REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume: 16.3

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Pesquisa

Perfil sexual de adolescentes universitários de um curso de graduação em enfermagem

Sexual profile of university adolescents of a course of graduation in nursing

Priscila de Souza AquinoI; Francisco Eduardo Viana BritoII

IEnfermeira. Doutora em Enfermagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Professora adjunta da Universidade Federal do Piauí (UFPI). E-mail: priscilapetenf@yahoo.com
IIEnfermeiro graduado pela Universidade Federal do Piauí-PI

Endereço para correspondência

Rua Felinto Rezende nº 621 - centro
Piripiri-PI. CEP 64260-000
E-mail: eduardopiripiri@hotmail.com

Data de submissão: 13/9/2011
Data de aprovação: 13/6/2012

Resumo

Trata-se de um estudo descritivo, transversal, realizado com 79 adolescentes universitários do curso de enfermagem de uma universidade pública do interior do Piauí, no período de agosto a setembro de 2010. O objetivo foi caracterizar os adolescentes universitários quanto aos aspectos sociodemográficos e sexuais. O perfil dos adolescentes investigados foi ser do sexo feminino, solteiro, com renda individual mensal de até um salário mínimo, possuir idade média de 18,4 anos, não possuir filhos e coabitar com os familiares. Quanto aos comportamentos sexuais, verificou-se que a idade média da menarca foi de 12,2 anos e a da coitarca, 16,9. O preservativo foi o método mais difundido entre os adolescentes, seguido do anticoncepcional oral combinado. Dos que iniciaram a vida sexual, mais da metade relatou ter sido planejada. Assim, percebe-se que a implementação da saúde sexual e reprodutiva na adolescência deve ser considerada uma ação prioritária para eliminar os riscos a que os jovens estão propensos.

Palavras-chave: Adolescente; Comportamento Sexual; Enfermagem

 

INTRODUÇÃO

A sexualidade é um tema importante, especialmente no período da adolescência, considerando a relevância social conferida pela ocorrência de gravidez indesejada nessa fase da vida e pela possibilidade de exposição às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e HIV. O conhecimento sobre os métodos contraceptivos (MAC) e os riscos advindos de relações sexuais desprotegidas é fundamental para que os adolescentes possam vivenciar o sexo de maneira adequada e saudável, assegurando a prevenção dos agravos acima mencionados.

A adolescência pode ser definida como o período da vida entre 10 e 19 anos de idade.1 Essa fase da vida humana é compreendida entre a infância e a fase adulta, marcada por um complexo processo de crescimento e desenvolvimento biopsicossocial, sendo influenciada por fatores socioculturais, familiares e pessoais.2

Esse é um importante período do ciclo vital, visto que é nele que se desenvolve grande parte do processo de crescimento e desenvolvimento humano, em que se observa um acentuado amadurecimento corporal, significativas transformações emocionais, a construção de novas relações interpessoais, manifestações de novos sentimentos, atitudes, decisões, resultando na construção de uma identidade própria.3

Embora a sexualidade esteja presente em todas as fases da vida, é entre os adolescentes que se concentram os maiores questionamentos, dúvidas e preocupações. A vivência da sexualidade está diretamente relacionada à forma pela qual os valores e as práticas sociais são percebidas e incorporadas pelos sujeitos, refletindo as diferentes culturas que coexistem nas sociedades.4

O desenvolvimento sexual nesse grupo etário é entendido como meio de emancipação que pressupõe a autonomia de ação nessa fase da vida humana e em nada se assemelha à permissividade. A família, independentemente do modelo, é o lócus de referência para a constituição da subjetividade e da identidade social das crianças e dos adolescentes.5

Muitas vezes, o desenvolvimento da sexualidade nem sempre é acompanhado de um amadurecimento afetivo e cognitivo, o que torna a adolescência uma etapa de extrema vulnerabilidade a riscos, os quais estão muito ligados às características próprias do desenvolvimento psicoemocional dessa fase da vida.6

Os adolescentes que iniciam a atividade sexual precocemente não se encontram preparados para assumir essa responsabilidade, considerando a imaturidade ou a inexperiência nessas questões, falta de acesso a informações, pelas características próprias dessa fase da vida, o que pode resultar em gravidez não planejada, abortos inseguros e aumento dos índices de IST/aids nesse grupo populacional.3

Diante disso, objetivou-se, neste estudo, caracterizar os adolescentes universitários quanto aos aspectos sociodemográficos e sexuais. Percebe-se que investigar o perfil dos adolescentes universitários de um curso de graduação em enfermagem é pertinente, haja vista que informações de saúde, incluindo a saúde sexual e reprodutiva, são fornecidas a eles durante o curso, o que poderia contribuir para uma saudável vida sexual e reprodutiva.

