dos aspectos

A seguir, ilustraremos os textos com exemplos de descrição de um animal e outro de objeto.

 

EXEMPLOS DE TEXTOS DESCRITIVO

A TELEVISÃO
Elizandra Stefanell Franqui

A televisão é um meio de comunicação muito utilizado, pois informa e diverte. Podemos através dela ver imagens coloridas do dia-a-dia e também, ouvir os sons reproduzidos por ela. Para que tudo isto possa chegar até nossa casa, é necessário que o aparelho esteja em perfeitas condições, pois ela é constituída por um emaranhado de fios e botões.

Este aparelho é constituído por uma tela pela qual podemos ver as imagens, esta poderá ser de vários tamanhos, "polegadas", os fios encontram-se no seu interior num emaranhado, em uma lateral encontram-se vários botões os quais se repetem no controle remoto. Eles nos permitem: ligar e desligar o aparelho, selecionar canais, controlar cor, tom, brilho, contraste, aumentar e diminuir o volume, programá-la para desligá-la em uma determinada hora, entre outras funções. Nas suas laterais se apresenta caixa acústica por onde se propaga o som. Atrás dela encontramos várias entradas, como para vídeo e antenas e, também, um fio com um "plug" para conectá-la à rede elétrica.

AMIGO
Silvia Sônia Schultz

Gostaria de falar agora de um grande amigo. Alguém que está sempre ao meu lado, é bonito, simpático e divide comigo os bons e maus momentos com paciência e dedicação.

Seu nome é Benji. É um cãozinho 'fox' de dez anos e sete meses de idade, mede cerca de trinta e cinco centímetros de altura, setenta centímetros de comprimento e mais ou menos sete quilos. Seu pêlo é curto, liso e de cor branca com algumas manchas marrons espalhadas pelo corpo. As orelhas são grandes, pontuadas, marrons e estão sempre atentas a qualquer ruído. Os olhos são redondinhos, escuros e brilhantes, com um olhar invocado e maroto que cativa a todos. Seu focinho é comprido, está sempre gelado e molhado, sendo capaz de farejar um biscoito recheado a quilômetros de distância. Por falar em biscoitos, é também bastante guloso. Está sempre faminto, adora bolo de chocolate, pipoca, balas e todo o tipo de guloseimas, o que já fez com que engordasse alguns quilos. Gosta também de correr de um lado a outro sempre levando consigo seu brinquedo favorito, uma bolinha de plástico cor-de-rosa com cheiro de chiclete. Adora passear na rua, e para isso usa uma coleira vermelha e preta que o deixa ainda mais engraçadinho. Suas patinhas comprimidas e finas caracterizam, ainda mais, sua raça e lhe conferem um caminhar ereto, esbelto e com uma pontinha de prepotência, como se fosse o cachorro mais especial do mundo. Com seu rabinho comprido e arredondado expressa alegria e gratidão, balançando-o sem parar.

Enfim, este é o meu cãozinho. Invocado, briguento, por vezes rebelde e mal educado, mas, acima de tudo esperto e carinhoso que me conquistou e foi por mim conquistado, tornando-se, desde pequenininho, meu grande e melhor amigo.

 

TEXTO DISSERTATIVO

É o tipo de redação em que são expostas, explanadas, interpretadas idéias ou apresentados argumentos sobre um determinado tema ou assunto.(4)

Cabe destacar, inicialmente a diferença entre tema e título. O TEMA é o assunto sobre o qual você irá escrever, a idéia que será defendida. É uma oração que apresenta começo, meio e final. Apresenta ao menos um verbo. O TÍTULO é a expressão, geralmente curta, colocada no início do trabalho e geralmente não contém um verbo. É uma referência vaga a um assunto.

Existem vários tipos de dissertaçãov(3,4), ou seja:

a) Informativa: é aquela através da qual o autor escreve o que sabe sobre aspectos e fenômenos da realidade, sem a manifestação do seu ponto de vista ou de juízo de valor. Tem como objetivo tornar públicas as informações para um público leitor determinado. Portanto, neste tipo de dissertação, o autor não objetiva comprovar uma realidade, mas expô-la.

b) Argumentativa: é o tipo de dissertação em que o autor expõe idéias próprias, ou de outrem, pelo recurso da polifonia (consiste na incorporação ao discurso de outras vozes, de outros enunciados). A polifonia pode vir do interlocutor, de terceiros ou da opinião pública, através dos quais manifesta o seu ponto de vista sobre o tema, com o objetivo de convencer o leitor de que ele, o autor, está com a razão. O autor se vale de argumentos para provar os pontos de vista apresentados. O ato de argumentar compreendea apresentação de uma ou mais idéias, um ou mais pontos de vista pessoais ou de outrem, sobre um tema, acompanhados de provas, exemplos, de fatos, de raciocínios que demonstrem que as idéias e os pontos de vistas apresentados estão corretos, que o autor do texto está com a razão.

