REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume: 14.1

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Pesquisa

Contribuição da revista mineira de enfermagem para a difusão do conhecimento em enfermagem

Contributions of the minas gerais nursing magazin to the disclosure of scientific knowledge

Adelaide De Mattia RochaI; Lúcio José VieiraII; Marília AlvesIII; Gislene Pace de Souza SantosIV

IEnfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais. Editora geral da REME
IIEnfermeiro. Doutor em Enfermagem. Professor adjunto da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais. Diretor-executivo da REME
IIIEnfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora titular da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais. Presidente do Conselho Deliberativo da REME
IVAcadêmica de Enfermagem da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais. Bolsista de Iniciação Científica FAPEMIG

Endereço para correspondência

(31) 3409-9876
reme@enf.ufmg.br

Data de submissão: 3/5/2009
Data de aprovação: 7/5/2010

Resumo

Com o objetivo de analisar o perfil da produção científica da Revista Mineira de Enfermagem (REME) no período de 1997 a 2009, com enfoque na importância desse periódico para o desenvolvimento da pesquisa em enfermagem, utilizou-se, nesta pesquisa, o banco de dados da própria REME, produzido no programa EXCEL, e para a compilação, o programa Statistical Package the Social Sciences (SPSS®) versão 13.0. À época da coleta constavam 971 manuscritos no banco de dados. Retirando-se aqueles com dados incompletos, a amostra constou de 887 manuscritos. O tipo de pesquisa, a procedência e o desfecho dela foram considerados como categorias para a análise do ano de submissão do artigo. A REME tem recebido um volume crescente de artigos com predomínio dos referentes a pesquisa (65,2%), em sua maioria tratando de aspecto assistencial e nas áreas enfermagem geral (aspectos da profissão) e enfermagem médico-cirúrgica. Ao relacionar-se a submissão do tipo de pesquisa e o desfecho encontrado, o maior percentual de aprovação foi para pesquisa original (72,6%). A REME recebe estudos das regiões Sudeste (72,5%), Sul (13,2) e Nordeste (9,5%), dentre outros com quantitativo menor. Os dados evidenciam que, embora haja maior número de submissões em determinadas áreas, o quantitativo de artigos aprovados para cada área mostra-se semelhante, sendo possível concluir que a qualidade dos trabalhos por área de conhecimento não apresenta discrepâncias entre si, além de evidenciar a participação de profissionais enfermeiros de outros Estados da federação.

Palavras-chave: Publicações de Divulgação Científica; Eventos Científicos e de Divulgação; Comunicação e Divulgação Científica; Índice de Periódicos; Jornalismo Cient

 

INTRODUÇÃO

Com o intuito de incrementar a disseminação da produção científica em níveis estadual, nacional e internacional, bem como atuar como veículo de qualidade que estimulasse e propiciasse de forma ágil o processo de divulgação da produção científica em enfermagem e áreas correlatas, a Revista Mineira de Enfermagem (REME), da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais, foi criada em março de 1996, tendo sido oficialmente lançada no 49º Congresso Brasileiro de Enfermagem, ocorrido em Belo Horizonte, em 1997.1

A REME passou por vários processos de aprimoramento e adequação, visando à qualidade necessária ao desenvolvimento da enfermagem e também ao cumprimento das exigências para a indexação desse periódico em bases de dados internacionais.2

A revista tem periodicidade trimestral e está filiada à Associação Brasileira de Editores Científicos (ABEC). Atualmente, adota a metodologia Scientific Eletronic Library Online (SciELO) e passou a ser disponibilizada na internet como texto completo por meio do Portal de Revistas Eletrônicas da Enfermagem da Biblioteca Virtual de Saúde Enfermagem (BVS Enfermagem), mediante o projeto de reestruturação da REME em 2009, tendo como perspectiva ser integrada a essa base de dados. Ressalte-se que houve tentativas anteriores de utilização da metodologia SciELO, mas sua consolidação se deu somente em 2009.

