REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
Periodicidade Continuada

Enfermagem UFMG

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Volume: 18.3 DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/1415-2762.20140049

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Pesquisa

Critérios para aquisição, conservação e descarte de colchões em instituições de saúde

Criterion for acquisition, preservation and disposal of mattresses in health institutions

Gislene Aparecida Xavier dos Reis1; Mariana Angela Rossaneis2; Maria do Carmo Lourenço Haddad3; Renata Aparecida Belei4

1. Enfermeira. Universidade Estadual de Londrina - UEL. Londrina, PR - Brasil
2. Enfermeira. Professora do Departamento de Enfermagem da UEL. Londrina, PR - Brasil
3. Enfermeira. Doutora. Professora do Departamento de Enfermagem da UEL. Londrina, PR - Brasil
4. Enfermeira. Coordenadora de Enfermagem da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar. UEL. Londrina, PR - Brasil

Endereço para correspondência

Gislene Aparecida Xavier dos Reis
E-mail: gislenereis@ymail.com

Submetido em: 24/04/2014
Aprovado em: 29/07/2014

Resumo

Estudo quantitativo, descritivo que teve como objetivo identificar os critérios para aquisição, conservação e descarte de colchões utilizados em hospitais e instituições de longa permanência para idosos. Participaram do estudo 11 hospitais e sete instituições de longa permanência para idosos. Os dados foram obtidos por meio de questionário com questões objetivas referentes à caracterização da instituição, à aquisição, à conservação e ao descarte de colchões, que foi respondido por profissionais de saúde. A maioria das instituições adquiriu colchões por meio de compra direta do fornecedor (72%) e realizava avaliação periódica da integridade do colchão e do seu revestimento (94%) durante a higienização concorrente da unidade do paciente. Quanto ao destino final dos colchões, 11% dos hospitais descartavam em resíduo contaminado e 11% em resíduo comum; já nas instituições de longa permanência para idosos, 17% armazenavam os colchões na própria instituição, 17% realizavam doação e 17% tinham os colchões recolhidos e descartados por serviços terceirizados. Os participantes do estudo expressaram dificuldade e desconhecimento quanto à manutenção e descarte dos colchões, portanto, é pertinente que órgãos reguladores instituam normas específicas para o controle desse dispositivo médico-hospitalar.

Palavras-chave: Enfermagem; Gerenciamento de Resíduos; Meio Ambiente; Instituição de Longa Permanência para Idosos; Serviços Hospitalares.

 

INTRODUÇÃO

O ambiente de internação pode contribuir para a transmissão de microrganismos patogênicos, abrigando-os nas superfícies das mobílias próximas do paciente. A literatura destaca alguns objetos importantes para a disseminação de bactérias, como colchões, travesseiros, pisos, maçanetas, cadeiras, entre outros.1

Entre os fômites, o colchão apresenta contato mais íntimo com o paciente. O colchão é definido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas como um bem de consumo durável, com o objetivo de proporcionar o repouso humano.2 Entretanto, estudos revelam que esse dispositivo médico-hospitalar possui alto potencial para abrigar e disseminar patógenos.3,4

Nesse contexto, evidencia-se a importância de uma rotina de limpeza e desinfecção das superfícies dos colchões de forma a reduzir e destruir os microrganismos, além de outros cuidados como: mantê-lo revestido e verificar regularmente a integridade do mesmo e do revestimento, pois a existência de danos no revestimento dos colchões facilita a passagem de microrganismos patogênicos para o seu interior, a qual pode constituir um fator de transmissão de doenças infecciosas.5

A Norma Regulamentadora nº 32 que institui diretrizes para a segurança e saúde no trabalho em estabelecimentos de assistência à saúde estabelece que "os colchões devem ser revestidos de material lavável e impermeável, permitindo desinfecção e fácil higienização"6 e que os revestimentos "não podem apresentar solução de continuidade, furos, rasgos, sulcos ou reentrâncias".7 No entanto, não regulamenta a periodicidade de substituição do colchão, rotinas de inspeção e de descarte adequado.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), os resíduos dos serviços de saúde são classificados nos seguintes grupos: A – potencialmente infectante; B – químico; C – radioativo; D – comum; E – perfurocortante.8 Entretanto, não há especificação da categoria à qual o colchão pertence, interferindo no destino final desse dispositivo médico-hospitalar, criando um desafio para as empresas responsáveis pelo recolhimento e eliminação desse produto.

