REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume: 16.1

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Pesquisa

Cirurgia ambulatorial pediátrica: um estudo exploratório acerca do impacto da consulta de enfermagem

Pediatric ambulatory surgery: an exploratory study on the impact of nursing visit

Carlos Eduardo Peres SampaioI; Maristela Villarinho de OliveiraII; Vanessa Marques de Medeiros LealIII; Liany Bonilla da Silveira CominoIV; Regina Aurora Trino RomanoV; Antonio Marcos Tosoli Gomes

IEnfermeiro. Doutor em Bioquímica Médica. Professor adjunto do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica da UERJ. Membro do GEPACHS. Orientador da Pesquisa. E-mail: carlosedusampa@ig.com.br. Telefone: (21) 2721-2619/9363-2239
IIEnfermeira. Graduada em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Bolsista 2009-2010/PROATEC/UERJ
IIIEnfermeira. Graduada em Enfermagem pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Bolsista 2008-20009/PROATEC/UERJ
IVEnfermeira. Mestre em Enfermagem. Professora Assistente do Departamento de Enfermagem de Saúde Pública da Faculdade de Enfermagem/UERJ. Responsável pelo Núcleo de Integração Ensino e Serviço da Policlínica Piquet Carneiro/UERJ
VEnfermeira. Mestre em Tecnologias Educacionais nas Ciências da Saúde. Professora Assistente do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica da Faculdade de Enfermagem/UERJ. Diretora do Departamento de Assistência e Ensino em Enfermagem da Policlínica Piquet Carneiro/UERJ
VI
Enfermeiro. Doutor em Enfermagem. Professor adjunto do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica da Faculdade de Enfermagem/UERJ

Endereço para correspondência

Rua Fagundes Varela, 530/901
Ingá, Niterói-RJ. CEP 24.210-520
Telefone: (21) 2721-2619/9363-2239
E-mail: carlosedusampa@ig.com.br

Data de submissão: 01/03/2011
Data de aprovação: 14/02/2012

Resumo

Trata-se de um estudo descritivo e exploratório com abordagem quantitativa, cujos objetivos foram traçar o perfil dos usuários do ambulatório de cirurgia pediátrica, identificar os procedimentos cirúrgicos pediátricos realizados e conhecer os fatores determinantes de suspensão das cirurgias pediátricas correlacionadas com o não atendimento dessas crianças pela consulta de enfermagem. O cenário foi a Unidade de Cirurgia Ambulatorial e a Clínica Cirúrgica Pediátrica de uma Policlínica no Município do Rio de Janeiro. O estudo ocorreu no período de agosto de 2008 a dezembro de 2009. A fonte para a coleta dos dados foi constituída pelos registros institucionais relativos aos atendimentos cirúrgicos a crianças menores de 12 anos, encontrados nos arquivos da clínica cirúrgica e da unidade de cirurgia ambulatorial (prontuário, impresso da consulta de enfermagem), e pelas informações obtidas por meio de telefonemas para a família no pré-eno pós-operatório. O universo do estudo abrangeu 434 crianças. O perfil apresentou predominância de crianças do sexo masculino, na faixa etária entre 4 a 6 anos, submetidos a postectomia e que foram atendidas ou não na consulta de enfermagem. Evidenciou-se que das cirurgias suspensas o maior índice foi de crianças que não foram atendidas pela consulta de enfermagem, cuja ausência não foi justificada pelos responsáveis. Os resultados demonstraram que a consulta de enfermagem tem papel determinante, evitando a suspensão de procedimentos cirúrgicos ambulatoriais. Concluiu-se, também, que a ausência aos procedimentos cirúrgicos de crianças atendidas pela consulta de enfermagem foi por motivos de condições clínicas desfavoráveis da própria criança.