A consistência de raciocínio e a evidência de provas são dois elementos fundamentais da argumentação. Para argumentar é necessária uma proposição clara, definida, inconfundível quanto ao que se afirma ou nega (declaração, tese, opinião) e ainda análise da proposição, formulação de argumentos, conclusão. A contra-argumentação também é importante e depende do nível de capacidade de expressão verbal do autor, seu maior ou menor domínio do assunto, objetivo do texto e características do receptor.

Existem vários esquemas básicos de dissertar3,4, escolhemos os mais comuns para comentar.

 

ESQUEMA BÁSICO DE DISSERTAÇÃO 1:

Primeiramente, definir o Tema e responder o porquê do mesmo.

Primeiro Parágrafo - Introdução: os argumentos apenas são mencionados.

Segundo e Terceiro Parágrafos- Desenvolvimento: explicar cada um dos argumentos colocados na introdução.

Quarto parágrafo - Conclusão: pode iniciar-se com uma expressão que remeta ao que foi dito nos parágrafos anteriores (expressão inicial). A ela deve seguir-se uma reafirmação do tema proposto no início da redação. No final do parágrafo, é interessante colocar uma observação, fazendo um comentário sobre os fatos mencionados ao longo da dissertação. É possível também que a conclusão seja formada apenas pelo comentário final.

 

ESQUEMA BÁSICO DE DISSERTAÇÃO 2:

Pode ser utilizada quando lhe for apresentada uma afirmação que possibilite facilmente a verificação de uma causa e de uma conseqüência.

Primeiro Parágrafo- Introdução: ocorre a apresentação do tema (com ligeira ampliação).

Segundo e Terceiro Parágrafos - Desenvolvimento: causa (com explicações adicionais), conseqüências (com explicações adicionais).

Quarto Parágrafo - Conclusão: Expressão inicial mais a reafirmação do tema e mais a observação final.

 

ESQUEMA BÁSICO DE DISSERTAÇÃO 3:

Deve ser utilizado quando lhe for proposto um tema polêmico, que costuma dividir opiniões de tal modo que dificilmente conseguimos chegar a um posicionamento capaz de satisfazer a grande maioria das pessoas.

Primeiro Parágrafo - Introdução: apresentação do tema

Segundo e Terceiro Parágrafos - Desenvolvimento: análise dos aspectos favoráveis e contrários.

Quarto parágrafo - CONCLUSÃO: Expressão inicial mais posicionamento pessoal em relação ao tema, mais observação final.

 

ESQUEMA BÁSICO DE DISSERTAÇÃO 4:

Desenvolvem-se temas que possibilitem uma retrospectiva histórico-temporal.

Primeiro parágrafo: Introdução: estabelecimento do tema

Segundo e Terceiro parágrafos - Desenvolvimento : retrospectiva histórica (época mais distante) e retrospectiva histórica (época mais próxima e atual)

Quarto Parágrafo - Conclusão: expressão inicial mais retomada do tema ( agora sob uma perspectiva histórica)

 

ESQUEMA BÁSICO DE DISSERTAÇÃO 5:

Quando se desenvolvem temas que possibilitem uma localização espacial.

Primeiro Parágrafo - Introdução:estabelecimento do tema.

Segundo e Terceiro Parágrafos: Desenvolvimento: análise do Tema relacionado à área geográfica 1 e análise do tema relacionado com a área geográfica 2.

Quarto Parágrafo: CONCLUSÃO: expressão inicial mais a retomada do Tema procedendo a uma análise comparativa referente à localização espacial.

 

ESQUEMA BÁSICO DE DISSERTAÇÃO 6:

Deve ser aplicada a temas que contêm uma crítica profunda. Esta crítica pode referir-se a algum aspecto da natureza humana, qualquer circunstância da nossa realidade nacional ou mundial, podendo tratar-se de uma questão política, um grave problema social, uma inadequação econômica, um conflito entre nações, ou qualquer assunto que permita uma análise ao longo de toda a dissertação.

Primeiro Parágrafo - Introdução:estabelecimento do Tema ( a perplexidade diante da situação).

Segundo e Terceiro Parágrafos- Desenvolvimento:referência a fatos de conhecimento público e comentários críticos (crítica dos fatos, idéias ou circunstâncias).

Quarto Parágrafo - CONCLUSÃO: Considerações Finais (observação crítica seguida de uma expectativa)

 

EXEMPLOS DE TEXTOS DISSERTATIVOS

O SISTEMA DE SAÚDE NO BRASIL
Liliane Tschiedel

Os sistemas de saúde no Brasil elaborados e constitucionalizados, até hoje não têm resultados satisfatórios e isto vem acontecendo basicamente pela falta de comprometimento com a saúde da população. Vivemos o processo de implantação "plena" do Sistema Único de Saúde -SUS, que é muito lento e em muitas cidades inexistentes.

