REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume: 18.2 DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/1415-2762.20140020

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Editorial

Atenção domiciliar: oportunidades e desafio para a enfermagem

Home health care and nursing: challenges and opportunities

Roseni Rosângela de Sena

 

A Revista Mineira de Enfermagem (REME) é um grande produto da Escola de Enfermagem da UFMG. Seu crescimento tem sido contínuo, com o esforço de seus dirigentes e do corpo técnico, que sustentam o trabalho cotidiano de consolidar a REME. Vocês merecem o nosso reconhecimento.

Aproveito a oportunidade de escrever este Editorial para expressar a experiência do Núcleo de Pesquisa sobre o Ensino e Prática da Enfermagem (NUPEPE). O núcleo foi criado há 18 anos na Escola de Enfermagem da UFMG, com registro no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O NUPEPE desenvolve pesquisas em três grandes eixos: Educação de Enfermagem e Saúde; Modelos Assistenciais; e Promoção da Saúde. No eixo de Modelos Assistenciais temos como prioridade estudar a Atenção Domiciliar nas suas diferentes expressões e modalidades de cuidado.

Nossa primeira pesquisa sobre o tema foi realizada no período de 1998 a 2000, na modalidade de internação, que naquele momento era uma prática inovadora no âmbito dos serviços públicos de saúde. A possibilidade do cuidado domiciliar foi analisada como uma proposta que deveria ser integrada ao modelo assistencial e orientada pelos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). Na época, atenção domiciliar tinha pouca oferta como modalidade de prestação de serviços no Brasil e não estava incluída como política pública, sequer havia regulamentação especifica do Ministério da Saúde.

Nosso interesse esteve voltado para a análise dos dados da população brasileira, reconhecendo-se um rápido processo de transição demográfica, acompanhado da transição epidemiológica.

O envelhecimento e suas repercussões no modo de vida das pessoas, especialmente na dependência para as atividades de vida diária, passou a exigir um novo olhar dos serviços de saúde e de assistência social. Associava-se ao aumento da esperança de vida o aumento das doenças crônicas e degenerativas com comprometimento da qualidade de vida das pessoas, reforçando a premência de novas modalidades de cuidado.

Nesse contexto, vale ressaltar também as consequências para as famílias que, historicamente, assumiram o cuidado das pessoas doentes no domicílio, mas que passaram a lidar com situações mais complexas. Todas essas questões conformavam uma nova agenda de saúde no país com a qual a enfermagem deveria se ocupar e ampliar seu espaço de atuação.

Desde as primeiras pesquisas do NUPEPE, os resultados têm demonstrado as oportunidades, os benefícios e os desafios do cuidado no domicílio.

Importante ressaltar que o cuidado no domicílio amplia oportunidades de atenção aos idosos e de continuidade do cuidado às crianças, jovens e adultos em condições de cronicidade. Revela também a oportunidade de um novo modo de pensar e fazer no domicílio, que os profissionais encontram para revelar novas práticas e novas formas de cuidar, mais autonomizadoras, mais cuidadoras e mais humanizadas.

O Sistema de Saúde tem também a oportunidade de responder às novas demandas provocadas pelas condições de saúde da população, com a oferta no espaço do domicílio de cuidado de qualidade e com redução de gastos. Uma das justificativas para o cuidado no domicílio é a redução do custo com as internações, controle de infecção e disponibilização de leitos hospitalares.

Entre os benefícios aprendidos com as pesquisas, destacam-se a permanência da pessoa no ambiente domiciliar como espaço de relações conhecidas, reduzido risco de infecção, possibilidade de adaptação do ambiente às necessidades e condições da pessoa cuidada e da própria família.

Também temos aprendido sobre os desafios, destacando-se os relacionados à necessidade de educação permanente para os profissionais que compõem as equipes, dos cuidadores informais e da adaptação no domicílio para atender ao cuidado de qualidade.

Outro desafio é o custo do cuidado no domicílio para o Sistema de Saúde e para as famílias. As pesquisas têm revelado, ainda, que o cuidado no domicílio apresenta-se em muitas modalidades de oferta com uma quase inexistente mensuração do custo. Quanto existente, a mensuração não tem sido capaz de captar todas as dimensões do custo do cuidado: para a família, para o cuidador e para os serviços públicos e privados.

É importante destacar o reconhecimento da trajetória da atenção domiciliar da invisibilidade até o reconhecimento e a definição da Política Nacional de Atenção Domiciliar. Publicada em 2011, a política tem se revelado uma criação de programas de atenção domiciliar em diversos municípios. As pesquisas têm mostrado, também, que a expansão da oferta dos programas é crescente e qualificada. Os resultados demonstram o crescimento da oferta de assistência domiciliar na saúde suplementar.

Os resultados das pesquisas informam que a enfermagem desempenha importante papel na atenção domiciliar, tendo assumido o gerenciamento dos casos, a condução dos planos terapêuticos, a realização dos cuidados e o apoio ao usuário, aos familiares, aos demais profissionais e aos cuidadores. Com isso, a enfermagem, em especial a enfermeira, ocupa lugar de destaque na gestão dos serviços e do cuidado tanto nos serviços públicos quanto nos serviços privados.

O avanço dos estudos na área tem permitido a participação de integrantes do grupo de pesquisa em espaços de discussão política e técnico-científica nacional e regional.

Aproveito para colocar os resultados das pesquisas e o NUPEPE à disposição de todos para compartilhar a nossa experiência e os conhecimentos aprendidos.

 

Roseni Rosângela de Sena

Doutora em Enfermagem e Professora Emérita de Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais.

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