REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

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Enfermagem UFMG

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Volume: 16.4

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Editorial

O ensino da semiologia na graduação em enfermagem

Luiz Carlos Santiago

Pós-Doutor em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. Professor Associado 1 do Departamento de Enfermagem Fundamental da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)

 

Com a definição do currículo mínimo vigente para o Curso de Graduação em Enfermagem, mediante a Portaria MEC nº 1.721 de 15 de dezembro de 1994, a inclusão da disciplina de Semiologia passou a integrar a Área de Fundamentos de Enfermagem, determinando-se, desse modo, a necessidade acadêmica da preparação e da capacitação do enfermeiro no domínio e na habilidade para a realização do exame físico do cliente, constituindose, assim, num elemento a mais no conjunto dos conhecimentos essenciais para a elaboração e a implementação do Processo de Enfermagem.

A realização do exame físico passou a ser uma questão crucial no cotidiano da prática assistencial do enfermeiro, independentemente dos níveis de complexidade e das diferentes manifestações clínicas eventualmente apresentadas pelo cliente. Tornou-se, então, preponderante e imperativo sua inserção no Processo de Ensino-Aprendizagem do graduando de enfermagem.

De posse da plena execução das manobras da observação, inspeção, palpação, percussão e ausculta, o enfermeiro ganha autonomia para os momentos em que interage com o cliente, aumentando, portanto e consideravelmente, seu poder de resolução diante dos agravos do quadro de saúde de seu cliente.

Não obstante os diferentes cenários em que se processam as relações de cuidado entre o enfermeiro e seu cliente - por exemplo, o hospital com seus distintos setores, as unidades básicas de saúde e, porventura, o contexto educacional onde as demandas por informações corretas referentes à prevenção e à promoção do estado de saúde do indivíduo aumentam -, considero a Semiologia uma rica e grande aliada do enfermeiro, à medida que vai sendo incorporada à rotina do seu trabalho.

O ensino da Semiologia direcionado eminentemente aos graduandos de enfermagem apresenta-se como um desafio a mais e como uma tarefa árdua para a rotina dos docentes de enfermagem, no sentido de otimizarem as condições de ensino dos fundamentos teórico-práticos para a correta leitura e a adequada interpretação dos sinais e sintomas evidenciados pelo corpo examinado. Essa leitura implica, dentre outros importantes aspectos, o poder de autoridade sobre o corpo, respeitando-se todas as instâncias ético-deontológicas advindas dessa relação e uma interpretação inteligente e rápida por parte do estudante de enfermagem quando diante das intervenções sobre o cliente. Dela, fundamentalmente, advirão um raciocino crítico e a capacidade de julgamento sobre as ações e condutas primordiais ao cuidado.

As transformações verificadas no mundo pós-moderno, notadamente aquelas decorrentes das demandas do Mercado de Trabalho, têm estabelecido um nível de exigência profissional jamais visto para o trabalho especializado. Esse fenômeno, em vista da prática de enfermagem, é latente. Novos modelos e padrões de excelência são cada vez mais verificados. Protocolos de intervenções são postulados por sociedades de especialistas em enfermagem das mais diversificadas tendências. Nesse sentido, a Semiologia apresenta-se com uma das preocupações relacionadas ao trabalho especializado do enfermeiro. Ou seja, por ser um elemento integrante do Processo de Enfermagem, especificamente durante a etapa do Histórico de Enfermagem, ela não pode ser relegada a um plano inferior daquilo que se deve esperar da atitude do enfermeiro durante sua interação com o cliente.

A hiperespecialização do mundo do trabalho em enfermagem em andamento determina uma relevância à Semiologia nunca antes observada na prática de enfermagem brasileira contemporânea. Logo, traduz-se num momento singular para os docentes que trabalham com esse conteúdo em particular.

A enfermagem contemporânea deve alcançar essa consciência e se apropriar da magnitude desse momento, empenhando-se, ao máximo, na manutenção do status quo adquirido pela incorporação da Semiologia na graduação de seus futuros enfermeiros.

Sabedor da importante missão de destacar a Semiologia na graduação em enfermagem, julgo, portanto, condizente a proposição de uma reflexão sobre seu ensino, desejando, com isso, oferecer contribuições que apontem a preocupação permanente quanto à formação dos enfermeiros que farão a profissão no decorrer do século XXI.

Para tanto, é essencial que a comunidade acadêmica de enfermagem se debruce sobre relevantes questões que digam respeito à estreita relação entre a Semiologia como elemento básico na formação do enfermeiro e suas ações, condutas e intervenções próprias e esperadas quando cuidar de seu cliente.

Finalmente, é imperativo que a comunidade tenha em mente a exata significância da Semiologia, à medida que for capaz de buscar responder a importantes questionamentos sobre sua excelência, tais como: 1. Como é possível compreender a Semiologia como elemento indispensável na formação dos futuros enfermeiros? 2. Quais as vantagens e desvantagens decorrentes da incorporação da Semiologia à graduação em Enfermagem? 3. Quis as complicações sobre a assistência e sobre a autonomia de enfermagem advindas da incorporação da Semiologia no cotidiano da prática profissional do enfermeiro?

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