Sabemos que a ênfase às atividades curativas/hospitalares, ausência de vontade política, precariedade do saneamento básico, desrespeito à vida, baixa resolubilidade e má qualidade de atendimento principalmente nos níveis primários e secundários, ausência de uma política de recursos humanos em saúde, baixos salários e falta de condições de trabalho, bem como a falta de integração entre o sistema formador e o sistema operacional dos serviços de saúde são alguns dos inúmeros fatores que retardam ou impedem a efetividade do SUS.

Conseqüentemente, o que temos são profissionais da área da saúde sobrecarregados, agindo sobre efeitos e não sobre as causas dos problemas que afetam a saúde, ou seja, acabamos equivocadamente fortalecendo um ciclo que se repete.

Contudo, a nossa Constituição Federal declara que a saúde é um direito do cidadão e um dever do Estado. A lei em texto invejável assegura condições de assistência integral à saúde do indivíduo e da família, porém, a realidade é outra, chega por vezes a ser desumana. E, para reverter isto, precisamos despertar a consciência coletiva voltada à pressão da força política na busca da cidadania, o que torna possível a efetivação do SUS nos três níveis de atenção.

A INFLUÊNCIA DA TELEVISÃO
Valéria .R.G.Severo

Nas últimas décadas, sem repararmos, os meios televisivos vêm exercendo cada vez mais influência e domínio sobre o comportamento da sociedade.

A televisão, sendo um meio audiovisual, apela abusivamente pelo lado frágil e influenciável da mente humana. Ela traduz a emoção, a auto-estima e o prazer, que são necessidades básicas do ser, pela imposição de marcas e interesses ideológicos. Com isso, a ilusão torna-se uma constante que, ao deixar-nos "boquiabertos" pela beleza que transpõe, insere-nos inconscientemente o desejo de consumismo desenfreado, principal sustentáculo da mídia.

Por outro lado, é o principal meio de interligação dos povos do planeta. Mostra-nos diretamente o acontecimento e o desenrolar dos fatos mundiais, expondo-nos um esboço de idéias e situando-nos na cadeia de informações que nos envolve. Assim, exerce um papel fundamental como veículo de comunicação, gerando empregos e movimentando inúmeros setores da economia.

Com isso, concluímos que, se a televisão for usada adequadamente a fim de proporcionar rapidez nas relações, entendimento entre os povos e descontração para o usuário, qualquer idéia de submissão seria fruto de nosso próprio extremismo. Todavia, quando utilizada por pessoas ou grupos inescrupulosos que visam principalmente ao lucro e ao poder, poderá se tornar no mais eficaz meio de manipulação das massas.

 

COMPARTILHANDO A ALEGRIA ALCANÇADA

Primeiramente, gostaríamos de destacar que o intuito desta socialização se reveste do nosso compromisso com a produção e socialização de conhecimentos na Enfermagem.

Segundo, que o ato de escrever está intimamente ligado ao ato de ler, à reflexão e à cultura, portanto, o exercício provocado com a Festa da Escrita possibilitou vencer a resistência à escrita, concebendo-a como promotora de descobertas pessoais e de contribuição profissional imensurável, tamanha a satisfação, a qualidade e criatividade textual apresentada pelos alunos.

A nossa mensagem ao final deste trabalho é deixar a todos a idéia de fortalecer nossa coragem para arriscar. Correr o risco do erro e aprender com ele. Faça de seu erro um ponto de apoio para um novo pensamento, uma idéia original. Só não erra quem não tenta5, pois pensamos que é necessária e urgente a volta da alegria, do prazer no ato de escrever.

Portanto, esperamos que com o nosso esforço e o dos acadêmicos com o compromisso desta socialização possamos promover várias outras Festas da Escrita (além das oito já realizadas) por todos aqueles que desejarem entrar neste mundo fantástico do processo de escrever.

 

REFERÊNCIAS

1. Claver R. Escrever sem dor: oficina de redação. Belo Horizonte: UFMG; 1994.

2. Jantsch AP, Bianchetti L., organizadores. Interdisciplinaridade para além da filosofia do sujeito. Petrópolis (RJ): Vozes; 1995.

3. Flores LL. Redação: o texto técnico/científico e o texto literário, dissertação, descrição, narração, resumo, relatório. Florianópolis: Editora UFSC; 1994.

4. Granatic B. Técnicas básicas de redação. 4ª ed. São Paulo: Scipione; 1999.

5. Antunes C. A grande jogada: manual construtivista de como estudar. Petrópolis (RJ): Vozes; 1996.

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