Atualmente a revista disponibiliza, em média, 18 artigos por fascículo, mantém sua periodicidade e encontra-se indexada nas bases Base de Dados em Enfermagem (BDENF)/BIREME-OPAS/OMS), Cumulative Index Nursing Allied Health Literature (CINAHL), Base de Dados de Enfermería en Espanhol (CUIDEN), Fundación Índex (LATINDEX), Centro Latino-Americano e do Caribe de Informações em Ciências da Saúde (LILACS) e Portal de Revistas de Enfermagem (REV@ENF) - Metodologia Scielo/Bireme (OPAS/OMS), além de estar disponível em formato eletrônico nos sites www.enf.ufmg.br e http://www.periodicos.capes.gov.br/portugues.

Com o aumento do quantitativo de manuscritos submetidos à revista, atualmente é possível selecionar e apresentar cada exemplar com 18 artigos no mínimo, fato que representa o resultado dos esforços dos editores e colaboradores da revista desde a sua criação, que à época contava com 12 ou 13 artigos, no máximo, por publicação.2

O objetivo com este estudo é analisar o perfil da produção científica da REME no período de 1997 a 2009, com enfoque na importância desse periódico para o desenvolvimento da pesquisa e sua interface com a extensão, a assistência, o ensino (graduação e pós-graduação) e o reconhecimento pelos pares como veículo de divulgação científica de importância na área da saúde e da enfermagem.

 

METODOLOGIA

Ao iniciar-se este estudo, foram consultadas as bases de dados disponíveis para identificar pesquisadores que haviam explicitado informações sobre periódicos de enfermagem em seus textos, suas características, tipos de estudos apresentados, temas prioritariamente abordados pelos pesquisadores enfermeiros, dentre outros, no sentido de localizar a REME no panorama de construção e divulgação do conhecimento em enfermagem.

Nesse sentido, não se pode deixar de destacar o trabalho de livre-docência de 1989 abordando a Pesquisa em enfermagem: impacto na prática, um tema que permeia na atualidade os currículos de graduação e pós-graduação, que é o papel social do saber em enfermagem e em saúde aliado à prática profissional.3

Foram identificados diversos estudos sobre a divulgação em enfermagem, alguns tratando de trabalhos apresentados em eventos científicos, anais de eventos e temas relacionados. Optou-se por selecionar estudos que tratassem especificamente dos processos de divulgação científica de enfermagem e a avaliação da qualidade dos textos disponibilizados e dos periódicos indexados. Nesse sentido, foram selecionados, especificamente, periódicos científicos de enfermagem brasileira contemplando artigos sobre o tema e alguns editoriais, além de uma tese de livre-docência e os registros da própria REME. Houve alguma dificuldade em localizar nos Descritores de Ciências da Saúde (DECS) aqueles que respondessem ao objetivo proposto. Dessa forma, foram utilizados os que sugeriram melhor adequação, sem a pretensão de ter esgotado todas as possibilidades para o assunto (publicações de divulgação científica, eventos científicos e de divulgação, comunicação e divulgação científica, índice de periódicos, jornalismo científico, editoração e enfermagem).

Os estudos que mais se adequaram aos objetivos propostos foram obtidos nos periódicos que mais especificamente destacaram o tema, como a Revista Latino-Americana de Enfermagem, a Revista Brasileira de Enfermagem e a Revista Mineira de Enfermagem, que nos artigos publicados traçaram um panorama histórico importante sobre o número de pesquisadores e o tipo de publicação.4-6 Além dessas, a divulgação em eventos4,6,7; a produção do conhecimento no Brasil ligada ao crescimento da pós-graduação4,8; a importância da indexação em nível internacional dos periódicos de enfermagem brasileiros5,6; a importância do impacto da produção científica da enfermagem ao ser indexada no Institute for Scientific Information (ISI);8 a importância de a enfermagem participar das agências de fomento no sentido de incrementar a produção e publicação;9 a Área de Enfermagem da CAPES privilegiando a formação de pesquisadores/cientistas no perfil de Doutor em Enfermagem com competências/aptidões e o domínio dos instrumentos e do processo de divulgação/socialização do conhecimento em periódicos altamente qualificados;10 a necessidade de revisão de manuscritos e a melhoria da qualidade da avaliação; a revisão por pares no processo de publicação de um periódico como processo pedagógico construtivo na detecção e descrição de potencialidades e fragilidades apresentadas nos textos, oferecendo aos pesquisadores a oportunidade de reconhecerem, estimularem e apoiarem a pesquisa inovadora;11 os pontos importantes a serem considerados em uma publicação científica;12 o caminho a ser percorrido para a indexação em bases de dados internacionais.13

Nesse sentido, buscou-se identificar na produção da REME, desde a sua criação, as potencialidades e fragilidades da revista, com a finalidade de cumprir a meta de divulgar produção com qualidade científica e utilidade para os profissionais e para a população que atendem.

