REME - Revista Mineira de Enfermagem

ISSN (on-line): 2316-9389
ISSN (Versão Impressa): 1415-2762

QUALIS/CAPES: B1
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Enfermagem UFMG

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Volume: 14.1

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Revisão Teórica

Postilla religiosa e a arte de enfermeiros: a primeira obra em Português para o ensino de enfermagem no século XVIII

Religious chart and nurses' ability: the first Portuguese work for nursing education in the eighteenth century

Djalma Vieira Cristo NetoI; Irene FulgêncioII

IEnfermeiro. Especialista em enfermagem cardiovascular pelo IEC-PUC Minas. Professor substituto do Departamento de Enfermagem Aplicada da Escola de Enfermagem da UFMG
IIAcadêmica de enfermagem da Universidade José do Rosário Vellano - UNIFENAS

Endereço para correspondência

Djalma Vieira Cristo Neto
Rua Curitiba, 1553, apto. 304. Lourdes
CEP: 30170-122. Belo Horizonte-MG
Tel: 55 (31) 8742-3112
E-mail: dvcnx@hotmail.com

Data de submissão: 27-10-2009
Data de aprovação: 9-12-2009

Resumo

Neste estudo bibliográfico, resgata-se a primeira obra escrita em português com ensinamentos para a realização dos cuidados de enfermagem - a Postilla Religiosa e a Arte de Enfermeiros, escrita por Padre Frei Diogo Santiago em 1741. A obra contém 300 páginas e três tratados, sendo o segundo de importância para a enfermagem, com os mandamentos e dizeres da boa assistência ao paciente. Neste artigo, ver-se-ão, de forma breve, sua história, itens importantes e outras obras que fundamentaram a enfermagem em pleno Século das Luzes e têm impacto, atualmente, na assistência ao paciente.

Palavras-chave: História da Enfermagem; Educação em Enfermagem; Literatura; Cuidados de Enfermagem

 

INTRODUÇÃO

Na historiografia da enfermagem no mundo, há particularidades que estão associadas à formação dessa ciência no Brasil. Sabe-se que do período de 1500 a 1822 o Brasil foi colônia de Portugal e, dessa forma, a enfermagem, como várias ciências, estava subjugada aos modelos portugueses de trabalho, legislação e formação.

Antes de tratar dessas particularidades, é necessário retornar à formação de uma das ordens religiosas mais poderosas de Portugal no século XVII.

João de Deus foi o precursor das preocupações com a humanização dos hospitais dois séculos antes de essa ideia começar a ser partilhada pelos espíritos iluministas do século XVIII na França e na Inglaterra. Tomado como louco, foi internado no Hospital Real de Granada (que, entretanto, havia sido edificado pelos reis católicos, após a conquista de Granada em 1492) e conheceu, então, a dura e cruel situação dos doentes mentais e a violência dos tratamentos a que eram submetidos. Foi nessa ocasião que descobriu, finalmente, sua vocação: a de hospitaleiro.

João de Deus faleceu em Granada (1550). Em 1690, Roma canonizou esse português, transformando-o mais tarde em padroeiro dos hospitais e dos doentes (1886) e dos próprios enfermeiros (1930).1,2

Depois da sua morte, alguns discípulos fundaram a Ordem Hospitaleira de São João de Deus. Com sede em Roma, essa congregação, essencialmente laica, teve papel de destaque na Península Ibérica e nos territórios ultramarinos pertencentes a Portugal e Espanha (Índia, Brasil, África, etc.), na administração de hospitais, na assistência aos enfermos e, sobretudo, na assistência aos soldados e marinheiros.

Segundo Nogueira,3 "durante parte dos séculos XVII, XVIII e XIX, quase todos os hospitais militares de Portugal e Espanha eram assistidos pelos religiosos de São João de Deus, os quais neles trabalharam até a exclaustração", ou seja, no caso português, até 1834 (ano em que foram extintas as ordens religiosas, por decreto de 30 de maio, bem como as ordens militares, por diploma de 30 de junho).

A partir do Decreto de D. João IV, de 3 de maio de 1643, a Ordem Hospitaleira de São João de Deus ficou incumbida de fundar, construir e administrar toda a rede de hospitais militares de campanha, aquém e além-mar. Desde 1645, os hospitaleiros de São João de Deus não só administravam uma vasta rede de hospitais militares, de campanha e de retaguarda, como neles prestavam os cuidados de enfermagem.4,5

A Postilla Religiosa e Arte de Enfermeiros é o primeiro manual de formação em cuidados de enfermagem de que se tem notícia em Portugal e, com tal importância histórica, deveria ocupar um lugar de destaque na história do ensino das ocupações e profissões em saúde. Não o tem sido porque a obra é praticamente desconhecida.6