Os colchões constituem uma grande preocupação para os gestores dos serviços de saúde, uma vez que o seu descarte produz grande volume de resíduos e não há legislação específica que regulamente o seu uso, bem como são elevados os custos para substituição desse dispositivo médico-hospitalar.

Assim, pela reduzida publicação científica relacionada a essa temática e dada a importância em identificar estratégias que favoreçam o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde com menos impacto ao meio ambiente, considera-se relevante à realização deste estudo, que teve como objetivo identificar os critérios para aquisição, conservação e descarte de colchões utilizados em hospitais e instituições de longa permanência para idosos (ILPI).

 

MÉTODOS

Estudo quantitativo, descritivo realizado em hospitais e instituições de longa permanência para idosos, localizados em um município do norte do Paraná.

Os critérios de inclusão para a seleção dos serviços de saúde participantes do estudo foram: possuir leitos de internação e cadastro na Secretária de Saúde do Município e/ou no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES/DATASUS). No total, 19 hospitais e 11 ILPIs se adequavam aos critérios de inclusão, porém 11 hospitais e sete ILPIs aceitaram participar do estudo. Os sujeitos do estudo foram profissionais diretamente relacionados ao gerenciamento de colchões, podendo ser o diretor da instituição ou um profissional indicado.

O questionário de coleta de dados foi construído pelos autores. O mesmo era composto de 21 questões objetivas. Destas, duas eram referentes à caracterização da instituição (natureza e número de leitos); quatro à aquisição (modalidade de compra; periodicidade de compra; escolha da composição do colchão; motivo da escolha da composição); 11 à conservação (se a avaliação da integridade do colchão e do revestimento ocorre durante higienização concorrente; terminal; arrumação do leito ou rotina específica; periodicidade de avaliação do colchão e do revestimento; se a instituição utiliza revestimento; material do revestimento; motivo da escolha do revestimento; profissional que realiza a avaliação; se a rotina de higienização foi realizada pela instituição; ou se seguia as normas da Vigilância Sanitária; os produtos utilizados durante a higienização dos colchões e do revestimento) e quatro ao descarte (se a instituição realiza a substituição do revestimento; em quais situações ocorre a substituição do colchão; periodicidade da substituição; e o destino daqueles sem condições de uso). Salienta-se que poderia ser assinalada mais de uma opção para as questões referentes à aquisição, conservação e descarte dos colchões.

Em conformidade com a Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, que regulamenta pesquisas envolvendo seres humanos, foi solicitada autorização prévia aos diretores dos hospitais e das ILPs que se adequavam aos critérios de inclusão. Após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa, sob o Parecer nº 16.541, CAAE nº 0390.7712.1.0000.5231, foi agendada entrevista previamente, por telefone ou pessoalmente com o respondente, de acordo com a disponibilidade de cada participante. Nesse contato prévio foram explicitados o objetivo do estudo, o questionário para a coleta de dados e as implicações éticas.

No momento da coleta de dados, os sujeitos foram reinformados sobre o estudo e esclarecidas as dúvidas. Após isso, foram solicitadas ao participante a leitura e assinatura no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) em duas vias. Destas, uma foi entregue ao respondente e a outra ficou sob a posse do pesquisador.

Os dados foram coletados no período de outubro de 2012 a fevereiro de 2013. A análise estatística dos dados foi realizada no programa Microsoft Excel 2012® segundo o cálculo de frequência absoluta e porcentagem simples.

 

RESULTADOS

A população do estudo foi constituída de 11 instituições hospitalares e sete ILPIs, sendo 36% hospitais públicos, 36% privados e 27% filantrópicos; 57% das ILPIs eram filantrópicas e 42% eram privadas. Quanto ao número de leitos, 36% dos hospitais possuíam até 50 leitos, 36% entre 50 e 150 e 27% mais de 150 leitos. Já em relação às ILPIs, 57% possuíam entre 10 e 20 e 42% acima de 30 leitos.

Em relação à formação dos profissionais, todos os questionários entregues aos hospitais foram respondidos por enfermeiros. Estes, no momento da entrevista, eram membros da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (55%), ocupavam o cargo de diretores de enfermagem (36%) ou de enfermeiros assistenciais (9%). Já nas ILPIs, 42% dos respondentes eram coordenadores gerais, 28% enfermeiros e 28% assistentes sociais.

