REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume: 9.3

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Artigo Reflexivo

A Dimensão educativa da ação de enfermagem: reflexões em torno de práticas assistenciais no ensino de pós-graduação

The educative dimension of the action of nursing: reflections around the assistance practices of post-graduate teaching

Flávia Regina RamosI; Kenya Schmidt ReibnitzII; Marta Lenise do PradoIII

IEnfermeira. Doutora em Filosofia da Enfermagem. Docente do Departamento de Enfermagem. Presidente do Colegiado do Curso de Graduação em Enfermagem. Professora do Programa de Pós-graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC
IIEnfermeira. Doutora em Enfermagem. Mestre em Assistência de Enfermagem. Docente do Departamento de Enfermagem da UFSC
IIIEnfermeira. Doutora em Filosofia da Enfermagem. Docente do Programa de Pós-graduação em Enfermagem e do Departamento de Enfermagem da UFSC. Sub-Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFSC. Pesquisadora CNPq

Endereço para correspondência

Rua das Acácias, 121/501 - A3, Carvoeira
Florianópolis/SC. CEP.: 88.040-560

Recebido em 18/02/2005
Aprovado em 07/03/2005

Resumo

Este estudo é uma reflexão acerca da dimensão educativa da ação de enfermagem, com base na experiência da disciplina "Projetos Assistenciais em Enfermagem e Saúde", do Curso de Mestrado em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. Discute-se o compromisso em refletir sobre a relação entre as práticas de cuidar, pesquisar e educar. A integração entre educação e intervenção foi vislumbrada nos modos como o processo educativo foi apreendido, o que se diferenciou em cada experiência de educação como: dimensão da assistência; mediação e compromisso do profissional; condição e essência do ser enfermeiro, instrumento de intervenção, humanização e integralidade das ações.

Palavras-chave: Educação, Educação em Saúde, Educação em Enfermagem, Cuidados de Enfermagem, Prestação de Cuidados em Saúde

 

INTRODUÇÃO

A dimensão educativa do trabalho em saúde tem sido tema de muitos estudos e reflexões. Todavia, seu caráter tem sido negligenciado, e muito freqüentemente, encoberto nas práticas cotidianas, como mais uma tarefa mecânica e disciplinadora. Certamente essa visão da educação em saúde guarda estreita relação com as práticas educativas formais, historicamente determinadas por uma relação hierárquica, disciplinadora e de transmissão de informações (condutas e comportamentos esperados), dentro da visão da pedagogia tradicional ou não-crítica.

A incorporação de novos conceitos e métodos ao ensino formal, através das pedagogias críticas, favoreceu e ampliou a discussão acerca do papel educativo das práticas em saúde e de seu caráter, associado a reflexões críticas sobre a finalidade do trabalho em saúde, a natureza desse processo, bem como suas finalidades. Essa nova postura reconhece diferentes papéis de educador e educando e, como afirmam Menezes e Rosa(1) "... as práticas de educação em saúde funcionam como um instrumento potencializador do autocuidado e possibilitam a discussão da qualidade de vida das pessoas".

Mediante tal contexto faz-se necessário (re)significar a educação em saúde, na intencionalidade de refletir criticamente acerca de seu papel e de sua operacionalização. A consolidação desses caminhos para repensar e reconstruir a prática profissional se inscreve na convicção de que, quando colocada a educação no mundo do trabalho, a contradição se faz evidência e a qualidade política aliada à qualidade formal ressalta a possível articulação, dialeticamente aí instalada. O espaço entre educação e o mundo do trabalho em saúde precisa, portanto, ser ampliado em formas e possibilidades como um dos caminhos para repensar e reconstruir a prática assistencial em saúde. É preciso ousar, experimentar novas idéias, novas formas de enfocar problemas, como condição inquestionável para essa reconstrução.