Dessa forma, foi possível identificar se o curso de graduação influencia no processo de iniciação sexual e no uso do preservativo nas relações sexuais, já que lidam com questões de educação em saúde, planejamento familiar e prevenção de gravidez e ISTs.

 

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo descritivo, do tipo transversal, desenvolvido com adolescentes regularmente matriculados em um curso de graduação em enfermagem, do 1º ao 5º período, de uma universidade pública na cidade de Picos - PI.

A população foi composta por 144 adolescentes, dos quais 79 aceitaram participar do estudo. O critério de inclusão consistiu em ser adolescente regularmente matriculado no curso de graduação em enfermagem. Os acadêmicos que se enquadravam no critério de inclusão cursavam até o quinto semestre do referido curso. Utilizou-se um questionário estruturado, contendo dados sociodemográficos e variáveis de comportamento sexual. A validação do questionário foi feita previamente, por meio de um teste piloto que envolveu dez adolescentes com as mesmas características dos sujeitos da pesquisa, porém estes não foram considerados no estudo.

Os dados foram coletados entre agosto e setembro de 2010, em sala de aula, após prévia autorização da instituição de ensino, bem como esclarecimentos verbais e escritos sobre a pesquisa e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) para os participantes. Os dados coletados foram tabulados no programa Microsoft Office Excel 2007 e analisados por meio do Statistical Package for the Social Science (SPSS), versão 17.0.

Todos os cuidados éticos foram adotados visando à integridade e ao bem-estar dos participantes, conforme estabelecido pela Resolução nº 196/96, do Ministério da Saúde. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Piauí (UFPI) sob Protocolo nº 0180.0.045.000-10.

 

RESULTADOS

Os resultados foram apresentados na forma descritiva, segundo as variáveis pesquisadas. A TAB. 1 foi disposta com os dados sociodemográficos dos participantes, como idade, semestre em curso, sexo, renda individual mensal, estado civil, religião, coabitação e existência de filhos.

 

 

A idade dos adolescentes variou de 17 a 19 anos, porém a maior parcela dos jovens - 40 (50,6%) - referiu ter 19 anos, sendo a média de idade desses adolescentes de 18,4 anos. Quanto ao período em que se encontravam no momento da pesquisa, 31 (39,2%) adolescentes referiram estar cursando o primeiro período do curso.

Dos 79 adolescentes, 65 (82,3%) eram do sexo feminino. No que concerne ao estado civil, a maioria era solteira - 74 (93,7%).

Quanto à renda, 15 (79%) adolescentes relataram que recebiam até um salário mínimo. Ressalte-se que poucos responderam a esse item - apenas 19 (25,33%) -, pois tratava-se da renda individual mensal. Sobre a moradia, 42 (53,2%) jovens relataram que estavam morando com a família, enquanto 35 (44,3%) dividiam a moradia com amigos. Quanto ao questionamento de ter filhos ou não, 77 (97,5%) referiram não ter filhos.

Os dados relativos à história sexual dos adolescentes, como idade da menarca (para as mulheres), parceiros sexuais, coitarca, planejamento da relação sexual, utilização de MAC, realização de exame ginecológico (para as mulheres), dentre outras informações, foram dispostas na TAB. 2.

 

 

No que concerne à história sexual desses adolescentes pode-se destacar que apenas 24 (30,4%) possuíam parceiro fixo, dos quais 15 (65,3%) tinham parceiro havia mais de um ano. É importante salientar que nesta pesquisa foi considerado o namoro como um relacionamento fixo, constatado como a principal forma de ligação afetivo-sexual no grupo universitário pesquisado. Das 50 mulheres respondentes quanto à idade da menarca, 45 (90%) relataram ter até 13 anos de idade, com média de idade da menarca de 12,2 anos.