Sua publicação ocorreu em 1741, depois da necessária autorização das autoridades civis e religiosas, incluindo o competente parecer do médico da Câmara Real e físico-mor do Reino. Seu autor é o padre frei Diogo de Santiago, religioso da Ordem Hospitaleira de São João de Deus. Ela destinava-se explicitamente à formação dos noviços do Convento de Elvas em Portugal, visando à "perfeição da vida religiosa e voto da hospitalidade", sendo apresentada como resultado da experiência do autor em "quarenta anos de Religião".7

 

FORMATAÇÃO DA OBRA E SUAS DIVISÕES

O livro tem 300 páginas, subdivididas em três grandes tratados, os quais são subdivididos em capítulos. O primeiro Tratado, chamado Postilla religiosa, contém "advertências para a perfeição religiosa do estado de noviço até ao de prelado superior", dividido em cinco capítulos, indo da página 1 à página 71.7

O segundo Tratado possui o título Arte de enfermeiros e como subtítulo "Para assistir aos enfermos, com as advertências precisas para a aplicação dos remédios". É o mais extenso em capítulos (59) e em páginas (72 a 172). O último Tratado chama-se Advertências para bem morrer, tem sete capítulos e cerca de 80 páginas, incluindo anexos da página 173 à página 256; seu conteúdo tem a ver com "o modo para o enfermo examinar a sua consciência, exortações para a sua salvação, forma de fazer o testamento e para ajudar a bem morrer". Ao final, há um índice temático, de A Z, da página 257 à página 300, com as "coisas mais notáveis deste livro", que ajuda o leitor a recapitular e a memorizar a matéria.7

 

O TRATADO II E SUA IMPORTÂNCIA PARA A ENFERMAGEM

Os capítulos que compõem o Tratado II são, sem dúvida alguma, os mais interessantes do ponto de vista da arqueologia dos saberes e das práticas em enfermagem, embora o autor se limite a divulgar alguns dos conhecimentos da época, ainda em grande parte derivados da medicina arábico-galênica. Todavia, o autor faz questão de apresentar a "arte de enfermeiros na praxe moderna [...] revista e corrigida por médicos doutos e cirurgiões peritos".7

Apesar de se estar em pleno Século das Luzes, a enfermagem era entendida como a aplicação de medicamentos ou tratamentos sob a prescrição de médicos ou cirurgiões, sem qualquer intensão mais firme, pretensão ou reividicação de autonomia técnica. Há, no entanto, instruções interessantes que apontam para as especificidades da "arte de enfermeiros", tais como:

1. Registro de enfermagem (página 75, nº 108);

2. Segurança dos medicamentos (página 76, nº 109);

3. A posologia e a ordem a seguir na administração dos medicamentos e tratamentos (páginas 118-121, nº 219-222);

4. Os procedimentos a serem observados em caso de hemorragia e na ausência do cirurgião (páginas 8487, nº 126-134);

5. Os cuidados necessários quando o paciente se submetia à sangria (páginas 142-144, nº 272);

6. Quando o doente era um portador da terrível e vergonhosa sífilis (páginas 163-169, nº 318-326);

7. Sem esquecer as preocupações éticas e o dever de hospitalidade (página 172, nº 331).7

Embora a enfermagem seja entendida como vocação e dever de caridade à época, não deixa de dar importância aos aspectos psicossociais da relação terapêutica, como diria atualmente. Santiago7 não coloca em seu texto a subordinação da enfermagem ao poder médico, mas defende que o enfermeiro deve pautar o seu comportamento pela "experiência", o "crédito da ocupação" e o "voto solene de Hospitalidade", já que dos seus atos"pende a vida e a saúde dos enfermos". A prática médica ou a "arte de curar", segundo Galeno, citado por Pina, 8 ainda se baseava, na época, na famosa teoria dos quatro humores e do seu indispensável equilíbrio para explicar a doença e manter a saúde.

Ressalte-se que desde a escola hipocrática o Universo e o corpo humano são compostos por quartro elementos fundamentais: fogo, água, terra e ar. Esses quatro elementos estavam associados a quatro qualidades: quente (fogo), frio (água), seco (terra) e húmido (ar). A vida era mantida pelo equilíbrio desses quatro humores ou fluídos, cada um procedente de uma determinada parte do corpo humano e possuíndo diferentes qualidades:

• o sangue (coração), quente e úmido;

• a fleuma (cérebro), fria e úmida;

• a bile amarela (fígado), quente e seca;

• a bile (baço), fria e seca.

O predomínio de um desses humores na constituição do indivíduo resultava em determinado tipo fisiológico ou caráter: o sanguíneo, o fleumático, o colérico ou o melancólico. A doença não seria mais do que o desequilíbrio dos humores e o papel do médico e do enfermeiro consistia, então, em ajudar o corpo a seguir os seus processos normais.