Por reconhecer e acreditar que a formação dos profissionais de saúde é determinante para essa construção de novos caminhos, o Curso de Mestrado em Enfermagem, desde sua criação em 1976, preocupou-se com o fortalecimento da assistência de enfermagem e atualmente, após constantes avaliações de sua proposta, ampliou seus objetivos, envolvendo nesta formação, não só os enfermeiros, mas também os profissionais de saúde na intencionalidade de fortalecer a interdisciplinaridade e a reflexão das práticas de saúde. Sua finalidade é "Promover o repensar das práticas de enfermagem e de saúde com base em referenciais teórico-metodológicos, apresentando contribuições críticas e inovadoras para o processo de viver humano".(2)

O Curso de Mestrado em Enfermagem da UFSC contém um itinerário curricular focalizando a fundamentação teórico-metodológica exigida para provocar a incomodidade indispensável nos alunos e professores, a fim de reconhecerem as necessidades de mudanças que a realidade dos serviços de saúde requer. Este propósito se consolida na disciplina Projetos Assistenciais em Enfermagem e Saúde, que encerra os créditos teórico-práticos do Curso antes da dissertação. Essa disciplina tem como objetivo a "Proposição, aplicação e avaliação de projetos assistenciais em Enfermagem e Saúde, com abordagem individual, familiar ou a grupos da comunidade, fundamentado em uma teoria de Enfermagem e/ou de outras áreas do saber. Envolve ainda os conteúdos relativos aos desafios éticos em saúde, tecnologias para a educação em saúde e processos de trabalho nas diferentes visões sociopolíticas em enfermagem e em saúde."(2)

A proposta dessa disciplina incentiva o(a) mestrando(a) fazer uma releitura da prática de enfermagem e de saúde desenvolvida no setor de saúde em que trabalha, a partir de um referencial teórico que possibilita não só refletir sobre esta prática, mas também propor e construir soluções adequadas e criativas. O(a) aluno(a) adota uma atitude investigativa na perspectiva da reconstrução de sua prática, a partir de sua realidade, o que possibilita o envolvimento dos demais trabalhadores, atores deste processo. Pois, como afirmam Reibnitz e Prado(3), há uma estreita relação entre a formação de um profissional crítico-criativo e a atitude investigativa, que se constrói a partir das relações que se estabelecem, nas quais o diálogo é condição fundamental e pressupõem uma atitude de abertura, de compartilhamento, de troca de experiências, vivências, sentimentos, pensamentos.

O processo educativo permeia esse processo, na perspectiva de que ele é inerente ao ser humano e às práticas em saúde. Todavia requer do profissional a consciência de seu papel de educador de forma crítica e criativa. Nesse sentido, a prática educativa está intimamente vinculada ao papel do enfermeiro e precisa ser focalizada como algo permanente ao longo da vida.

Esta dinâmica pedagógica tem possibilitado que muitos projetos assistenciais sejam consolidados em propostas de dissertação, o que nos estimulou a investigar os trabalhos de dissertação de mestrado que focalizaram a educação como referencial de seu trabalho.

Este estudo teve como objetivo refletir sobre a dimensão educativa da ação de enfermagem, a partir da análise da experiência como docentes das Disciplinas "Educação e Prática Assistencial de Enfermagem", do Curso de Mestrado em Enfermagem da UFSC, bem como, sobre a relação educação-trabalho evidenciada nas práticas assistenciais desenvolvidas por alguns desses mestrandos.

Como critério metodológico foram selecionados apenas os estudos que tiveram como objeto ou foco central a educação ou a dimensão educativa do trabalho da enfermagem, mesmo considerando que este tema é trabalhado sob diferentes formas e como componente importante da problemática em estudo na totalidade das práticas assistenciais de enfermagem que, na maioria dos casos, são aprofundadas e relatadas nas dissertações. Assim, foram selecionadas 28 dissertações, a partir da leitura de 217 resumos de dissertações defendidas no período de janeiro de 1998 a junho de 2003. O estudo caracterizou-se como exploratório documental, ou seja, utilizou veículo de comunicação escrito, no caso resumos, além da experiência pessoal das autoras na avaliação de relatórios de práticas assistenciais e dissertações de mestrado.

Os pressupostos fundamentais do estudo, além daqueles norteadores da própria proposta do Curso e das disciplinas em questão, referem-se, principalmente à relação educação e trabalho de enfermagem. Deste modo, consideramos que:

• a educação é componente inalienável da prática de enfermagem, uma vez que envolve relações entre sujeitos (cuidador-cuidado ou trabalhador-usuário; trabalhador-trabalhador; além daquelas identificadas com processos formais entre educador-educando);

• a educação é indissociável de todo o processo de viver humano e envolve experiências nos mais diversos campos da ação e interação humana;

• diferentes objetos, instrumentais/ferramentas e finalidades, caracterizam o processo de trabalho do enfermeiro, seja no cuidar, gerenciar ou educar, sendo que a dimensão educativa é transversal, mediadora e articuladora desses diferentes modos de trabalhar;

• para a qualidade nos resultados de seu trabalho, o enfermeiro necessita desenvolver conhecimentos e práticas compatíveis com essas diferentes dimensões, por meio de aportes e apreensões críticas de referenciais de diferentes áreas do saber, numa abertura ao diálogo interdisciplinar e à criação individual e coletiva.