Este é um estudo descritivo e retrospectivo, no qual são analisados todos os artigos submetidos à Revista Mineira de Enfermagem desde a sua criação, em março de 1996, até setembro de 2009. No período da coleta, o banco de dados da REME registrava 971 artigos, entretanto 84 deles encontravam-se incompletos, por esse motivo foram descartados. Esses artigos correspondem ao período de 1999 a 2002. Assim a amostra foi composta por 887 artigos (91,3% desse total submetido à REME no período).

Para a coleta, utilizou-se o banco de dados da revista, no qual constam todas as informações referentes a cada artigo, e algumas informações foram obtidas diretamente nos artigos arquivados na sede do periódico.

As variáveis de interesse foram: ano de submissão do artigo; o tipo de pesquisa, que contou com os subtipos: pesquisa, revisão teórica, relato de experiência, reflexivo, outros e ignorado; a procedência; o desfecho, que foi categorizado como: aprovado, recusado, retirado, encerrado, em análise e ignorado.

Além da variável "Área da enfermagem", utilizou-se a subdivisão do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (enfermagem geral, enfermagem médico-cirúgica, enfermagem pediátrica, enfermagem obstétrica, enfermagem psiquiátrica, enfermagem saúde pública e enfermagem doenças contagiosas).

A categorização em subáreas da enfermagem foi realizada com base no título dos artigos. Assim, aqueles cujo título relacionava-se à história da enfermagem, formação em enfermagem, aspectos intrínsecos à atividade do enfermeiro (gerência, educação, assistência, pesquisa), eram alocados na subárea "Enfermagem." Aqueles cujo título tratava-se da atuação do enfermeiro no âmbito hospitalar em patologias agudas ou crônicas não contagiosas, eram alocados na subárea "Enfermagem médico-cirúrgica". Os manuscritos e artigos que abordavam aspectos relacionados à gestação, à maternidade e a períodos de pré-natal, parto, pós-parto e puerpério, foram categorizados como "Enfermagem obstétrica"; os títulos que se referiam desde o neonato até o adolescente foram categorizados como "Enfermagem pediátrica". Os artigos que se referiam à saúde mental foram alocados na subárea "Enfermagem psiquiátrica"; aqueles que abordavam temas como educação em saúde, Programa de Saúde da Família (PSF), Unidades Básicas de Saúde e Atenção Primária foram categorizados na subárea "Enfermagem saúde pública". Por fim, os artigos referentes às doenças contagiosas constituíram a subárea "Enfermagem doenças contagiosas".

A compilação dos dados foi realizada por meio do programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS®) versão 13.0, para o qual foi importado o banco de dados da própria REME, produzido no programa EXCEL, gerando as tabelas e gráficos que compõem o estudo. A análise se deu mediante o cruzamento, o cálculo de frequência simples dessas variáveis e cruzamentos estatísticos.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A distribuição dos 887 artigos na série histórica estudada demonstrou que a REME tem recebido um volume crescente de artigos, ressalvando-se o ano de 1999, quando ocorreu uma grande reestruturação na revista (TAB. 1)

 

 

O aumento do quantitativo de manuscritos submetidos evidencia maior aceitação da REME como importante veículo de divulgação em enfermagem, o que lhe confere credibilidade científica. O período entre 2000 e 2002 foi um momento difícil para a revista, que refletiu na indisponibilidade de dados confiáveis para análise, o que nos levou a eliminar os manuscritos submetidos nesse período. Há que considerar as várias bases de dados em que está indexada e o fato de ter sido classificada como Qualis B2 para a área de Enfermagem da CAPES, a partir de 2007, sendo que sua classificação anterior era Internacional C. Essa credibilidade nos remete à importância da divulgação internacional e à qualidade dos periódicos e artigos publicados, tema amplamente discutido por outros autores.5,6,9-13

Nota-se na TAB. 2, em primeiro lugar, o predomínio de resultados de pesquisa (65,2%); em segundo, destacam-se os artigos de revisão teórica (20%); e, em terceiro, relatos de experiência (7,2%). De forma incipiente encontram-se os reflexivos, representando 5,7% do total.

