REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume: 11.3

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Editorial

Desafios para escrever e publicar

Marilia Alves

 

O momento atual coloca enormes desafios tanto para quem escreve quanto para os veículos de divulgação científica, nas diferentes formas. O desenvolvimento acelerado das pesquisas científicas e as exigências dos órgãos de fomento para o desenvolvimento de projetos de pesquisa e dos consumidores tornaram imprescindível o aprimoramento dos veículos de divulgação científica, incorporando novos formatos e mecanismos de avaliação. Além disso, os recursos da informática e a internet têm proporcionado impressionante ampliação das possibilidades de acesso à produção acadêmica.

Escrever é, antes de qualquer coisa, ter idéias. É ver a coerência entre idéias diferentes à luz dos argumentos que apresentamos, testando a pertinência da interpretação da realidade sobre a qual estamos falando, mas, também, é inventar, criar, revelar nossas idéias e associações, permitindo encontrar novos caminhos para a pesquisa. Se uma pesquisa não é publicada, é o mesmo que dizer que ela não aconteceu.

Escrever não é simplesmente transpor o que pensamos para o papel, pois nos obriga a argumentar, o que faz com que exista uma grande diferença entre o pensado e o escrito. A ansiedade presente no ato de escrever revela, em grande parte, a busca do argumento, da precisão para a idéia e da melhor forma para expressar a realidade e o trabalho sobre a qual desejamos escrever. Não raro nos confrontamos com a dificuldade em conceitualizar e avançar e, ao mesmo tempo, manter fidelidade às nossas idéias sobre a realidade ou aos nossos princípios.

Por outro lado, um periódico é responsável pela divulgação do conhecimento científico, mas, também, pela padronização do formato de seu conteúdo, expressa nas instruções aos autores e avaliadores, um trabalho meticuloso que visa à internacionalização do acesso e à divulgação da produção científica. Cada periódico define seu formato tendo como base critérios de cientificidade e regras gerais de normalização. Assim, cada autor deve observar a orientação do periódico para o qual deseja enviar sua produção ao começar a escrever, pois adaptações posteriores implicam exigências que se assemelham ao ato de começar um texto novo.

Os periódicos da área de Enfermagem são considerados um componente importante para a consolidação da área como parte da ciência brasileira. Em geral - e na Enfermagem não é diferente - os periódicos científicos enfrentam contradições e desafios. Nos últimos anos e de forma coletiva, têm passado por transformações no que diz respeito às normas de publicação e à qualidade dos artigos visando atender aos critérios de internacionalização. Torna-se importante ressaltar os grandes esforços feitos para aumentar o número de artigos de qualidade recebidos, aprimorar a avaliação pelos consultores e agilizar a devolução aos autores para as revisões necessárias. Isso é essencial para obtermos um produto final de qualidade e com valor reconhecido internacionalmente, assegurando, ainda, a periodicidade das revistas e sua qualidade. Nesse sentido, os papéis do editor e do diretor de um periódico têm sido fundamental para os avanços alcançados até agora e para as novas estratégias, principalmente considerando as necessidades de publicação nos diversos Programas de Pós-Graduação em Enfermagem. Os pesquisadores devem estar atentos aos consumidores cada vez mais críticos das idéias, dos argumentos, da interpretação da realidade, nos diferentes formatos e técnicas de divulgação adotados pelas revistas de veiculação da pesquisa de forma globalizada.

Enfim, o ato de escrever e o ato de publicar não podem ser vistos isoladamente ou ser considerados tarefas simples. Cada periódico que nos chega em mãos, como consumidores da produção, exigiu uma série de esforços por parte dos pesquisadores, dos avaliadores, dos revisores, dos editores, dos diretores e dos bibliotecários responsáveis pela sua publicação.

 

Marilia Alves

Diretora da Escola de Enfermagem da UFMG

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