EDUCAÇÃO E INTERVENÇÃO: O QUE NOSSA EXPERIÊNCIA MOSTRA?

Conforme referido, das 217 dissertações defendidas entre 1998 e 2003, 28 (cerca de 13%) elegeram como objeto de aprofundamento a educação ou a dimensão educativa do trabalho da enfermagem. Considerando que todos os mestrandos projetam e implementam uma prática assistencial em que a dimensão educativa é visualizada e, ainda, que grande parte deles dá continuidade, com sua dissertação, ao aprofundamento de questões que emergiram desta prática, a temática da educação também se faz presente em outras dissertações, que tiveram foco central em outras dimensões da experiência relatada.

Quando falamos da relação educação e trabalho podemos destacar algumas importantes questões, entre as quais: a concepção do processo educativo como processo particular de trabalho; as imbricações historicamente construídas destas duas práticas sociais - educação e saúde - e, a partir deste cenário, o delineamento de alguns desafios que ainda estamos enfrentando em nosso campo profissional, principalmente o de nosso instrumental para a ação educativa, inclusive no que se refere à interdisciplinaridade e à criatividade.

Na verdade, todas essas questões encontram-se mutuamente enlaçadas. Do ponto de vista do "processo de trabalho educar" cabe primeiramente considerar a educação não como simples instrumento para o alcance de objetivos do setor saúde, mas como prática social que, ao se articular com as demais práticas sociais, torna-se inalienável do processo de trabalho em saúde, em quaisquer contextos institucionais. Para desenvolver-se de modo a promover uma práxis mais crítica e criativa, o processo de trabalho "educação e saúde" requer não apenas condições técnicas, mas suporte teórico, remetendo à necessária compreensão dos momentos que o envolvem, dos referenciais manifestos e possíveis, em suas relações com projetos políticos de sociedade.(4)

Quanto às relações entre as práticas sociais de educação e de saúde, também é importante reconhecer a estreita relação histórica entre práticas de educação em saúde e a prática de enfermagem no Brasil. Podemos dizer que tais relações incidiram na constituição histórica do papel socialmente atribuído a este trabalhador e sustentaram um preparo de profissionais para a atuação em atribuições de caráter educativo estritamente instrumentais e nos objetivos de intervenções e propostas essencialmente medicalizantes do setor saúde. Assim, a enfermagem foi herdeira de concepções e práticas hegemônicas, que atribuíam à "educação em saúde" um papel saneante, normatizador e alienante; de transmissão de conhecimentos, de controle e disciplinarização do corpo e da vida cotidiana dos indivíduos e populações. É preciso superar os limites do espaço usualmente destinado à educação no interior dos serviços de saúde. Para isso, cabe enfrentar os desafios teóricos e metodológicos para o desenvolvimento deste campo temático, reconhecendo o modo como é constituído entre iniciativas oficiais que, tradicionalmente, imputam uma marginalidade e subalternidade deste conhecimento em detrimento daqueles saberes e técnicas instrumentais ao modelo clínico assistencial.(4)

Experiências como esta relatada mostram como o desenvolvimento de práticas assistenciais no âmbito da academia, e com os fins de "reapropriação crítica do próprio pensar e fazer", revelam o potencial de avanço e transformação dos espaços concretos de trabalho. E esta permanente construção de novos modos de pensar e fazer enfermagem e saúde não deve se restringir ao ensino de pós-graduação, mas devem partir do ensino de graduação e dos próprios serviços, num compartilhamento e aprimoramento de ferramentas teórico-práticas adequadas.