 

 

Nesse sentido, torna-se importante destacar a priorização da revista em publicar artigos originais oriundos de pesquisa, buscando manter em torno de 80% os artigos publicados, por número, nessa categoria. Essa meta se destina à avaliação da revista para indexação em bases de dados internacionais e acesso a agências de fomento.5,6,10,11

De acordo com a TAB. 3, quanto à distribuição dos manuscritos submetidos a esse periódico, observa-se que as áreas enfermagem geral e enfermagem médico-cirúrgica se destacam dentre todos os tipos de pesquisa analisados. Essa tendência relacionada à área assistencial nas pesquisas em enfermagem foi destacada por diversos autores, ao analisarem outros periódicos e outros tipos de divulgação.4,7

Foi possível verificar que 34% das submissões foram da área da enfermagem geral e 26% da área enfermagem médico-cirúrgica, reafirmando uma tendência da produção cientifica da enfermagem. Os estudos referentes às áreas da enfermagem obstétrica, pediátrica e saúde pública figuram em valores relativamente semelhantes, totalizando 31%. As áreas de menor concentração foram enfermagem psiquiátrica e doenças contagiosas, que representam 6% e 3% respectivamente (GRAF. 1). A área assistencial tem se mostrado prevalente na maioria das pesquisas realizadas sobre periódicos de enfermagem.4,7

 

 

Pesquisadoras que analisaram estudos realizados por enfermeiros sobre a produção na região Nordeste, publicados em 1993, identificaram, à época, 825 trabalhos, sendo 542 (65,7%) divulgados apenas em eventos científico-culturais. Nesse estudo, a área temática predominante foi a assistencial, com 313 (57,7%) trabalhos. Por ordem de frequência, seguem-se a área profissional, com 119 (22,0%); a de ensino, com 49 (9,1%); a administrativa, com 33 (6,1%); e a de reflexões teóricas, com 28 (5,1%).7

Ao relacionar-se a submissão do tipo de pesquisa e o desfecho encontrado, chegou-se a um resultado no qual o maior percentual de aprovação foi o de pesquisa original (72,6%), seguido da revisão teórica (15,4%), relato de experiência (5,9%) e reflexivo (4,9%), respectivamente (TAB.4). Esse dado corrobora as propostas das bases de dados de indexação de periódicos que privilegiam artigos originais,5,13 e, ainda, que os manuscritos decorrentes de pesquisas passam por processos mais sistematizados de elaboração e se encontram em melhores condições de publicação.

A análise quanto à procedência dos artigos demonstrou a tendência já expressa por outros autores, ou seja, a maior concentração da produção na região Sudeste,4 com ênfase específica na região de São Paulo, pelo maior número de pesquisadores com bolsa de produtividade científica pelo CNPq (TAB. 5).5

 

 

No entanto, torna-se importante ressaltar que a distribuição geográfica da produção científica em enfermagem não é uniforme no Brasil e corresponde à localização dos cursos de pós-graduação.14 Neste estudo, encontrou-se maior submissão de manuscritos da região Sudeste (72,5%), seguida da Sul (13,2) e da Nordeste (9,5%), dentre outros com quantitativos menores (TAB. 5).

Embora prevaleça a maioria de submissões da região Sudeste, não se pode deixar de registrar que a REME se localiza nessa região, o que pode ser um fator facilitador no acesso ao periódico. Entretanto há crescente procura oriunda de outras regiões brasileiras, o que nos permite afirmar que a revista está atingindo o objetivo de ampliar seus horizontes de divulgação da produção científica da enfermagem brasileira.