No contexto da iniciação sexual, 44 (55,7%) adolescentes entrevistados disseram que já haviam realizado a primeira relação sexual. Desses, 26 (57,7%) tiveram sua primeira relação planejada, um número ainda baixo quando se observa o risco de gravidez e IST em relações sexuais não planejadas.

Quanto à idade no momento da sua primeira relação sexual, 19 (42,5%) adolescentes referiram ter iniciado sua vida sexual aos 18 anos. Com isso, o intervalo mais prevalente de início da vida sexual foi de 17 a 18 anos - 25 (59,4%). A idade média da iniciação sexual foi de 16,9 anos.

Quando questionados se utilizaram algum método contraceptivo na primeira relação sexual, 43 (97,7%) adolescentes disseram ter usado algum MAC na sexarca. O método majoritariamente escolhido foi o preservativo masculino, referido por 43 (97,7%) adolescentes. Porém, ainda se observaram relatos de métodos não confiáveis na prevenção de gravidez e ISTs, como a coito interrompido e a tabelinha (Ogino-Knaus).

No contexto sobre o número de parceiros na vida, a maioria, 30 (68,2%) adolescentes, referiu ter tido no máximo até 2 parceiros. Ao serem abordados sobre o número de parceiros nos últimos três meses, o resultado não foi diferente, pois 35 (89,7%) relataram ter tido apenas um parceiro, enquanto que 4 (10,3%) tiveram de 2 a 3 parceiros nos últimos meses.

Com relação aos métodos contraceptivos continuamente utilizados pelos adolescentes, foram relatados 53, sendo o preservativo masculino o mais utilizado - 32 (60,3%). Ressalte-se que um respondente poderia referir mais de um método.

 

DISCUSSÃO

A média de idade dos participantes do estudo foi de 18,4 anos, considerada fim da adolescência. Esses dados estão congruentes com estudo realizado com 295 jovens ingressantes de uma universidade de São Paulo, que evidenciou que a maior parcela dos adolescentes - 244 (82,7%) - esteve concentrada na faixa etária dos 18 aos 19 anos.6

Historicamente, o perfil da profissão de enfermagem é feminista. Já na década de 1980 havia predominância de mulheres entre os enfermeiros, correspondendo ao índice de 94,1%.7 Os achados do estudo, dessa forma, estão condizentes com a literatura. Ademais, estudo realizado com 303 estudantes da área de saúde em uma universidade pública cearense mostrou que 66% (200) dos adolescentes eram do sexo feminino, o que demonstra a crescente inserção feminina no mercado de trabalho.8

No concernente ao estado civil, percebeu-se que atualmente os jovens estão adiando cada vez mais o casamento e almejando, primeiramente, a formação profissional, já que 74 (93,7%) entrevistados disseram que estavam solteiros. Em estudo avaliando 952 estudantes universitários no Estado de São Paulo, foi relatado que 907 (95,3%) entrevistados eram solteiros.9 Em outro estudo realizado com 764 estudantes universitários em uma universidade na cidade de Tunja, Colômbia, evidenciou-se que 725 (94,9%) dos entrevistados eram solteiros,10 corroborando os achados desta pesquisa. O fato de serem solteiros pode representar uma vulnerabilidade a relacionamentos sexuais ocasionais ou risco de aquisição de ISTs/aids.

A baixa renda é um fato marcante no Brasil, presente em todas as regiões do país. Ressalte-se que poucos adolescentes responderam a essa questão, que investigava a renda individual mensal, provavelmente dada a ausência de renda própria ou por desconhecimento da renda dos pais.

A minoria dos adolescentes sujeitos à pesquisa demonstrou que trabalhava para completar sua renda, sendo a grande parte dependente da família para se manter na cidade em que residem. Já em estudo realizado na cidade de São Paulo com 295 adolescentes universitários, demonstraram-se que 231 (78,3%) trabalhavam para complementar sua renda e 110 (37,3%) adolescentes ganhavam entre seis e dez salários mínimos,6 distanciando-se dos valores achados neste estudo.