Exemplo de condição necessária para tal desenvolvimento pode ser dado ao tomarmos a idéia de criatividade. Independentemente do modo como possa ser tomada a criatividade no agir profissional (como parte do agir no mundo), seja como instrumento, ferramenta ou processo inerente ao próprio sujeito (dimensão subjetiva, substantiva ou adjetiva da ação), podemos reconhecer, como Reibnitz(5), que a criatividade tem sido pouco pensada, dentro dos espaços de educação formal, como fenômeno não "dado a priori", mas que pode ser desenvolvido, também pela curiosidade e motivação, como requisito para um agir não apenas crítico, mas edificante e saudável para o próprio sujeito da ação. Esta autora, utilizando Gardner(6), aponta para os componentes que dinamicamente se relacionam no processo dialético interativo da criatividade, o talento individual, o campo (relações) e o domínio/disciplina. Para superar os inibidores que atuam sobre estes componentes e potencializar o processo criativo no ensino de enfermagem, a autora indica algumas exigências, como a capacitação docente; a articulação entre ensino de graduação e pós-graduação; a precoce e mais intensiva inserção de alunos em pesquisa e extensão compromissadas com problemáticas sociais; investimentos colaborativos e interdisciplinares em pesquisa, com envolvimento de escolas e serviços, estabelecendo novas relações entre os mesmos, no conhecimento do próprio trabalho e dos desafios emergentes das práticas de saúde; entre tantos outros.

 

OS CENÁRIOS DAS PRÁTICAS

Quando analisamos as escolhas que direcionaram os cenários particulares de desenvolvimento de dissertações com foco na dimensão educativa do trabalho do enfermeiro, percebemos um relativo equilíbrio no interesse voltado para a clientela/usuário (15 dissertações) e para o trabalhador de enfermagem, educador e aluno (14 dissertações).

Dos quinze (15) estudos voltados para a educação no cuidado à clientela, sete (7) dirigiram-se à mulher, focalizada como gestante, mãe e idosa; cinco (5) focalizaram-se no cuidado/educação de clientes hospitalizados com diferentes especificidades e, 3 (três) tiveram como foco a família. Já das outras quatorze (14) dissertações, oito (8) tiveram como sujeitos o trabalhador de enfermagem, seja o enfermeiro ou outros membros da equipe, enquanto seis (6) elegeram o cenário da escola (pré-escola - 2, graduação e ensino médio - 4), seja voltando-se para o sujeito estudante ou professor.

O que podemos apreender desses dados pode ser coerente com a tendência percebida nas últimas duas décadas na produção científica da enfermagem, por um crescente desenvolvimento de novas áreas e linhas de pesquisa, não mais ligadas aos modelos tradicionais de formação e prática profissional, nos moldes do modelo biomédico definido para a doença, o hospital e a intervenção clínica individual. Também não podemos esquecer as mudanças nas políticas públicas de saúde e educação, com maior participação e controle social, despertando para novas demandas de trabalho e pesquisa e traduzindo novos compromissos e novas apreensões das necessidades de populações já tradicionalmente assistidas ou não, como a mulher, o idoso e o trabalhador. Assim embora sejam "antigas" clientelas, já aparecem sob novos modos de compreensão e incorporando novos modelos assistenciais.

Sem dúvida, a emergência do próprio trabalhador de enfermagem como foco de estudo e de práticas educativas e cuidativas é importante manifestação desta busca por práticas mais críticas e emancipatórias. Emancipação que deve partir dele mesmo e dos sujeitos que com ele compartilham o espaço cotidiano de trabalho (em serviços de saúde e escolas) para a construção de formas de trabalhar mais dignas, autônomas e socialmente comprometidas com a eqüidade, a justiça e a qualidade da atenção.

 

OS REFERENCIAIS DAS PRÁTICAS

Dos resumos analisados, os referenciais utilizados envolveram teoristas de enfermagem com aportes socioculturais e do cuidado (11) e teoristas da área pedagógica (17).

Destaca-se, na área pedagógica, o referencial daproblematização defendido por Paulo Freire(7,8,9), o que demonstra a coerência com os pressupostos da Disciplina e do Curso, que privilegiam a contextualização da realidade como estratégia para a mudança das práticas em saúde.

A escolha do referencial de Paulo Freire(7,8,9) está fortemente associada a seus princípios de humanização que, através da relação dialógica e da reflexão da realidade, compromete-se com o homem concreto, na perspectiva de seu constante crescimento técnico e político. Esses princípios dão sustentação teórica para a aplicação prática de uma assistência de enfermagem que reflete sobre a realidade e busca constantemente a construção do cidadão para o viver saudável. Os conceitos de conhecimento e expressão, reflexão, conscientização, diálogo, autonomia e cidadania tornam-se evidentes como traços fundamentais dos processos educativos implementados, favorecendo a construção da integração ensinar-pesquisar-educar.