No que concerne à aquisição dos colchões, 54% dos hospitais adquiriram por meio de compra direta ao fornecedor, 27% por licitação e 9% por meio de licitação e doação. Nas ILPIs, 71% adquiriram por meio de compra direta ao fornecedor, 14% por licitação e 14% por compra direta ao fornecedor e doação. As doações eram provenientes da Receita Federal e de familiares dos pacientes.

Quanto à periodicidade de aquisição dos colchões, prevaleceu entre os hospitais o período de um a cinco anos (72%), mas 9% dos hospitais citaram que os adquiriram há menos de um ano, 9% entre seis e 10 anos e 9% há mais de 10 anos. Nas ILPs, todas (100%) relataram adquirir os colchões no período de um a cinco anos. Os critérios citados pelos serviços de saúde na escolha do colchão a ser adquirido estão descritos na Tabela 1.

 

 

Na composição dos colchões, 73% dos hospitais utilizavam somente colchões de espuma poliuretana, 18% somente de espuma viscoelástica e 9% de espuma poliuretana e espuma viscoelástica. Das IPLIs, 72% utilizavam apenas colchões de espuma, 14% somente colchões de espuma poliuretana e de mola e 14% de espuma poliuretana e espuma viscoelástica.

As estratégias utilizadas pelos serviços de saúde deste estudo na conservação do colchão foram: avaliação periódica da integridade do colchão e do revestimento (94%), cobertura com revestimento (94%), estabelecimento de norma e rotina para limpeza e desinfecção dos colchões (94%).

O enfermeiro foi identificado pela maioria dos serviços de saúde (78%) como um dos profissionais responsáveis por realizar a inspeção do colchão e do revestimento, seguido pelo técnico de enfermagem (67%), auxiliar de higiene (55%) e outros profissionais (22%), como o coordenador da instituição e o chefe do almoxarifado.

A inspeção do colchão e do revestimento era realizada durante a limpeza concorrente da unidade do paciente (55%); a arrumação do leito (44%); a limpeza terminal da unidade do paciente (44%); a inspeção específica para esse fim era feita periodicamente segundo as normas e rotinas da instituição (5%) e em uma (5%) instituição a inspeção era procedida em outro momento.

Do total dos serviços de saúde, 94% cobrem o colchão com revestimento para protegê-lo e aumentar a sua durabilidade. Destes, 47% utilizam somente a napa para confecção do revestimento, 41% utilizavam corvin e 12%, napa e corvin. A escolha do material do revestimento foi realizada pelos profissionais segundo os seguintes critérios: resistência/durabilidade do material (83%), conforto do usuário (72%), facilidade na limpeza do revestimento e do colchão (67%) e outros (11%), como, por exemplo, a densidade, a estética e o menor preço.

Os participantes do estudo também foram questionados quanto à utilização dos produtos para limpeza e desinfecção dos colchões e seu revestimento. O álcool 70% foi o produto mais utilizado (44%) nos hospitais e (44%) nas ILPIs, porém se ressalta o uso de produtos domésticos e solvente, conforme descrito na Tabela 2.

 

 

Quanto ao critério para substituição do colchão, os hospitais mencionaram: danos no colchão e no revestimento (33%), alcance do período máximo de uso, de acordo com a marca – de um a cinco anos – (28%). Quanto à destinação final, foi identificado que eram descartados como resíduo comum (11%) e como resíduo contaminado (11%) ou recolhido e descartado por serviço terceirizado, sem especificação do destino (5%).

Já as ILPIs também relataram a substituição do colchão de acordo com a identificação de danos no revestimento (28%), a perda da densidade (28%) e o alcance do período máximo de uso, de acordo com a marca – de um a cinco anos (28%). Como destino final, ressaltam-se armazenamento na própria instituição (17%), a realização de doações (17%) e o recolhimento e descarte por serviço terceirizado (17%) sem especificações do destino, conforme apresentado na Tabela 3.

 

 

DISCUSSÃO

O ambiente dos serviços de saúde é influenciado pelas condições ligadas ao ar, às superfícies horizontais, à água, aos resíduos e ao próprio paciente, que podem apresentar riscos de contaminação biológica, principalmente.9,10

Assim, a permanência do cliente nesse meio pode interferir na sua recuperação devido a alguns fatores como a falta de higienização e as falhas na manutenção das condições de uso dos mobiliários, como o colchão.