Palavras-chave: Procedimentos Cirúrgicos Ambulatoriais, Cuidados de Enfermagem, Pediatria

 

INTRODUÇÃO

A cirurgia ambulatorial tornou-se uma realidade a partir de 1960, dados os avanços das técnicas cirúrgicas e das drogas anestésicas, que possibilitam recuperação rápida do paciente com mínimas complicações. A cirurgia ambulatorial despontou com o primeiro serviço inaugurado em 1961, no Butter Worth Hospital, em Michigan. No ano seguinte, houve a abertura de unidade semelhante na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, criada por Cohen e Dillon. Esse serviço foi organizado com base em critérios e rotinas bem definidos, desde a admissão até a alta do paciente, pautados por um princípio fundamental: a "segurança".1

A cirurgia ambulatorial é definida como procedimentos cirúrgicos realizados com anestesia geral, local, regional ou sedação, que requerem cuidados pós-operatórios pouco intensivos e de curta duração. Essa modalidade dispensa internação hospitalar por viabilizar a alta em poucas horas após a realização do procedimento.2

As intervenções em unidades ambulatoriais abrangem as cirurgias de pequeno e médio portes, sob efeito de anestesia de diferentes naturezas, tais como amigdalectomia, rinosseptoplastia, tenorrafia e miorrafia, correção de fístula arteriovenosa, postectomia, vasectomia, exérese de nódulo de mama, curetagem uterina, hemorroidectomia, fissurectomia, remoção da vesícula biliar por minilaparotomia e biópsias. Cirurgias pediátricas como herniorrafias, postectomia e orquidopexia também podem ser realizadas nessas unidades.2,3

A implantação de serviços de cirurgia ambulatorial exige seleção criteriosa do paciente, devendo-se considerar alguns fatores como idade, condição física e mental, risco anestésico, atitudes em relação à cirurgia ambulatorial e situação sociofamiliar. Os candidatos a procedimentos sob anestesia podem ser ordenados pela classificação americana de anestesiologia (American Society of Anesthesiologists - ASA), pertencendo à classe I - portadores de processo patológico não sistêmico ou ausência de alterações fisiológicas bioquímicas ou psíquicas; ou classe II - portadores de distúrbio sistêmico de grau leve.4

No Brasil, a alta demanda de portadores de afecções cirúrgicas pode encontrar na cirurgia ambulatorial uma importante maneira de resolução. A cirurgia ambulatorial apresenta diversas vantagens: evita ou diminui o risco de infecção hospitalar; colabora na redução da ansiedade pré-operatória, tanto do paciente como de seus familiares; proporciona retorno mais rápido para o ambiente doméstico e social. Além disso, reduz os custos para o paciente e para a instituição, bem como diminui a fila de espera na rede pública para procedimentos cirúrgicos, deixando-os livre para atendimento de pacientes que exijam cuidados mais complexos.

As ações de enfermagem no bloco de cirurgia em ambulatório são divididas em três fases: a primeira ocorre no ato da marcação da intervenção cirúrgica, quando a identificação das necessidades e a orientação de enfermagem possuem um papel fundamental; a segunda compreende todo o tempo de permanência do paciente no bloco operatório; e a terceira corresponde à orientação e supervisão quanto aos cuidados pós-operatórios.2

Dessa forma, é necessária a avaliação do paciente identificando os aspectos pré-operatórios diferenciados na cirurgia ambulatorial, como a as condições físicas e os exames laboratoriais. Assim, a realização da consulta de enfermagem pré-operatória tornou-se crucial para minimizar os riscos de complicações pós-operatórios e ocorrência de suspensões de cirurgias. A consulta de enfermagem pré-operatória desponta como uma ferramenta importante para minimizar a ansiedade gerada pelo enfrentamento a uma intervenção cirúrgica, uma vez que podem ser identificados sentimentos, expectativas e nível de informação do paciente e familiar sobre o procedimento.

Cabe ressaltar que a consulta de enfermagem está contemplada, como atividade privativa do enfermeiro, na Lei do exercício profissional nº 7.498/86, no seu art. 11, inciso I, alínea i:

"A consulta de enfermagem se dá, rotineiramente, entre o profissional e o cliente, em interação face a face, afirmando com isso que deve-se encarar a consulta de enfermagem não como um simples procedimento técnico, mas como um rico contexto de relacionamento interpessoal".