Nesse sentido, segue-se TAB. 6, mostrando os Estados de procedência dos artigos e também o percentual de aceite desse material. Algumas regiões/Estados antes consideradas menos privilegiadas conquistam aprovação semelhante de seus trabalhos. Esse dado nos leva a crer na melhoria da qualidade da produção científica dos enfermeiros no território nacional.

Observa-se que a revista recebeu manuscritos de 22 Estados brasileiros, embora com predominância de Minas Gerais e de Estados com maior tradição em pesquisa e Programas de Pós-Graduação. Ressalte-se que a REME é editada em parceria com outras escolas de Enfermagem do Estado de Minas Gerais, o que pode aumentar sua visibilidade regional, mas esforços estão sendo feitos no sentido de aumentar sua capilaridade em outras regiões para divulgar o aumento da produção cientifica da enfermagem.

A distribuição dos artigos aprovados por região guarda certa proporção com os artigos aprovados e publicados por Estado. Ressalte-se a participação de todas as regiões, embora em proporções diferentes, o que reflete o conhecimento e o reconhecimento da revista, ampliando as perspectivas de um periódico nacional (TAB. 7).

 

 

Esses dados demonstram que, embora haja maior número de submissões em determinadas áreas, o quantitativo de artigos aprovados para cada área é semelhante, sendo possível concluir que a qualidade dos trabalhos por área de conhecimento não apresenta grandes discrepâncias (TAB. 8).

 

 

Optou-se por reproduzir na íntegra a fala de Barreira8, de 1993, dada a importância e atualidade da sua argumentação em face dos dados destacados:

A contribuição dessa produção científica para o encaminhamento das questões em enfermagem tem sido bastante questionada. É baixa a difusão dos trabalhos produzidos, devido a problemas editoriais de distribuição e de consumo dessa literatura. Assim, a produção de pesquisas em enfermagem tem sido insuficientemente aproveitada, mesmo no ensino de pós-graduação e no seu aproveitamento nos cursos de graduação é mais problemático. Na área de serviço, seu desconhecimento é maior, até mesmo pelo fato de que a maioria desses trabalhos é de autoria de professoras de enfermagem. O fenômeno da formação de uma elite intelectual no âmbito da pósgraduação mais se acentua com a criação dos cursos de doutorado, a partir de 1980, em contraste com a qualidade da assistência de enfermagem em geral, que por vezes apresenta padrões inaceitáveis.8

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Revista Mineira de Enfermagem tem recebido um volume crescente de manuscritos, predominando a submissão de resultados de pesquisa (65,2%) que, em sua maioria, está relacionada a estudos sobre a profissão e a área assistencial, principalmente a de enfermagem médico-cirúrgica. Ao relacionar-se a submissão por tipo de pesquisa e o desfecho encontrado, foi possível verificar que o maior percentual de aprovação foi da pesquisa original (72,6%). A tendência observada nos periódicos de enfermagem mais bem conceituados tem sido de priorizar a pesquisa como critério de qualidade da divulgação cientifica.

Em relação à procedência dos manuscritos, em primeiro lugar posiciona-se a região Sudeste (72,5%), seguida das regiões Sul (13,2) e Nordeste (9,5%), e outros com menor expressão em termos quantitativos. Embora haja maior número de submissões nas áreas de enfermagem geral e enfermagem médico-cirúrgica, o percentual de aprovação é semelhante para as áreas, considerando-se o número de manuscritos submetidos.

A Revista Mineira de Enfermagem, em sua evolução histórica, teve momentos de grandes dificuldades de manutenção em vários aspectos, mas, com as várias reformulações, ganhou concretude e se tornou conhecida, haja vista o número crescente de manuscritos submetidos. A perspectiva de crescimento e de melhoria de indexação e mensuração do nível institucionalização da revista, o processo de avaliação dos manuscritos, a periodicidade e o crescente número de pesquisadores que demandam revistas para a divulgação de sua produção, incluindo a ampliação dos programas de pós-graduação.

Nesse sentido, a REME tem feito vários investimentos, visando a novos patamares de qualidade, por meio de novas bases de indexação e sua manutenção por meio de projetos encaminhados a agências de fomento, com a expectativa institucional de ampliação da revista como periódico de excelência.

 

REFERÊNCIAS

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