Este estudo verificou que a maioria dos hospitais adquiriu os colchões por meio de processo licitatório, que no caso das instituições públicas é regulamentado pela Constituição Federal, art. 37, inciso XXI. Esse artigo prevê que a administração pública deve realizar compras por meio de licitações, garantindo transparência, evitando desperdícios e desvios de recursos, visando adquirir o produto com baixo preço e melhor qualidade.11 Contudo, caso o gestor não realize uma previsão de compras com datas adequadas, o processo de licitação pode interferir na periodicidade de aquisição, pois devido à grande quantidade de documentos, autorizações, pedidos, entre outros, esse processo pode tornar-se moroso.12

Em se tratando da aquisição de colchões, a respectiva demora pode refletir na utilização de colchões inadequados para o uso, aumentando o risco de transmissão de microrganismos do colchão ao paciente, por exemplo, quando há perda do revestimento.12

Já as ILPs adquiriram os colchões por meio de compra direta do fornecedor, pressupondo-se que esse processo de aquisição pode dificultar a substituição periódica dos colchões, devido à baixa condição econômica apresentada por essas instituições, situação que também pode ser reforçada devido à natureza de filantropia. Essa forma de administração permite a isenção de taxas de alguns impostos, porém grande parte dessas instituições sobrevive com o que recebe de doações e serviços voluntários da comunidade e apenas 19% do total do orçamento arrecadado são direcionados para aquisição de materiais e/ou equipamentos.13

Por mais que os serviços de saúde apresentem dificuldades em realizar a aquisição periódica de materiais, devido a processos licitatórios e baixo orçamento, por exemplo, nesta pesquisa verificou-se que tanto nos hospitais quanto nas ILPIs a periodicidade da troca dos colchões é de um a cinco anos, quesito que está de acordo com as indicações dos fabricantes. Manter essa prática permite que sejam proporcionados conforto e bem-estar ao paciente, que resultam no repouso, objetivo principal de um colchão.2

Além da periodicidade de substituição do colchão, há também os critérios utilizados pelos gestores na escolha, destacando-se a resistência/durabilidade do material, conforto do usuário e processo de higienização do colchão, itens importantes para o usuário e o gestor. Assim, é necessário que o processo de compra seja subsidiado pela ampla avaliação, que deve englobar também os fatores relacionados ao conforto, bem-estar e segurança do paciente.

No que se refere à constituição dos colchões, neste estudo não foi possível afirmar qual material seria melhor ao paciente, mas aponta-se a espuma de poliuretana como a mais indicada para o meio ambiente, por ser passível de reciclagem, diferentemente dos demais materiais.9

A maior frequência do uso de revestimento constituídos de napa ou corvim está de acordo com a Norma Regulamentadora nº 32, a qual estabelece que a capa protetora é importante para a conservação dos colchões e que a mesma deve ser constituída de material lavável e impermeável, permitindo desinfecção e fácil higienização.6 A escolha do material do revestimento com facilidade de higienização ratifica a necessidade de controlar a disseminação de microrganismos no ambiente.14

Por meio deste estudo e da literatura constatou-se que as estratégias para conservação do colchão e do revestimento formam uma tríade: avaliação periódica, utilização de revestimento e limpeza e desinfecção.15,6 Assim, há mais probabilidade de que o colchão possa ser substituído no período indicado pelo fabricante, desde que tenha sido instituída uma rotina para essa avaliação e reposição, como é estabelecida pela Agência Regulatória do Departamento de Saúde do governo do Reino Unido, que especifica as condições de reposição de dispositivos médico-hospitalares.15

Também se ressalta a importância de a inspeção ser realizada pelo enfermeiro, pois esse profissional apresenta formação fundamentada em princípios de controle de infecção, prevenção, promoção e recuperação da saúde do paciente, além de conhecimentos pautados em qualidade da assistência e segurança do paciente, que podem auxiliar no gerenciamento do colchão.16

A rotina de inspeção realizada durante a limpeza concorrente da unidade do paciente corrobora o Medical Device Alert15, que identifica a necessidade de realizar periodicamente a inspeção dos colchões, além de outras ações como remover o revestimento e inspecionar o colchão quanto à coloração e eliminar capas que apresentam rasgos. Além disso, alguns autores afirmam a necessidade de se realizar a desinfecção dos leitos de hospitais de acordo com a necessidade e não segundo critérios predeterminados.17 Outra autora complementa ao mencionar a necessidade de se remover de forma sistemática a capa dos colchões e descartar os que estiverem manchados.18