Pode-se inferir que a consulta de enfermagem, sob a percepção do cliente, no contexto da comunicação interpessoal, é vista de forma positiva e como um importante meio para manter uma relação pessoal e educativa com o cliente.3

A prática de enfermagem perioperatória, no contexto da cirurgia ambulatorial, constitui uma abordagem individualizada, cujo planejamento dos cuidados respeita os componentes físicos, psicológicos, sociais e espirituais de cada paciente. Os cuidados de enfermagem devem ser coerentes com os padrões da prática de enfermagem perioperatória estabelecidos e devem incluir familiares ou outras pessoas significativas durante a experiência cirúrgica.4

O paciente, ao se preparar para a cirurgia, leva consigo expectativas, dúvidas e temores a respeito do que vai acontecer. O ambiente estranho, com pessoas desconhecidas, e as incertezas pela falta de esclarecimento sobre o contexto cirúrgico têm surgido como um relevante indicador da importância da consulta de enfermagem.

No caso de cirurgia pediátrica, a família representa a principal fonte de segurança e de apoio para a criança. A família adequadamente orientada estará em condições para desempenhar seu papel "protetor". Isso propicia o apoio e a segurança de que a criança precisa para enfrentar a experiência de um procedimento cirúrgico, tornando-a mais habilitada para realizar os cuidados pós-operatórios imediatos, bem como de continuar o cuidado após a alta da unidade cirúrgica.5

A ausência de crianças ao procedimento cirúrgico, que não foram atendidas pela consulta de enfermagem, indica que a falta de esclarecimento adequado sobre o contexto cirúrgico pode estar contribuindo para a ausência dessas crianças no centro cirúrgico.

Diante dessa hipótese, optou-se por desenvolver este estudo, cujos objetivos foram traçar o perfil dos usuários do ambulatório de cirurgia pediátrica, identificar os procedimentos cirúrgicos pediátricos realizados e conhecer os fatores determinantes de suspensão das cirurgias pediátricas correlacionadas com o não atendimento dessas crianças pela consulta de enfermagem.

Os resultados deste estudo poderão subsidiar tomadas de decisão e o estabelecimento de protocolos específicos, com o propósito de melhorar cada vez mais a qualidade de assistência prestada à clientela infantil.

 

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo descritivo, exploratório, retrospectivo, com análise quantitativa dos dados. De acordo com Gil,6 as pesquisas descritivas são capazes de descrever as características de determinada população e a relação entre suas variáveis, enquanto as pesquisas exploratórias apresentam a finalidade de desenvolver, esclarecer e modificar ideias.

As pesquisas quantitativo-descritivas propõem a análise das características de fatos ou fenômenos, a avaliação de programas com a finalidade de fornecer dados para a verificação de hipóteses.7

Esta investigação ocorreu no âmbito doprojeto "Cirurgia Ambulatorial: cenário de produção de novas tecnologias e de conhecimento de enfermagem", vinculado ao Programa de Apoio Técnico às Atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão, que envolve a Faculdade da Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e o Departamento de Assistência e Ensino de Enfermagem da Policlínica Piquet Carneiro da UERJ.

O cenário escolhido foi a Unidade de Cirurgia Ambulatorial e a Clínica Cirúrgica Pediátrica de uma Policlínica no Município do Rio de Janeiro, caracterizada como uma unidade de saúde do tipo III, autônoma, especializada e fora do contexto hospitalar. O estudo ocorreu no período de agosto de 2008 a dezembro de 2009. Os critérios de seleção e representatividade da população infantil foram: necessidades cirúrgicas de pequeno e médio portes, de resolução ambulatorial; faixa etária de 2 a 12 anos; atendimento na consulta médica e de enfermagem na Policlínica Piquet Carneiro e aquelas oriundas da consulta médica do ambulatório do Hospital Universitário Pedro Ernesto.

O projeto de pesquisa foi enviado ao Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (CEP/HUPE/UERJ), e aprovado sob o Parecer nº 1760-CEP/UERJ. Foi assegurado o anonimato dos sujeitos, assim como total liberdade de resposta, podendo o participante interromper sua participação a qualquer momento, sem que houvesse qualquer prejuízo, de acordo com a Resolução nº 196/96 CNS/MS.