Ainda de acordo com os ideais hipocráticos, as doenças que resultassem da plenitude eram curadadas pela evacuação, as provenientes da vacuidade por repleção e, em geral, os contrários pelos contrários, daí o uso e abuso até o século XIX dos purgantes, vomitivos, cautérios e sangrias a fim de reestabelecer o equilíbrio dos humores. Santiago8 chamava as purgas ou clisteres de "ajudas".

Mesmo não sendo médico, o autor reproduz as concepções terapêuticas que estavam em uso na época, as quais, essencialmente, são baseadas nesse modelo arábico-galênico de medicina, como se pode ver no excerto abaixo da lição 325 da Postilla7 :

325. Se a evacuação for por cursos, e estes causarem grandes dores ao enfermo, se lhe lançarão ajudas lavativas de caldo de frango, gema de ovo e açúcar, para se temperar a mordacidade dos humores que se movem. Sendo a evacuação por suor copioso, se lhe deitarão lençóis enxutos e enxovalhados, defumados e quentes, em forma de o enfermo não receba nenhum ar, porque lhe faria grande prejuízo.

 

OUTRAS OBRAS DE IGUAL PIONEIRISMO PARA O ENSINO DA ENFERMAGEM

O livro estava longe de ser uma obra pioneira e original. Na Espanha, a preocupação com a formação do pessoal religioso envolvido nos processos de cuidado em enfermagem já remontava o século XVII. Dessa época, temos manuais como: Instrucción de enfermeros, de Andrés Fernández (publicado em Madrid, em 1617); e o Directorio de enfermeros, de Simón López (1651, não publicado). Ambos os autores eram "Irmãos Hospitaleiros", o primeiro pertencente aos Hermanos Obregones, congregação fundada por Bernardino Obregón (1540-1599), e o segundo, ao ramo espanho da Ordem Hospitaleira de São João de Deus9.

Outra obra de grande relevância da historiografia da enfermagem, escrita por um médico para não médicos, é Luz da medicina prática racional e metódica: guia de infermeiros, directório de principiantes, editada em Lisboa em 1664 e que até 1700 teve um grande sucesso, a avaliar pelas suas cinco edições conhecidas. Seu autor foi Francisco Morato Roma (1588-1668), oriundo de Castelo de Vide (e por isso, muito provavelmente, um cristão-novo), médico da câmara real nos reinados de D. João IV e de D. Afonso VI. Segundo Lemos,10 a obra destinava-se a "indivíduos de poucos conhecimentos médicos", resumindo-se à divulgação da medicina arábico-galênica ainda em vigor na época.

 

ITENS RELEVANTES PARAERMAGEM

Na obra Postilla Religiosa e Arte de Enfermeiros, existem algumas boxes presentes como notas de relevância para o processo de enfermagem a época. Dentre esses boxes, foram selecionados alguns que impressionam pelo seu pouco distanciamento com a realidade da enfermagem em os dias.

Registro de enfermagem

Item 108. Todos os dias de manhã e tarde fará visita particular aos enfermos, principalmente aos que necessitarem de maior cuidado, para dar ao médico informações do que lhe fez como cuidado, e como tem passado; porque alguns enfermos não sabem dar a indicação necessária; e o Médico, quando os enfermos são muitos, não se pode lembrar do que a todos tem mandado fazer: o que você remediar com muita facilidade, assim pela informação, que deles tens adquirido, como pela lembrança, que na tábua da visita tens formado, sem a qual não visiteis nunca com o Médico, ainda que os enfermos sejam poucos, que não é razão que a sua memória seja fiadora da vida, ou da saúde do enfermo.7:75

Segurança das Medicações

Item 109. Os remédios, que aplicares aos enfermos, sejam só pela sua mão, e a tempo; que as medicinas dilatadas se privam do nome de remédio, disse Quintiliano. Nunca deis remédio bebido sem primeiro ser mexido, e água ao enfermo para lavar a boca, por evitar o prejuízo de o lançar fora. Tende muito, e muito particular cuidado nos números, que trazem os medicamentos, para que não haja equivoco na aplicação deles; e não só nos números tereis esta vigilância, mas também na cor, cheiro, e qualidades deles; porque nas boticas sucede muitas vezes porem se os números errados, como eu tenho várias vezes experimentado, e outros muitos Enfermeiros, o que se tem remediado com a experiência dos remédios.7:76