O fato de residirem com família ou amigos é característico de cidades onde existem universidades públicas e há uma grande concentração de estudantes de outras regiões, o que favorece a migração de adolescentes para centros de estudo. Em pesquisa com 363 adolescentes, realizada no Acre, verificou-se que 190 (52,6%) adolescentes coabitavam com os pais, enquanto 66 (18,2%) coabitavam apenas com a figura materna.11 Outro estudo realizado na cidade de São Paulo, com 383 adolescentes, 253 (66,3%) residiam com os pais.12

A gravidez na adolescência é um problema de saúde pública. Os adolescentes estão a cada dia iniciando suas atividades sexuais precocemente e sem nenhuma precaução para prevenir-se contra uma gravidez não planejada ou ISTs/aids. Os motivos pelos quais as adolescentes engravidam são diversos, destacando-se a falta de informação, fatores sociais, falta de acesso a serviços específicos para atender a essa faixa etária, dentre outros. Assim, o início cada vez mais precoce de experiências sexuais e a insegurança do adolescente em utilizar métodos contraceptivos são comuns na adolescência.13

Grande parcela dos sujeitos - 77 (97,5%) - referiu não possuir filhos no momento da pesquisa. Esses dados distanciam-se de outros achados, pois pesquisa realizada com universitários cearenses demonstrou que 20,5% dos entrevistados já haviam engravidado.8 Em outro estudo com 764 estudantes universitários, 126 (16,6%) mulheres já haviam engravidado ao menos uma vez.10

Com relação à religião, o catolicismo foi a mais amplamente difundida neste estudo, confirmando outros estudos em populações semelhantes.6,8

O que se presencia hoje é um dinamismo contínuo de parceiros. Os relacionamentos momentâneos representam uma grande parcela dos relacionamentos atuais de adolescentes, e a figura do parceiro fixo (namorado ou esposo) fica cada vez mais escassa. Neste estudo, constatou-se que poucos possuíam parceiro fixo.

Em estudo realizado na cidade de São Paulo com 952 adolescentes universitários observou-se que 723 (76%) jovens haviam tido algum tipo de relação sexual, dentre os quais 647 (68%) possuíam parceiro fixo.14

A menarca constitui um importante elemento definidor da passagem da infância para a adolescência, independentemente do seu segmento social, caracterizando-se como um dos poucos ritos de passagem que ainda permanece valorizado na sociedade moderna.10 Neste estudo, a média de idade da menarca foi 12,2 anos. Alguns estudos mostram relação entre a menarca precoce e o início da atividade sexual,3 sendo, neste estudo, a média de idade da primeira relação 4,7 anos mais tarde que a menarca.

Estudos apontam que a idade da menarca vem diminuindo cerca de quatro meses a cada década, encontrando-se, atualmente, na faixa etária de 12,5 a 13 anos. A redução da idade da menarca serviria para um despertar mais cedo da sexualidade e, consequentemente, para a possibilidade de experimentar a gravidez em idade cada vez menor.3 Em pesquisa realizada em Cruzeiro do Sul-AC, verificou-se que a idade média da menarca de 363 adolescentes entrevistados foi de 12,5 anos.11

Com a precocidade da menarca e a grande oportunidade para manter relações sexuais, em razão do estilo de vida atual e dos estímulos do meio em que se vive, cada vez mais a iniciação sexual tem ocorrido de forma mais precoce.2

No contexto da iniciação sexual dos adolescentes submetidos a este estudo, uma pequena maioria - 44 (55,7%) - relatou que já havia realizado sua primeira relação sexual. Desses, 18 (42,3%) adolescentes tiveram a iniciação sexual não planejada, número elevado considerando-se os riscos advindos desse tipo de relação.

Em estudo realizado em uma universidade pública paulista, que contou com a participação de 295 ingressantes na graduação, 144 (48,8%) adolescentes universitários já haviam iniciado as atividades sexuais, e percebeu-se que a maioria - 119 (83,2%) - não foi planejada.6 Esses achados confirmaram com os deste estudo, no qual a maioria referiu ter iniciado a vida sexual de forma planejada.