O levantamento dos dados ocorreu por meio de uma planilha de Excel, contendo nome da criança, a idade, o sexo, o procedimento cirúrgico, se foi atendida ou não na consulta de enfermagem, o motivo de suspensão da cirurgia. A fonte da coleta foi constituída pelos registros institucionais (mapa cirúrgico, prontuário e impressos da consulta de enfermagem), existentes nos arquivos do Ambulatório de Cirurgia Pediátrica, além de informações obtidas por meio de telefonemas para a respectiva família no pré-operatório. O universo estudado totalizou 434 crianças. A estatística descritiva foi utilizada para a análise, entendendo que os procedimentos estatísticos capacitam o pesquisador a reduzir, resumir, organizar, avaliar, interpretar e comunicar a informação numérica.8

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os dados coletados dos mapas cirúrgicos e arquivos das consultas de enfermagem foram consolidados, analisados e apresentados na forma de gráficos e tabelas.

No período (TAB 1), 434 crianças com idade entre 2 a 12 anos, oriundas da PPC e do HUPE, foram submetidas a cirurgia. Houve predominância do sexo masculino com consulta de enfermagem - 222 crianças (51,14%); sem consulta - 114 (26,27%); e da faixa etária de 4 a 6 anos (29,71%). O percentual de crianças atendidas na consulta de enfermagem é significativo, alcançando 222 (51,15%) do sexo masculino e 52 (11,98%) do feminino. Infere-se aqui a observação de que todas as crianças, oriundas do HUPE, chegam sem consulta de enfermagem e são encaminhadas diretamente para o procedimento cirúrgico. Como integram o universo de crianças operadas, essa situação implica elevação do percentual de crianças não atendidas na consulta de enfermagem e, consequentemente, diminui o índice geral do atendimento. Isso se deve à fase inicial de implantação do projeto, que não contemplava o atendimento de enfermagem das crianças oriundas do HUPE.

De acordo com os dados obtidos apresentados no GRÁF.1 acima, é possível notar que, entre os procedimentos cirúrgicos realizados em crianças do sexo masculino, se destacam as cirurgias urológicas e gerais, dentre as quais a postectomia: 213 (59,49%), a herniorrafias inguinal: 60 (16,75%) e 44 (12,29%) umbilical . A evidente prevalência do sexo masculino está vinculada à maior demanda de afecções cirúrgicas que ocorrem em meninos, como postectomia, criptorquidia, orquidopexia e hidrocele,9 e que são atendidos na Policlínica Piquet Carneiro. Verifica-se que a fimose é a afecção cirúrgica mais comum, na especialidade de cirurgia pediátrica, seguida da hérnia inguinal.

 

 

No GRÁF.2 revela-se que, entre os procedimentos realizados em crianças do sexo feminino, a maior incidência é a realização de herniorrafia umbilical 40 (47,05%) e herniorrafia inguinal 25 (29,41%). Como se vê, as meninas são mais submetidas a procedimentos cirúrgicos referentes a hérnias, totalizando 65 (76,45%) cirurgias.A hérnia inguinal é uma das afecções mais comuns em ambos os sexos, sendo predominante em meninas.9

 

 

Os resultados desse estudo mostram que na população estudada houve o predomínio de crianças do sexo masculino que realizaram a consulta de enfermagem. Os procedimentos cirúrgicos mais realizados foram as cirurgias urológicas (postectomia) e gerais (herniorrafias inguinais e umbilicais).

A determinação do perfil das crianças que realizam cirurgias ambulatoriais contribui para o planejamento de uma assistência de enfermagem direcionada ao público infantil, que, dada sua imaturidade, apresenta maior dificuldade em lidar com situações cirúrgicas.

A consulta de enfermagem é decisiva para a implantação da Sistematização da Assistência de Enfermagem, em ambulatório, determinando melhor assistência aos clientes, redução de suspensão de cirurgias e de complicações trans e pós-operatórias. Contribui, também, para a redução das ansiedades vivenciadas no período cirúrgico e favorece a recuperação pós-operatória.

Conforme apresentado no GRÁF.3 acima, a maior incidência de suspensão de cirurgias 67 (63,80%) ocorreu entre crianças que não foram atendidas na consulta de enfermagem. Entre aquelas que foram atendidas pela enfermeira na consulta, o percentual de suspensão foi significativamente inferior: 38 (36.20%).Os resultados demonstram o impacto da consulta de enfermagem na redução de suspensão dos procedimentos cirúrgicos.