Relação de enfermeiro/médico

Item 331. Neste, e em todos os mais remédios, que contém esta Arte de Enfermeiros, não vai expressada mais que a forma de se aplicarem, que é o que pertence ao Enfermeiro; o qual para acertar, deve além do referido conferir com o Médico, e Cirurgião a forma da execução deles; porque ainda que esta Arte de Enfermeiros esteja revista por Médicos doutos, e Cirurgiões peritos, como são diversas as opiniões, deve o Enfermeiro seguir a do Médico, com que visita os enfermos; mas isto no caso que a experiência lhe não mostre é menos conveniente o que o Médico determina, e deve com ele conferir o mais acertado; porque há Rábulas, que melhor que um Letrado endireita uma causa; e como desta pende a vida, e saúde dos enfermos, deve o Enfermeiro procurar seja tudo com acerto por crédito da ocupação; e obrando assim, se livrará dos escrúpulos de consciência, em que esta assistência tanto anda anexa, pelo voto solene da Hospitalidade, que todos os Religiosos de S. João de Deus fazemos.7:172

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao se abordar o tema de "história da enfermagem", percebe-se que os textos, em sua ampla maioria, retratam, de forma intensa, a enfermagem após Florence Nightingale. Não se pode retirar o seu mérito como matriarca de uma nova dalidade de enfermagem, moderna e mais estruturada, pois, na observação e leitura de estudos sobre a profissão nesse período lembrado como a "era das trevas", muitos conceitos e modelos, ainda hoje seguidos, derivam dessa fase.

Dessa maneira, lidamos com uma obra escrita em 1741, anterior às teorias firmadas da fisiologia ou da microbiologia, mas que continua moderna em alguns aspectos relevantes, dentre eles: o senso de humanidade e respeito ao paciente ou enfermo, o trabalho associado ao conhecimento de outras disciplinas, como o frei Diogo de Santiago falou no decorrer de sua obra. Nos tópicos citados no último item deste artigo, podemos perceber que os preceitos exibidos permanecem presentes nos códigos de ética e disciplinas do ensino da enfermagem mais modernos. Pontos estes que comprovam tratar-se da enfermagem como arte do cuidado e ciência bem mais antiga do que aparenta ser ou como os historiadores desejam ver.

Associações entre o conhecimento e o cotidiano presentes na relação enfermeiro e médico ainda buscam raízes na atualidade, sem a rivalidade dita em vários discursos atuais. Mas aqui há a presença marcante de um princípio, o do trabalho transdisciplinar, como forma de melhor assessoria ao enfermo, prevendo o respeito entre cada profissão e a enfermagem como marca presente na história das ciências humanas.

Até meados do século XIX, a enfermagem brasileira e a portuguesa andam pelos mesmos caminhos, entrelaçadas em estruturas laicas ou não, mas fundamentadas na imagem da caridade e vocação. As misericórdias, que surgiram em Portugal em 1498 e tomaram dimensões pelo mundo, atingindo locais inimagináveis como o Japão, mas sobremaneira as colônias portuguesas e em destaque o Brasil, servem como atendimento aos enfermos desfavorecidos socialmente, modelo fundamental de caridade.

Assim, redescobriu-se uma obra importante, antiga em data de publicação, mas perfeitamente adaptável aos nossos caminhos no século XXI. Uma forma de provar que para se construir um futuro deve-se, acima de tudo, rever o passado e descobrir que não é preciso reinventar nada, mas melhorar, transcender e evoluir o que já existe, baseando-se sempre no passado.

 

REFERÊNCIAS

1. Província Portuguesa da Ordem Hospitaleira de S. João de Deus. História. [Citado 2009 ago. 21]. Disponível em: http://www.isjd.pt/

2. Sterpellone L. Os santos e a medicina: médicos, taumaturgos, e protetores. Lisboa: Paulus; 1998.

3. Nogueira M. História da enfermagem. 2ª ed. Porto: Salesianas; 1990.

4. Borges AM. A Ordem Hospitaleira de S. João de Deus na Praça e Vila de Almeida. Lisboa: Terras da Beira; 2004. p. 15

5. Borges AM. O Baluarte, Hospital e Rua de S. João de Deus na Praça e Vila de Almeida. Lisboa: Hospitalidade; 2003. p. 39-41.

6. Graça L. Apresentação: a arte da enfermagem no século XVIII. In: Santiago D Padre. Postilla Religiosa, e Arte dos Enfermeiros. Lisboa: Alcalá; 2005. I-VI.

7. Santiago D Padre. Postilla Religiosa, e Arte dos Enfermeiros. Oficina de Miguel Manescal da Costa, impressor do Santo Ofício (Edição em fac-símile, em parceria com A Ordem Hospitaleira de São João de Deus. Lisboa: Alcalá; 2005.

8. Pina L. Medicina e médicos. In: Serrão J Dicionário de História de Portugal, vol. IV. Porto: Figueirinhas; 1981.

9. Ferreira FAG. História da saúde e dos serviços de saúde em Portugal. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian; 1990.

10. Lemos M. História da medicina em Portugal: instituições e doutrinas. Lisboa: D.Quixote; Ordem dos Médicos; 1991.

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