Quanto à utilização dos produtos para limpeza e desinfecção dos colchões e revestimento, os serviços de saúde utilizavam o álcool a 70%, produto considerado de baixo custo, acessível aos serviços de saúde, de fácil utilização, entre outros benefícios.19 Contudo, apesar dessas facilidades e do Manual de Higienização de Estabelecimentos de Saúde e Gestão de seus Resíduos orientar a desinfecção do revestimento do colchão com álcool a 70%20, constatou-se que alguns serviços de saúde utilizavam produtos de uso doméstico e solvente, como querosene, substância que pode provocar queimaduras químicas e dermatite irritante, principalmente quando utilizada de forma inadequada.21

Observa-se que é comum haver falhas nos processos de limpeza e desinfecção de superfícies. De acordo com estudo que analisou as condições microbiológicas de colchões hospitalares antes e após a desinfecção, constatou-se que o procedimento não estava sendo realizado de forma correta e os autores recomendaram limpeza inicial com detergente, seguida de secagem da superfície do colchão e após a desinfecção utilizando álcool a 70%.3

Durante a limpeza e desinfecção, devem-se avaliar as não conformidades em relação ao estado do colchão, deformidades, manchas não removidas com a limpeza e perfurações no revestimento, de forma a impedir maior dano ao colchão.

Assim, o critério de realizar a substituição do colchão quando o mesmo apresentar algum dano pode ser minimizado se a inspeção ocorrer de forma sistematizada, pois poderá possibilitar que apenas seja trocado o revestimento e não necessariamente o colchão, de maneira a diminuir a geração de resíduos.

No tocante ao descarte do colchão, de acordo com o Conselho Nacional do Meio Ambiente o gerenciamento dos resíduos, cabe aos geradores e ao responsável legal das instituições desde sua geração até a disposição final, de forma a atender aos requisitos ambientais, de saúde pública e saúde ocupacional.22 Porém, tanto os gestores dos serviços de saúde quanto as autoridades responsáveis pelo recolhimento e eliminação e a literatura sugerem que o destino dos colchões inutilizados constitui um desafio devido à falta de regulamentação.9

A dificuldade em descartar o colchão foi citada pelos participantes, que declararam armazenar ou doar esse dispositivo médico-hospitalar. Essa situação pode propiciar a disseminação de microrganismos, visto que esses colchões não recebem tratamento especial antes do descarte, e contribuir para a redução da vida útil dos aterros sanitários e a exposição da população a resíduos descartados de forma inapropriada.

Uma das medidas para minimizar o problema do descarte incorreto seria recolher os colchões provenientes de hospitais, de escolas e instituições de privação de liberdade para realizar a trituração e a separação de compostos, o que permite a reciclagem de cerca de 60% de cada colchão.9 Esse processo auxiliaria tanto os serviços que geram o resíduo quanto o responsável pelo destino final do colchão. Essas estratégias, infelizmente, não são encontradas na literatura brasileira.9 Outras medidas seriam remover o revestimento do colchão, lavá-lo em máquina de lavar roupas de uso hospitalar com capacidade adequada para material desse porte, realizar a desinfecção térmica e/ou química, avaliar seu estado e, posteriormente, doá-lo às instituições de caridade.9

 

CONCLUSÃO

Os resultados da pesquisa identificaram que os gestores das instituições de saúde adquirem colchões que apresentam resistência/durabilidade do material, seguido do conforto do paciente. Para conservá-los, utilizam álcool a 70% e água e sabão e para descartá-lo observam-se danos no revestimento. Os participantes do estudo também expressaram dificuldade e desconhecimento quanto à manutenção e descarte dos colchões.

Assim, é pertinente que órgãos reguladores instituam normatização específica para a conservação e destino final dos colchões, pois a ausência de normas pode afetar a qualidade da assistência – devido à disseminação de microrganismos – e, consequentemente, o aumento no tempo de internação e a interferência na recuperação do paciente. Além disso, consideram-se as consequências negativas que o descarte incorreto traz ao meio ambiente e a população. Portanto, ressalta-se que a assistência ao paciente está além do ambiente dos serviços de saúde, pois também é pautada em questões ambientais. Dessa forma, é imprescindível que o gestor e os órgãos reguladores se sensibilizem e procurem contemplar as questões ecológicas, por meio do desenvolvimento e de conhecimentos de normas sobre conservação e reciclagem de materiais de uso permanente, como colchões.

Diante dos resultados do presente artigo, acredita-se que o desenvolvimento de estudos semelhantes a este proporcionará aos gestores reflexões e mudanças quanto ao gerenciamento do colchão.

 

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