 

 

Para o paciente cirúrgico e sua família, o procedimento anestésico cirúrgico é percebido como uma ameaça ou desafio. Por meio da consulta, o enfermeiro tem a oportunidade de oferecer informações, na tentativa de que haja o deslocamento da percepção de ameaça para o enfrentamento necessário e resolução de dificuldades.10 Assim, a percepção e a atuação do enfermeiro relativas a sentimentos de ansiedade da criança e de desinformação dos membros da família favorecem a realização das cirurgias na data marcada e de acordo com todas as condições de segurança requeridas.11

A consulta de enfermagem tem proporcionado aos candidatos à cirurgia ambulatorial pediátrica a oportunidade de sanar suas dúvidas, rever conceitos, minimizar a ansiedade e, principalmente, criar um vínculo de segurança entre profissional, paciente e família. Na consulta de enfermagem são diagnosticados fatores determinantes para a realização/suspensão do procedimento cirúrgico, muitas vezes em tempo hábil, para que o procedimento seja realizado.

No GRÁF.4, verifica-se que dos 105 procedimentos cirúrgicos suspensos, o maior índice dos que foram atendidos pela consulta de enfermagem ocorreu por motivo alheio à vontade do paciente: gripe (15,23%), asma e bronquite (3,8%) e tosse (3,8%). Entre aqueles não atendidos pela enfermeira, o maior percentual foi por falta não justificada do paciente (25,71%). No outro grupo, somente 6 (5,71%) deixaram de comparecer sem justificativa ao serviço no dia da cirurgia. Essa constatação representa o grande diferencial decorrente da realização da consulta de enfermagem, considerado como um indicador positivo de influência na redução de ausência da criança no centro cirúrgico, desmistificando as percepções de medos e anseios das crianças diante do procedimento cirúrgico.12-14

 

 

CONCLUSÃO

A identificação do perfil das crianças que realizam cirurgias ambulatoriais contribui para o planejamento de uma assistência de enfermagem direcionada ao público infantil, que, dada sua imaturidade, apresenta maior dificuldade em lidar com situações cirúrgicas.

Os dados obtidos permitiram evidenciar que houve o predomínio de crianças do sexo masculino e que a maioria das crianças foi atendida na consulta de enfermagem. Os procedimentos cirúrgicos mais frequentes foram cirurgias urológicas (postectomia) e gerais (herniorrafias inguinais e umbilicais). É evidente que a população tem buscado a resolução de problemas cirúrgicos pediátricos de pequeno e médio porte nos serviços ambulatoriais.

A consulta de enfermagem proporcionou um atendimento de qualidade, individualizado e de esclarecimentos sobre o contexto cirúrgico. O preparo adequado e a maior aproximação com as crianças e seus familiares no pré-operatório consistem importante estratégia para minimizar a ansiedade gerada pelo contexto cirúrgico, reduzindo significativamente a ausência das crianças aos procedimentos programados.

 

REFERÊNCIAS

1. Santos JS, Sankarankutty AK, Salgado Jr W, et al. Cirurgia Ambulatorial: do conceito à organização de serviços e seus resultados. Medicina (Ribeirão Preto) 2008;41(3):274-86.

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5. Souza DPT, Peniche ACG, Faro ACM. Necessidades do binômio paciente-família em cirurgia ambulatorial. Rev Sobecc. 2002;7(2):11-21.

6. Gil AC. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5ª ed. São Paulo: Atlas; 1999.

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11. Sampaio CEP, Ventura DSO, Batista IF, Antunes TCS. Sentimentos dos acompanhantes de crianças submetidas a procedimentos cirúrgicos: Vivências no perioperatório. REME - Rev Min Enferm. 2009;13(4):558-64.

12. Souza NVDO, Mauricio VC, Marques LG, Mello CV, Leite GFP. Determinantes para suspensões cirúrgicas em um hospital universitário. REME - Rev Min Enferm. 2010;14(1):82-7.

13. Paschoal MLH, Gatto MAF. Taxa de suspensão de cirurgia em um hospital universitário e os motivos absenteísmo do paciente à cirurgia programada. Rev Latinoam Enferm. 2006;14(1):48-53.

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