Assim se estabelece uma formação integrada ao desenvolvimento profissional acessando diferentes recursos com estratégias que favorecem uma reflexão sobre a ação, pois a partir daí o(a) aluno(a) extrai a significação de suas experiências. Esse exercício reflexivo estimula e põe em dúvida algumas certezas e valores já consagrados. A renovação e recriação de conhecimentos provoca o questionamento das velhas posições pessoais e profissionais e das amarras do poder, resultando numa mudança da realidade.

 

A PRÁTICA PROFISSIONAL ENTRELAÇADA AOS PRINCÍPIOS EDUCATIVOS

O Curso de Mestrado em Enfermagem da UFSC, nesta dinâmica pedagógica, provoca o estreitamento das relações entre as instituições formadoras e o mundo do trabalho, através da reflexão dos alunos acerca do processo de trabalho e da realidade social. Conforme explica Schon(10) (2000),o ensino prático-reflexivo possibilita a conexão entre os mundos da educação e do trabalho, onde a prática e a atitude investigativa, o estímulo à curiosidade, passam a ser condição para a realização desse ensino.

Nesta proposta, o significado do processo educativo se amplia e surge como um alicerce, como algo que permeia a formação do profissional e sua relação com a sociedade, pois a educação se evidencia em qualquer contexto, não só nas escolas; é um processo que faz parte do social e por isso não pode ser considerado neutro em seus objetivos.

O neoliberalismo restringe educação à formação - incentivo à certificação, isto é, em seu discurso está embutido que me fazendo melhor técnico, torno-me um melhor cidadão. Contudo além de reconhecermos a importância da competência técnica, precisamos buscar favorecer a reflexão acerca da realidade, assumir uma postura mais crítica e criativa, refletir sobre as questões que estão sendo apresentadas, relacionando os fatos e analisando suas implicações. Namedida em que os alunos articulam o pensar com o fazer, como um processo dialético, eles mobilizam seu potencial criador, refletindo no seu desenvolvimento como sujeito.

Assim estamos fazendo um ato político, vislumbrando possibilidades de mudança. É importante salientar que a competência também não se traduz num saber acumulado,mas na "capacidade de recorrer ao que se sabe, para realizar o que se deseja, o que se projeta." (11:145)

 

REFERÊNCIAS

1. Menezes GAC, Rosa RSD. Práticas educativas em saúde: a Enfermagem revendo conceitos na promoção do autocuidado. REME- Rev.Min.Enf. 2004;8(2):337-40.

2. Programa de Pós Graduação em Enfermagem-PEN. Caderno da Pós-graduação em Enfermagem da UFSC. Florianópolis: UFSC; 1999.

3. Reibnitz KS, Prado ML. Formação do profissional crítico-criativo: a investigação como atitude de (re)conhecimento do mundo. Texto & Contexto Enf. 2003;12(1):26-33.

4. Ramos FRS. O processo de trabalho de educação em saúde. In: Ramos FRS, Verdi MM, Kleba ME. Para pensar o cotidiano: educação em saúde e a práxis da enfermagem. Florianópolis: Ed. UFSC; 1999. p.15-64.

5. Reibnitz KS. Enfermagem: espaço curricular e processo criativo. In: Saupe R. Educação em Enfermagem: da realidade construída a possibilidade em construção. Florianópolis: Editora da UFSC; 1998. p.187-218.

6. Gardner H. Mentes que criam. Porto Alegre: Artes Médicas; 1996.

7. Freire P. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra; 1997.

8. Freire P. Pedagogia da esperança - um reencontro com a pedagogia do oprimido. 4ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra; 1997.

9. Freire P. Política e educação. São Paulo, Cortez; 1993.

10. Schön DA. Educando o profissional reflexivo: um novo design para o ensino e a aprendizagem. Porto Alegre: Artmed; 2000.

11. Machado NJ. Sobre a idéia da competência. In: Perrenoud P, Thurier MG. As competências para o sec. XXI: a formação dos professores e o desafio da avaliação. Porto Alegre: Artmed; 2002. p.137-55.

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