Com base nessas considerações, é necessário que se tenha conhecimento sobre a idade mais frequente da iniciação sexual dos adolescentes, para que ações de promoção da saúde sexual e reprodutiva antes de um relacionamento sejam elaboradas, com a intenção de criar atitudes que reduzam os riscos do sexo desprotegido e promovam o início da vida sexual mais saudável e seguro.2

No referente à sexarca, constatou-se a idade média de iniciação sexual aos 16,9 anos. Em estudo realizado com adolescentes no Estado do Piauí, a maior faixa em que ocorreu a iniciação sexual foi entre 14 e 15 anos de idade.2 Estudos demonstraram que os adolescentes universitários tendem a iniciar a vida sexual próximo ao ingresso na universidade, por volta dos 16 aos 18 anos.8

No contexto da iniciação sexual, deparamo-nos com uma situação essencial: o uso do preservativo. Segundo estudiosos, o uso do preservativo é frequente na primeira relação sexual, entretanto apresenta descontinuidade e negligência, pois a contracepção é cercada de descuidos, erros e esquecimentos.15 Em contrapartida, o fato de usar o preservativo na sexarca aumenta a probabilidade de uso nas demais relações, o que é de extrema importância, pois a continuidade dessa prática no intercurso da vida sexual nos leva a reforçar a necessidade de uma orientação contínua para a saúde sexual.

Neste estudo, o método contraceptivo na primeira relação sexual foi utilizado por 43 (97,7%) adolescentes. O método majoritariamente escolhido foi o preservativo masculino. Esse dado é considerado satisfatório quando comparado aos de outros estudos semelhantes, apesar de se observar relato de uso do método da tabelinha na primeira relação sexual.

Em estudo realizado no Estado do Piauí, em colégios agrícolas, a expressiva maioria fez uso de método anticoncepcional na primeira relação sexual, com um total de 459 (70,4%) homens e 489 (75%) mulheres. O método majoritariamente escolhido pelos adolescentes foi o preservativo, com 100% apontado pelo sexo masculino e 91,6% pelo sexo feminino2.

O uso do preservativo é determinado por fatores não somente de ordem sociocultural, como também de ordem situacional e individual. Ao analisar os fatores que apareceram associados ao uso do preservativo, observase que o pertencimento social e a idade da iniciação sexual exercem forte influência em ambos os sexos.15

A utilização de MAC por parte dos jovens é inconsistente, tendo em vista que o comportamento contraceptivo nessa fase é definido, principalmente, pelo envolvimento afetivo-amoroso. No namoro ou em um relacionamento mais estável, os jovens não sentem necessidade de negociar o uso de preservativos, pois nessa etapa a preocupação está direcionada à prevenção da ocorrência de gravidez. Quando se trata de relacionamentos ocasionais, existe uma tendência em utilizar o preservativo masculino, pois a preocupação é relativa à proteção contra as ISTs/aids.16

A respeito do comportamento sexual e reprodutivo de jovens brasileiros, no público masculino, as principais razões alegadas para a não utilização do método contraceptivo na iniciação sexual são a falta do preservativo na hora da relação sexual, a falta de informação, orientação e o não pensar no assunto. Entre as mulheres, a confiança no parceiro é um dos principais argumentos.17

Os dados deste estudo remetem à reflexão de que os adolescentes entrevistados afirmaram ter iniciado as atividades sexuais, poucos apresentaram parceiros fixos e os achados denotaram que esses adolescentes estão mantendo relações sexuais com parceiros eventuais, o que lhes traz riscos.

 

CONCLUSÃO

Os dados foram esclarecedores e concluiu-se que os adolescentes entrevistados necessitam de ações de educação em saúde para promover a saúde sexual, uma vez que apresentaram riscos de aquisição de ISTs, bem como gravidez não planejada. Apesar de fazerem parte de um grupo populacional distinto, com acesso facilitado a informações de saúde, muitas vezes não adotam comportamentos saudáveis.

Dessa forma, percebe-se que a realidade dos adolescentes da graduação em enfermagem não está distante da realidade dos demais adolescentes, vulneráveis à negociação contínua do preservativo e aos relacionamentos sexuais inseguros.

Conhecer a realidade desses adolescentes é de grande relevância para o direcionamento das ações dos próprios professores ao ministrar as disciplinas voltadas para a saúde sexual, bem como planejar ações de educação em saúde fora do ambiente universitário. Ressalte-se, porém, a necessidade de realização de novos estudos a fim de esclarecer se a realidade encontrada na pesquisa é semelhante à de outros adolescentes universitários de distintas universidades. Outra limitação do estudo refere-se à população de adolescentes, podendo ser expandido aos demais alunos de enfermagem.

 

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